O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi escanteado pelo presidente Lula. Além de ter sido obrigado a se calar diante do aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), vem sendo acusado dentro do governo de ter avaliado mal o processo inflacionário que atormenta o país.
Dentro do Palácio do Planalto, ninguém crava a possibilidade de Mantega ser substituído. Mas é visível entre os principais assessores de Lula de que o ministro está mais fraco do que nunca. E se quiser permanecer no cargo terá de falar o menos possível, sobretudo quando o assunto for a política monetária conduzida pelo Banco Central.
O enfraquecimento de Mantega se explicitou com o lançamento do projeto para a criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB). Lançado com pompas para ser um instrumento de financiamento às empresas brasileiras no exterior e para ajudar a conter o derretimento do dólar, o fundo se transformou em um mero aumento do superávit primário para ajudar o BC a controlar a inflação.
O ministro acreditava que, ao ceder nesse ponto, o presidente do BC, Henrique Meirelles, lhe daria em contrapartida um aperto mais moderado nos juros. Mantega acreditou tanto nisso, que passou a difundir o discurso de que a inflação alardeada pelo BC não era tão perigosa e que estava restrita ao "feijãozinho".
Além de levar um pito de Lula e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por estar falando bobagem, agora é avaliado como incapaz de enfrentar crises. Em compensação, seu maior desafeto, o presidente do BC, só fez aumentar o prestígio junto a Lula, a ponto de o presidente repetir seu discurso, "de que o governo fará o que for necessário para controlar a inflação".
A oposição resolveu tripudiar o governo usando como argumento a elevação de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic). O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, divulgou nota afirmando que a decisão do Banco Central pode empurrar o país para a estagflação, misto de inflação com recessão.
"O BC passou um sinal aos agentes econômicos que a inflação é incontrolável, movimento que, por si só, é capaz de acelerar a inflação, ou melhor, levar-nos para a estagflação, que já ameaça a segunda metade do governo Lula", diz. Ele ressalta ainda que chega a ser irônico o BC dar um choque tão forte nos juros e, no dia seguinte, o IBGE informar que a inflação está caindo.
Segundo o senador, cada ponto percentual a mais na taxa Selic representa despesa adicional em juros de R$ 11 bilhões ao ano, quase o mesmo que se gasta com o Bolsa Família. Ele também enfatiza que os juros altos vão derreter ainda mais as cotações do dólar e desestruturar o setor produtivo ao reduzir sua competitividade.
Guerra acusa o governo Lula de tocar uma política "econômica esquizofrênica": expande a taxa de juros real para conter a demanda da economia e eleva a despesa fiscal com o aumento dos juros, "além de ampliar de maneira irresponsável os gastos federais com avalanches de contratações e aumentos de salários". Só neste ano, destacou Guerra, foram 56 mil novas contratações entre carreiras e funções comissionadas, resultando em expansão de 53% da folha do Tesouro Nacional até 2012.
"Essa é a verdadeira política anti-inflacionária do governo Lula, que deixa de fazer o que seria certo: primeiro, conter o vertiginoso aumento dos gastos correntes, uma verdadeira farra fiscal, comprometendo o futuro do Brasil e jogando o peso da gastança para os próximos governos; segundo, limitar a expansão do crédito", destaca.
Brasília, 18h59min
Está todo mundo estranhando, ou mesmo admirando, o comportamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Apesar de toda a Esplanada dos Ministérios saber que ele é totalmente contrário ao choque de juros promovido pelo Banco Central, ainda não falou nada sobre a alta de 0,75 ponto percentual da taxa Selic.
Pelo visto, o enquadramento do presidente Lula funcionou. No início da semana, ele conversou com Mantega e Meirelles sobre o processo de controle da inflação e pediu aos dois que não batessem boca em público sobre a política monetária. A ordem é mostrar união em torno das políticas de governo.
A aposta, agora, é sobre quanto tempo Mantega ficará calado. Estão todos esperando por um pronunciamento dele no púlpito que ele mandou instalar na porta do Ministério da Fazenda.
Brasília, 17h38min
Já está definido o destino de Bernard Appy. Para que ele não seja rebaixado, de secretário para consultor do Ministério da Fazenda, o governo decidiu lhe dar uma secretaria extraordinária para cuidar das reformas institucionais, entre elas, a tributária.
