O alívio nos preços dos alimentos registrado pelo IPC-S divulgado nesta-sexta-feira (dia 16) não acalmou os ânimos em torno da inflação deste ano. Pelo contrário, grande parte dos analistas fixou 5% como piso para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para as metas do governo.
O consenso, porém, é de inflação de 5,5%, com viés de alta.
Os analistas dizem que, qualquer que seja o tamanho do aumento dos juros ao longo deste ano, o Banco Central já não está olhando mais para a inflação de 2008. A atenção está focada para 2009. A prioridade é que as expectastivas para o ano que vem se mantenham ancoradas no centro da meta, de 4,5%.
O problema é que as projeções para o IPCA em 2009 já estão variando entre 4,7% e 4,9% e podem subir mais.
Brasília, 16h01min
Fontes do governo e do mercado financeiro esperam que a Fitch Ratings anuncie ainda nesta sexta-feira (dia 16) o grau de investimento (investment grade) para o Brasíl.
Há duas semanas, o país foi elevado a tal categoria pela Standard & Poor's.
Brasília, 15h38min
A indicação de Artur Badin para a presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, irritou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Ele estava negociando nos bastidores a nomeação de Fernando Furlan, atual conselheiro do Cade e sobrinho do ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, para o cargo.
Mercandante só soube da indicação de Badin na quinta-feira (dia 15), quando, oficialmente, seu nome foi encaminhado ao presidente Lula. Badin é procurador-geral do Cade e pupilo do Daniel Goldberg, que comandou a Secretaria de Direito Econômico (SDE) entre 2003 e 2006, primeiro mandato de Lula.
Há quem diga que a irritação de Mercadante é tamanha, que teria ameaçado dificultar a aprovação de Badin na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, da qual o senador é presidente.
Mas não foi apenas Merdante que estrilou. A atual presidente do Cade, Elizabeth Farina, também não escondeu sua irritação com o fato de, em nenhum momento, ter sido consultada por Genro para negociar sua sucessão.
Fernando Furlan, que quer porque quer comandar o Cade, acredita que ainda dá tempo de virar o jogo a seu favor. Além do apoio de Mercadante, está buscando apoio do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Brasília, 15h13min
Ninguém questiona o quanto é bom e importante o forte ritmo de crescimento da economia brasileira neste momento. Mas é interessante ver como os setores reagem a ele de forma diferente.
Ao longo desta semana, conversei com representantes de empresas de consórcios e com executivos da área de seguros. Enquanto as administradoras de consórcio lamentam o estrago que o alongamento dos prazos de financiamentos (até 99 meses) está fazendo em seus negócios, as seguradoras informam que nunca tiveram vendas tão fortes.
Explico: para as pessoas que desejam satisfazer logo suas necessidades (seja um carro novo, seja a casa própria), é melhor encarar prestações a perder de vista, mas usufruir logo do bem, do que entrar em um consórcio e esperar até 60 meses para botar a mão no objeto de desejo.
No caso das seguradoras, com a vendas de carros bombando, as empresas estão vendendo mais de 200 mil apólices por mês. Praticamente, ninguém que compra um veículo zero quilômetro sai da concessionária sem estar com o seguro nas mãos. Além disso, as seguradoras estão se beneficiando do aumento da renda, que trouxe para o mercado pessoas que nunca tinham compraram seus produtos. E, para deixar o quadro ainda melhor, estão vendo os custos com seguro saúde contidos pelo dólar barato, já que o câmbio interfere muito na inflação médica.
É preciso ressaltar, porém, que as empresas de consórcio não têm porque reclamar da vida. As vendas do setor estão avançando acima de 10% ao ano, também ajudadas pela renda e pela visão de muitas pessoas de que o consórcio é uma boa oportunidade de investimento.
Brasília, 11h23min
O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal, continua firme no seu propósito de fazer "a limpa" de pessoas ligadas ao governador de São Paulo, José Serra, que trabalham há anos da liderança do partido.
