
ARTIGO
MARISTELLA ANSANELLI E GUSTAVO ARRUDA (*)
Frente à evolução dos indicadores de inflação e atividade divulgados nas últimas semanas, antecipamos para março nossa expectativa para o início do ciclo de aperto monetário. Mantemos a magnitude do ciclo em 2,5 pontos percentuais, mas agora começando em março.
No campo inflacionário, as pesquisas semanais e a coleta diária de preços sinalizam um IPCA ainda elevado em março, possivelmente do redor de 0,50%. Sem os reajustes pontuais do início do ano, era esperado um recuo mais expressivo da inflação neste mês, movimento que não está ocorrendo por conta da manutenção das pressões no grupo dos alimentos. Para abril, as primeiras estimativas também não são muito promissoras, com o impacto do reajuste dos remédios contribuindo para a manutenção da inflação no patamar de 0,5%.
Nesse cenário, já está contratado um IPCA de 2010 acima de 5%, e os riscos de uma inflação acima da meta também em 2011 são crescentes. Embora a mediana das expectativas de mercado para o IPCA de 2011 venha se mantendo em 4,5%, o cálculo da média já atingiu 4,67%, colocando um viés de alta nas expectativas para o próximo ano.
Com relação aos indicadores de atividade econômica, os antecedentes de fevereiro apontam para uma retomada forte após a relativa acomodação da virada do ano. O robusto desempenho do comércio em janeiro é um bom indicador do otimismo dos consumidores e da força da demanda doméstica. Nesse cenário, ainda que o nível de utilização da capacidade instalada se encontre abaixo dos picos do período pré-crise, a velocidade da recuperação deve fazer com que estes sejam atingidos rapidamente, pressionando ainda mais os índices de preços.
Tudo somado, restam poucos argumentos para a manutenção dos juros por mais uma reunião. Sendo assim, o mais provável é que o Banco Central dê início ao ciclo de alta da taxa Selic já na próxima semana.
(*) Economistas do Banco Fibra.
Brasília, 14h15min
O presidente Lula, que tem alardeado a forte recomposição do poder de compra do salário mínimo, não terá uma boa notícia a dar aos trabalhadores e aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em seu último ano de governo. Se prevalecer o acordo firmado com as centrais sindicais, de que o reajuste do mínimo deve levar em consideração a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores mais a inflação do ano anterior, o mínimo a ser definido no Orçamento de 2011 não terá ganho real. Ou seja, só será reajustado pela inflação (estimada em 5%), já que o PIB de 2009 caiu 0,2%. Será a primeira vez, em cinco anos, que o piso salarial partirá de uma base negativa.
Segundo o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, apesar de a notícia ser ruim para os trabalhadores e para os aposentados e pensionistas que recebem o mínimo, a entidade não pressionará o governo para mudar as regras no meio do jogo. “Acordo é acordo”, disse. A área técnica do governo também defende a manutenção do que foi acordado com as centrais.”Depois de um ano de crise, levar a inflação é muita coisa. Em muitos países, o que se discute no momento é a diminuição do salário real e o desemprego”, lembrou um técnico.
Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, politicamente, a correção do salário mínimo somente pela inflação não será uma boa notícia para Lula, que estará deixando o mandato, nem para o presidente da República que tomará posse em janeiro, quando entrará em vigor o novo valor. “Mas, para aqueles que fazem a política monetária, será uma ótima notícia, pois, o consumo tenderá a desaquecer um pouco, tirando pressões sobre a inflação”, frisou.
O acordo entre o governo e as centrais foi fechado em 2006. Na época, os sindicalistas gostaram da idéia, porque o PIB só vinha subindo. A regra também foi boa para o governo, pois além de evitar o desgaste de todo ano com o índice de reajuste, trouxe previsibilidade para as contas públicas, especialmente para a Previdência Social.
O acordo vem sendo honrado dede 2007, quando o salário mínimo passou para R$ 380, com reajuste de 8,57% em relação ao piso que vigorava no ano anterior, de R$ 350. A situação se repetiu em 2008, quando o mínimo foi para R$ 415,00 (+9,21%), em 2009, para R$ 465 (+12,04%) e, em 2010, para R$ 510 (+9,67%).
Texto escrito com VÂNIA CRISTINO, do Correio Braziliense.
