
Conforme um acordo tácito fechado há meses, Mário Mesquita deixará a diretoria de Política Econômica do Banco Central no fim deste mês, junto com Henrique Meirelles, que já tomou a decisão de se canditar a um cargo político nas eleições de 2010.
Esse acordo foi revelado pelo próprio Meirelles quando surgiram os primeiros rumores sobre a saída de Mesquita do BC. Meirelles foi taxativo ao afirmar que Mesquita havia lhe prometido ficar no cargo enquanto ele continuasse na presidência do banco.
Brasília, 11h47min
Depois de fazer muito segredo sobre a sua permanência ou não na presidência do Banco Central, Henrique Meirelles já admite publicamente que deixará a instituição até o fim deste mês para concorrer a um cargo político: se não for para a vicê-presidência na chapa liderada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, será para o Senado. Gente do alto escalão do PMDB confirma a decisão de Meirelles.
O presidente do BC já comunicou ao presidente Lula a sua decisão. A princípio, ele entrará de licença do cargo a partir do dia 22 de março para sacramentar a decisão de voltar à política. O anúncio oficial de sua saída está marcado para o dia 31 de março, conforme antecipou a revista IstoÉ Dinheiro, em reportagem de Leonardo Attuch.
O próximo presidente do BC será o diretor de Normas, Alexandre Tombini, que já vem sendo preparado há meses para a função.
Brasília, 11h34min
O repórter Leonardo Attuch, da revista IstoÉ Dinheiro, assegura, em matéria publicada no início desta noite, que já está cravado o dia da saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central: 31 de março. Tudo já teria sido combinado com o presidente Lula, que estaria trabalhando nos bastidores para fazer de Meirelles o vice da chapa presidencial liderada por Dilma Rousseff.
Segundo a matéria, o sucessor de Meirelles será o atual diretor de Normas, Alexandre Tombini.
Leia a íntegra na matéria no link abaixo:
http://istoedinheiro.terra.com.br/noticias/14566_HENRIQUE+MEIRELLES+DEIXA+O+BC+NO+DIA+31+DE+MARCO
Brasília, 19h38min
O Itaú Unibanco revisou várias de suas projeções para a economia brasileira, conforme comunidado assinado pelos economistas da instituição Ilan Goldfajn e Guilherme da Nóbrega. No caso do IPCA, índice oficial de inflação, a estimativa deste ano saltou de 4,8% para 4,9%, em linha com o consenso de mercado. Para 2011, houve um salto de 4,6% para 4,8%, a despeito do aumento da taxa básica de juros (Selic) que está para ser anunciado pelo Banco Central, pois a pressão virá dos preços administrados, imunes à política monetária. Essa pressão pode ser constatada pelo IGP-M, que corrige parte das tarifas e cujas projeções passaram de 6,6% para 7% em 2010 e de 5,3% para 6,4% no ano que vem.
Com a inflação nesses patamares, o aumento da taxa Selic começará, segundo o Itaú Unibanco, já na próxima semana. A alta será de 0,5 ponto percentual. Os juros, pelas contas da instituição, devem avançar dos atuais 8,75% até 11,50% em julho próximo, taxa que seá mantida até o fim de ano. A partir de janeiro de 2011, a expectativa é de que os juros caiam para 11%, mantendo-se nesse nível ao longo de todo o ano.
O Itaú Unibanco chama a atenção ainda para o forte ritmo de crescimento da economia. O Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 6% neste ano e 4,9%, em 2011. Nesse ritmo, o país terá que importar mais e as remessas de lucros e dividendos tendem a disparar. Com isso, o déficit em transações correntes fechará 2010 em 2,9% do PIB e baterá em 4,1% no ano seguinte. A despeito disso, o dólar se manterá próximo de R$ 1,80.
Para as contas fiscais, o banco manteve inalterada a projeção de superávit primário deste ano em 2,7% do PIB e de 3% em 2011.
Brasília, 18h05min
Com a disputa entre os investidores pegando fogo no mercado futuro de juros -- uns, apostando que a taxa básica de juros (Selic) subirá em março, outros acreditando que o aumento só começará em abril --, o economista-chefe da Personale Investimentos, Carlos Thadeu Filho, preparou dois gráficos para o blog mostrando como a combinação de renda em alta com atividade aquecida está fazendo disparar os preços dos serviços que têm impacto no Produto Interno Bruto (PIB).
No primeiro, ele separou três momentos: 2007, quando a economia crescia a pleno vapor; 2009, com a atividade ainda impactada pelos estragos provocados pela crise mundial; e 2010, já com a economia totalmente restabelecida. No segundo gráfico, está a evolução no acumulado em 12 meses.
O que se observa, em ambos os casos, é que os preços dos serviços estão registrando altas mensais muito acima do registrado em anos anteriores e no acumulado de 12 meses, o que torna mais difícil o controle inflacionário em caso que qualquer ruído, como chuvas em excesso, seca, aumento do minério de ferro, especulação com as commodities (mercadorias com cotação internacional).
Diante desse quadro, acredita Thadeu, o BC precisa agir rápido para "quebrar a inércia" desses preços, que vem cravando alta anualizada entre 6% e 6,5%. Ele está convencido de que, começando em março ou em abril, o aumento dos juros chegará a três pontos percentuais, com a Selic saltando dos atuais 8,75% para 11,75% ao ano.
Brasília, 15h33min
Os investimentos produtivos comandaram a forte retomada da economia brasileira no último trimestre de 2009. Se as contas dos analistas estiverem corretas, a formação bruta de capital fixo (FBCF), que contabiliza os desembolsos dos empresários para o aumento das fábricas, cresceu aproximadamente 13% na comparação com os três meses imediatamente anteriores e algo como 10% frente ao quarto trimestre de 2008. “Foi uma retomada boa de se ver. Não podemos esquecer que o aumento se deu sobre uma base forte, pois, no terceiro trimestre, os investimentos haviam avançado 6%”, disse a economista Luíza Rodrigues, do Banco Santander.
Com a maior disposição do empresariado em investir e a força do consumo das famílias, sustentado pelo aumento do emprego e da renda, Luíza acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,1% no quarto trimestre do ano passado ante o terceiro. Anualizada, a taxa mostra que o Brasil encerrou 2009 com um ritmo de expansão de 8,6%, comportamento muito próximo do verificado na China. Apesar desse salto espetacular, no entanto, no acumulado do ano, o PIB apontou, pelos cálculos da economista, retração de 0,2%, mostrando que o impacto da crise mundial nos primeiros meses de 2009 foi profundo e os estragos não foram zerados por completo. Os dados oficiais serão divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Fim dos estímulos
Para Flávio Serrano, economista do Banco BES Investimento, o incremento da economia nos últimos três meses de 2009 foi tão forte que 2010 começou com crescimento garantido de pelo menos 3% (o chamado carregamento estatístico). Ele ressaltou, porém, que, nos próximos trimestres, veremos a atividade se desacelerando, devido à retirada dos estímulos fiscais dados pelo governo no auge da crise, com a redução de impostos sobre automóveis e eletrodomésticos. Serrano prevê que o PIB encerrará este ano com um salto de 5%. Luíza, do Santander, estima 4,8%.
No entender dos economistas, muita gente vai se frustrar com o número fechado do PIB. Mas, o importante, segundo eles, é que o Brasil conseguiu se recuperar rapidamente da crise, depois de um forte tombo que levou à recessão. Tanto que os investimentos dispararam no último trimestre, devendo se expandir pelo menos mais 10% em 2010, e o consumo das famílias se manteve resistente, com incremento de 3,4% entre outubro e dezembro do ano passado.
GOVERNO ESPERA ALÍVIO NA INFLAÇÃO
O forte aumento dos investimentos produtivos no fim de 2009 será o ponto principal a ser destacado pelo governo assim que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) liberar, na quinta-feira, o resultado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009. Já há um discurso pronto, principalmente, em torno do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que, com a formação bruta de capital fixo (FBCF) se expandindo a taxas de dois dígitos, não há riscos de inflação de demanda mais à frente. Ou seja, será um motivo a mais para o Banco Central não elevar a taxa básica de juros (Selic) a partir da próxima semana, como espera 60% do mercado financeiro.
Na opinião de Luíza Rodrigues, do Santander, apesar de positivo, o esperado incremento dos investimentos no quarto trimestre de 2009 não reduz as fortes pressões inflacionárias de curto prazo, que justificam uma alta imediata dos juros. “Temos de levar em consideração que os investimentos para a expansão das fábricas levam de oito a 12 meses para maturar. Quer dizer: eles serão importantes para, no médio e longo prazos, garantir a maior oferta de mercadorias”, explicou.
A visão é compartilhada pelo economista-chefe da Personale Investimentos, Carlos Thadeu Filho. “Eu, particularmente, acho que o BC deveria ser mais duro e começar o processo de alta dos juros com um aumento de 0,75 ponto percentual em vez do 0,5 ponto esperado pelo mercado”, afirmou. “Seria a melhor forma de reverter, mais rapidamente, as expectativas inflacionárias e ancorá-las novamente no centro da meta do governo, de 4,5%”, emendou.