Depois de cortar 27 cabeças logo que tomou posse, em fevereiro, ele demitiu, na noite de quinta-feira (dia 15), as secretárias e assessores que ainda se mantinham no cargo e que contavam com a simpatia de Serra.
Aníbal não suporta o governador de São Paulo. Um dos mais fiéis seguidores de Geraldo Alckmin, candidato derrotado à Presidência da República, o líder sonha, dia e noite, em ser comandante do estado mais rico do país. Para isso, não sossegará enquanto não tirar todos os serristas de seu caminho.
Brasília, 11h05min
A economista Giovana Rocca, do Unibanco, teve de rever sua previsão para o comportamento da economia neste ano.
Antes da divulgação, nesta quinta-feira (dia 15), dos números sobre as vendas do comércio em março, ela vinha assegurando que o ritmo de expansão do consumo estava diminuindo. Mas depois de analisar os dados do IBGE (as vendas do varejo em março foram 1,8% maiores que as de fevereiro), está convencida de que a demanda encerrou o primeiro trimestre do ano com o pé no acelerador.
Nas contas de Giovanna, as vendas do comércio estão avançando em um ritmo sete vezes maior do que o aumento da produção, explicitando o risco de descasamento entre demanda e oferta.
Por isso, o Banco Central está tão preocupado com os números cada vez piores da inflação. Consumo forte facilita remarcações de preços.
Brasília, 19h30min
Vários analistas que acompanham de perto o comportamento da inflação cogitam a possibilidade de o Banco Central abandonar o centro da meta deste ano (4,5%) e perseguir uma meta ajustada (mais alta), devido à velocidade do aumento de preços e do crescimento robusto do consumo.
Esses mesmos analistas acreditam que o abandono da meta pode ser anunciado até julho, se o IPCA continuar na casa de 0,5%, como já ocorre há vários meses. É que a inflação acumulada em 12 meses, que, em abril, atingiu 5,04%, ficará cada vez mais distante do objetivo do BC.
No início do governo Lula, com a inflação apontando para 20% ao ano, o BC avisou que o cumprimento da meta era inviável. Hoje, o Brasil é um dos poucos países que ainda perseguem o centro da meta, mesmo com a disparada dos preços dos alimentos. No Chile e no México, por exemplo, os BCs locais abandonaram as metas para este ano e para 2009.
Brasília, 18h59min
Dizem os especialistas que o melhor negócio no país é ser dono de banco. Qualquer que seja o cenário econômico, os lucros são sempre crescentes. Mas como toda regra tem exceção, ela foi o Banco Popular do Brasil, criado em 2003 pelo governo para atender à população de baixa renda.
Desde que entrou em operação, em 2004, o Banco Popular, controlado pelo Banco do Brasil, só deu prejuízos. De lá para cá, acumulou perdas de R$ 144 milhões. Pois, finalmente, o BB decidiu fechar esse escoadouro de dinheiro público.
É preciso ressaltar que o BB não queria o nascimento do filho indesejado. Mas teve de engolir por pressões do presidente Lula. Chegou, inclusive, a rejeitar a marca BB Pop para não vincular a instituição a sua marca.
E mais: já de início, o Banco Popular se envolveu no escândalo do mensalão. Ivan Guimarães, então presidente da instituição, destinou uma verba considerável para propaganda por meio da DNA, agência de publicidade de Marcos Valério. Depois, o comando do banco foi dado como prêmio de consolação ao deputado Geraldo Magela, que havia perdido a disputa pelo governo do Distrito Federal.
Brasília, 15h40min
O IGP-10 de maio, de 1,52%, divulgado nesta quinta-feira (dia 15) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra um quadro preocupante: quando se projeta a taxa para os próximos 12 meses, vemos uma inflação de 20%. Trata-se de um quadro semelhante ao que se viu no início do governo Lula, em 2003, quando os índices de preços indicavam alta nessa magnitude.
