Apesar do título, Efeito Dominó é um dos bons filmes da temporada

Uma história que leva mais de 30 anos pra ser revelada merecia um título melhor do que Efeito Dominó (The Bank Job, Inglaterra, 2008), filme que estréia neste fim de semana nos cinemas. Se o título em inglês fosse traduzido ao pé da letra, Serviço Bancário se encaixaria muito bem para definir uma história sobre as conseqüências com juros e dividendos de roubo nos anos 70. Independentemente do nome, Efeito Dominó é uma das melhores produções do ano.
Pra começar, o mocinho da história é o ladrão. Jason Statham (Snatch, Saída de Mestre e Adrenalina) interpreta novamente um criminoso boa praça. Em busca de um grande golpe para mudar de vida, ele é convencido por uma amiga de infância a cavar um túnel até o cofre de um banco no centro da capital inglesa. Além de dinheiro e jóias, Jason e sua gangue acabam levando documentos importantes que estavam trancados na agência.
Inspirado em fatos reais, o filme conta como o caso foi abafado pelas autoridades da Inglaterra. O prejuízo financeiro, cerca de três milhões de libras, era irrisório comparado ao escândalo que seria provocado se as fotos e dossiês roubados do cofre fossem revelados. Por causa disso, as investigações não avançaram. Nada foi recuperado e ninguém terminou preso. Isso oficialmente. Como os papéis comprometedores envolviam membros da família real, policiais da Scotland Yard e chefes da máfia londrina, algumas pessoas pagaram pelo crime, dando início a uma cadeia de ação e reação.
No cinema, a história é um pouco diferente. Efeito Dominó ganha ritmo do meio para o final da exibição. Como são bandidos caçando bandidos, o público não tem garantia de um final feliz para os protagonistas. Esse é um dos méritos da produção que também caprichou nos cenários e trilha sonora. Pode pagar o ingresso numa boa. Quando os créditos subirem, você não terá a sensação de que entrou numa roubada.
Marcelo Jordy
Maior evento do cinema europeu tem brasileiros no páreo
A sessão de abertura da 61ª edição do Festival de Cinema de Cannes, na França, será especial para os cinéfilos brasileiros. Na noite desta quarta, Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel, apresenta Ensaio Sobre a Cegueira, seu mais novo trabalho. O cineasta brasileiro terá a honra de abrir o festival e ainda vai participar da mostra competitiva. É raro que um mesmo filme faça as duas coisas.

Ensaio é baseado no livro homônimo do escritor português José Saramago. A história se desenrola a partir de um surto de cegueira que atinge o mundo. Aos poucos, todos vão perdendo a visão, exceto uma mulher. Ela é a responsável por guiar um pequeno grupo em meio ao caos que toma conta de toda a sociedade. A brasileira Alice Braga, que já se consolidou nos EUA com filmes como Eu Sou a Lenda, está no elenco.
Meirelles teve um grande desafio pela frente. No livro, as personagens não tem nome. Há cenas fortíssimas de violência e estupros. É possível sentir a angústia e o desespero das pessoas frente à intensidade dos eventos. Levar tudo isso para a película é praticamente impossível. Na exibição para a imprensa, na manhã dessa quarta, dia 14, as reações foram variadas, mas frias no geral. Nada com que se preocupar. O mesmo aconteceu com Tropa de Elite no Festival de Berlim, e o filme acabou faturando prêmio principal. Na minha opinião, poucos diretores estão à altura do desafio de transpor toda a complexidade da obra do ganhador do Nobel de Literatura para o cinema. Fernando Meirelles, por seu talento e versatilidade, seria um dos poucos.
Trailer de Ensaio sobre a Cegueira
Outro diretor brasileiro famoso que participa da mostra competitiva de Cannes neste ano é Walter Salles (Central do Brasil). Em companhia de Daniela Thomas ele dirigiu Linha de Passe, que acompanha a trajetória de um jogador de futebol saído da periferia de São Paulo. Vinícius de Oliveira, o menino Josué de Central do Brasil, é o único ator famoso no elenco. Esse é um filme que promete. Pouquíssimas pessoas conseguem captar bem a essência do futebol para o cinema. É um esporte difícil de ser filmado. Em Diários de Motocicleta, Salles realizou uma belíssima seqüência futebolística, quando Che Guevara joga com um grupo de leprosos no meio da Amazônia. É de se esperar que ele repita o feito em Linha de Passe, aliando o futebol a um forte drama social.
Mais um destaque brasileiro no festival é A Festa da Menina Morta, estréia na direção do ator Mateus Nachtergale (O Auto da Compadecida). O filme está na seção Um Certo Olhar, dedicada a novatos promissores e forma da mostra competitiva.
Cannes, que mescla bem produções hollywoodianas e artísticas, também assistirá à estréia mundial de filmes importantes. Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, que traz uma alardeada cena de sexo entre Penélope Cruz e Scarlett Johansson, será visto no dia 17; Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, chega no dia 18; Changeling, em que Clint Eastwood dirige Angelina Jolie, debuta dia 20; Che, de Steven Soderbergh (Traffic), mostra a trajetória de Che Guevara e tem Rodrigo Santoro no elenco - como Raul Castro, irmão de Fidel – será exibido dia 21; Charlie Kaufman, aloprado roteirista de pérolas como Brilho Etreno de uma Mente sem Lembranças e Adaptação, leva suas doideras para a cadeira de diretor com Synecdoche, New York, que estréia dia 23.
Trailer de Vicky Cristina Barcelona, com direito a beijo lésbico entre Penélope e Scarlett
Os vencedores de Cannes serão conhecidos no dia 25 de maio. Fique por aqui para saber mais sobre as novidades que pintarem no festival.
Irmãos criadores da trilogia Matrix afundam com Speed Racer
Matrix foi revolucionário no universo da ficção-científica. Isso ninguém pode negar. É um daqueles casos que, goste-se ou não, virou referência. É só ver a quantidade de filmes que foram influenciados pelos efeitos visuais, pela estética e temática do longa dos irmãos Andy e Larry Wachowski – nomezinho complicado, hein? Se pronuncia uatiouski.
Os caras