Brasília, 11h13min
A pouco mais de uma semana de definir os rumos da política monetária, o Banco Central (BC) se depara com um quadro de indicadores bastante divergentes, o que tornará a reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) uma das mais difíceis da história. Não é à toa que mesmo o mercado, que aposta na alta dos juros, está totalmente rachado: 60% dos analistas acreditam que a taxa básica de juros (Selic) subirá agora em março e 40%, a partir de abril.
É verdade que, nos dois primeiros meses do ano, a inflação deu um salto preocupante, atingindo 1,54%, um terço do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%. Mas é verdade, também, que parte importante desse resultado veio de fatores atípicos: aumento das passagens de ônibus em várias capitais, reajuste das mensalidades escolares e a alta de produtos agrícolas mais sensíveis ao excesso de chuvas.
Em fevereiro, especificamente, quando descontado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) o impacto dos grupos transportes e educação, a taxa de 0,78% cairia para 0,46%, indicando desaceleração na inflação — em janeiro, o indicador havia cravado 0,75%. Outro dado importante: a média dos núcleos da inflação, que descontam todos os aumentos atípicos de preços, manteve-se estável, em 0,51%, ainda que em patamar elevado (anualizada, a taxa bate em 6,4%, quase o teto da meta oficial, de 6,5%).
Com os dados da atividade, o cenário não é diferente. Em janeiro, o índice de utilização da capacidade instalada da indústria (Nuci) apresentou ligeiro recuo em relação a dezembro, de 81,5% para 81,4%, mesmo com a produção tendo aumentado. Isso mostra que os investimentos para o aumento das fábricas estão maturando, garantindo oferta futura de mercadorias, e que as importações estão cumprindo o papel complementar de atender a demanda.
Recuperação espetacular
Na próxima quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenderá a acirrar a divisão do mercado e a dificultar ainda mais a decisão do Copom com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009. É consenso no governo e no mercado que o resultado final ficará muito próximo de zero, pendendo para uma ligeira queda, devido aos estragos provocados pela crise mundial.
Mas os que pregam o aumento já dos juros argumentam que o PIB do último trimestre do ano passado confirmará um ritmo forte demais da atividade, ambiente propício para pressões inflacionárias. Por isso, as expectativas de inflação colhidas semanalmente pelo BC estão em alta desde janeiro. Na média, a aposta é de que o Produto tenha avançado 2% entre outubro e dezembro, indicando que o país entrou 2010 crescendo em um ritmo anualizado de 8%.
Há que se ressaltar, porém, que o IBGE também mostrará um dado da maior importância para tranquilizar o BC e afastar o risco de uma inflação de demanda : os investimentos, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) como gostam os economistas, recuperaram o fôlego de forma espetacular, crescendo entre 12% e 13% no último trimestre de 2009 frente aos três meses imediatamente anteriores. E mais: números preliminares do início deste ano mostram que já houve um arrefecimento da demanda das famílias, fruto do comprometimento maior da renda com dívidas e por causa da alta da inflação.
Choque à vista
O grupo mais pessimista, que vê a taxa Selic saltando na próxima semana, argumenta que, independentemente de alguns bons sinais, o BC não pode pestanejar. Precisa agir rápido para debelar de vez os riscos de a inflação se distanciar demais do centro da meta neste ano e, principalmente, em 2011. Alguns, inclusive, acreditam que o melhor que o Copom tem a fazer é dar um minichoque de juros imediatamente. Ou seja, iniciar o aumento da Selic com 0,75 ponto percentual, em vez do 0,5 ponto esperado pelo grosso dos especialistas.
O argumento dessa ala radical é o de que o BC poderia promover mais duas altas dos juros em abril e junho, encerrando o ciclo no meio da Copa do Mundo e antes do início efetivo da campanha eleitoral. Seguindo esse caminho, o BC traria mais rapidamente as expectativas de inflação para o centro da meta e evitaria que a política monetária fosse incorporada ao debate entre a candidata governista, Dilma Rousseff, e o representante da oposição, José Serra.
Diretoria sem consenso
Com tantos argumentos prós e contra o aperto imediato da política monetária, não será surpresa se a decisão do Copom vier dividida. Nesse caso, com a maioria — incluindo o presidente do BC, Henrique Meirelles, que não o esconde o descontentamento com a disputa travada no mercado futuro de juros, no qual se projeta aumento de até quatro pontos da Selic — votando pela manutenção dos juros em 8,75% ao ano por mais 45 dias, e dois ou três votos pela alta. Se esse cenário se confirmar, serão mínimas as dúvidas de que a taxa Selic começará a subir em abril. Isso, é claro, se, de repente, o BC não se deparar com um possível processo de desinflação.
Brasília, 17h34min
O mercado acionário de Brasília está em polvorosa. Um grupo de investidores encaminhou denúncias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à BM&F Bovespa alegando ter arcado com prejuízos de pelo menos R$ 30 milhões em um golpe. Nos relatos, alguns desses investidores afirmam que perderam tudo o que tinham aplicado em ações e ainda estão devendo até R$ 1 milhão em operações de altíssimo risco fechadas nos mercados a termo e de opções, contratos derivativos recomendados apenas a profissionais altamente qualificados.
Pelo que consta nos processos abertos pela CVM para investigar possíveis irregularidades, os investidores — dois deles, funcionários do Banco Central — acusam o agente autônomo Gustavo Lima Júnior, sócio da Lima Júnior Investimentos, de ter fechado, sem autorização deles, operações a termo e de opções, nas quais se combinam preços de determinadas ações em uma data específica — valores que, se não forem alcançados, podem levar a enormes prejuízos. Os negócios foram realizados por meio da Corretora Fator, da qual Lima Júnior é representante no Distrito Federal.
De um total de 10 investidores que se dizem lesados pelo agente autônomo e pela Corretora Fator, três descreveram com detalhes ao Correio como perderam quase tudo o que tinham aplicado no mercado acionário. Ao longo de 2007, eles teriam sido convencidos por Lima Júnior a aproveitarem o bom momento da bolsa de valores e a operar por meio da Fator. Por lei, no entanto, Lima Júnior não poderia gerir a carteira de investimentos dessas pessoas. Ou seja, decidir por elas o que comprar e o que vender na bolsa. Como agente autônomo, caberia a ele apenas receber as ordens de seus clientes e repassá-las à corretora que representava. Indicar negócios caracterizaria conflito de interesse, pois sobre cada operação ele receberia um taxa de corretagem variando, normalmente, entre 0,5% e 1%.
Extratos fraudados
Nos processos que correm na CVM, os investidores asseguram que Lima Júnior não só decidia o que comprar e o que vender, como os estimulava as operações com derivativos. Com o estouro da crise mundial, em setembro de 2008, as perdas começaram a aparecer. Mas, quando indagado pelos investidores, o agente autônomo dizia que tudo ficaria bem. “Ao mesmo tempo, ele nos obrigava a fazer aportes adicionais de recursos, muitas vezes em valores superiores a R$ 100 mil”, conta um dos três investidores ouvidos pelo Correio sob a condição de se manter no anonimato.
Os investidores ressaltam ainda que, em várias ocasiões, Lima Júnior teria lhes apresentado extratos fraudados de suas aplicações, mostrando ganhos que nunca existiram. Sobre esses rendimentos ele cobrava uma taxa de comissão (performance) de 10%. “Tenho, inclusive, cópias de cheques que comprovam esses pagamentos”, afirma um segundo denunciante. “Ou seja, ele ganhava duas vezes: com as corretagens pagas pela Fator e com as taxas de comissão”, complementa o terceiro investidor.
Na avaliação dos investidores, a “irresponsabilidade e a má-fé” com que Lima Neto agia tinham por objetivo gerar o maior volume possível de corretagem e de comissões para que ele pudesse pagar um empréstimo de quase R$ 3 milhões que havia tomado do Banco Fator, controlador da corretora do mesmo nome. Também, segundo eles, seria esse o motivo de os dirigentes da corretora terem feito “vista grossa” para as irregularidades cometidas pelo agente autônomo.
Acusados negam fraudes
Os investidores que se dizem lesados pelo agente autônomo Gustavo Lima Júnior e pela Corretora Fator pedem punições severas por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Eles também querem que BM&F Bovespa use os recursos do Fundo de Ressarcimento de Prejuízos, uma poupança formada pela bolsa, para cobrir as perdas que lhes teriam sido impostas. Procurada pelo Correio, a bolsa não quis se manifestar sobre o assunto. A CVM alegou que as investigações correm em sigilo.
Por meio de sua assessoria, a Fator assegurou que segue à risca todas as determinações dos agentes reguladores e que, em momento algum, permitiu que Lima Júnior gerisse a carteira de ações de seus clientes. O agente autônomo só repassava à corretora as ordens dadas pelos investidores. A Fator admitiu que, até agora, foi notificada sobre duas queixas à BM&F Bovespa e três junto à CVM.
