Blog do Vicente


06.09.2008

A PSICOLOGIA E O DINHEIRO

ARTIGO

MARACI SANT'ANA (*)


maracisantana.blogspost.com


A BOMBA AMOR X DINHEIRO


Série "O Dinheiro e os Relacionamentos" - Parte 2


O tema desta 2ª. parte da série foi sugerido pela leitora Suzana, que, em 23 de agosto, já na qualidade de co-autora, fez o seguinte comentário “... Gostaria de sugerir a você uma análise sobre quando uma mulher é mais bem-sucedida no trabalho do que o marido. Tenho uma amiga que está sofrendo muito com isso. O marido dela só faz desmerecê-la, joga o moral dela no chão. O que é isso?”


Suzana,


Lembra que cabia ao nosso avô sustentar a família? Se a vovó trabalhasse, era apenas por prazer, geralmente com algo ligado a prendas domésticas, e o dinheiro ganho, ela o usava para “os seus alfinetes”. É claro que, nos últimos quarenta anos, o papel masculino mudou de maneira radical. Mas isso não aconteceu porque o homem assim o quis e muitos resistem até hoje, não aceitam que as mulheres têm vez e voz. Até mesmo os que se julgam bem-resolvidos podem dar uma escorregadela e cair de bunda no machismo. Além disso, a gente vive num mundo em que dinheiro é poder.



Durante séculos, o homem foi o dono da situação. Seu poder era incontestável. Ele tinha o controle do dinheiro, dos bens, e da vida da mulher e dos filhos. Hoje, vemos mulheres que ganham tanto ou mais do que seus parceiros. Entretanto, muitas delas vivem relacionamentos de abuso, em que se sentem pequenas, inadequadas e até desequilibradas, graças a críticas e insultos que podem ir de ataques sutis a ameaças óbvias.



Impossibilitados de usar a força do dinheiro, muitos homens tentam controlar a mulher de outras formas, menosprezando suas opiniões, sentimentos e realizações profissionais, mesmo que o trabalho dela seja a única fonte de renda da família. É muito difícil para quem vive esse processo ou para um observador leigo entender uma situação assim. Daí surgem os questionamentos como o seu, os conselhos que a mulher não consegue acatar e, o que é pior, as críticas que, em lugar de ajudá-la, tornam sua vida mais difícil.



Há algum tempo, recebi uma paciente que tinha um excelente emprego, casa e carro próprios, casada com um homem já perto dos 30 anos que vivia correndo atrás do “negócio da China”, mas que era por ela sustentado. Para ela, pelo menos em princípio, a situação vivida não era um grande problema. A dificuldade estava em suportar que ele, volta e meia, esbravejasse que ela tinha a vida ganha, enquanto ele tinha que ralar. Parecia que ela havia herdado tudo.



Só que o emprego lhe viera por concurso público e os bens eram resultantes de muito trabalho. Para você ter uma idéia, a pressão era tanta que ela chegou a pensar em vender o que tinha, pedir demissão e tentar uma vida bem modesta, para que ele não mais se sentisse diminuído. Um verdadeiro absurdo, não? E o que ela não sabia é que isso não resolveria nada, só agravaria as coisas.



Essa combinação relacionamento amoroso e dinheiro é explosiva. E muitas situações podem levar um homem a agir assim com a parceira. Dificuldades diversas na infância, como um pai que usava o dinheiro para controlar as pessoas à sua volta, uma mãe opressora, o isolamento emocional ou a rejeição podem explicar, embora não justifiquem.


Mas, a chave de tudo está na resposta às seguintes perguntas: O que leva sua amiga a se manter nesse relacionamento? Por que nada que ela faça para melhorar a relação dá certo? Fica claro, pelo menos pra mim, que ela precisa entender muito bem o que está vivendo e que, provavelmente, vai necessitar de ajuda profissional para isso. Lembre-se de que as pessoas só nos fazem o mal que nós permitimos que elas nos façam. Valeu, Suzana! Valeu, irmã! Até sábado, leitores!