Brasília, 00h01min
No Banco Central, defensores do presidente da instituição, Henrique Meirelles, estão espalhando a informação de que foi o presidente do PMDB e da Câmara dos Deputados, Michel Temer, que teria comandado a divulgação da notícia de que o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito contra ele, por suspeitas de crimes fiscais.
Os aliados de Meirelles dizem que foi "muita coincidência" a notícia sobre o indiciamento pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no mesmo dia em que a imprensa e o mercado discutiam a decisão do presidente do BC de deixar o cargo no próximo dia 31 para disputar a vaga de vice na chapa presidencial liderada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Esse posto, garante a cúpula do PMDB, é de Temer.
Brasília, 21h20min
Para não parecer implicância de minha parte, deixo para vocês interpretarem a nota divulgada pela Banco Central no noite desta quinta-feira (dia 11), em que todas as atenções estiveram voltadas para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009, que caiu 0,2%.
Mas que o presidente do BC, Henrique Meirelles, está cada vez mais político, está. Agora deu até para comentar sugestões do presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, candidato ao governo de São Paulo.
Eis a íntegra da nota:
"O Banco Central considera natural que todos os segmentos da sociedade expressem suas opiniões a respeito da política monetária e procura, por meio de pesquisas e de reuniões periódicas, acompanhar essas discussões, pois as considera legítimas. Dentro desse espírito, o presidente Henrique Meirelles ouviu hoje as ponderações feitas pelo presidente da FIESP, Paulo Skaf. Na conversa por telefone, o presidente Meirelles sugeriu que uma equipe de técnicos da entidade apresentasse os argumentos da FIESP para analise do Banco Central. A reunião ocorreu às 16 horas de hoje. Ao tomar suas decisões, o Banco Central leva em considerações todas essas opiniões e também os dados técnicos relacionados com uma série de fatores, sempre com vistas a cumprir a meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O BC está convencido de que a estabilidade da economia é um bem de toda a sociedade."
Brasília, 21h07min
Veja o comunicado oficial divulgado pelo Banco Central sobre o processo aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente da instituição, Henrique Meirelles, para apurar suspeitas de crimes fiscais.
"A propósito das notícias veiculadas sobre o pedido feito pelo Ministério Público para abertura de Inquérito no Supremo Tribunal Federal, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informa que tomou conhecimento do assunto pela imprensa e que formalizou pedido de vistas dos autos junto ao STF para ciência do que se trata e adoção das medidas jurídicas cabíveis.
Henrique Meirelles informa, ainda, que recebe com serenidade a notícia do pedido de abertura de Inquérito, uma vez que foi amplamente investigado no passado, com o arquivamento de todas as acusações a ele imputadas.
Por fim, o presidente do Banco Central esclarece que o patrimônio formado durante sua vida profissional foi resultado de árduo trabalho, com todos os seus rendimentos e bens declarados aos órgãos competentes, na forma da legislação. Além disso, Henrique Meirelles ressalta que a maior parte de seu patrimônio foi constituída quando trabalhava no exterior, com a divulgação periódica de seus rendimentos nos documentos oficiais da instituição que presidia, conforme previsão legal aplicável a instituições abertas no país sede."
Brasília, 18h19min
A consultoria LCA fez as contas e concluiu que, diante do crescimento expressivo da economia no último trimestre de 2009 -- 2% ante os três meses anteriores --, o Brasil já tem avanço garantido de pelo menos 2,7% neste ano. É o que os economistas chamam de carry-over. Segundo a LCA, trata-se do maior carregamento estatístico de um ano para outro verificado desde 1994/1995, os dois primeiros anos do Plano Real. Na média entre 2004 e 2007, o carry-over foi de 1,7%. De 2008 para 2009, ficou em -1,6%.
Apesar da garantia desse carregamento estatístico, a LCA vai rever para baixo a sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2010. Em vez de crescimento de 6,1%, passará a projetar 5,8%, a mesma taxa apontada pelo Banco Central. A redução de 0,3 ponto percentual se deve ao fato de a consultoria ter projetado um resultado melhor para o quarto trimestre de 2009 (2,3% ante os 2% confirmados), o que resultaria em um carry-over de 3%.