Lima Júnior também negou as irregularidades. “Segui exatamente o que determina a CVM. Todas as acusações são mentirosas. Os investidores que se dizem vítimas são pessoas com longa atuação no mercado, que sabiam os riscos que estavam assumindo”, assinalou. Ele disse que dispõe de gravações de todas as ordens repassadas pelos investidores, que serão entregues à CVM. Assegurou que “jamais” recebeu qualquer comissão dos investidores e negou ter feito empréstimo com o Banco Fator.
Legislação ficará mais rígida
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai tornar mais rígida a legislação que rege a relação entres os agentes autônomos do mercado de capitais e as corretoras de valores mobiliários. A meta, diz o diretor da autarquia, Otávio Yasbek, é dar maior responsabilidade às corretoras no caso de irregularidades cometidas pelos agentes com os quais elas operam. Hoje, se um agente autônomo — como é o caso de Gustavo Lima Júnior, acusado de dar prejuízos de R$ 30 milhões a investidores do Distrito Federal — comete alguma fraude, a corretora que fechou os negócios intermediados por ele está isenta de responsabilidades. “O nosso objetivo é dividir responsabilidades. Com isso, daremos maior segurança aos investidores”, diz Yasbek. “Não queremos mais ouvir das corretoras que elas não sabiam de nada quando questionarmos as reclamações que recebemos”, emenda.
Ele ressalta que a decisão de endurecer a legislação foi tomada devido ao crescente número de reclamações de investidores vítimas de golpes de agentes. “Dentro de um mês e meio ou dois, colocaremos as nossas propostas em audiência pública. Todos os participantes do mercado terão pelo menos 30 dias para dar sugestões”, destaca. A CVM pretende, entre outras coisas, exigir que os agentes autônomos especifiquem bem o perfil de investidores que atendem. Assim, se um aplicador mais conservador de repente começar a assumir riscos demais, a corretora com a qual o agente opera poderá intervir para evitar futuras perdas.
Na visão do diretor da CVM, ao criar um conjunto de obrigações e de normas para acompanhar as operações, a autarquia fortalecerá o papel dos agentes autônomos, importantíssimos para o crescimento do mercado de capitais além do eixo Rio-São Paulo, onde está a maior parte das corretoras. “Uma das pré-condições para o mercado de varejo (pessoas físicas) se expandir é dar maior segurança e transparência às operações”, assinala.
Brasília, 23h37min
CRÔNICA
LUCIANA ASSUNÇÃO (*)
"MUSEU DE GRANDES NOVIDADES"
Ultimamente, os versos de Cazuza em “O tempo não para” não me saem da cabeça. Acho que nunca uma música foi tão atual como essa, o que prova o poder do artista como sensível observador da sociedade. Sei que há muita gente que odeia Cazuza. Já recebi emails ofensivos sobre o compositor, citando que o cara era filhinho de papai, drogado, gay, promíscuo. “Se assim não fosse, não teria morrido de Aids, a doença dos perdidos”.
Mas, na verdade, o que temos a ver com isso? E daí se a vida dele foi o que foi? O que importa é o valor do cara como artista. E como artista ele é mágico, versátil, inteligente. Assim como outros tantos gênios criativos que também morreram drogados, prostituídos e muitas vezes incompreendidos.
Nessas férias rolou uma discussão entre a galera que estava compartilhando a casa de praia: quem foi o grande poeta do rock brasileiro? Cazuza ou Renato Russo? Meu marido votou no Renato, o amigo dele em Cazuza. Eu fiquei, digamos, dividida. Aliás, sem ter conhecimento técnico nenhum para afirmar o que defendi, disse apenas que não dava para comparar os dois. E acabamos nos esquecendo de Raul Seixas, que foi o abridor de caminhos...
Ambos foram gigantes. Cazuza na ironia, no ataque ferino às hipocrisias várias, no escracho e também, porque não, na docilidade de algumas de suas letras. Renato no lirismo, na poesia até beirando a inocência, o lúdico puro e simples. Em outras canções, deixava-se levar pela revolta juvenil, aquela que já foi capaz de transformar corações e mentes, estamos lembrados? Russo era assim: passional, confessional. Criou obras-primas como “Pai e Filhos”, que fez muitos papais e mamães enxergarem a música “barulhenta e louca” de seus rebentos de uma maneira menos preconceituosa.
Mas estou aqui nesta preleção que me fez desviar do ponto principal: por que este tempo não para nem um pouquinho só pra gente ficar de bobeira, hein? Caramba, todo dia é uma novidade tecnológica; é e-book ameaçando o nosso livrinho de papel milenar; é revisão histórica que põe por terra teses consagradas há séculos; Ipods que podem fazer mil coisas que os outros não faziam...Ai, ai, que saudade da minha secretária eletrônica!!
Fiz aniversário domingo destes e uma amiga que mora no Rio quis deixar um recado na minha secretária eletrônica. Coitado de nós, desta geração de transição que pegou máquina de escrever e computador. Revelação de filmes em película e impressão de fotos digitais. Que ouviu bolachão no toca-disco e hoje tem de aprender a lidar com o MP3 (ou já será MP20 e eu tô marcando touca?). Cruzes, essa expressão entregou legal a minha idade.
Não tenho mais secretária eletrônica... Ninguém mais deixava recado nela, pobre abandonada. Mas sabe que sinto falta de gravar minhas mensagens líricas com trechos de poemas escolhidos a dedo? E da reação das pessoas quando ligavam e ouviam "o poema do dia"? Que pena... Esse prazer se foi, assim como o de ver uma foto surgir no papel na escuridão da câmara escura.
Ok, não guardo boas recordações das aulas de datilografia e daquelas fitas para apagar os R, S, T datilografados equivocadamente. Mas tenho, sim, nostalgia de um tempo em que os celulares não nos achavam em qualquer canto. Eu, inconsciente ou não, acabo deixando o meu em qualquer canto, assim ele não me acha. As pessoas não sabem a hora de parar porque o tempo não para. E o que a gente vive e cria, assim como Cazuza já previra há mais de 15 anos, é “um museu de grandes novidades”.
Obsolescência antes mesmo do florescer. Murchar antes do vingar. Situação esquisita que me deixa um pouco órfã. Tá, isso é papo de dinossauro. Mas eu sei que não sou obtusa. Eu não vou nessas festas dos anos 80 só pra curtir o que “era música de verdade”. Eu vou ao show do Franz Ferdinand!! Minha mente é eclética, só não pensa em terabites. Queria preservar um pouco de serenidade e consistência, não sei se já perdi o VLT da história...
Tudo, de certo modo, vai ficando pasteurizado. Ter um blog, por exemplo, todo mundo tem. Email, todo mundo manda... Mas uma secretária eletrônica com a sua voz inimitável, com os poemas que você escolheu, quem tem? Era legal surpreender as pessoas com um lance simpático e original. Muita gente se desarmava e deixava um recadinho: “ganhei o dia com esta poesia, obrigada”. E isso me fazia vibrar.
Agora venho sofrendo pressões bem intencionadas para ter o meu próprio blog. Eu fico um pouco na defensiva, indecisa. Pra quê? Será mesmo que eu tenho tanto a dizer para as pessoas? Quem sou eu para ficar destilando minhas ideias simplórias por aí? Sei lá, é uma obrigação de aparecer avassaladora hoje em dia. O mundo anda mesmo tão complicado, né, Renato?
(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.
Brasília, 06h10min
ARTIGO
JANKIEL SANTOS E FLÁVIO SERRANO (*)
Não fosse a influência que os dados terão na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e os números do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2009 já já seriam monitorados atentamente pelos agentes de mercado. Portanto, qualquer discrepância significativa frente à visão geral de que a economia registrou um desempenho robusto naquele período terá impacto grande sobre os preços dos ativos domésticos.
Contudo, julgamos serem baixas as chances de que o resultado efetivo não atinja as expectativas, por conta do desempenho apresentado pelos indicadores coincidentes do PIB no ano passado. De acordo com nossos cálculos, o PIB brasileiro deve ter crescido 2,5% no último trimestre de 2009 comparado ao trimestre anterior e já descontado os fatores sazonais, o que significa um incremento de 5,1% em termos interanuais.
Caso nossas estimativas sejam confirmadas, a economia brasileira terá ficado
estável no ano passado frente a 2008, um resultado expressivo em meio às condições hostis que prevaleceram em 2009. Ademais, o número reforçará a visão de que o processo de recuperação se intensificou no último trimestre, explicando, assim, o motivo pelo qual o Banco Central alterou seu discurso na última reunião do Copom e tem sinalizado uma mudança iminente no caráter de sua política monetária.
Em resumo, os dados do PIB serão lidos por aqueles que advogam a favor de uma alta mais precoce e agressiva de juros como uma prova irrefutável de que sua recomendação precisa ser seguida.