Naquele período, porém, a economia vinha crescendo a um ritmo bem mais fraco. Agora, com a demanda aquecida, com o comércio registrando o melhor resultado da série histórica do IBGE, iniciada em 2001, está muito mais fácil para remarcações por parte da indústria.
A pergunta que está me intrigando: qual será o patamar de juros ideal para que o Banco Central possa retomar o controle da inflação e trazê-la de volta ao centro da meta, de 4,5%?
Brasília, 12h40min
Apesar de ter detonado a criação do Fundo Soberano do Brasil, o mercado financeiro se preparou direitinho para atender a essa nova fonte compradora de dólares. É aquela velha história: não gostei, mas se vai me garantir lucro, que venha.
Veja íntegra da matéria sobre o tema publicada na edição desta quinta-feira (dia 15) do Correio Braziliense.
De olho no Fundo Soberano
Os bancos se prepararam muito bem para tirar proveito de um novo e importante participante do mercado de câmbio: o Fundo Soberano do Brasil, anunciado anteontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas cujo projeto formal de criação ainda não foi apresentado ao Congresso. Desde o início deste ano, quando foi explicitada a intenção do governo de lançar o fundo — formado por recursos provenientes da arrecadação de impostos —, os bancos passaram a comprar sistematicamente dólares no mercado e ampliaram suas carteiras de pouco mais de US$ 2 bilhões para US$ 12 bilhões.
Segundo operadores do mercado, os bancos estão dispostos a se desfazer dessa montanha de recursos, que, acredita-se, será absorvida de forma gradual pelo Tesouro Nacional assim que o fundo for instituído oficialmente. Caso a opção do governo seja por medida provisória, o fundo entrará em operação imediatamente após a publicação. Mas terá validade de 120 dias, prazo exigido por lei para que seja aprovado pelo Congresso. Se o governo optar pela criação do fundo por meio de projeto de lei, ninguém no mercado acredita que o novo instrumento de poupança do país — comparada a um “cofrinho” pelo ministro da Fazenda — entrará em operação neste ano, pois, a partir de agosto, todo o Legislativo estará mergulhado nas campanhas para as eleições municipais.
Os analistas não acreditam que as futuras compras do fundo soberano causem saltos expressivos na cotação do dólar. “Fala-se que o fundo terá patrimônio entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Se as compras atingirem o máximo, corresponderão a quatro ou cinco meses de aquisições feitas pelo Banco Central”, disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.
Para Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, a tendência é de que o secretário do Tesouro, Arno Augustin, mantenha a forma de atuação do órgão na compra de dólares: sem alarde. Ao contrário do BC, que anuncia seus leilões de compra de dólares, o Tesouro atua por meio do Banco do Brasil sem que nada seja comunicado ao mercado. “E é melhor que continue assim, para não adicionar volatilidade ao dólar nem incentivar movimentos artificiais”, destacou Leal, ressaltando, porém, sua total discordância com a criação do fundo soberano.
“O Brasil não tem nenhuma das exigências para criar um fundo desse porte. Todos os 35 países que têm fundos soberanos registram superávit fiscal, saldos positivos constantes nas contas externas e, em vários casos, receitas provenientes de um único produto exportável, como o petróleo”, afirmou Leal.