A sugestão da Suzana, que propiciou a coluna de hoje, enriquece a nossa série. Assim, continuo contando com a participação de todos. As novas idéias para texto poderão ser deixadas na própria coluna, sob a forma de comentário, ou encaminhadas para maracisantana@yahoo.com.br, sem nenhuma preocupação quanto à privacidade. E quem perdeu a 1ª. parte poderá lê-la no arquivo deste blog, em 23 de agosto.


(*) Psicóloga


Brasília, 07h01min

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Tags: Comportamento 
05.09.2008

FAZENDA VÊ DÓLAR EM ALTA COM SATISFAÇÃO

 

A firme arrancada dos preços do dólar nos últimos dias está sendo vista com euforia pelo Ministério da Fazenda, apesar dos efeitos inflacionários que o movimento possa ter. Para os assessores do ministro Guido Mantega, as cotações mais elevadas vão levar os exportadores a incrementarem seus negócios, trazendo mais recursos para o país. De outro lado, as importações, especialmente as de bens de consumo, tendem a diminuir.

 

Com isso, haverá um equilíbrio maior na balança comercial, sem grandes danos para as contas externas do país. "Por isso, não estamos prevendo grande queda no superávit comercial. O mercado se ajustará naturalmente, corrigindo distorções provocadas por um real supervalorizado", destaca um dos assessores. "Demorou, mas o dólar regiu", acrescentou.

 

A Fazenda não pode esquecer, porém, que se houver uma queda mais acentuada nos preços das commodities, que respondem por 70% da pauta de exportação do país, não há dólar em alta que dê jeito na balança comercial. Portanto, toda calma na análise é de bom tom.

 

Brasília, 18h10min

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Tags: Economia 
05.09.2008

MERCADO ACOMPANHA COM LUPA AS INTERVENÇÕES DO BC NO MERCADO DE CÂMBIO

 

Com o dólar em alta, os operadores do mercado passaram a acompanhar com lupa as intervenções diárias do Banco Central no mercado de câmbio. Querem saber até quando a instituição sancionará o processo de valorização da moeda americana.

 

Os operadores reconhecem que as intervenções, por meio de leilões diários de compra de moedas, têm sido restritas, na margem, como gostam de dizer. Na quinta-feira (dia 4), dia bastante crítico, em que o dólar rompeu a barreira de R$ 1,72, o BC arrematou cerca de US$ 140 milhões, um volume expressivo em relação aos dias anteriores, quando as compras vinham movimentando entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões por dia.

 

Segundo os operadores, é possível que o BC aceite operar com o dólar cotado até R$ 1,75. A partir daí, deve sair do mercado, até por cautela com o impacto que o câmbio pode ter nas expectativas dos analistas sobre a inflação.

 

Brasília, 17h35min 

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Tags: Economia 
05.09.2008

QUANDO IPCA É ABERTO, INFLAÇÃO DECEPCIONA

 

Por mais que a inflação de agosto medida pela IPCA, de 0,28%, tenha revigorado os ânimos, sobretudo no governo, os analistas se mostram bastante reticentes quanto aos rumos do indicador. Quando aberto, o IPCA trouxe muita decepcão.

 

Na média, os núcleos, que descontam as maiores altas e as maiores baixas, se aceleraram, de 0,39%, em julho, para 0,43% em agosto. A alta dos preços dos serviços, mais rígidos, passou de 0,34% para 0,56%. E o índice de difusão (que mede o número de produtos com reajustes) passou de 60,9% para 62,8%.

 

É por isso, diz o economista sênior do Banco BES Investimento, Flávio Serrano, que os analistas não mudarão tão cedo as projeções de inflação para 2009, que, há sete semanas, estão em 5%. "Foi bom ver a inflação cheia caindo. Mas o quadro inflacionário ainda precisa melhorar muito. O IPCA de agosto caiu por causa de preços muito voláteis, os dos alimentos, que podem voltar a subir a qualquer momento", afirma.