Embora reconheçamos que a economia brasileira estava rodando em passo acelerado no final do ano passado, julgamos ser muito cedo para acreditar que o ritmo permanecerá o mesmo à frente. Divulgações recentes relacionadas ao setor industrial têm dado vida a esta suspeita e avaliamos que os dados do comércio varejista de janeiro deste ano poderão tornar esta incerteza ainda maior.
Enquanto o conceito mais restrito de comércio (excluindo concessionárias de veículos, lojas de autopeças e de material deconstrução) deverá ter apresentado expansão, estimamos que o conceito mais amplo tenha recuado fortemente no mesmo período, sinalizando, desta forma, um passo mais moderado deste setor ao longo do ano.
Tal pano de fundo condiz com a acomodação observada recentemente na
concessão de crédito e também da massa salarial em termos reais. Portanto, embora assumindo que o hiato de produto da economia brasileira se estreitará nos próximos meses, tal processo poderá ser – em nossa opinião – mais lento do que a maioria das pessoas imagina. Se esta percepção for
confirmada, não apenas o início do ciclo de aperto poderá ser postergado, mas também ficará mais claro que a sua magnitude será menor do que está apreçado no mercado doméstico de renda fixa.
(*) Economistas do Banco BES Investimento.
Brasília, 19h25min
ARTIGO
MARACI SANT'ANA (*)
A MALDIÇÃO DO "EU TE AMO"
Quem ainda não conhece deveria procurar conhecer o Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, uma ferramenta, de iniciativa da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sepm que assumiu a missão de contribuir para a promoção da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres no Brasil. Foi no Observatório que li que, em nosso país, em 2020, a maioria dos empregos será ocupada por mulheres. Hoje, a participação feminina já corresponde a 42,4% dessa mão de obra, mas, pelo andar da carruagem...
Quem diria, não? Eu nem sou tão velha assim, aliás, não sou nada velha, mas me lembro de um tempo em que, quando uma mulher solteira deixava de ser virgem, diziam que “ela havia se perdido”. Em outras palavras, uma época em que os cuidados com e das mulheres praticamente se limitavam a manter a virgindade e casar antes do “bicho pegar”. Preocupações com o mercado de trabalho? Claro que havia, mas nada que se compare ao que vemos agora. Hoje, perdida é aquela que está desempregada. Quanta diferença! Só que, mesmo com tudo isso, parece que, em determinadas situações, nada mudou.
Porque, em alguns assuntos, muitas ainda estão na Idade da Pedra. Desde que inventaram o “Eu te amo”, e isso já faz uma eternidade, as mulheres perderam boa parte do discernimento. Graças à singela frase, nem sei dizer quantas vezes atendi, em consultório, criaturas dilaceradas, presas a relacionamentos que poderiam ser classificados de tudo, menos de amorosos. Mulheres de diferentes idades, graus de instrução, situações financeiras. Muitas belas, outras nem tanto, mas todas se
dizendo apaixonadas por um homem devastador, que fazia da vida delas um
inferno. Uma verdadeira maldição!
E do tipo que pode atravessar gerações. Tataravós, bisavós, avós, mães e filhas vivendo como almas penadas, arrastando correntes, sofridas, desorientadas, incapazes de enxergar uma luz no fim do túnel, subjugadas em um mesmo drama, por alguém que jurava amor, embora se comportasse como se odiasse. Para vocês terem uma ideia, aconteceu de eu receber, em determinada época, mãe e filha adolescente sofrendo desse mal. E cheguei a ter, em um grupo de terapia, a segunda e a terceira ex-mulher de um mesmo sujeito, o que seria cômico se não fosse trágico.
Na maioria dos casos, essas mulheres buscam a psicoterapia na esperança de ajudar o parceiro, certas de que tudo de que ele precisa é apoio para superar os próprios traumas e acessar, bem lá no fundo dele mesmo, aquele sentimento maravilhoso que permitirá que eles vivam felizes para sempre. Só que, depois de algumas sessões, elas começam a duvidar da lógica do próprio raciocínio. E, não demora, surge a clássica pergunta: “Você acha que ele me ama?”
Então, a todas as mulheres que sonham encontrar resposta para essa questão, quero deixar a seguinte mensagem: os seres humanos somos criaturas ainda muito rudes. Em geral, pouco sabemos a respeito de nós mesmas. Assim, é, no mínimo, arriscado tentarmos adivinhar o que vai no coração do outro, em especial se estamos muito envolvidas com esse outro, desejosas de lá só encontrar coisas boas, de ter, finalmente, acertado a mão, tirado a sorte grande no amor.
Não me atrevo a lhe responder. Mas vamos raciocinar a partir da melhor hipótese, a de que o seu parceiro sinta amor por você. A pergunta é: Esse amor que ele tem a oferecer é o que você gostaria de receber? Será que ele dizer “Eu te amo” neutraliza as agressões físicas, a tortura emocional, a indiferença, as traições, as noites mal dormidas, as lágrimas derramadas, o sofrimento imposto aos filhos? Dê uma olhada no conjunto da obra do seu amado e responda: Se ele saísse hoje da sua vida, o que de bom iria embora junto com ele? Será que manter isso compensa tanta dor?
Todos os dias são das mulheres e precisamos usá-los também para reflexões acerca da vida, dos nossos sentimentos. Isso é que deve nos guiar, não o que os outros dizem sentir por nós, não o que queremos acreditar que os outros sentem por nós. Porque o que sobra neste mundo é gente disposta a dizer o que for necessário para se manter confortável.
É preciso que a mulher velha morra para que surja uma nova, corajosa e arrojada, que combine com os novos tempos. Pense nisso e lembre que é essa nova mulher que vai trazer ao mundo e criar o novo homem. Em outras palavras, o nosso futuro está em nossas mãos. Valeu, irmã! Até sábado, leitores!
Quer conhecer o Observatório? Aí vai o link http://www.observatoriodegenero.gov.br. Não está conseguindo postar
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(*) Psicóloga
Brasília, 12h30min
O anúncio do IPCA de fevereiro, que ficou em 0,78%, abaixo do consenso do mercado de 0,81%, deu um certo alívio entre os analistas, mas não dissipou as divergências em relação ao momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) começará a elevar a taxa básica de juros (Selic).
Para o economista Flávio Serrano, do Banco BES Investimento, as pressões inflacionárias são evidentes, sobretudo por causa da alta dos núcleos do IPCA, que apontam taxa anualizada de 6,34%, mas ainda é provável que a Selic só comece a subir a partir de abril.
Na opinião de Luiz Cherman, do Banco Itaú Unibanco, diante do retrato do IPCA, com núcleos anualizados encostando no teto da meta, de 6,5%, e um índice de difusão de 60%, mostrando que há remarcações generalizadas de preços, só restará ao BC começar a subir a Selic na semana que vem. Para ele, se não agir rápido, o Copom perderá o controle das expectativas inflacionárias.
Brasília, 12h03min
Reproduzo abaixo uma breve, mas muito interessante, análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) sobre a produção da indústria em janeiro.
"Nos últimos dois meses de 2009, a produção industrial apresentou quedas de 0,8% e 0,2%, respectivamente, nos meses de novembro e dezembro – ambas as taxas calculadas com relação ao mês imediatamente anterior e com ajuste sazonal. Esse comportamento da indústria deveu-se, exclusivamente, à retração ocorrida no setor produtor de bens duráveis. No mês de janeiro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE, pode-se observar que o crescimento de 1,1% da produção geral da indústria brasileira também está, fortemente, influenciado pelo desempenho do setor de bens duráveis – cuja produção aumentou 8,6% em janeiro frente a dezembro, na série ajustada sazonalmente. Ou seja, a evolução do nível geral do produto industrial está sensivelmente reproduzindo o ciclo de produção de bens duráveis.
Já existem indicadores que registram bons resultados para a produção de autoveículos (segmento com peso elevado no setor de bens duráveis) no mês de fevereiro. Portanto, a indústria como um todo também poderá apresentar resultados positivos em fevereiro. No entanto, o ciclo de bens duráveis não está claro. Por um lado, deve-se lembrar que está em curso o fim da desoneração do IPI para automóveis e produtos da linha branca, o que deve causar impacto negativo sobre a produção desses bens, embora seja difícil precisar sua magnitude. Por outro lado, o crédito voltou com bastante força na economia brasileira e, certamente, afetará positivamente o setor de duráveis. Ou seja, a produção do setor de bens duráveis pode, sobretudo neste primeiro semestre, apresentar oscilações, com reflexos diretos sobre a produção geral da indústria.
