16/05/2008

Palco para Miss Gay

Novidade no Miss Brasil Gay 2008. O concurso, realizado em Juiz de Fora há 32 anos, inaugura um novo espaço: O CINE TEATRO CENTRAL. No coração da “Princesa de Minas”, a Rua Halfeld, o teatro é belíssimo, foi todo restaurado, depois de ficar um tempo jogado às moscas, agora recebe talentos do teatro local e nacional, assim como shows. Pela primeira vez, a construção, do início do século passado, vai abrigar uma festa, que antes acontecia em ginásios. O que muda com isso?

 

O travesti precisa do palco, aliás ele é o PALCO. No beco sujo fedendo a mijo, na esquina mais perigosa da cidade, na cama de motel com o executivo que precisa realizar suas fantasias, “os travestis fazem com que as coisas não funcionem por si mesmas”, como definiu Andy Warhol.

 

Nos últimos anos, o Miss mudou. Surgiu uma parceria saudável e produtiva entre os pioneiros dos primeiros concursos e o pessoal do MGM (Movimento Gay de Minas) e outros da nova geração. Isso é um exemplo de diversidade, palavra que a comunidade gay fala, fala, fala, mas nem sempre coloca em prática. O Miss dos estádios era uma festa do balacobaco. Super organizado, mas com o calor das arquibancadas, a fechação no bar do clube, a pegação no banheiro inundado de xixi, os bastidores e a força e o glamour de Chiquinho Mota, cabeleireiro, que se transforma em Mademoiselle Debret le Blache Le Blanc, uma releitura de Maria Augusta, que conduzia  o concurso de Miss Brasil com seu lendário bastão.   

 

Freqüento o Miss desde os anos 80. Já fui na arquibancada, em mesas, fui convidado para o júri (não compareci, enfiei o pé na jaca na véspera e não deu, sorry, Chiquinho). Nos últimos anos, Juiz de Fora vira uma San Francisco por uma semana com o Rainbow Fest, organizado pelo MGM. Palestras, festas, é uma animação só que culmina com a parada, que este ano será no domingo.

 

Agora, acho estranho o MISS no CINE TEATRO CENTRAL. É Um teatro para se assistir a um espetáculo, onde espectador/ator ficam à distância. O Miss, na sua concepção desde 1976, é uma festa interativa. Enquanto rola o concurso, o pessoal circula. Bar, banheiro, arquibancada, mesa, olha o conhecido que não vejo ali há anos, bar de novo, um xixi rápido. O CINE TEATRO CENTRAL não me parece um espaço para este basfond, que é ótimo, claro sem excessos e respeito aos outros. Será que vai dar certo? Tomara, afinal, THE SHOW MUST GOES ON.. E se der errado (pé de pato mangalô três vezes!) ano que vem tem mais......

 

Este artigo é uma colaboração do internauta Walter Rebouças, Especialista em História e Estética do Cinema (Universidade de Valladolid, Espanha).    

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Tags:   miss  gay,  travesti,  MGM,  Rainbow 
12/05/2008

BEIJO GAY VETADO!

A Globo vai vetar o beijo gay na novela “Duas Caras”. Agnaldo Silva teria se manifestado a favor da cena em que Bernardinho e Carlão se beijariam numa cerimônia de união civil. Parece que o manual de bons modos da Globo não contempla carícias e beijos entre homossexuais.

 

Me respondam: alguém aí tinha dúvida desse veto? Alguém achava que esse beijo aconteceria? Só faltam dizer que coelhinho da Páscoa existe mesmo.

 

E tem mais: Afeto entre pessoas do mesmo sexo fere os manuais de bons modos, mas transformar um caso triste e doloroso como o da menina Isabella nesse espetáculo de baixaria em busca de audiência não fere a ética nem mancha os manuais do bom comportamento e dos bons costumes.

 

E o tal do BBB, o que falar daquilo??

 

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