
Começou o projeto CINEMADRUGADA!
A primeira sessão foi na última sexta-feira 7, com os filmes A Bela da Tarde, de Luis Buñuel, e A Dama do Lotação, de Neville de Almeida.
Fui com boas expectativas porque o projeto mescla cinema e música no Cineclube Unibanco Savassi.
Funciona assim: enquanto uns assistem ao filme, outros dançam na pista. Eu tinha pensado que não daria muito certo, mas foi legal!
Tenho duas ressalvas.
Parece que a produção do evento não testou a cópia antes e a projeção de A Bela... teve que ser interrompida para tentar ajustar a cor. Não conseguiram! Mesmo assim, foi possível constatar toda a beleza de Catherine Deneuve.
Os filmes exibidos eram em dvd.
Constrangedor assistir ao filme de Neville logo após ver a famosa película do diretor de Os Esquecidos.
Deu um pouco de dó do na época musculoso Nuno Leal Maia e da protagonista Sônia Braga.
Por lá, há quem tenha gostado dos diálogos inspirados no conto de Nelson Rodrigues.
Enfim.
Um projeto legal de Belo Horizonte.
Com público.
* * *
Programação:
Sexta, 21 de novembro
23:10 - Blow Up (Michelangelo Antonioni, 1966)
01:30 - A Lira do Delírio (Walter Lima Jr., 1978)
Sexta, 05 de dezembro
23:10 - Muito Além do Jardim (Hal Ashby, 1979)
01:30 - 2001: Uma Odisséia No Espaço (Stanley Kubrick, 1968)
Sexta, 19 de dezembro
23:10 - Jackie Brown (Quentin Tarantino, 1997)
01:30 - O Dragão Chinês (Wei Lo, 1971)

Usina Unibanco, sábado, 11/10/08
Os 10 mandamentos do Indie
1 - Ver a fila à sua frente engordar e não poder reclamar porque também guardou lugar para um amigo
2 - Fôlego para encarar sessões duplas, triplas ou até quádruplas
3 - Chegar atrasado, conseguir entrar em uma sessão concorrida e assistir ao filme no chão
4 - Bom humor para ficar na fila e correr o risco de não entrar na sessão
5 - Fazer massagem no pescoço do amigo que assistiu a um filme na primeira fila
6 - Lanche barato e rápido na fila
7 - Roupa confortável para encarar as filas de pé
8 - Ser supreendido por um cheiro de coxinha no meio da sessão
9 - Casacos à mão para se defender do ar-condicionado
10 - Conversar sobre os filmes com alguém que não conheça
* * *
“As pessoas vêm para o Indie é para serem vistas na fila!!!”.
“Olhem esses cartazes de papelão! Esse ano faltou dinheiro!..”
No meio da tarde do último sábado 11, um amigo ouviu essas frases no segundo dia do festival de cinema que atrai o maior público em Belo Horizonte.
Comentários estranhos eu também ouvi na sessão de abertura na quinta-feira 9. O filme de Philippe Garrel, A Fronteira da Alvorada, não agradou ao público convidado. Ao final da exibição, as pessoas só queriam falar do ‘fantasma’ da bela protagonista.
(Mas no Indie cabe a diversidade de gentes).
Dezessete países estão representados na mostra 2008.
* * *
Anywhere USA, A fronteira da alvorada e A cabeça de mamãe
Na oitava edição, 134 filmes em sete dias. Uma das maiores angústias do festival é o critério de escolha do que se ver. Sinopses disponíveis no site e uma publicação impressa tentam ajudar o público ansioso por uma boa experiência estética e sonora.
Curioso é que dos três filmes que assisti, todos tinham erro no resumo. Além de A Fronteira..., o francês A Cabeça de Mamãe, da diretora estreante Carine Tardieu e Anywhere USA, de Chusy Haney-Jardine.
Esse último teve exibição concorrida. As pessoas se acomodaram também no chão, bem ao espírito Indie. De diferente, a presença de uma das produtoras - que é belo-horizontina - e cartaz nos murais do Usina Unibanco de Cinema com recomendação de Quentin Tarantino.
Simultaneamente, a mostra Indie Brasil exibia Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader, documentário que conta a história do poeta baiano Waly Salomão e que tinha lugares vazios.
Conversando com uma convidada na sessão de abertura do Indie 2008, ela contou que os filmes brasileiros são os que têm menor público.
por Valéria Mendes
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Cristina Teixeira de Oliveira, 33 anos, não é cantora, não é operadora de tele-marketing e nem trabalha fazendo imitações. No entanto, ela também ganha a vida com a voz. Cristina é vendedora de bilhetes lotéricos no Centro de BH. Quem já passou, durante o dia, pela rua Goiás, esquina com rua da Bahia , já deve ter ouvido a moça: “Mega-Sena acumulada, 25 milhões é o prêmio acumulado da Mega-Sena pra hoje. Acumulou a Mega-Sena pra hoje”.
(Clique aqui e ouça Cristina trabalhando. Sempre passo por ela, por volta das 2 da tarde. Nunca comprei bilhetes lotéricos em minha vida, mas sempre quis parar para conversar com aquela moça. Nesta semana, parei e pedi um pouco de seu tempo).
Cristina é cega desde que nasceu. “Eu nunca soube o que é ver, pois nunca vi. Não consigo definir uma cor, nem nada. Tenho glaucoma congênito”, conta. Para ela, entretanto, “o fato de já ter nascido assim fez com que as coisas fossem mais fáceis”. Mas em que sentido? (estranhei) “É claro que temos nossas limitações, mas uma pessoa que enxerga e perde a visão durante a vida tem muito mais dificuldades que eu. São pessoas acostumadas com tudo, levam uma vida ‘normal’, e, de uma hora pra outra, perdem a visão, então elas se sentem com muito medo, ficam inseguras”.