Outro destaque dos dados da indústria é a produção de bens intermediários em janeiro, a qual cresceu 2,0% com relação a dezembro, já considerados os ajustes sazonais. Desde janeiro de 2009, esse setor vem apresentando taxas de variação positivas, o que por si só é importante, dado que o setor de bens intermediários é o que tem maior peso na indústria brasileira. Mas, não é só isso. Nos últimos meses, a produção de bens intermediários vem crescendo a um ritmo ligeiramente mais forte (uma taxa média mensal de 1,7%), o que mostra que a indústria está aquecida, sem apresentar um superaquecimento. E, vale lembrar, dentro do setor de bens intermediários estão os segmentos de metalurgia (com peso importante da siderurgia) e de papel e celulose, os quais podem estar crescendo não somente em razão da expansão do mercado interno mas também devido a uma melhora no setor externo desses mercados. É esperar para ver.
Finalmente, no mês de janeiro, a produção de bens de capital voltou a ficar estável. Não há ainda motivos para preocupação, mas é importante que o setor de bens de capital cresça mais para recuperar o terreno perdido em 2009 e volte a liderar a produção da indústria brasileira, assim como ocorria antes do agravamento da crise mundial ocorrida em setembro de 2008. Não se deve esquecer que por trás desse setor estão boa parte dos investimentos da economia. No caso de bens semiduráveis e não duráveis, aí estão segmentos da indústria intensivos em mão-de-obra e produtores de bens-salários, portanto, importantes para a geração de emprego e para a manutenção dos níveis reais de rendimentos do trabalho. Seu desempenho em janeiro foi modesto."
Brasília, 16h13min
De volta ao Brasil, depois de um longo período assessorando o governo de Angola, o economista Eduardo Velho enriquece o debate sobre os rumos da política monetária. Como chefe do Departamento Econômico da Prosper Corretora, ele diz que dificilmente o Banco Central não elevará a taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom).
A seu ver, o mais provável é que o BC opte por um aumento gradual, começando com uma alta de 0,5 ponto percentual, dos atuais 8,75% para 9,25% ao ano. Mas ele não descarta, porém, a possibilidade de o Copom adotar uma linha mais dura. Ou seja, dar aumentos mais fortes na Selic logo, de forma que o processo de aperto monetário se encerre em julho, ou seja, quando começará, de verdade, a campanha eleitoral, já que a Copa do Mundo estará chegando ao fim. Nesse cenário, os juros já subiriam 0,75 ponto em março.
No entender de Velho, para o governo, que quer eleger Dilma Rousseff como sucessora do presidente Lula, o mais importante é que, quando esquentar a disputa eleitoral, os brasileiros não tenham mais a sensação da inflação em alta. A manutenção do poder de compra será vital na hora de os eleitores decidirem pelo futuro comandante do país. Sendo assim, destaca o economista, o melhor que o BC tem a fazer é controlar rapidamente as expectativas inflacionárias.
Ele lembra que, no início desta semana, o BC informou, por meio do boletim Focus, que a mediana das expectativas de inflação atingiu 4,91%, devendo superar os 5% no curtíssimo prazo. "Deve-se ressaltar que, no modelo econométrico do BC (função reação), o peso das expectativas é elevado e como o indicador efetivo não mostra, até o momento, qualquer sinal de reversão, o ciclo de alta dos juros deverá ser acionado em março", afirma. "Quanto mais cedo o aumento do juro básico, mais rápido será a reversão das expectativas de inflação no curtíssimo prazo e, mais rapidamente, o ciclo de alta será finalizado antes da eleição", acrescenta.
Segundo Velho, pela ótica do governo, o panorama mais apropriado seria a manutenção do juro básico em 2010, para não ocorrer qualquer desgaste da candidatura de Dilma em função da política monetária. "Entretanto, a inflação está em alta e avaliamos que o cenário mais desgastante é iniciar a eleição com uma inflação subindo, principalmente se o ciclo de alta dos juros se prolongar até um período posterior à eleição", frisa.
Ele detalha que trabalha com dois cenários para a Selic. No primeiro, a maior probabilidade é de que os juros aumentem 0,5 ponto em cada uma das cinco próximas reuniões (início em março e término em setembro). "Esse ciclo controlaria as expectativas de curto prazo, mas teria algum custo político com a continuidade do ciclo de alta dos juros durante a campanha eleitoral, ou seja, em agosto e setembro", diz. "Nesse cenário, os juros atingiriam taxa mínima de 11,25% até o final de 2010 , com limite superior de 11,50% (o ciclo de alta se prolongaria durante o período de campanha) na dependência do comportamento dos índices de preços, sobretudo atrelados ao câmbio, que podem sofrer com a volatilidade durante o calendário eleitoral", complementa.
No segundo cenário, que atenderia aos “torcedores” do governo que gostariam que as taxas de juros não aumentassem nos noventa dias anteriores à eleição presidencial, a Selic subiria mais forte agora, ou seja, 0,75 ponto em março, permitindo que, nas duas reuniões seguintes do Copom, em junho e julho, o ajuste fosse menor, encerrando o aperto monetário.
A discussão é muito boa.
Brasília, 12h40min
O dia está rico em indicadores de atividade. Ao mesmo tempo em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrail cresceu 1,1% em janeiro, confirmando o forte ritmo de expansão da economia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressaltou que, a despeito da produção maior, o uso da capacidade instalada do setor registrou ligeira queda, de 81,5%, em dezembro, para 81,4%, em janeiro.
Certamente, os defensores de um aumento, já em março, da taxa básica de juros (Selic) vão reforçar a necessidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) agir rápido para dar uma trava na demanda, sobretudo porque a alta da produção em janeiro foi puxada pelo setor de bens de consumo duráveis, que avançou 8,6% sazonalmente em relação a dezembro.
O mais importante, porém, é que o crescimento da produção não está levando ao esgotamento da capacidade do parque industrial de atender à demanda. Pelo contrário, a folga ainda continua e o que se percebe é que os investimentos no aumento das fábricas estão surtindo efeito. Além disso, vale destacar que a demanda por máquinas e equipamentos está forte, apontando para mais investimentos na ampliação do parque fabril.
Ou seja, não será surpresa se o Copom decidir esperar até abril para ver como andará o nível de atividade da economia e a inflação e, então, dar início ao ciclo de alta da Selic. Neste momento, é o que me parece mais sensato.
Brasília, 12h02min
O contínuo crescimento da renda dos trabalhadores está provocando recordes de depósitos na caderneta de poupança. Dados divulgados nesta quinta-feira (dia 4) pelo Banco Central mostram que, em fevereiro, as aplicações superaram os saques em R$ 2,619 bilhões, o melhor resultado para esse mês desde 1995, início da série histórica. No ano, a tradicional caderneta já soma captação líquida positiva de R$ 4,947 bilhões.
Para se ter uma idéia do potencial maior de poupança dos brasileiros, basta conferir o desempenho dos fundos de investimentos. Apesar de ainda faltar um dia últil para a contabilização dos dados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), a captação líquida dos fundos atingiu, em fevereiro (até o dia 25), R$ 8,8 bilhões. Ou seja, não está havendo uma migração de recursos de um segmento para outro. Na verdade, o que se vê são depósitos novos em todos os tipos de investimentos.
Entre os fundos, o campeão de captação foi o de renda fixa, justamente o maior competidor da caderneta. O saldo líquido no mês passado (também até o dia 25) bateu em R$ 3,108 bilhões. Nos fundos DI, os depósitos superaram os saques em R$ 888 milhões.
Muito provavelmente, até o fim do dia, a Anbima deve liberar os dados consolidados de fevereiro.
Brasília, 11h43min
O governo acendeu o sinal de alerta e passou a monitorar de perto os preços do aço. Diante do assanhamento da inflação, que deve levar o Banco Central a elevar a taxa básica de juros (Selic) a partir deste mês ou de abril, há o temor de que reajustes além da conta desse produto, contaminando cadeias importantes como a de automóveis e de eletrodomésticos, possam ser um combustível a mais para levar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) muito além do centro da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
“Não vamos permitir abusos”, assinalou um dos principais integrantes da equipe econômica. Segundo ele, em junho do ano passado, diante da choradeira das siderúrgicas, que haviam reduzido drasticamente a produção de aço e demitido por causa da contração do consumo provocada pela crise mundial, o governo passou de zero para 12% a alíquota de importação do produto. “Ou seja, demos uma proteção importante a um setor em um momento difícil. Agora, vamos querer a contrapartida, ou seja, preços comportados. Do contrário, voltaremos a zerar a alíquota de importação do aço”, avisou.
O alerta é mais dos que justificado. Entre os produtores de eletrodomésticos, várias empresas já estão sendo obrigadas a arcar com novas tabelas de preços do aço – os reajustes têm variado entre 5% e 10%. “Estamos preocupados, pois os sinais emitidos pelas siderúrgicas é de mais aumentos, uma vez que a Vale informou que reajustará o minério de ferro, a matéria-prima do aço”, disse um empresário. Pelas projeções da corretora japonesa Nomura, o minério poderá ficar até 70% mais caro. “Portanto, os consumidores finais, as empresas, que compram máquinas e equipamentos, e as pessoas físicas, que adquirem carros e eletrodomésticos, devem se preparem. É sobre eles que recairá a conta”, sentenciou o economista-chefe da Personale Investimentos, Carlos Thadeu Filho.