 

Brasília, 17h01min

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Tags: Economia 
05.09.2008

HÁ, SIM, RAZÕES PARA MERCADO SE PREOCUPAR COM IMPACTO DA ALTA DO DÓLAR NA INFLAÇÃO

 

Indagada pelo blog se há razão para o estresse que se instalou entre os analistas, temerosos de que a recente - e forte - alta do dólar influencie as expectativas futuras de inflação e exija um aperto monetário maior por parte do Banco Central, a coordenadora de Preços do IBGE, Eulina Nunes, foi taxativa: "Há, sim, com o que se preocupar".

 

Eulina disse que o dólar está permeado por toda a economia brasileira, para o bem e para o mal. Até agora, destacou ela, o comportamento da moeda americana, que chegou a encostar no R$ 1,50, jogou a favor da inflação. Ela deu dois exemplos: no acumulado do ano até agosto, a energia elétrica subiu apenas 0,82% e os preços dos aparelhos de som, de tevê e de informática, que usam insumos importados, computaram baixa de 6,74%. Ela lembrou ainda da forte concorrência dos produtos importados no ramo de vestuário, que ajudaram a conter os preços internos.

 

Ou seja, com o dólar invertendo o comportamento, avançando rapidamente em direção a R$ 1,75 ou mesmo a R$ 1,80, haverá pressão sobre os preços e sobre as projeções de inflação que, semanalmente, o BC colhe com cerca de 100 analistas para sentir como andam as expectativas do mercado. "Não há como ignorar o comportamento do dólar", afirmou Eulina. Agora, é preciso ver, com cuidado, até onde irão os impactos.

 

Brasília, 14h48min

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Tags: Economia 
05.09.2008

BC MANIPULA INFORMAÇÃO E INDUZ A ERRO

 

Veja como são as coisas: na segunda-feira (dia 1 de setembro), o blog informou que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, jantaria com um grupo de amigos em São Paulo nesta sexta (dia 5), para comemorar seus 63 anos, completados no dia 31 de agosto.

 

Pois na quarta-feira, o blog divulgou, com base em informação da assessoria de imprensa do BC, que Meirelles havia transferido o jantar para a próxima semana, porque iria nesta sexta para a Basiléia, na Suíça, onde se encontraria com presidentes de bancos centrais de todo o mundo para discutir o grave momento da economia global.

 

Agora, a mesma assessoria de imprensa do BC informa ao blog que Meirelles cancelou a ida para a Basiléia e vai, sim, cumprir uma agenda pessoal nesta sexta-feira.

 

Se, com esse fato bobo, o BC tenta manipular a informação, imagine o que não faz com temas mais importantes para fazer valer seu ponto de vista? Que coisa.

 

Brasília, 12h59min

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05.09.2008

"PREÇOS DOS ALIMENTOS CAÍRAM EM AGOSTO, MAS CONTINUAM MUITO ALTOS", DIZ EULINA NUNES

 

A coordenadora de Preços do IBGE, Eulina Nunes, diz ao blog que não dá para para se entusiasmar com a deflação de 0,18% nos alimentos, como mostrou o IPCA de agosto. O número é, sim, uma boa notícia, mas, segundo ela, é importante deixar claro que os alimentos continuam muito caros. "Esse esclarecimento é importante, porque as pessoas vão aos supermecados e vão constatar que os preços ainda estão elevados. No acumulado do ano, os alimentos registram alta de quase 10%", reforça.

 

No seu entender, os preços dos alimentos estão cedendo graças ao fim da especulação no mercado internacional com os preços das commodities. Portanto, se os alimentos vão ou não ficar mais baratos nos próximos meses, é o comportamento da economia mundial que determinará. Se for confirmada a forte desaceleração das economias mais ricas, os preços das commodities vão continuar em baixa e isso favorecerá os consumidores.