A nova unidade, que terá menos de 10 funcionários, começará a funcionar no início de agosto. Por isso, adiou-se a posse de Nelson Barbosa na Secretaria de Política Econômica, marcada para o dia 21 de julho, para que ninguém ficasse sem cargo até a definição do futuro de Appy.
Appy, o último remanescente da era Palocci no alto escalão do Ministério da Fazenda, ficará baseado em São Paulo, como era desejo seu. Virá a Brasília sempre que necessário. Mas como reformas não são prioridade dentro do governo, ele não terá que fazer o "sacrifício" de pousar na capital federal com tanta freqüência.
Brasília, 16h22min
Agora é oficial: o Banco Central aprovou, na terça-feira (dia 22), a compra do Banco Real pelo espanhol Santander. O negócio faz parte de uma transação internacional que envolveu a compra de toda a estrutura do holandês ABN Amro pelo consórcio RFS, formado pelo Santander, pelo belga Fortis e pelo Royal Bank of Scotland.
Com isso, nasce o terceiro maior banco privado do país, com R$ 282 bilhões em ativos, segundo os balanços de março compilados pelo BC, valor muito próximo do total de recursos em poder do Bradesco e do Itáu, os dois líderes. Quando o Banco do Brasil entra da estatística, o Real-Santander cai para a quarta posição.
Isoladamente, o Real é o quinto banco do país, no ranking geral, e o Santander, o sétimo.
Brasília, 15h44min
O presidente Lula não só endossou o aumento da taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual pelo Banco Central, certo de que o aperto monetário será mais curto do que pensa muita gente, como mandou o governo preparar uma grande "operação otimismo" que se estenderá até o final do ano.
Por ordem de Lula, todos os ministérios envolvidos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) farão ampla divulgação de todas as obras que em andamento, como forma de martelar junto à opinião pública que o governo está trabalhando normalmente, a despeito da política de combate à inflação, um fator conjuntural.
Também serão alardeados os projetos na área social, como cobrou o presidente de 17 ministros em recente reunião. Para Lula, o governo está fazendo muito pelos mais pobres, mas não consegue passar para a população a dimensão do que está sendo realizado para melhorar as condições de vida do país.
Outra frente da "operação otimismo" será a divulgação dos grandes investimentos privados.Nas conversas internas, o presidente tem listado um monte de empreendimentos que vão ampliar a capacidade produtiva e resultarão em mais empregos. E ele quer que, ao se dar publicidade a esses investimentos, o governo incuta na cabeça das pessoas um sinal de confiança no futuro, de que a inflação é um problema conjuntural, que o aumento dos juros será passageiro e que o crescimento da economia vai continuar forte.
Brasília, 10h53min
ARTIGO
CARLOS THADEU FILHO (*)
O Banco Central deixou o gradualismo de lado e aplicou um choque de juros no país, certo de que esse é o melhor remédio para retomar o controle da inflação e fazer com que os índices de preços convirjam para o centro da meta definida pelo governo, de 4,5%, já em 2009.
Contrariando a maioria das apostas do mercado, de alta de 0,5 ponto percentual, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto, para 13% ao ano, o patamar mais elevado desde janeiro de 2007. Foi o segundo maior ajuste da Selic em uma reunião do Copom do governo Lula. Em fevereiro de 2003, os juros avançaram um ponto, também para conter um forte surto inflacionário. A Selic começou a subir em abril, quando estava em 11,25%.
Com a nova alta da Selic — antecipada por alguns bancos, que mudaram suas apostas da noite para o dia —, o BC passou dois recados. O primeiro, bastante explícito, foi o de que o ciclo de aumento dos juros será curto mas maior do que o esperado, devido à forte deterioração das estimativas de inflação para este ano, que superaram os 6,5%, teto da meta, e para 2009, que indicam 5%.
O segundo aviso, implícito, foi o de que a fatura do arrocho monetário será cobrada no ano que vem, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) despencando de 5% para algo próximo de 3%. Em compensação, já no segundo semestre de 2009, a Selic poderá cair novamente, reativando a economia o suficiente para dar uma bela ajuda ao candidato do governo à sucessão do presidente Lula em 2010.