Brasília, 13h13min
No que depender dos prefeitos do Estado do Rio de Janeiro, o governo não terá paz enquanto eles não derrubarem a emenda Ibsen, que muda o sistema de rateio do royalties do petróleo, aprovada na Câmara dos Deputados. Liderados pelo governador Sérgio Cabral, eles dicidiram buscar o apoio do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que, ressalte-se, não tem sido muito amigável à administração Lula.
Um dos mais indignados é o prefeito de Macaé, Riverton Mussi. Não sem motivos. Se for aprovada, a emenda Ibsen reduzirá de R$ 400 milhões para R$ 1,5 milhão o total de repasses feitos anualmente ao município, grande produtor de petróleo. “A reunião no STF foi boa e ficamos de enviar aos ministros um demonstrativo de todas as fases dos royalties para dar embasamento às discussões”, diz. O estado do Rio como um todo perderá R$ 7,2 bilhões por ano em receitas com a repartição dos royalties do pré-sal.
Para Mussi, a hora é de partir para o confronto. “Teremos uma perda de 40% do orçamento do município, o que afetará toda a máquina administrativa, com a paralisação de obras”, afirma. No entender do prefeito, os municípios do Rio estão vivendo “uma briga de David contra Golias”, devido ao forte lobby do governo federal em favor da proposta de mudança no sistema de rateio de royalties.
Brasília, 00h56mim
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sempre ressaltou a importância de a instituição ser autônoma e tomar decisões técnicas, mesmo em momentos de grande pressão política. Foi, inclusive, essa postura que levou o BC a alcançar um patamar de credibilidade sem precedentes, tanto no Brasil quanto no exterior.
Mas, sinceramente, Meirelles está contrariando tudo o que diz. Ao não assumir publicamente que deixará o comando do BC, mesmo já tendo tomado tal decisão, só está dando munição aos especuladores, que estão fazendo a festa no mercado futuro de juros.
Seria bom que Meirelles botasse logo um ponto final sobre o seu futuro, que, ressalte-se, está tão próximo, e dissesse o mais rápido possível se sairá ou não do BC. O que não pode é ele se manter na moita e ficar impassível à especulação que está correndo solta no mercado às vésperas de uma reunião histórica do Comitê de Política Monetária (Copom).
No mínimo, o que eu posso dizer, é que está faltando bom-senso ao presidente do BC. Uma pena.
Brasília, 17h08min
Começou a bolsa de aposta sobre quem será o sucessor de Mário Mesquita na diretoria de Política Econômica do Banco Central. Rumores são de que o escolhido virá do mercado financeiro.
Mas há quem veja a possibilidade de Carlos Hamilton, que tomou posse recentemente na diretoria de Assuntos Internacionais e fez um road show no exterior para ser apresentado por Henrique Meirelles aos investidores, ser deslocado para o posto de Mesquita.
O nome do futuro diretor do BC será definido em conjunto por Meirelles e Alexandre Tombini, que deve assumir a presidência da instituição a partir de abril.
Brasília, 14h32min
A leitura que os analistas estão fazendo para o vazamento, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), da confirmação de que Henrique Meirelles deixará a presidência do Banco Central no fim desde mês é a seguinte: reforçar a autonomia operacional do BC, independentemente de quem estiver no comando da instituição e apesar de este ser um ano de eleições presidenciais.
Para os analistas, Meirelles deverá defender o aumento da taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom). Com isso, mostrará que não vê problemas em arrochar a economia em um momento de inflação em alta, mesmo tendo pretensões políticas, como a de ser vice na chapa presidencial liderada por Dilma Rousseff. E mais: o aumento dos juros agora reforçaria o que ele, Meirelles, vem dizendo há tempos, que seu sucessor manterá firme o compromisso de segurar a inflação ancorada no centro da meta definida pelo governo, de 4,5%.
Ou seja, o sucessor de Meirelles, muito provavelmente, o diretor de Normas do BC, Alexandre Tombini, continuará elevando os juros nas próximas reuniões do Copom, mesmo com o avanço da campanha eleitoral. Para os eleitores, o que realmente importa é que o poder de compra seja mantido -- isso, sim, reflete-se em votos.
Brasília, 13h01min
Apesar de o movimento cambial ter ficado negativo na primeira semana de março, em US$ 1,205 bilhão, o Banco Central, que havia interrompido as compras de dólares devido à alta da moeda frente ao real, voltou com tudo a atuar no mercado.