Para Alexandre Gallotti, analista da Tendência Consultoria, o repasse da alta dos custos das siderúrgicas para os consumidores será facilitado pelo forte incremento da demanda. Pelas suas contas, as vendas de aço no mercado interno deverão ter incremento de 30% neste ano. Em 2009, com a economia mundial em crise, as vendas caíram 25%. “O momento é de recuperação da economia e, certamente, a tendência é de que aproveitem e repassem parte dos novos preços cobrados por seus fornecedores”.
Gallotti ainda não consegue fazer uma projeção para o aumento de preço do aço. Mas acredita que, com a recuperação do setor industrial, principal consumidor de aço, haverá pressão das siderúrgicas por recomposição de margem. Na construção civil, porém, a ordem é evitar altas abusivas. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão, o setor já montou sua estratégia para estimular o reajuste do aço. “Estamos importando boa parte do que consumimos”, destacou.
Ele alegou que, mesmo com o aumento do imposto de importação, ainda está bem mais barato trazer aço de fora do que comprar no mercado doméstico. “Estamos conseguindo desembarcar nos portos a tonelada a R$ 1.850, valor que é acrescido por cerca de R$ 100 de frete até às obras. Aqui, a mesma tonelada sai por R$ 3 mil”, afirmou. “Sendo assim, não há nada que justifique novos aumentos do aço no Brasil. Os preços aqui são muito maiores do que no exterior”, frisou. A maior parcela do aço importado pelos construtores está vindo da Turquia.
Texto escrito em parceria com LIANA VERDINI, do Correio Braziliense.
Brasília, 21h30min
A decisão do Conar de proibir a propaganda da cerveja Devassa, campanha estrelada pela socialite americana Paris Hilton, está atraindo muito mais a atenção do mundo do que o terremoto no Chile, que já contabiliza mais de 700 mortos.
Tamanho interesse pode ser medido pelo acesso à materia sobre a retirada da campanha da Devassa do ar na agência de notícias da Bloomberg. Normalmente, uma matéria com muito sucesso tem entre 1 mil e 2 mil acessos. A que que leva o nome de Paris Hilton e seu striptease no título registrou o recorde de 11 mil acessos.
Ou seja, a Devassa acertou em cheio ao contratar Paris para a sua cerveja. O mundo todo está ligado na polêmica criada pela marca da cerveja.
Brasília, 14h27min
O Ministério da Fazenda, que sempre foi defensor ferrenho de um dólar mais alto, está comemorando a "acomodação" dos preços do dólar, que, segundo os analistas, podem voltar para próximo de R$ 1,70.
Assessores do ministro Guido Mantega veem nessa "tranquilidade" uma boa notícia para a inflação, o que pode levar o Banco Central a "esperar um pouco mais para ver se realmente há necessidade de se elevar" a taxa básica de juros (Selic).
Por sinal, vale ressaltar a recente boa convivência entre Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles. Com a possibilidade do comandante da política monetária deixar o cargo até o início de abril para concorrer a um cargo público, Mantega passou a elogiar o BC. E chegou ao ponto de, na última segunda-feira (dia 1), "traduzir" um discurso de Meirelles. Segundo o ministro, ao dizer que as eleições não impediriam a alta dos juros, o presidente do BC não "datou" o aperto monetário, como foi entendido pelo mercado.
Brasília, 13h10min
O capital estrangeiro destinado a títulos públicos e ao mercado acionário está voltando com força para o Brasil. Dados do Banco Central mostram que, em fevereiro, a conta financeira (na qual também se contabilizam os investimentos diretos) ficou positiva em US$ 1,886 bilhão. No acumulado do ano, o superávit nessa conta chega a US$ 3,101 bilhões. "Há uma combinação perfeita para os estrangeiros: a expectativa de alta dos juros e o fato de o Brasil ter voltado a ser visto como porto seguro perto do que está acontecendo em países da Europa, atolados em dívidas", reconhece um técnico do governo.
O resultado final do fluxo cambial de fevereiro, porém, ficou negativo em US$ 399 milhões por causa da conta comercial, que fechou o mês com déficit de US$ 2,285 bilhões. Diante do bom momento vivido pela economia interna, os importadores estão reforçando os estoques com mercadorias vindas de fora do país. Ao mesmo tempo, as exportações não deslancharam ainda, porque a demanda nas economias mais desenvolvidas continua muito, mas muito fraca.
Brasília, 12h50min
Pessoas próximas do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, garantem que ele está embarcando nesta terça-feira (dia 2) para Nova York -- de lá, seguirá para a Basileia, na Suíça --, com um pé fora da instituição. Ele teria aumentado a disposição em disputar um cargo político, o de senador, provavelmente.
Mas os mesmos amigos ressaltam: o martelo ainda não está batido. Muitas águas ainda vão rolar até o fim deste mês, quando, enfim, Meirelles terá ou não o seu dia do Fico.
Brasília, 13h10min
Os bancos públicos comandaram a alta das taxas de juros cobradas das pessoas físicas em janeiro. Dados do Banco Central mostram que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste (BNB) passaram a cobrar mais dos clientes que recorreram aos limites do cheque especial. Essa foi a operação de crédito que mais encareceu no primeiro mês do ano e que, por estar ganhando maior representatividade no mercado, puxou os juros médios dos consumidores para cima, de 42,7%, em dezembro, para 43% ao ano.
Na média, em janeiro, a taxa do cheque especial da Caixa passou de 6,14% para 6,19% ao mês. No Banco do Nordeste, o salto foi maior, de 5,95% para 6,23% mensais. No BB, que opera com juros mais próximos dos cobrados pelas instituições privadas, a taxa avançou de 7,74% para 7,76% ao mês. No Itaú Unibanco, os juros recuaram de 8,39% para 8,32% mensais. No Citibank, houve queda de 9,38% para 9,04% ao mês.
“Como os bancos públicos ampliaram demais a participação no mercado de crédito, qualquer movimento que eles fizerem em suas taxas afetará o resultado final”, explicou um técnico do BC. Ele disse ainda que o cheque especial, cuja taxa média passou de 159,1% para 161,1% ao ano, está cada vez mais demandado, porque muitas pessoas, sobretudo servidores públicos e aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), já esgotaram os limites de comprometimento de renda com linhas de crédito mais baratas, como o consignado (desconto em folha). “Então, têm de aceitar as taxas absurdas do cheque especial, que só deveria ser usado em caso de necessidade”, frisou o técnico.
Inconsistências
Em fevereiro, no que depender dos bancos públicos, o quadro não será muito diferente. Pelo levantamento mais recente do Banco Central, publicado no último dia 27, com taxas vigentes entre os dias 8 e 12 do mês passado, a Caixa Econômica aumentou os juros do cheque especial para 6,26% ao mês. No BNB, o custo para os clientes pulou para 6,81% mensais. No BB, houve um ligeiro recuo e se voltou aos níveis praticados no fim do ano passado: 7,74% ao mês.
“Ainda não entendemos o que está levando os bancos públicos a puxar os juros do especial para cima. Felizmente, em outras linhas, como no crédito pessoal, os juros continuam em queda. Por isso, pode ser que, na média, ainda tenhamos um resultado positivo em fevereiro”, ressaltou o mesmo técnico do Banco Central, lembrando que esse tipo de comportamento custou a cabeça de um presidente do BB no ano passado.
Cientes das cobranças que podem vir do governo, os executivos das instituições federais atribuem a alta dos juros à metodologia usada pelo BC. “Pelo sistema do Banco Central, divide-se a taxa pelo número de dias úteis. Se o mês for menor, a taxa sobe. Mas garanto que nossos juros estão inalterados desde o fim do ano passado”, afirmou Fernando Passos, superintendente da Área de Cadastro, Análise e Acompanhamento de Crédito do Banco do Nordeste.
O Banco do Brasil informou, por meio de sua assessoria, que os juros do cheque especial subiram em janeiro devido ao mix da carteira. Ou seja, aumentou o número de pessoas que pagam mais caro pelo limite de crédito. A Caixa se limitou a ressaltar que cobra as menores taxas do mercado.
Brasília, 21h30min
ARTIGO
POR RICARDO ALLAN (*)
Em 2002, o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, insistiu para que o candidato oposicionista à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deixasse claro como seria sua política econômica. Em toda oportunidade pública, Malan cobrava explicações. Em bases quase diárias. Na época, o medo dos investidores de que Lula revertesse os rumos da condução macroeconômica e passasse a perna nos credores externos provocou fuga de capitais, alta do dólar a R$ 4 e explosão da dívida pública. Os danos foram tamanhos que os coordenadores da campanha o convenceram a divulgar a Carta ao Povo Brasileiro, assegurando que honraria os compromissos do governo, respeitaria contratos, manteria o equilíbrio fiscal e combateria a inflação.