Foi esse segundo recado, por sinal, que fez o presidente da República dar carta branca ao time comandado por Henrique Meirelles para botar a inflação nos eixos. Os fortes reajustes dos preços estão punindo os mais pobres, o grosso do eleitorado de Lula, que lhe garantiu um segundo mandato em 2006, a despeito de todas as denúncias de corrupção no governo.
“Com certeza, o tombo da economia em 2009 será forte por causa do aumento dos juros. O crescimento ficará em torno de 3%”, disse o economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles. “Se o BC deixar a inflação voltar, os mais pobres devolverão tudo o que ganharam nos últimos anos com a estabilidade da economia”, complementou o consultor financeiro José Luiz Rodrigues.
Surpreendida pela postura mais rígida do Copom, a economista-chefe do Banco Real, Zeina Latif, prevê que os juros subirão mais 0,75 ponto na reunião dos dias 9 e 10 de setembro. Esse aumento deverá ser acompanhado de mais duas elevações de 0,5 ponto cada, com a Selic encerrando o ano em 14,75%.
“A tendência é de que o BC feche o processo de alta da Selic em dezembro”, afirmou Flávio Serrano, economista do Banco BES Investimento. Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, dependendo do comportamento da inflação, é possível que o aumento dos juros avance até o primeiro semestre de 2009.
Apesar de a maioria dos analistas apoiar o choque de juros, ou ação “tempestiva contra a inflação” como ressaltou o BC, o clima foi de frustração no Ministério da Fazenda. Tanto o ministro Guido Mantega quanto seus principais assessores acreditavam que o BC pesaria menos a mão nos juros, diante da forte queda dos preços das commodities agrícolas e do petróleo, que ontem fechou a US$ 124,20, com baixa de US$ 4,23 por barril.
Antes do anúncio da decisão do Copom, o presidente Lula afirmou que o combate à inflação é “questão de honra” para o governo “Se alguém imagina que a inflação vai voltar no Brasil, pode tirar o cavalo da chuva. Nós tomaremos todas as medidas que forem necessárias para que a inflação se mantenha controlada”, frisou. Inclusive o choque de juros aplicado pelo BC.
Brasília, 00h01min
O Comitê de Política Monetária (Copom) endossou a visão mais pessimista do mercado: elevou em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), para 13% ao ano, o maior patamar desde janeiro de 2007. Desde segunda-feira para cá, o mercado virou suas apostas, sob o comando de Bradesco, Pactual, Itaú e Unibanco Asset Management.
Até então, o consenso era de 0,5 ponto.
Com essa alta, o BC sinalizou que o aumento dos juros será mais forte para que as expectativas de inflação convirjam rapidamente para o centro da meta definida pelo governo, de 4,5%. Para este ano, o mercado projeta inflação de 6,53%. Para 2009, a estimativa é de 5%.
Brasília, 19h28min
Enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro decide qual será o tamanho do aumento da taxa básica de juros (Selic), se de 0,5 ou de 0,75 ponto percentual, o BC da Nova Zelândia anuncia corte de 0,25 ponto nos juros de lá, para 8% ao ano.
A Nova Zelândia sempre é citada pelo BC brasileiro como exemplo de país responsável no combate à inflação. Foi lá que surgiu o alardeado sistema de metas inflacionárias no início dos anos de 1990.
Brasília, 18h38min
Sem grandes explicações, a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começou às 16h16 desta quarta-feira (dia 23), ganhou uma dimensão exarcebada. Tudo porque alguns grandes bancos mudaram as apostas para um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), apesar de a maioria ainda acreditar em 0,5 ponto.
Será que realmente há motivos para altas mais fortes da Selic com o petróleo desabando e as commodities agrícolas derretendo? Eu, particularmente, não vejo razão para uma mudança na política do BC, que sempre tem se pautado pela coerência.
Brasília, 17h09min
Muitos empresários andam reclamando da possibilidade de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, não se abala e classifica essa hipótese como "um bom problema".
Segundo ele, quando o país não crescia, ninguém investia e sobrava dinheiro. "Agora, falta recursos", ressalta ele. Para o ministro, não há problema nenhum em reservar uma parcela dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para dar fôlego ao banco.