 

Brasília, 12h49min

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05.09.2008

PARA O PLANALTO, COM QUEDA DOS ALIMENTOS, POBRES VOLTARÃO A COMER MAIS

 

Assessores do presidente Lula acreditam que a deflação dos preços dos alimentos mostrada nesta sexta-feira (dia 5) pelo IBGE reforçará o bom momento vivido pelo governo, que tem elevado a popularidade sustentado nas boas notícias na economia. "Houve um surto inflacionário, mas ele já foi debelado. E isso reflete as medidas tomadas pelo governo ao longo dos últimos meses, incluindo o aumento da taxa de juros pelo Banco Central", disse ao blog um dos assesssores.

 

Dentro dos dados do IBGE, o Planalto destacou o INPC, que mede a inflação das famílias com renda entre um e seis salários mínimos. Nesse caso, o tombo foi maior do que o do IPCA, de 0,58% em julho para 0,21% em agosto. No cálculo do INPC, a comida registrou deflação de 0,42%. "Os mais pobres vão voltar a encher os carrinhos dos supermercados e a comer mais. É isso que o governo quer", afirmou o assessor.

 

Brasília, 11h24min 

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05.09.2008

MANTEGA DIZ QUE IPCA DE AGOSTO É A MELHOR RESPOSTA DE QUE INFLAÇÃO FOI CONTROLADA

 

No Ministério da Fazenda, o clima é de euforia em relação ao IPCA de agosto, de 0,28%, que veio abaixo da mediana do mercado, de 0,31%. A assessores, o ministro Guido Mantega afirmou que o indicador, usado como referência para o sistema de metas do governo, mostra que a inflação foi controlada e que o "terrorismo" feito por economistas do mercado e do Banco Central não se sustenta em fatos concretos.

 

Na visão dos assesssores de Mantega, o BC deveria assumir que exagerou na dose e não elevar a taxa básica de juros (Selic) no próximo dia 10 de setembro. Mas como nem eles não acreditam nessa possibilidade, apesar de a desejarem com todas as forças, aceitam mais uma alta de 0,5 ponto percentual. E só.

 

Brasília, 11h12min

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05.09.2008

PARA O BC, QUEDA EM 12 MESES DO IPCA FOI A MELHOR NOTÍCIA DA INFLAÇÃO

 

Sempre ressaltando que é preciso olhar com cautela os números do IPCA de agosto, de 0,28%, dois técnicos do Banco Central afirmaram ao blog que a boa notícia dos números divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE é que, no acumulado de 12 meses, a inflação recuou: de 6,37% em julho para 6,17%, no mês passado.

 

Esse é um importante sinal de que os índices de preços ao consumidor estão voltando para os eixos e que a possibilidade de o IPCA estourar neste ano o teto da meta, de 6,5%, está praticamente descartada. Isso só ocorrerá se houver alguma surpresa muito grande nas coletas de preços daqui por diante, cenário com o qual nem o BC nem o mercado trabalham.

 

Mas, mais uma vez, os técnicos do BC afirmam que é muito cedo para comemoração. O mundo, incluindo o Brasil, passa por um momento muito delicado, conjugando inflação em alta e desaquecimento econômico, a chamada estaginflação, mais difícil de ser combatida.

 

Portanto, para bom entendedor, os juros aqui vão continuar subindo. Mas o processo não deve ir além do final deste ano.

 

Brasília, 11h03min

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04.09.2008

HÁ RISCO DE O DÓLAR PRESSIONAR A INFLAÇÃO?


Ao ser questionado pelo blog com a pergunta acima, o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, diz que ainda é cedo para se falar sobre o tema. A seu ver, a atual valorização do dólar é reflexo da ameaça de recessão das economias mais ricas, o que tende a derrubar os preços das commodities.


Mas, mesmo que os preços do dólar subam mais, pelo fato de o Brasil ter quase 70% de sua pauta de exportação compostas por commodities, resultando em receitas menores em moeda estrangeira, Rosa diz que haverá compensação. Dólar mais forte pode se tornar um foco inflacionário. Mas commodities mais baratas significam alimentos mais baratos. "Ou seja, um efeito anulará o outro, tranqüilizando o Banco Central", ressalta.