Entre os dias 1 e 5 deste mês, arrematou US$ 797 milhões, atuação que causou um certo incômodo entre os operadores, pois ajudou a empurrar as cotações da divisa americana para cima naquele período. Com essas compras, as reservas internacionais do Brasil atingiram US$ 242,099 bilhões.
Pelas informações divulgadas pelo BC, tanto a conta comercial quanto a financeira registraram mais saídas do que entradas de recursos na primeira semana de março. Os déficits ficaram, respectivamente, em US$ 297 milhões e US$ 908 milhões.
Brasília, 12h46min
Conforme um acordo tácito fechado há meses, Mário Mesquita deixará a diretoria de Política Econômica do Banco Central no fim deste mês, junto com Henrique Meirelles, que já tomou a decisão de se canditar a um cargo político nas eleições de 2010.
Esse acordo foi revelado pelo próprio Meirelles quando surgiram os primeiros rumores sobre a saída de Mesquita do BC. Meirelles foi taxativo ao afirmar que Mesquita havia lhe prometido ficar no cargo enquanto ele continuasse na presidência do banco.
Brasília, 11h47min
Depois de fazer muito segredo sobre a sua permanência ou não na presidência do Banco Central, Henrique Meirelles já admite publicamente que deixará a instituição até o fim deste mês para concorrer a um cargo político: se não for para a vicê-presidência na chapa liderada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, será para o Senado. Gente do alto escalão do PMDB confirma a decisão de Meirelles.
O presidente do BC já comunicou ao presidente Lula a sua decisão. A princípio, ele entrará de licença do cargo a partir do dia 22 de março para sacramentar a decisão de voltar à política. O anúncio oficial de sua saída está marcado para o dia 31 de março, conforme antecipou a revista IstoÉ Dinheiro, em reportagem de Leonardo Attuch.
O próximo presidente do BC será o diretor de Normas, Alexandre Tombini, que já vem sendo preparado há meses para a função.
Brasília, 11h34min
O repórter Leonardo Attuch, da revista IstoÉ Dinheiro, assegura, em matéria publicada no início desta noite, que já está cravado o dia da saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central: 31 de março. Tudo já teria sido combinado com o presidente Lula, que estaria trabalhando nos bastidores para fazer de Meirelles o vice da chapa presidencial liderada por Dilma Rousseff.
Segundo a matéria, o sucessor de Meirelles será o atual diretor de Normas, Alexandre Tombini.
Leia a íntegra na matéria no link abaixo:
http://istoedinheiro.terra.com.br/noticias/14566_HENRIQUE+MEIRELLES+DEIXA+O+BC+NO+DIA+31+DE+MARCO
Brasília, 19h38min
O Itaú Unibanco revisou várias de suas projeções para a economia brasileira, conforme comunidado assinado pelos economistas da instituição Ilan Goldfajn e Guilherme da Nóbrega. No caso do IPCA, índice oficial de inflação, a estimativa deste ano saltou de 4,8% para 4,9%, em linha com o consenso de mercado. Para 2011, houve um salto de 4,6% para 4,8%, a despeito do aumento da taxa básica de juros (Selic) que está para ser anunciado pelo Banco Central, pois a pressão virá dos preços administrados, imunes à política monetária. Essa pressão pode ser constatada pelo IGP-M, que corrige parte das tarifas e cujas projeções passaram de 6,6% para 7% em 2010 e de 5,3% para 6,4% no ano que vem.
Com a inflação nesses patamares, o aumento da taxa Selic começará, segundo o Itaú Unibanco, já na próxima semana. A alta será de 0,5 ponto percentual. Os juros, pelas contas da instituição, devem avançar dos atuais 8,75% até 11,50% em julho próximo, taxa que seá mantida até o fim de ano. A partir de janeiro de 2011, a expectativa é de que os juros caiam para 11%, mantendo-se nesse nível ao longo de todo o ano.
O Itaú Unibanco chama a atenção ainda para o forte ritmo de crescimento da economia. O Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 6% neste ano e 4,9%, em 2011. Nesse ritmo, o país terá que importar mais e as remessas de lucros e dividendos tendem a disparar. Com isso, o déficit em transações correntes fechará 2010 em 2,9% do PIB e baterá em 4,1% no ano seguinte. A despeito disso, o dólar se manterá próximo de R$ 1,80.