E mais: Jorge não crê que a remuneração dos recursos liberados pelo fundo fique abaixo da correção obrigatória. "Você já viu quanto rendem os depósitos do FGTS?", indaga. Para quem não se lembra, o ministro refresca a memória: Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano.
Brasília, 15h30min
Se, por um lado, o forte recuo das commodities, especialmente as agrícolas, deve aliviar a inflação no Brasil, por outro, afetará, de forma negativa, as contas externas brasileiras, muito dependentes desses produtos para garantir saldos comerciais positivos.
O grupo de economistas mais pessimistas afirma que, com a redução dos preços das commodities, o déficit em transações correntes tender a aumentar cerca de 1,5 ponto percentual até 2010. Ou seja, o rombo cravaria cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar semelhante ao registrado na administração Fernando Henrique Cardoso e que empurrou o Brasil para uma crise cambial sem precedentes.
Os mais otimistas alegam, porém, que boa parte da perda de receitas em dólar com o barateamento das commodities agrícolas exportadas pelo Brasil será compensada pela menor cotação do petróleo, que tem pesado na conta das importações e reduzido de forma substancial o saldo comercial. Além disso, argumentam que os juros altos continuarão atraindo dólares para o país, ajudando a financiar tranqüilamente o décifit em transações correntes.
Mesmo no Banco Central, são claras as divisões de opiniões. Mas a tendência é de prevalecer a tese mais otimista de que, mesmo maior, o buraco nas contas externas não tenderá a empurrar o país para a crise, especialmente se o Comitê de Política Monetária conseguir trazer as expectativas de inflação para o centro da meta em 2009, mantendo o ritmo de crescimento da economia forte, a ponto de atrair investimentos estrangeiros diretos para manter o balanço de pagamentos no azul.
Brasília, 12h39min
Os grandes fundos estrangeiros, muitos deles chamados de hedge funds, decidiram inverter posições e passaram a apostar pesado contra as commodities, diante os claros sinais de desaquecimento da economia mundial, movimento puxado pelos Estados Unidos, Japão e Europa, que representam mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) global.
Para se ter uma idéia da força desses fundos, desde o início de julho, quando os preços das principais commodities atingiram seu pico, o índice que mede a variação dessas mercadorias despencou 12%, pelos cálculos da Reuters. Essa queda foi puxada pelo milho, que, no acumulado do mês, recuou 27%, e pela soja, com perda de 16% Já o trigo, cuja cotação máxima foi atingida em 12 de março, perdeu, desde então, 37% de seu valor.
Esse índice também considera o petróleo, que, desde a semana passada, ficou US$ 20 mais barato, também por conta da perspectiva de menor demanda mundial.
Brasília, 12h18min
Apesar do movimento global de aperto na política monetária, o Brasil continuará sendo o campeão mundial dos juros altos, qualquer que seja o aumento da taxa básica (Selic) a ser anunciado nesta quarta-feira (dia 23) pelo Banco Central.
Nas contas Consultoria UpTrend, caso a Selic aumente 0,5 ponto percentual, como aposta a maioria dos analistas, os juros reais, que descontam a inflação projetada para os próximos 12 meses, de 5,36%, ficarão em 6,9%, distantes do segundo colocado, a Austrália, com 5,75%, e sem comparação com a média dos 40 países analisados, de -0,2%.
Caso o Comitê de Política Monetária (Copom) forçe mais a mão e eleve a Selic em 0,75 ponto, os juros reais saltarão para 7,2%, consolidando um posto nada invejável e que, certamente, resultará em menor crescimento econômico.
Brasília, 05h30min
Apesar da deterioração recente das expectativas inflacionárias e dos números correntes de inflação acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, o economista-chefe da Real Asset Management, Hugo Penteado, acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) não titubeará em anunciar aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) nesta quarta-feira (dia 23).
Ele acredita, porém, que, ao contrário do que aposta o Palácio do Planalto, o processo de alta da Selic não se encerrará no final deste ano. Deve se estender por 2009, até atingir o pico de 15%, uma forma de combater à deterioração das expectativas de inflação que exclui alimentos e preços administrados.