Se essa carta foi de fato importante para a vitória do candidato petista em sua quarta tentativa de chegar ao Palácio do Planalto, Malan foi, em última instância, seu grande eleitor. “A estabilidade, o controle das contas públicas e da inflação são hoje um patrimônio de todos os brasileiros. Não são um bem exclusivo do atual governo, pois foram obtidos com uma grande carga de sacrifícios, especialmente dos mais necessitados”, assinalava o texto, assinado por Lula em 22 de junho de 2002. Analistas duvidam que, neste ano, haja um “efeito Dilma” ou um “efeito Serra” na proporção do “efeito Lula”. Mas, numa era em que o dinheiro cruza fronteiras em segundos, não está descartada a saída de capitais, com eventuais efeitos cambiais e na dívida, caso os investidores estrangeiros se sintam ameaçados.
Na atual campanha, os dois principais postulantes deveriam, o quanto antes, delinear a política econômica que pretendem seguir, se eleitos. Em benefício do debate, poderiam até escrever novas cartas ao povo brasileiro. O principal risco representado pela candidata petista, Dilma Rousseff, é a volta das antigas teses heterodoxas do PT, libertadas da prisão pelo iminente adeus de Lula. As alas radicais do partido, tendo à frente o ideólogo Marco Aurélio Garcia, futuro coordenador da campanha, pregam toda aquela velha cantilena “revolucionária” e intervencionista defendida nos 20 anos anteriores à chegada ao poder. O pretexto é a crise internacional, que teria mostrado a “falência” do modelo que fez o mundo crescer como nunca nos 10 anos anteriores ao estouro da bolha financeira nos Estados Unidos.
Cobrindo a cabeça com boinas vermelhas, eles declaram o fim do capitalismo globalizado. Querem a volta do desenvolvimento pelas mãos do Estado. Não demora muito e começam a falar em calote da dívida. No início do mês, a ministra Dilma se recusou a escrever um compromisso nos moldes do feito em 2002. Instada por repórteres, limitou-se a dizer que seguiria os princípios do texto de Lula e que não há risco de alteração na política econômica se eleita. Mas, como não assinou nada, nada garante que vá se comportar dessa maneira. Ninguém sabe o que Dilma faria livre do mentor. Certo é que atirou num plano fiscal mais ousado da dupla Antonio Palocci-Paulo Bernardo, sepultando-o de vez, e que sempre favoreceu a gastança. Sabe-se também que, na política brasileira, está à esquerda do chefe.
Encruzilhada
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ainda nem se assume candidato. Quando o fizer, também terá que explicitar o que pretende fazer. O mercado financeiro o considera responsável do ponto de vista fiscal, mas teme algum arroubo intervencionista na área cambial. O tucano está numa encruzilhada, pois pode ser impelido a defender a política econômica dos oito anos de Fernando Henrique Cardoso, da qual discordava quase totalmente. Brigou tanto por causa da paridade do real com o dólar que sua permanência no Ministério do Planejamento durou só um ano e cinco meses. FHC forçou sua candidatura derrotada à Prefeitura de São Paulo para tirá-lo do governo, alojando-o depois no Ministério da Saúde, longe de Malan e companhia.
Serra viu seus seguidores “desenvolvimentistas” serem defenestrados um a um por imposição de Malan. A batalha havia sido ganha pelos “monetaristas”, que enterraram qualquer proposta de política industrial ou medida de indução ao crescimento. A equipe econômica se limitou a seguir a cartilha pouco inspirada da estabilidade da moeda, que o então ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, chamou de “nome outro da covardia” — foi demitido no dia seguinte, menos de dois meses depois da posse. A mesma luta, com os mesmos vencedores, existiu no primeiro mandato de Lula, pelo menos enquanto Palocci se segurou à frente da Fazenda, até março de 2006. No segundo, Guido Mantega, seu sucessor, e Luciano Coutinho (BNDES) conseguiram jogar o pêndulo para o outro lado.
Enciclopédia
Após o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), adotar um discurso heterodoxo, de “mexer em tudo”, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, tripudiou: “É importante que o PSDB apresente uma Carta ao Povo Brasileiro para a gente ter certeza do que os tucanos vão fazer na política econômica. Quem quiser saber o que a Dilma vai fazer é só olhar o que o Lula fez. Seria um tiro no pé alguém do PT dizer agora que vai fazer algo diferente. Quanto aos tucanos, ninguém sabe”, disse. Quando sair da toca, Serra terá que esquecer a política de FHC e dizer o que pensa. Com convicção. Para dissipar o temor do mercado e do eleitor, o terceiro mais importante aspirante ao palácio, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), não deve escrever uma carta. Isso seria insuficiente. Melhor pensar numa Enciclopédia ao Povo Brasileiro.
(*) Repórter de Economia do Correio Braziliense.
Brasília, 15h49min
ARTIGO
LUCIANA ASSUNÇÃO (*)
lulupisces@gmail.com
MENINA OBEDIENTE
“Ô mundo tão desigual...tudo é tão desigual
de um lado esse carnaval, de outro a fome total”...
(Torquato Neto e Gilberto Gil)
Folhear revistas femininas é divertido. Às vezes você encontra textos interessantes e concursos culturais desafiadores. Uma vez ganhei uma semana free em um dos SPAs mais caros do Brasil ao participar de um deles com um texto que pretendia saber: “O que é boa forma pra você?”.
Nestes dias, tive que passar um tarde inteira no salão de beleza. Gente, como essas modelos e celebridades aguentam tamanha provação? Não há cérebro que não derreta com o barulho dos secadores, o cheiro de ácido fórmico e a futilidade reinante. Uma das moças que trabalhavam no lugar traduziu muito bem o lema de sua vida: “Você está tão séria hoje, dona Lígia. Não pensa muito não, não vale a pena. Eu não fico pensando”.
Eu olhei pra ela pensei: “É isso aí”, enquanto minha cabeleira volumosa mudava de cor e de formato. Pois é, sou mulher e não posso renegar a minha condição de ser da espécie que cultiva a vaidade. Revistas femininas e salão de beleza: almas gêmeas de um mundo feminino que eu freqüento a passeio.
Li umas cinco “Caras” e umas duas “Claudias” durante a minha transformação. Numa das “Claudias” havia uma crônica da Danuza Leão até instigante que instigava as mulheres a “ser o que são”, revelando ódios, invejas e sentimentos desagradáveis em relação as suas amigas, familiares, chefes e maridos.
Na teoria, tudo é beautiful. Na prática, eu sei bem onde isso para. Eu sou a prova viva de que é melhor manter a boca fechada para não entrar mosquito. Mamãe sempre disse: “Quem fala demais dá bom dia a cavalo”. E eu já dei muitos boas tardes a equinos por aí. Ninguém, de fato, quer saber o que você realmente pensa. Iniciativa que pode gerar conseqüências arrasadoras. Ser franco não combina com o inconsciente coletivo brasileiro voltado para o prazer, para a conciliação e para os tapinhas nas costas.
Agora mesmo estou enfrentando um pepino danado: respondi um email de um amigo com opiniões consideradas “agressivas” por ele. Ele me deu o pé na bunda, disse que não queria mais saber de mim. E aí, Danuza, o que você me diz? Como é que essa mulher tem coragem de escrever que a gente deve soltar nossos lagartos numa revista feminina?
Ela tem noção de que tipo de mentalidade está lendo o que ela escreve? Arriscadíssimo. Podemos ter hordas de mulheres assassinadas por mandar os maridos à merda. Sem contar as que vão perder seus empregos nos salões de beleza por resolverem começar a pensar de um dia para o outro.
Por isso a morte de Zilda Arns me deixou tão fula da vida. Pô, quando um brasileiro é realmente do bem, faz além do que é preciso para tornar a vida da nação mais digna, é honesta, transparente e forte, tem de morrer assim? Quem deu autorização? Quem disse que Deus é brasileiro? Eu também soube que ela era muito gentil, o que não é o meu caso, o que torna sua morte brutal ainda mais estarrecedora.
E o estudante de medicina paupérrimo dizimado pelo próprio destino? Não conseguiu escapar das armadilhas dos que nascem na miséria: perdeu a vida jovem e de forma violenta. Parece conto de horror do Allan Poe tipo “Não venda a sua cabeça ao diabo”. E ele não tinha vendido, pelo contrário: estava a um passo de não virar estatística...
Enquanto isso, figuras como Sarney, Jader Barbalho (o caralho!) Paulo Maluf, Zé Pequenos, Beira-mares, Arrudas, Rorizes, idiotas de alto escalão, patricinhas e mauricinhos indolentes, apresentadoras de TV ridículas, modelos anoréxicas, a classe média egocêntrica e a elite estúpida morrem de velhice, na paz da mediocridade...Revoltante!
Pronto, falei, escrevi, desabafei. Desfiei meu fel contra a comunidade tupiniquim, devidamente avalizada por Danuza, esnobezinha, Leão. Sou uma menina obediente, oras bolas.
(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.