Para as contas fiscais, o banco manteve inalterada a projeção de superávit primário deste ano em 2,7% do PIB e de 3% em 2011.
Brasília, 18h05min
Com a disputa entre os investidores pegando fogo no mercado futuro de juros -- uns, apostando que a taxa básica de juros (Selic) subirá em março, outros acreditando que o aumento só começará em abril --, o economista-chefe da Personale Investimentos, Carlos Thadeu Filho, preparou dois gráficos para o blog mostrando como a combinação de renda em alta com atividade aquecida está fazendo disparar os preços dos serviços que têm impacto no Produto Interno Bruto (PIB).
No primeiro, ele separou três momentos: 2007, quando a economia crescia a pleno vapor; 2009, com a atividade ainda impactada pelos estragos provocados pela crise mundial; e 2010, já com a economia totalmente restabelecida. No segundo gráfico, está a evolução no acumulado em 12 meses.
O que se observa, em ambos os casos, é que os preços dos serviços estão registrando altas mensais muito acima do registrado em anos anteriores e no acumulado de 12 meses, o que torna mais difícil o controle inflacionário em caso que qualquer ruído, como chuvas em excesso, seca, aumento do minério de ferro, especulação com as commodities (mercadorias com cotação internacional).
Diante desse quadro, acredita Thadeu, o BC precisa agir rápido para "quebrar a inércia" desses preços, que vem cravando alta anualizada entre 6% e 6,5%. Ele está convencido de que, começando em março ou em abril, o aumento dos juros chegará a três pontos percentuais, com a Selic saltando dos atuais 8,75% para 11,75% ao ano.
Brasília, 15h33min
Os investimentos produtivos comandaram a forte retomada da economia brasileira no último trimestre de 2009. Se as contas dos analistas estiverem corretas, a formação bruta de capital fixo (FBCF), que contabiliza os desembolsos dos empresários para o aumento das fábricas, cresceu aproximadamente 13% na comparação com os três meses imediatamente anteriores e algo como 10% frente ao quarto trimestre de 2008. “Foi uma retomada boa de se ver. Não podemos esquecer que o aumento se deu sobre uma base forte, pois, no terceiro trimestre, os investimentos haviam avançado 6%”, disse a economista Luíza Rodrigues, do Banco Santander.
Com a maior disposição do empresariado em investir e a força do consumo das famílias, sustentado pelo aumento do emprego e da renda, Luíza acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,1% no quarto trimestre do ano passado ante o terceiro. Anualizada, a taxa mostra que o Brasil encerrou 2009 com um ritmo de expansão de 8,6%, comportamento muito próximo do verificado na China. Apesar desse salto espetacular, no entanto, no acumulado do ano, o PIB apontou, pelos cálculos da economista, retração de 0,2%, mostrando que o impacto da crise mundial nos primeiros meses de 2009 foi profundo e os estragos não foram zerados por completo. Os dados oficiais serão divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Fim dos estímulos
Para Flávio Serrano, economista do Banco BES Investimento, o incremento da economia nos últimos três meses de 2009 foi tão forte que 2010 começou com crescimento garantido de pelo menos 3% (o chamado carregamento estatístico). Ele ressaltou, porém, que, nos próximos trimestres, veremos a atividade se desacelerando, devido à retirada dos estímulos fiscais dados pelo governo no auge da crise, com a redução de impostos sobre automóveis e eletrodomésticos. Serrano prevê que o PIB encerrará este ano com um salto de 5%. Luíza, do Santander, estima 4,8%.
No entender dos economistas, muita gente vai se frustrar com o número fechado do PIB. Mas, o importante, segundo eles, é que o Brasil conseguiu se recuperar rapidamente da crise, depois de um forte tombo que levou à recessão. Tanto que os investimentos dispararam no último trimestre, devendo se expandir pelo menos mais 10% em 2010, e o consumo das famílias se manteve resistente, com incremento de 3,4% entre outubro e dezembro do ano passado.
GOVERNO ESPERA ALÍVIO NA INFLAÇÃO
O forte aumento dos investimentos produtivos no fim de 2009 será o ponto principal a ser destacado pelo governo assim que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) liberar, na quinta-feira, o resultado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009. Já há um discurso pronto, principalmente, em torno do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que, com a formação bruta de capital fixo (FBCF) se expandindo a taxas de dois dígitos, não há riscos de inflação de demanda mais à frente. Ou seja, será um motivo a mais para o Banco Central não elevar a taxa básica de juros (Selic) a partir da próxima semana, como espera 60% do mercado financeiro.