Segundo Penteado, essa revisão para cima no total do ajuste a ser feito pelo Copom toma como base a grande incerteza sobre o comportamento das commodities que, dado a piora do cenário externo e de uma possível queda da atividade global acima do esperado, pode exercer forças deflacionárias nos próximos seis a nove meses.
No entender do economista, embora o Brasil tenha seu crescimento econômico totalmente explicado pelas famílias, governos e empresas, ou seja, pela demanda doméstica, uma reversão do cenário externo pode exercer uma força deflacionária para o país via menor disponibilidade de capitais para investimentos por um período não muito longo, mas o suficiente para causar um menor crescimento econômico em 2009, que já será diminuído com os juros avançando até os 15%.
Penteado destacou ainda que o Brasil não está totalmente imune às crises externas, assim como a China e a Índia também podem ser afetadas por uma inesperada recessão ou redução de atividade nos Estados Unidos, na Europa e no Japão ou no clube dos países ricos. Caso a China e a Índia sofram, os demais países emergentes arcarão com parte da fatura, pois esses dois países determinam a dinâmica econômica da Ásia e da América Latina, que é exportadora líquida de commodities.
Brasília, 00h01min
Procurados pelo blog para explicarem a alta de quase 0,5 ponto percentual nos juros pagos pelo Tesouro Nacional nos títulos públicos ofertados nesta terça-feira (dia 22), conforme nota abaixo, técnicos do órgão argumentaram que os investidores passaram a cobrar prêmios maiores para financiar a dívida pública.
Essa cobrança decorre de dois motivos, que estão interligados: o aumento da inflação e a perspectiva de elevação da taxa básica de juros (Selic) pelo menos até o final do ano. Os investidores queram evitar surpresas desagradáveis mais à frente.
Os técnicos endossaram, porém, o discurso alardeado pela equipe econômica de que a inflação é um problema global e o Brasil está sofrendo menos que outras economias. Mas, independentemente desse cenário um tanto otimista, eles admitiram que o Tesouro Nacional precisa rolar sua dívida, mesmo que para isso tenha de arcar com custos maiores.
Brasília, 21h06min
A ameaça de briga da Odebrecht contra o consórcio liderado pela Suez e a Camargo Corrêa, que ganhou a licitação para a construção da usina de Jirau, no Rio Madeira, preocupa um grupo do governo. Na visão dessa ala, um atraso na obra pode comprometer a programação de entrega de energia exatamente no período de maior descasamento com a demanda, em 2012.
Um dos ministros que apóia a Odebrecht alega que a empresa tinha que reagir ao resultado do leilão. Para ele, a proposta do consórcio Energia Sustentável de mudar o local da hidrelétrica de Jirau justificaria uma ação dura, pois é uma afronta ao edital.
Na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), porém, tal posição é questionável, pois o que importa é a produção de energia, com ou sem mudança no local da usina. O governo, segundo técnicos da Aneel, não comprou uma barragem, mas a produção de energia para suprir as necessidades do país.
Pelo visto, essa disputa ainda vai rachar o governo.
Brasília, 19h09min
A informação é do repórter Daniel Pereira, do Correio Braziliense: durante reunião da Coordenação Política do governo, nesta terça-feira (dia 22), o presidente Lula, o vice José Alencar e seis ministros (Dilma Rousseff, Guido Mantega, Paulo Bernardo, Tarso Genro, José Múcio e Luiz Dulci) constataram que o pior momento da inflação ficou para trás.
A avaliação foi de que as medidas adotadas pelo governo nos últimos meses, entre elas, o aumento da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, começaram a surtir efeito. Tanto que os números mais recentes da inflação já mostraram desaceleração. Com isso, a cúpula do governo acredita que não haverá tanta necessidade de o BC prolongar o arrocho na política monetária.
Na noite de segunda-feira (dia 21), Lula havia se reunido com Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles, para discutir a conjuntura atual e o cenário traçado também foi mais positivo, com a inflação deixando de figurar no topo das preocupações do governo.
Agora, a prioridade é de dar visibilidade às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para Lula, o governo precisa mostrar otimismo, que está investindo e que não há motivos para se preocupar além da conta com a inflação.
Brasília, 17h11min