Apesar de o dólar ter batido hoje R$ 1,72, o economista da Sul América ainda mantém sua previsão de que a moeda americana fechará o ano em R$ 1,70, abaixo do R$ 1,77 do encerramento de 2007.


Brasília, 17h14min

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04.09.2008

IBOVESPA PODE CAIR PARA OS 45 MIL PONTOS


A analista Cristina Müller, sócia-diretora da RCW Asset Management, não costuma errar muito as suas projeções. E elas não são nada promissoras. A seu ver, há, sim, a possibilidade de a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuar para os 45 mil pontos nos próximos dias, empurrada ladeira abaixo pelo estouro da bolha das commodities.


Se tal previsão se confirmar, será um desastre. O Ibovespa, principal índice de lucratividade do mercado, recuará dois anos. Voltará para os níveis de dezembro de 2006.


Brasília, 16h58min

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04.09.2008

EXPLOSÃO DE BOLHAS ESPECULATIVAS PODE RESULTAR EM TEMPOS SOMBRIOS PARA O MUNDO, ALERTA UNCTAD



A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) está divulgando nesta quinta-feira (dia 4) um relatório preocupante, na qual prevê tempos sombrios para o mundo. A entidade chama a atenção para os riscos de explosão de certas bolhas especulativas e a volatilidade dos preços das commodities, que estão impondo desafios enormes para os responsáveis pela adoção de políticas, em particular das políticas monetárias.

 

Na avaliação de economistas da Unctad, uma depressão global tem que ser evitada a qualquer custo, ainda que a inflação derivada do aumento dos preços dos alimentos e da energia continue muito elevada, exigindo juros mais altos. Eles alerta que a situação pode se tornar ainda mais difícil se as moedas dos países com grandes contas correntes deficitárias forem pressionadas para a desvalorização. É o caso do Brasil, onde o real está perdendo força frente ao dólar, devido às perspectivas de rombos cada vez maiores nas contas externas - há quem aposta em um buraco de US$ 50 bilhões em 2010, o equivalente a quase 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

 

Os economistas da Unctad são severos em suas avaliações do sistema de controle financeiro mundial: "A recente crise mostrou mais uma vez que a disciplina do mercado é ineficaz quando se trata de prevenir episódios recorrentes de ‘exuberância irracional’, porque ”a atual base internacional para políticas monetárias e de câmbio oferece oportunidades para atividades especulativas que são altamente lucrativas por um período limitado de tempo, mas, em última instância, desestabiliza o sistema inteiro." Eles pedem, no Relatório Comércio e Desenvolvimento, que haja uma regulamentação mais prudente e firme para reduzir a volatilidade e os efeitos negativos sobre a renda e intervenções onerosas para os cofres públicos.

 

Quem tem acompanhado os mercados mundiais nas últimas semanas sabem que os economistas da Unctad estão botando o dedo na ferida. E não podemos fechar os olhos para isso.




Brasília, 14h00min

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04.09.2008

CORRETORAS RECLAMAM NA BOVESPA CONTRA MANOBRAS DE BANCOS ESTRANGEIROS NO MERCADO


É grande a queixa de corretoras contra operações realizadas por bancos estrangeiros para manipular o mercado. Os bancos estão vendendo ações sem tê-las em carteira ajudando a derrubar, de maneira artificial, os preços desses papéis, para recomprá-los na bacia das almas e ganhar com a diferença de preços. Fizeram isso recentemente com as ações da Kepler Weber e, agora, estão agindo com papéis da Construtora Tenda, recentemente incorporada pela Gafisa.


Várias corretoras protocolaram reclamações junto à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) contra esses movimentos. Mas como a punição imposta pela instituição é muito pequena, os bancos estrangeiros continuam agindo, sem que a xerife do mercado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), se manifeste.