Embriagados por esse mega-sucesso, os brothers destruíram toda a mitologia criada por eles mesmos com duas fracas seqüências, Reloaded e Revolutions. Fica o visual e tchau para a história. Mas faturando muito dinheiro, de qualquer maneira.
Escaldados pelas críticas destruidoras, decidiram dar um tempo. Desde 2003, data do último Matrix, só produziram e escreveram o ótimo V de Vingança. A dupla volta à cena agora com a versão para os cinemas do cultuado desenho Speed Racer.
Segundo filme da temporada de verão norte-americana, que abriga os lançamentos mais caros e com maior potencial de gerar verdinhas, a adaptação foi um fiasco nas bilheterias estadunidenses. De sexta a domingo, foram pouco mais de 20 milhões de dólares, o que garantiu a segunda colocação no ranking de faturamento. Isso equivale a menos da metade dos ingressos vendidos para Homem de ferro no mesmo período. Só que oenlatado já está em cartaz há 15 dias.
O sucesso

Aí você vai dizer: “só 20 milhões!!! Esses caras desse blog são uns manes!!!”. É, para um filme que custou 100 milhões só em orçamento, mais não se sabe quanto em publicidade, o valor é medíocre. As expectativas do estúdio giravam entre 70 e 100 milhões de dólares. Do jeito que foi, Speed Racer não vai nem recuperar o dinheiro investido, pelo menos no mercado norte-americano. Com a renda das bilheterias pelo mundo, somada aos DVDs e merchandising, é capaz que pelo menos não dê prejuízo. Muito pouco para um projeto desse tamanho.
O fim?

E aí, a pergunta do título procede? Eu acho que não. Larry e Andy ainda têm crédito com os magnatas de Hollywood. A reputação que eles construíram com a trilogia Matrix – principalmente com o faturamento que ela teve – é uma coisa difícil de ser destruída. No cinema recente, talvez só Kevin Costner sirva de parâmetro para o que pode acontecer com os dois, caso emplaquem mais alguns fracassos. A minha opinião é que eles vão optar por trabalhos menores, pelo menos nos próximos anos. Devem se manter longe de blockbusters, e, conseqüentemente, dos riscos de um novo prejuízo. Pode ser até benéfico para a carreira deles. Uma arejada nas idéias pode fazer com que os dois voltem a valorizar os roteiros, colocando-os em primeiro plano, e deixem a pirotecnia como um mero acessório.
*****ATUALIZAÇÃO*****
Os números apresentados neste texto eram da prévia das bilheterias. Agora, saíram os valores consolidados. E a situação de Speed Racer ficou ainda pior. O filme faturou 18,6 milhões de dólares e terminou ofinal de semana de estréia na terceira posição do ranking das bilheterias. Ficou atrás do Homem de Ferro e da comédia romântica What happens in Vegas, com Cameron Dias e Ashton Kutcher.
A saga da família Racer atravessa o tempo com muitas caras

O conceito original, dos anos 60: desenho emblemático
Speed Racer estréia nesta sexta em alguns milhares de cinemas pelo mundo, pronto para quebrar recordes e gerar milhões em dinheiro. Mas enquanto todo mundo badala o filme, a gente aqui vai na contramão, sempre sem medo de bater em ninguém: duvido que o filme consiga ter a mesma magia do desenho original, criação de Tatsuo Oshida para os quadrinhos que virou lenda na TV.