Brasília, 12h22min
Se o projeto de reforma tributária encaminhado pelo governo ao Congresso não for aprovado neste ano, dificilmente sairá do papel. É o que acredita o governador da Bahia, o petista Jaques Wagner, que, junto com governadores e representantes de 10 estados, reuniu-se na noite de quarta-feira (dia 13) com o ministro da Fazenda, Guido Mantega para tentar aparar arestas em torno das propostas. Um dos principais temas discutidos foi a guerra fiscal, sistema usado pelos estados ao longo de anos para atrair investimentos. Como o projeto do governo prevê uma legislação única para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal instrumento da disputa, os governadores querem encontrar mecanismos de compensação para os contratos em vigor, alguns com vencimento em 2019. "Por isso, queremos que os empresários sejam chamados para as discussões", afirmou. Segundo Wagner, é importante que esse impasse seja resolvido logo, pois a incerteza quanto ao cumprimento dos contratos está adiando novos empreendimento. No caso da Bahia, ele contou que há R$ 8,5 bilhões em protocolos de intenções de investimentos assinados, mas que não vão para frente porque há insegurança jurídica. "São recursos importantes, que terão repercussão em toda a Bahia", frisou, lembrando que os mesmos questionamentos feitos no país se repetem no exterior. O governador baiano admitiu que o modelo de guerra fiscal se esgotou. Mas é preciso encontrar uma saída viável, que passa por um fundo de compensações para os estados. "Mantega nos garantiu que não faltará recursos para esse fundo", destacou. No entender de Wagner, há uma firme disposição dos estados para o entendimento, facilitado pelo robusto crescimento econômico do país e pela maturidade política de que a reforma é necessária e, no médio e longo prazos, trará benefícios para todos. Além do fundo de compensações, os estados querem dinheiro para infra-estrutura, a arma que os governadores vêem como a mais poderosa, daqui por diante, para atrair capitais. A Bahia recebeu, na última segunda-feira (dia 12), uma ajuda de R$ 8 bilhões do governo federal para tocar obras em portos, estradas, ferrovias e gasodutos. Brasília, 07h05min
Até o final de julho sairão os nomes das três agências responsáveis pela conta de publicidade da Caixa Econômica Federal, de R$ 260 milhões por ano. A disputa envolve 27 empresas.
Veja a lista das concorrentes:
- 141 Brasil Comunicação Ltda.
- Agnelo Pacheco e Propaganda Ltda.
- Arcos Propaganda Ltda.
- Bees Publicidade Comunicação e Marketing Ltda.
- Big Grandes Idéias Ltda.
- Borghierh Lowe Propaganda Ltda.
- Competence Comunicação e Propaganda Ltda.
- DCR Marketing e Propaganda Ltda.
- Escala Comunicação e Marketing Ltda.
- Euro RSCG Brasil Comunicações Ltda.
- Fischer América Comunicação Total Ltda.
- Giacometti & Associados Comunicação Ltda.
- Giovanni + Daftfcb S.A.
- Heads Propaganda Ltda.
- Link/BAGG Comunicação e Propaganda Ltda.
- Lua Branca Propaganda Ltda.
- Matisse Comunicação de Marketing ltda.
- Morya Comunicação e Propaganda Ltda.
- Novas/B Comunicação Ltda.
- Organização Comunicação e Propaganda Ltda.
- Perfil Publicidade Ltda.
- PPR – Profissionais de Publicidade Reunidos Ltda.
- Propeg Comunicação Ltda.
- RC Comunicação Ltda.
- Salles Chemistri Publicidade Ltda.
- White Propaganda Ltda.
- Z+ Comunicação Ltda.
Brasília, 21h21min
Todas as atenções do mercado financeiro nesta quinta-feira (dia 15) estarão voltadas para dois indicadores considerados vitais para os rumos da política monetária do Banco Central: as vendas do comércio em março e o IGP-10 de maio.
Ambos os indicadores serão divulgados logo na abertura dos mercados. Nas projeções do Banco Real, as vendas do varejo (excluindo veículos e materiais de construção) cresceram 1,7% na comparação de março com fevereiro e 10,5% frente a março de 2007. Com isso, a média móvel trimestral saltará de 0,3% para 0,8%. Já as vendas totais, segundo o banco, avançaram 11,8% ano contr ano.
Qualquer que seja o número analisado, as vendas do comércio confirmam o forte aquecimento da demanda, facilitando remarcações por parte da indústria e do comércio.