Brasília, 10h55min
As previsões de inflação para este ano estão cada vez piores. Parte importante dos analistas já prevê que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve superar os 5%, o que justificará uma ação rápida do Banco Central para evitar o descontrole das expectativas e uma onda de remarcações preventivas. “Com base nas últimas coletas de preços, revi minhas estimativas para o IPCA, de 4,6% para 5,2%, mesmo com o esperado aumento da taxa básica de juros (Selic) nos próximos meses”, disse o economista-chefe da Personale Investimentos, Carlos Thadeu Filho.
Ele ressaltou que a piora da inflação ficará evidente, principalmente, no primeiro trimestre do ano. Pelas suas contas, o IPCA acumulado nesse período deverá oscilar entre 2% e 2,2%, restringindo o espaço para que o BC consiga manter o índice anual no centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. “Pelas minhas contas, em fevereiro, o IPCA ficou em 0,88% (a taxa oficial sairá na próxima sexta-feira). Mas não descarto a possibilidade de o resultado ter sido maior”, destacou. “Para março, projeto inflação de 0,60%, um índice mensal elevado. Por isso, acredito que o BC terá que antecipar a alta da Selic. A taxa terá que subir pelo menos 2,5 pontos percentuais ao longo ano para conter um pouco o consumo e reduzir a pressão por reajustes”, acrescentou.
Thadeu reconheceu, porém, que parcela importante do IPCA do primeiro trimestre está “sujo” por aumentos que não se repetirão, como o das passagens de ônibus em São Paulo e outras capitais, o das mensalidades escolares e o de alimentos cujas safras foram prejudicadas pelo excesso de chuvas. “Mas é importante deixar claro que o BC não subirá os juros de maneira convencional. Na verdade, tirará os estímulos dados à economia no auge da crise mundial”, frisou. Para ele, a Selic ficou abaixo do seu ponto de equilíbrio, levando a economia a crescer acima de seu potencial, o que fez a inflação se acelerar e as contas externas se deteriorarem.
Brasília, 20h30min
O endurecimento do discurso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, enfatizando que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai aumentar a taxa básica de juros (Selic) tão logo ache necessário e independentemente de 2010 ser um ano eleitoral, casou frisson entre assessores do presidente Lula e do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Muitos acharam o discurso exagerado, sob o argumento de que o BC não pode se pautar por aumentos pontuais de preços para promover um arrocho no crescimento econômico.
No fim do dia, porém, vários desses assessores já diziam que, quando afirmou que pode tomar medidas impopulares e antipáticas a curto prazo, Meirelles não estava cravando a alta da Selic em março ou em abril. Para esse grupo, o presidente do BC quis, com sua fala, reduzir os ruídos do mercado e mostrar que os operadores estão exagerando nas apostas de um aperto monetário exagerado – de até quatro pontos percentuais.
Brasília, 19h20min
Ténicos do Banco Central avaliam que a fala do presidente da instituição, Henrique Meirelles, durante a posse de Carlos Hamilton na diretoria de Assuntos Internacionais acabou com os ruídos que vinham estimulando especulações no mercado.
Nas últimas semanas, por causa de desencontros entre o que diz os documentos mais recentes do Comitê de Política Monetária (Copom), que não prepararam os ânimos para a alta da taxa básica de juros (Selic) agora em março, e o que vem falando Meirelles, houve uma forte oscilação nas taxas futuras de juros, estimulando uma forte volatilidade.
Agora, com Meirelles indicando que os juros vão subir -- e rapidamente --, mesmo que a contragosto do governo, porque o aperto monetário pode ser usado pela oposição contra a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, parece que os ruídos de comunicação entre o BC e o mercado se dissiparam.
Tão logo Meirelles acabou de falar na posse de Carlos Hamilton, as taxas de juros futuros dispararam, atingindo a máxima de 10,49% nos contratos com vencimento em janeiro de 2011, encostando no patamar recorde de 10,50% registrado em dezembro passado.
Na abertura do dia, os mesmos contratos chegaram a computar baixa de 10,41% para 10,37%, por conta da entrevista de Meirelles ao jornal Valor Econômico, cujo título diz que o aumento dos compulsórios pode adiar a alta da Selic.
Brasília, 17h14min
Diante das repercussões negativas da entrevista que concedeu ao jornal Valor Econômico, publicada na edição de hoje, sob o título "Compulsórios devem adiar a alta dos juros", o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mandou antecipar o horário da posse de Carlos Hamilton na diretoria de Assuntos Internacionais.
Inicialmente, o evento estava marcado para as 18h desta sexta-feira (dia 26). Mas foi remarcado para as 12h, pois Meirelles queria "desmentir" o que dizia o título da matéria. Entre os seus assessores, o discurso era o de que "o título nada tinha a ver com a entrevista publicada".
Em um discurso lido com pouquíssimos improvisos, Meirelles afirmou que as taxas de juros podem subir a qualquer momento que o BC achar necessário, ou seja, já na reunião de março, independentemente do aumento dos compulsírios.
Disse que a diretoria do banco está pouco se importando se o país está em um ano eleitoral, pois as decisões de política monetária são técnicas e o BC tem uma missão a ser cumprida: manter a inflação na meta (4,5%).
Ressaltou ainda que, em vez de seguir "interpretações de jornalistas", os agentes de mercado deveriam levar em consideração apenas os documentos oficiais do Comitê de Política Monetária (Copom) e o que dizem as autoridades monetárias, mais precisamente ele, o presidente do BC.
Brasília, 15h39min
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, usou a posse de Carlos Hamilton na diretoria de Assuntos Internacionais para mandar uma série de recados a integrantes do governo e do mercado. Vamos a eles:
1) A taxa básica de juros (Selic) pode, sim, subir no curto prazo, ou seja, março ou abril, mesmo que sejam fortes as críticas de que a medida é "impopular" ou "antipática". Para Meirelles, o que importa é o bem comum, ou seja, o controle da inflação. "Atuar de forma consistente singifica atuar tecnicamente com foco exclusivo no mandato legal do banco. Atuar de forma consistente significa fazer o necessário, na medida e hora adequeda, para, por um lado manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e, por outro, assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas. Atuar de forma consistente significa também não evitar decisões tecnicamente justificada que, no curto prazo, possam parecer antipáticas ou impopulares, mas visam sim o bem comum", diz.
2) Os juros vão subir independentemente das eleições presidenciais. "Enganam-se aqueles que esperam mudanças na conduta do BC e nas políticas em função do calendário cívico. Nossa dedicação aos objetivos do BC é inequívoca e permanente", frisa.
3) Para entender a política monetária do BC é preciso ouvir o que dizem as autoridades, ou seja, o presidente da instituição, e acompanhar os documentos oficiais, isto é, as notas do Copom e os relatórios trimestrais de inflação. "É importante que a sociedade procure analisar os documentos, bem como pronunciamentos de autoridades monetárias pelo que está escrito ou dito e não pela interpretação de agentes econômcios, analistas ou jornalistas", assinala.
Brasília, 13h17min
Por mais que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e assessores do presidente Lula dissiminem a idéia de que o Banco Central (BC) poderá postergar a alta da taxa básica de juros (Selic) por causa do aumento dos depósitos compulsórios, medida que retirará R$ 71 bilhões da economia, o aperto monetário é dado como iminente pela ala mais conservadora do governo, da qual faz parte a diretoria do BC.
As contas que estão sendo feitas por essa ala conservadora mostra que a inflação do primeiro trimestre deste ano ficará muito, mas muito próxima dos 2%. Ou seja, sobrarão apenas 2,5% do centro da meta de 4,5% para os demais nove meses do ano, o que significa uma inflação média mensal de 0,28%, taxa impossível de ser conseguida em uma economia tão aquecida como a brasileira. Assim, a visão é de que, mesmo com o aumento dos juros, a inflação deste ano ficará próxima de 5%, índice que não é considerado nenhum exagero, mas que pode contaminar as expectativas e provocar estragos maiores em 2011.
O raciocínio dos técnicos mais conservadores da equipe econômica é o de que o quadro inflacionário se inverteu por completo. Há poucos semanas, a preocupação não era com a inflação de 2010, mas com a do ano seguinte. Por isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) agiria preventivamente para manter as projeções de 2011 para o IPCA ancoradas no centro da meta. Agora, o que o BC precisa é evitar que a infação deste ano descole demais do centro da meta, exigindo um aperto mais forte da política monetária. Sendo assim, não haverá eleições presidenciais que impedirão a alta da Selic.
Para o economista-chefe da Sul América Investimento, Newton Rosa, são cada vez maiores as chances de o aumento da Selic acontecer em março. No seu entender, não há como o BC adiar demais o aperto monetário, pois o preço a ser pago será um choque de juros. O mesmo raciocínio é feito por Maurício Molan, economista do Banco Santander. Nas suas contas, a Selic, que está em 8,75%, avançará até os 12% ao ano, sem choro nem vela.
Brasília, 11h09min