O mangá original, relançado recentemente, e uma cena de Speed Racer The Beggining, uma das diversas tentativas de retomada da série na TV que não emplacaram
Meninos, molecotes de plantão, não pensem que a coisa toda começou a partir dos irmãos Wachowski, os mesmos da trilogia Matrix! Speed já é um quarentão da mídia e ganhou muitos rostos, muitas versões antes deste blockbuster. Todos inferiores à animação original, mais interessados em faturar sobre o legado do desenho de 52 episódios, lançado nos anos 60. O layout do carro, felizmente, foi mantido para o filme e é bom ir anotando para que serve cada botão no painel do volante do Mach 5.
Autojack: Macaco automático com molas. Erguer o carro rapidamente. Ideal para saltar obstáculos. | |
Belt Tire: Garras especiais nos pneus, para tração em qualquer tipo de terreno. 5000 cavalos de força são distribuídos igualmente para cada roda, por motores auxiliares. | |
Choppers (Cutter): Duas serras rotativas saem do carro para cortar árvores e outros obstáculos. Para terrenos de vegetação densa. | |
Defenser: Libera poderoso protetor que fecha o cockpit que é refrigerado a ar, à prova de choque e água, além de hermeticamente fechado. | |
Evening Eye: Controle de iluminação especial. Permite que o farol dianteiro emita luz infravermelha para pilotar à noite. | |
Frogger: Utilizado quando submerso. Abastece o cockpit com oxigênio, ergue um periscópio para se observar a superfície da água através de um monitor no painel. | |
Gizmo Rocket: Lança um pássaro robô controlado por controle remoto que serve para comunicação de emergência. Transporta fotos ou mensagens gravadas. |
arte: RetroTV
Confira a seguir as múltiplas facetas de Speed Racer e não deixe de conferir o lançamento nos cinemas.
New adventures of Speed Racer
Speed Racer X
Joguinho do speed (The challenge of the racer X)
Game SNes
O desenho original, de 1967: Mach 5 X Carro Mamute é clássico dos clássicos
Assista aos 7 minutos iniciais do filme
Robson Leite
Na natureza selvagem chega com quase 3 meses de atraso a MG

Nós vivemos num país periférico em relação à industria cultural. Ponto. Grandes shows demoram para chegar ao Brasil – Rolling Stones, Madonna, Michael Jackson, U2 são os mais óbvios. Alguns filmes, de distribuição mais restrita, levam tempos para pintar nas nossas telas – produções de Woody Allen costumam atrasar mais de um ano; À prova de morte, do Tarantino, saiu lá fora em maio de 2007 e nada por aqui ainda!
Não bastasse a periferia global, no contexto brasileiro, nós de Belo Horizonte, estamos à margem da margem. É de se entender uma certa preferência para Rio e São Paulo, as duas maiores cidades e economias do país. O problema é que BH tem perdido espaço cultural para centros menos importantes, como Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador e até Goiânia. É só dar uma conferida no Mondo Metal, por exemplo. O blog do nosso amigo Cristiano vive atulhado de reclamações dos metaleiros sobre bandas que circulam pelo Brasil todo mas passam batidas por Minas Gerais.
Toda essa introdução é para chegar a um lançamento que aparce por aqui só neste final de semana: Na natureza selvagem. O novo filme do ator e diretor Sean Penn chega dois meses e meio depois de estrear pelo país afora. Não é um grande lançamento, um blockbuster, mas é um filme que concorreu ao Oscar. Não dá pra entender tanta demora.
Enfim, choradeira à parte, o road movie baseado no livro homônimo do escritor Jon Krakauer, acompanha as andanças do jovem Chris McCandless pelos confins da América do Norte. O rapaz decide abandonar a vida segura e confortável com a família e se joga no mundo, em busca de aventuras. Pelo caminho, encontra os tipos mais inusitados e passa por paisagens deslumbrantes. A trilha é do roqueiro líder do Pearl Jam, Eddie Vedder.
A demora para a estréia acabou gerando uma coincidência. O filme é estrelado por Emile Hirsch, ator novato que protagoniza outro lançamento da semana: Speed Racer. Esse sim, na mesma data que no resto do mundo civilizado.
Se você teve paciência e ainda não viu o filme por meios, digamos, alternativos, essa pode ser uma boa pedida para o fim de semana.
Leo Medina
Homem de Ferro já é TOP 5 de bilheteria do ano