Veio ver Verissimo?


Sexta-feira, 04 de julho de 2008

A Arte Oriental da Sedução

(extraído de "Amor Brasileiro")


O Karatê, o Kung-fu e o Etcete-rá difundiram, no Ocidente, as artes marciais do Oriente. Desenvolvidas durante séculos de autodisciplina, introspecção e luxações da mão, as artes orientais de ataque e defesa são hoje praticadas em todo o mundo por um público cada vez mais interessado nesta mistura de ritual religioso, condicionamento físico e prático método de destruir telhas. Poucos sabem, no entanto, que enquanto os guerreiros orientais aperfeiçoavam a sua arte de matar ou incapacitar o inimigo, um grupo dissidente , isento do serviço militar por obscuras razões morais, desenvolvia outra técnica de confrontamento pessoal, menos difundida mas igualmente oriental: o Ache-gô, ou a arte da sedução sub-reptícia do milenar sexo oposto.

 

Existe muita semelhança entre o Ache-gô e as artes marciais. Como estas, o Ache-gô, através de séculos de experiência, tapas na cara e novas experiências, chegou a uma depuração final dos pontos vulneráveis do corpo humano e, no caso, feminino. Um adepto do Ache-gô deve decorar a localização precisa destes pontos para, na hora do leão da montanha sorver a água da vertente azul, saber exatamente onde atacar. Treine, de preferência com uma prima. Um mestre de Ache-gô pode colocar o dedo no Vão dos Suspiros (ver descrição abaixo) antes mesmo de que sua presa se refaça da surpresa de vê-lo pular de trás do armário. Como introdução à arte do Ache-gô, aqui estão os principais pontos de acesso aos favores femininos, quando tudo o mais falhou. Recorte, decore, amasse e engula antes que ela descubra:

 

 

a) Um pouco abaixo do ouvido direito fica um nervo, muito conhecido no Oriente mas pouco usado entre nós, que afeta diretamente a parte do cérebro feminino que trata da Fantasia, do Raciocínio Rápido e da Localização das Chaves do Carro. Aproximando sorrateiramente por trás, pressionando este ponto e perguntando "Adivinhe quem é ?" você ouvirá, maravilhado, ela dizer "Alain Delon !" Você tem exatamente sete minutos até que o equívoco se desfaça. Depois ela o jogará fora como as chaves do carro.


b) A Paleta de Vênus, numa tradução algo livre do coreano. Com um pretexto qualquer (por exemplo: "Não se mexa, tem um escorpião no seu peito !") aperte o local com força, com o dedão. Imediatamente, num reflexo condicionado, ela colocará os dois braços em volta do seu pescoço e não conseguirá removê-los durante uma hora. Meia hora, se você apertar a Paleta com o indicador. A partir desta situação, improvise. Declare-se surpreso. Tente repelir seu avanço. Finalmente, sucumba, e boa sorte. Como ela achará mais difícil explicar o que está fazendo com os braços em volta do seu pescoço do que resistir, você não terá problemas. Em caso de dificuldade, aperte o ponto A (ver acima). Ela jamais recusará o Alain Delon.


c) Pressionando o cotovelo de um jeito especial (com o tempo, e sempre tendo o cuidado de proteger o estômago contra o revide, você pegará a prática) faça-a desmaiar em seus braços. Leve-a para o seu apartamento. Quando ela abrir um olho, aperte o ponto A e o ponto B ao mesmo tempo, rápido. Se isto falhar, tente o ponto C de novo. Se nada der certo, diga para ela não se preocupar, foi uma indisposição passageira, você acaba de telefonar para os pais dela, para um médico, a polícia, os bombeiros e uma assistente social e que todos chegarão dali a instantes. Nesse meio tempo, ligue a eletrola e ofereça uma bebida.


d) O Vão dos Suspiros. Batendo com o dedo neste ponto, você a terá quando quiser, para o resto da vida. Muito cuidado, no entanto. A poucos centímetros do Vão dos Suspiros está o Vale das Sombras. Ao menor contato seu com essa região, ela se transformará no Toni Tornado. Se isso acontecer, corra.


e) Não é nada, não. É um sinal que o modelo tinha na perna.


f) Beije o seu calcanhar ardorosamente. Não acontece nada, mas ela pode ficar enternecida, achar você estranho, interessante. Sei lá. Sempre há uma chance.


g) Coloque uma pulseira de brilhantes aqui e faça aquele olhar de "E o meu ?"

 

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Quinta-feira, 03 de julho de 2008

Veja Verissimo 01

reproduções dos textos de Verissimo nos tempos da Veja

 

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Quinta-feira, 03 de julho de 2008

Tiras a gosto 01

(do livro O Popular)

 





 

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Quinta-feira, 03 de julho de 2008

Entrando em campo

(Publicado no Jornal ZERO HORA em 19/04/1969)

 

 

Pues vamos nós. Luís com "esse", Fernando dos Verissimo de Portugal e Cruz Alta. Admirador do Internacional em geral e do Ivo Correia Pires em particular, pró-Bráulio no time, mas aberto ao diálogo. Credenciais, muito poucas. Sei que estou entrando em campo para substituir um astro que vamos suar a camiseta tentarei corresponder futebol é assim mesmo e no fim das contas, que diabo, são onze contra onze. Um consolo você tem: a coluna não caiu na mão de um inimigo. Estou dando um gol para domingo, jantar pago no Floresta Negra.