Essas operações são o oposto do que fazia o megaespeculador Naji Nahas em 1989, quando quebrou a Bolsa de Valores do Rio. Ele fazia movimentos artificias de alta dos papéis ao forjar operações de compra. Agora, os estrangeiros fazem operações artificiais de baixa, forjando vendas em volumes consideráveis.


Como se já não bastassem as incertezas econômicas que têm empurrado a Bovespa ladeira abaixo, agora, são essas manobras que atormentam o mercado. Como os investidores de menor porte podem ter confiança em entrar na bolsa?


Brasília, 11h22min

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04.09.2008

CORREÇÃO: MEIRELLES VAI PARA BASILÉIA NESTA SEXTA. JANTAR COM AMIGOS FICA PARA A PRÓXIMA SEMANA


O presidente do Banco Central embarca nesta sexta-feira (dia 5) para a Basiléia, na Suíça, onde se reunirá com colegas de bancos centrais de todo o mundo. Ele retornará ao Brasil na terça-feira (dia 9), direto para participar do primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve elevar a taxa básica de juros (Selic), de 13% para 13,75% ao ano.


Portanto, como manda o bom jornalismo, faço uma correção: com essa viagem, Meirelles não participará de jantar com amigos na sexta-feira (dia 5) em São Paulo para comemorar seus 63 anos, completados no domingo, 31 de agosto, como informou o blog na segunda-feira (dia 1). A princípio, esse jantar será realizado no dia 12 de setembro, também uma sexta.


Perdão, leitores!


Brasília, 11h10min

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04.09.2008

QUEDA NAS VENDAS DE AUTOMÓVEIS SINALIZA RETRAÇÃO NO CRÉDITO

 

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, não é taxativo, mas ele acredita que a queda de mais de 15% nas vendas de veículos leves em agosto em relação a julho pode ser um sinal de desaquecimento na demana por crédito. "Vamos esperar dados mais efetivos, mas, com certeza, a retração das vendas de veículos impactará o mercado de crédito", diz.

 

Em julho, mesmo com as vendas de automóveis ainda bombando, os números do Banco Central já demonstravam ligeira desaceleração nas concessões de crédito. Inclusive, se os financiamentos para a compra de veículos naquele mês fossem excluídos do total das concessões, o saldo final teria queda em relação a junho.

 

Mas Leal faz uma ressalva importante: o crédito tradicional para automóveis está encolhendo, sendo substituído pelas operações de leasing. Só que o leasing não entra nas concessões acompanhadas pelo BC.

 

Portanto, vamos ficar atentos a esses movimentos, pois automóveis e crédito têm muito a ver com o nível de atividade econômica. E é o nível de atividade que ditará os rumos da política monetária (taxa de juros) daqui por diante.

 

Brasília, 08h44min

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03.09.2008

OSPRAIE MANAGEMENT COMEÇA A ESTOURAR A BOLHA DAS COMMODITIES

 

Uma das mairoes empresas investidoras em commodities, a Ospraie Management, que tem 20% de seu capital nas mãos do abalado Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos do mundo, começou a furar a bolha de commodities.

 

A empresa avisou que fechou um deu seus fundos, por acumular perdas superiores a 27% apenas em agosto. O dinheiro aplicado nesse fundo estava investido em petróleo, gás natural e outras commodities.

 

Pode ser exagero a comparação, mas a crise do subprime começou assim, com o Bear Stearns avisando que havia fechado alguns de seus fundos por perdas no mercado imobiliário. Depois, foi o BNP Paribas que fechou fundos, também por prejuízos com subpirme. Outras instituições foram na mesma direção e a crise se instalou.

 

É o medo de que esse filme se repita que está estimulando o pânico no mercado e arrasando as bolsas de valores mundo afora, inclusive a Bolsa de São Paulo (Bovespa), com perdas de quase 15% no ano.