O pior é que o IGP-10 mostrará a inflação avançando a passos largos no atacado, reforçando os riscos de repasses para os consumidores. Pelas conta do Real, o índice ficará em 1,51% ante 0,45% de abril. No mercado, as estimativas vão de 0,80% a 1,75%. Mas há pessimistas admitindo a possibilidade de a taxa chegar a 2%.
Brasília, 20h59min
A assessoria do Banco Central contestou nota publicada pelo blog (às 11h58) nesta quarta-feira (dia 14) de que o presidente da instituição, Henrique Meirelles, teria ido na moita para Anápolis, cidade onde nasceu e tem domicílio eleitoral, articular uma possível candidatura ao governo de Goiás em 2010.
Segundo a assessoria, a decisão de Meirelles de ir à cidade goiana foi tomada em cima da hora, depois de vários pedidos do governador Alcides Rodrigues (PP) para que o presidente do BC participasse do lançamento da Zona de Processamento de Exportação do município.
A assessoria destacou que Meirelles passou por Anápolis rapidamente, fez um ligeiro pronunciamento e, de lá, seguiu para São Paulo, onde embarca nesta quarta-feira para o exterior, para cumprir uma agenda de compromissos.
Brasília, 18h39min
O mercado de consórcios desistiu de concorrer com as lojas que vendem eletrodomésticos. Todas as empresas fecharam os grupos que ofereciam tais produtos. Com prazos de pagamento a perder de vista e juros mais baixos, as lojas minaram o espaço construído pelos consórcios.
Entre os executivos do setor, a constatação é a seguinte: não dá para competir com as Casas Bahia, líder no ramo de varejo, que consegue oferecer prestações de R$ 10.
Brasília, 17h28min
Leia a íntegra da coluna Nas Entrelinhas publicada na edição desta quarta-feira (dia 14) do Correio Braziliense.
UGO BRAGA (*)
O Salão Verde da Câmara dos Deputados costuma ser uma espécie de espelho cristalino da política brasileira. Ontem, por exemplo. Enquanto Marina Silva pedia demissão no palácio do outro lado da rua, já havia congressista dando a notícia do lado de cá. Depois, também por lá, chegaram em primeira mão as primeiras informações dos motivos que a levaram a pedir o boné. Tanto as protocolares quanto as de bastidor. Em seguida à catarse inicial brotaram parlamentares dos matizes diversos. Os mais afeitos às questões ambientais a lamentar profundamente o ocorrido. Outros, autoproclamados ligados à produção, sorriam gostosamente pelo mesmo motivo. Só o governo esteve silencioso, desinformado e hesitante. Eis um bom motivo para reflexão.
Tomemos por perspectiva a discussão tal como ela se apresentou no meio político. Para os ambientalistas, a ministra era uma guardiã, de comportamento tão sereno e personalidade tão doce, ainda que povoada de idéias inflexíveis, que sua mera presença garantia o devido respeito, por parte do governo, a políticas de manejo sustentável, equilibradas do ponto de vista ecológico. Para os, digamos, “producionistas”, Marina era um entrave, um inconveniente, embebida de ingenuidade ideológica suficiente para lutar de forma irracional contra investimentos produtivos em fronteiras agrícolas inexploradas.
É pouco relevante a discussão sobre qual lado está certo. Ambos têm argumentos igualmente consistentes. De espantar é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha levado seis anos para dar cabo a um conflito tão patente dentro de seu governo. E que, ao fazê-lo, não tenha procurado o meio-termo, aclamado como ponto geográfico da virtude em qualquer ambiente de debate intenso.
Sem chance de paz
Há uma contradição inevitável entre as políticas defendidas pelos dois lados. A ministra Marina Silva incorpora um interesse difuso da humanidade. Qual seja, o de impedir que se consumam irremediavelmente os meio naturais que propiciam o combustível da própria existência — o oxigênio processado a partir de gás carbônico pelas florestas e matas mundo afora. Por esse prisma, os animais nativos, que fazem transitar as sementes pelas quais as espécies vegetais se reproduzem e se multiplicam, também são objetos de proteção.