O Sérgio preto substituiu Bráulio com vantagem, eu substituo o Sérgio branco com vontade e só espero que o futuro seja para o meu jogo como a defesa do Penharol em dia de bobeira. O Sérgio branco é senhor dos "rushes" estilísticos, taquinhos verbais, parábolas por elevação e sentenças em curva. Eu me limitarei a um vaivém funcional e pessoal, trocando idéias com pouca profundidade e menos objetividade. E se algum dia eu começar a dar balõezinhos na beira da área será por falta de assunto. Uma coisa Sérgio branco e eu temos em comum: você, leitor, nosso atento Claudiomiro - branco ou preto, colorado ou não - para as tabelinhas de todos os dias.


O desafio aí de cima é serio, estou apostando, mas se você notou um tremor nas entrelinhas, não o atribua à emoção do momento. Ele vem da constatação, que todo o colorado consciente traz há dias camuflada, na sua confiança de que existe uma assustadora diferença entre o Grêmio que acabou com o míto húngaro e os 11 orientales patetas que nos alegraram o domingo. Moral por moral, estamos empate.


Se é verdade que o estádio e a festa são nossos, não é menos verdade que estragar a nossa festa vale quase um estádio novo para eles. E de par com a constatação de que, em síntese, não vai ser mole não, vem outro temor oculto, que eu ouso trazer à tona para o nosso horror e ponderação. Chega mais perto e vê se não é de dar frio na pleura: nós vamos de peito aberto, num deslavado e suicida quatro-dois-quatro, contra um time cautelosamente defensivo, como todos do Sérgio deles.


Certo, certo, faz-se a sanfona, Pontes vale por dois, todos sobem e todos descem, etc, etc. Mas eu ainda tremo e garanto que o Sérgio branco também está tremendo. Nossa esperança é que o Sérgio preto nos devolva a calma, se possível, no primeiro minuto.

 

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nota 01: Esta é a primeira crônica de LFV publicada em jornal. O texto foi reproduzido na edição de 1984 do Almanaque do Tchê. Os trechos a seguir também constam dessa publicação:


"1969. No dia 19 de abril estréia na imprensa aquele que, pouco tempo depois, seria um de seus maiores cronistas. Substituindo Sérgio Jockymann na Zero Hora, Luís Fernando Verissimo escreveu a crônica aí em baixo. O assunto é o Gre-Nal da inauguração do estádio Beira-Rio que, por sinal, acabou em pancadaria e vencido pelo Grêmio. A reprodução da matéria é digna deste Almanaque"

nota 02: Algumas explicações - Sérgio preto: jogador do Inter também conhecido como Sérgio Galocha. Há alguns anos, infelizmente, teve que amputar o pé em razão de diabetes.


Sérgio branco: Sérgio Jockymann, a quem Verissimo estava substituindo.


Pró-Bráulio no time: o técnico Daltro Menezes teimava em não deixar o meio-de-campo Bráulio como titular, contrariando o desejo da torcida.


Em tempo: que eu lembre, o Grêmio não venceu esse jogo, ao contrário do que diz a editoria do Tchê. O jogo estava zero a zero quando começou a pancadaria que resultou na expulsão de quase todos (acho que só se salvaram Dorinho e Joãozinho Severiano).

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Quinta-feira, 03 de julho de 2008

Verissimo por... Verissimo!

 

 

O autor começou do nada mas desenvolveu-se rapidamente e em nove meses estava pronto para nascer. Isso aconteceu no dia 26 de setembro de 1936. Pouco tempo depois estourava a guerra na Europa, mas não há nenhuma ligação conhecida entre os dois fatos. Nada na sua infância deixava antever o gênio que o autor viria a ser, até que um dia, aos seis anos de idade... Mas foi um rebate falso. Nada na vida do autor deixa antever que ele será um gênio, mas a família ainda não perdeu as esperanças.

O autor cursou o Instituto Porto Alegre, em Porto Alegre, e Theodore Roosevelt High School, em Washington D.C. Da primeira instituição não aproveitou nada, mas da segunda, devido ao problema da língua, também não aproveitou nada. Considera-se um autodidata, o que explica tudo.

Começou a trabalhar - usando o termo no seu sentido mais amplo - com 18 anos. Foi até músico semiprofissional, tocando o saxofone, no qual chegou a ser chamado de o segundo Paderewski. Mudou-se de Porto Alegre para o Rio e aí teve a sua primeira experiência literária: as cartas que escrevia ao pai (1) contando das suas dificuldades na cidade grande e pedindo dinheiro são consideradas na família pequenas obras-primas da ficção sentimental.

De volta a Porto Alegre começou a trabalhar no jornal Zero Hora, em 1967, como copydesk, e terminou cronista. Passou para a Folha da Manhã, em 1970 (...) (2). Tem duas filhas, um filho e uma Variant, nenhum dos quais está pago. Torce pelo Internacional, o que é um consolo. Gosta de viajar e de comer. Sinais característicos: nenhum. Olhos: dois. Cabelos: raros. Sexo: com moderação. Estado civil: onde ? onde ?(3)

 

(1) o pai de LFV é o também escritor Érico Veríssimo

(2) este trecho excluído relata a passagem de Veríssmo pela MPM Propaganda e de sua crônica diária pela Rádio Continental de PoA

(3) no ano em que foi escrita esta auto-pseudo-biografia o país vivia em plena ditadura. Verissimo fez um duplo-sentido perigoso pra saúde...

 

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Quinta-feira, 03 de julho de 2008

Cobras no espaço - parte 01

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