 

Brasília, 17h47min

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03.09.2008

HEDGE FUND COMANDA QUEDA DAS COMMODITIES

 

Um clima de histeria tomou conta dos hedge funds nesta quarta-feira (dia 3), diante dos sinais mais claros de recessão na Europa e nos Estados Unidos. Muitos se desfizeram de posições em commodities e ajudaram a derrubar os preços dessas mercadorias com cotação internacional, jogando as cotações do dólar pa cima.

 

Há, entre os hedge funds, o temor de que ocorra uma onda de saques por parte dos investidores como as que se viu depois do estouro da bolha imobiliária. Por isso, os fundos estão saindo de ativos de menor liquidez para fazer caixa e atender aos possíveis resgates de cotistas. Quando houve a crise do subprime, bancos e fundos não conseguiram sair de vários ativos. Ficaram, portanto, ilíquidos, exigindo um socorro monumental por parte dos bancos centrais.

 

Todo esse movimento comprova que realmente havia uma bolha no mercado de commodities, supervalorizando o petróleo, a soja, o trigo, o milho e quase todos os minérios.

 

Brasília, 16h22min

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03.09.2008

SALDO COMERCIAL DE US$ 4,3 BILHÕES EM 2009 E DÉFICIT DE US$ 5,6 BILHÕES EM 2010

 

O governo deve anunciar ainda na tarde desta quarta-feira (dia 3) medidas para incentivar as exportações do país, cujo volume, em dinheiro, deve cair, caso os preços das commodities continuem em queda, refletindo a recessão que se desenha nas principais economias do mundo (no segundo trimestre, a Zona do Euro teve queda no Produto Interno Bruto, PIB, de 1,4%).

 

E, realmente, o cenário não é dos melhores. Pelos cálculos da MB Associados, o superávit na balança comercial em 2009 será de apenas US$ 4,3 bilhões, transformando-se em déficit de US$ 5,6 bilhões em 2010, uma virada monumental para um país que, nos últimos anos, registrou saldos anuais superiores a US$ 30 bilhões.

 

Na avaliação dos economistas da MB, liderados por Sérgio Vale, com o câmbio em franco processo de apreciação, os números positivos do saldo comercial foram fruto de três elementos básicos. Primeiro, os preços das commodities, que atingiram picos históricos nos, subindo a taxa sustentadas.

 

Segundo, e como causa fundamental dessa expansão dos preços commodities, a economia mundial também passou por um ciclo histórico de crescimento econômico. Terceiro, pela primeira vez o mundo emergente passou a crescer num ritmo mais forte do que os países desenvolvidos. O resultado foi que tanto as quantidades quanto os preços tiveram estímulos positivos nos últimos anos, inflando o valor das exportações brasileira.

 

Agora, com o mundo crescendo menos e as commodities sob judice,  ressaltam os economistas da MB, o cenário mais provável que engloba estabilidade nos preços das commodities, já diminuiria a balança comercial em 2009 para US$ 4,3 bilhões e em 2010 já ficaria negativa em US$ 5,6 bilhões.

 

O resultado, acrescentam os economistas, poderá ser um déficit em transações correntes chegando próximo a US$ 50 bilhões em 2010, ou seja, 2,8% do PIB. A dúvida, destacam, fica sobre a capacidade de financiamento desse montante. Por isso, é possível dizer que, definitivamente, a tendência do dólar frente ao real é de valorização.

 

Brasília, 15h20min

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03.09.2008

DEFENSORES DO BANCO CENTRAL PEDEM "DEBATE MAIS SADIO" SOBRE INFLAÇÃO E JUROS

 

Economistas leitores do blog (obrigado!) e defensores da "postura correta" do Banco Central na defesa da estabilidade econômica estão indignados com a pressão que o Ministério da Fazenda está fazendo sobre o Comitê de Política Monetária (Copom), que deve aumentar a taxa básica de juros (Selic) em mais 0,75 ponto percentual na semana que vem, para 13,75% ao ano.

 

Ele