Num país pobre, lutar por tais ideais é o mesmo que impedir fazendeiros de cultivar alimentos ou animais de criação em mais, novas e melhores terras; de dificultar que empresas alaguem áreas imensas ao construir barragens de usinas hidrelétricas necessárias tanto para energizar o crescimento econômico quanto para tirar pessoas da escuridão — sim, as há no Brasil do século 21. Por fim, significa zelar pelo espírito, enquanto o corpo morre de fome.
Projeto eleitoral
As sucessivas derrotas nos embates internos praticamente expulsaram Marina do governo. Por eliminação, não especulará com má-fé quem conclua que, entre corpo e espírito, o Palácio do Planalto preferiu o primeiro. Demorou, mas fez uma escolha muitíssimo delineada.
Seus motivos são também cristalinos. Nos primeiros dias de governo, o próprio presidente Lula havia argumentado, em defesa das políticas compensatórias, que a fome não espera. Portanto, cabia ao Estado dar dinheiro aos pobres e miseráveis antes mesmo de lhes propiciar a educação com que passariam a se sustentar sozinhos.
Trata-se, agora, do mesmo marco teórico, só que extrapolado. Não dá para pensar no futuro da humanidade com tantos brasileiros sem emprego, sem energia, sem perspectiva. Essas pessoas estão aqui, agora e precisam que as diversas obras e projetos encalhados por problemas de licenciamento ambiental saiam do papel o quanto antes.
Gostaria de acreditar que tal idéia permeasse o governo por altruísmo e por uma legítima preocupação com seu povo. Infelizmente, o comportamento das autoridades nos eventos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) transmite outra coisa, bem menos glamourosa: de que trata-se muito mais de meios para garantir que um aliado vença a próxima eleição presidencial.
(*) Repórter especial
Brasília, 15h47min
Donos de lojas e administradores de shoppings e de supermercados que ficam às margens da avenida Epia estão contabilizando queda de até 30% nas vendas. Apavorados com o trânsito caótico, pois apenas uma pista está liberada, os consumidores estão fugindo dos estabelecimentos.
A situação está tão preocupante, que, na semana passada, representantes do ParkShopping, da Leroy Merlin, do Carrefour e do Extra, entre outros, foram ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, pedir agilidade nas obras, que ninguém sabe dizer quando estarão concluídas.
Há lojistas de shoppings montando pontos alternativos de venda bem longe da Epia para desovar as mercadorias encalhadas.
Brasília, 14h25min
Políticos do PSDB estão fazendo circular que o jornal O Estado de S. Paulo foi vendido. O anúncio oficial da operação, segundo eles, será feito em breve.
Entre os parlamentares consultados pelo blog há quem garanta que o novo controlador do jornal paulista seria Vitório Mediolli, deputado pelo PSDB de Minas, que é dono dos jornais O tempo e Supernotícias, este, um fenônemo de vendas.
Estavam, porém, no páreo pelo Estadão as Organizações Globo e o Grupo Abril
Brasília, 14h07min
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não gostou das críticas do mercado ao fundo soberano anunciado por ele na terça-feira (dia 13). A assessores, disse que as posições contrárias foram exageradas.
Avisou, porém, que não se deixará guiar pelo mercado. E que o fundo soberano é um desejo do presidente Lula, que vai ser colocado em prática.
Resta saber se o governo terá força para aprovar o fundo soberano no Congresso. Se ele for criado por Medida Provisória, pode até funcionar de imediato. Mas MP tem prazo de validade (120 dias) e precisa ser ratificada pelo Legislativo para não perde a validade.
Se a opção for por projeto de lei, dificilmente o aval do Congresso sairá neste ano. Com as eleições municipais, nada será votado depois de agosto.
Brasília, 12h43min