Cristina trabalha há 14 anos vendendo bilhetes lotéricos. Foi seu primeiro e único trabalho. “Eu sempre tive sorte para vender”. Sorte e voz. Por trabalhar de segunda a sexta, das 7h30 às 16h (com exceção das tardes de segunda e quarta), Cristina quase sempre fica rouca à noite. “Tomo muita água, água filtrada. Quem trabalha com vendas e usa muito a voz não pode tomar coisas geladas, deve evitar ao máximo. Eu uso também própolis na garganta, faço gargarejo com água morna com sal”.
Antes de trabalhar no lugar atual, ela ficava na rua Curitiba, em frente à Galeria do Ouvidor. “Mas fui obrigada a sair de lá, por dois motivos”. O primeiro deles foi a chegada de lojas como Ricardo Eletro e Casas Bahia, “que colocavam som muito alto, o que me impossibilitava de gritar”, diz. “A outra razão é o pessoal de uma joalheria, que implicava comigo, alegavam que eu atrapalhava a loja, pois a funcionária que trabalhava no caixa estava errando muito as contas... diziam que eu gritava muito alto”.
Cristina não sabe dizer ao certo quantos bilhetes vende ao dia, pois depende do prêmio ou se a Mega-Sena está acumulada. Ela acredita que, por ser mulher, isso ajuda. “Geralmente os homens dão mais preferência para as mulheres... não que eu esteja discriminando, mas, em geral, as pessoas são mais solidárias a nós...”
Durante nossa conversa, que durou cerca de 10 minutos, quatro clientes se aproximaram. Todos já a conheciam e a chamavam pelo nome. Um deles já chegou cumprimentando: “Cristina, tudo bem? Me dá uma mega-sena, aí! Quero um bilhete premiado”, brincou. “Esse aqui, Flávio, está premiadíssimo, disse Cristina, sorrindo”. O senhor compra bilhetes toda semana: “dou preferência a ela, pois faço duas coisas ao mesmo tempo: ajudo e arrisco a sorte”, falou, já saindo, antes que eu fizesse mais perguntas...

Quando chega um cliente, ela nota na hora. “Tenho uma noção muito boa, consigo perceber pela sombra, quando se aproxima uma pessoa”. “Você percebeu, então, quando eu estava chegando?”, perguntei. “Percebi, só não percebo quando estou distraída. Se eu estiver atenta, andando devagarzinho, dá pra eu sentir que há alguma coisa na minha frente, não dá pra definir o que é, mas sinto a sensação de algo, aí sei que devo parar para não trombar”.
Já aconteceu de alguém dar o dinheiro errado, de má-fé, sem que ela percebesse? “Uma vez ou outra já aconteceu, sim”, disse. “Mas pessoas que compram comigo toda semana, ou quase todos os dias, geralmente não fazem isso, não.”.
Para não atrapalhar mais seu trabalho, agradeço pela conversa, e me surpreendo com a pergunta: “A entrevista vai passar na televisão para gente assistir?”. Não, Cristina, vai ficar só no site mesmo. “Ah, mas que pena, mas quando precisar pode voltar, tá?”, completa.
Eu me despeço e me afasto. As pessoas em volta estão com pressa, entram em um banco, sacam dinheiro, as pessoas param, esperam, atravessam a rua, os carros buzinam, enquanto dois moços sentam na calçada, uma mulher de salto alto arruma o cabelo e Cristina volta ao trabalho: “Mega-Sena acumulada, 25 milhões é o prêmio acumulado da Mega-Sena pra hoje. Acumulou a Mega-Sena pra hoje”.
Vocês sabiam que o Papai Noel do Bairro, de barba branca, cumprida e com roupa vermelha, pode ser um dos nossos próximos vereadores? Também podem o Célio Miranda Menino Bom, o Alberto Cowboy e a Sônia Barbosa Kate Marrone. Como ocorre em toda eleição, chega a ser engraçado, de tão bizarro, o horário eleitoral para vereadores (e para prefeito?). Alguém já viu os dessa temporada? Quem estiver em casa por volta das 13h ou 20h30, recomendo. Neste ano, eles estão mais criativos do que nunca.
Foto: Thiago Ventura/Portal UAI
Criatividade é o que não falta, mesmo. Um candidato (foto acima), fã do roqueiro Raul Seixas, diz que irá acabar com os corruptos, se eleito. Ao terminar sua fala de apresentação, ele canta “Viva a Sociedade Alternativa, Viva!”. Ainda no tema musical, o Vovô do Rock, outro candidato, diz que é pela “valorização do Rock em BH”. Importante, não? Fundamental para resolver os problemas sociais de BH.
Há ainda aqueles que, na falta de criatividade, tentam algum bordão. Walter do Bicho, por exemplo, “brinca” com o trocadilho infame "Esse é o bicho!". Já um outro gosta mesmo é de rimas: Lindomar Já Ouviu Falar. Perceberam a rima rica? No quesito rivalidades, um tal de Raposão diz que é contra uma tal candidata do Galo. Falando em aves, um candidato diz que é filho do Sabiá. Ah, sim, OK! Já o Hamilton Cabeleireiro é corporativo: “Cabelereiro vota em cabelereiro”. E idiotas votam em idiotas?
Nas eleições passadas, havia uma evangélica que, após pedir nosso voto, terminava seu discurso dizendo que “feliz é a nação cujo Deus é o senhor”. Acho eu, porém, que "felizes" somos nós, os belohorizontinos, que temos candidatos assim, que fazem de coisa tão séria, como a política, mera piada!
Um apanhado de frases feitas, clichês, convicções, desabafos ao léu, falas ditas para ninguém que todo mundo escuta...