Na opinião de Luíza Rodrigues, do Santander, apesar de positivo, o esperado incremento dos investimentos no quarto trimestre de 2009 não reduz as fortes pressões inflacionárias de curto prazo, que justificam uma alta imediata dos juros. “Temos de levar em consideração que os investimentos para a expansão das fábricas levam de oito a 12 meses para maturar. Quer dizer: eles serão importantes para, no médio e longo prazos, garantir a maior oferta de mercadorias”, explicou.
A visão é compartilhada pelo economista-chefe da Personale Investimentos, Carlos Thadeu Filho. “Eu, particularmente, acho que o BC deveria ser mais duro e começar o processo de alta dos juros com um aumento de 0,75 ponto percentual em vez do 0,5 ponto esperado pelo mercado”, afirmou. “Seria a melhor forma de reverter, mais rapidamente, as expectativas inflacionárias e ancorá-las novamente no centro da meta do governo, de 4,5%”, emendou.
Brasília, 11h13min
A pouco mais de uma semana de definir os rumos da política monetária, o Banco Central (BC) se depara com um quadro de indicadores bastante divergentes, o que tornará a reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) uma das mais difíceis da história. Não é à toa que mesmo o mercado, que aposta na alta dos juros, está totalmente rachado: 60% dos analistas acreditam que a taxa básica de juros (Selic) subirá agora em março e 40%, a partir de abril.
É verdade que, nos dois primeiros meses do ano, a inflação deu um salto preocupante, atingindo 1,54%, um terço do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%. Mas é verdade, também, que parte importante desse resultado veio de fatores atípicos: aumento das passagens de ônibus em várias capitais, reajuste das mensalidades escolares e a alta de produtos agrícolas mais sensíveis ao excesso de chuvas.
Em fevereiro, especificamente, quando descontado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) o impacto dos grupos transportes e educação, a taxa de 0,78% cairia para 0,46%, indicando desaceleração na inflação — em janeiro, o indicador havia cravado 0,75%. Outro dado importante: a média dos núcleos da inflação, que descontam todos os aumentos atípicos de preços, manteve-se estável, em 0,51%, ainda que em patamar elevado (anualizada, a taxa bate em 6,4%, quase o teto da meta oficial, de 6,5%).
Com os dados da atividade, o cenário não é diferente. Em janeiro, o índice de utilização da capacidade instalada da indústria (Nuci) apresentou ligeiro recuo em relação a dezembro, de 81,5% para 81,4%, mesmo com a produção tendo aumentado. Isso mostra que os investimentos para o aumento das fábricas estão maturando, garantindo oferta futura de mercadorias, e que as importações estão cumprindo o papel complementar de atender a demanda.
Recuperação espetacular
Na próxima quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenderá a acirrar a divisão do mercado e a dificultar ainda mais a decisão do Copom com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009. É consenso no governo e no mercado que o resultado final ficará muito próximo de zero, pendendo para uma ligeira queda, devido aos estragos provocados pela crise mundial.
Mas os que pregam o aumento já dos juros argumentam que o PIB do último trimestre do ano passado confirmará um ritmo forte demais da atividade, ambiente propício para pressões inflacionárias. Por isso, as expectativas de inflação colhidas semanalmente pelo BC estão em alta desde janeiro. Na média, a aposta é de que o Produto tenha avançado 2% entre outubro e dezembro, indicando que o país entrou 2010 crescendo em um ritmo anualizado de 8%.
Há que se ressaltar, porém, que o IBGE também mostrará um dado da maior importância para tranquilizar o BC e afastar o risco de uma inflação de demanda : os investimentos, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) como gostam os economistas, recuperaram o fôlego de forma espetacular, crescendo entre 12% e 13% no último trimestre de 2009 frente aos três meses imediatamente anteriores. E mais: números preliminares do início deste ano mostram que já houve um arrefecimento da demanda das famílias, fruto do comprometimento maior da renda com dívidas e por causa da alta da inflação.
Choque à vista
O grupo mais pessimista, que vê a taxa Selic saltando na próxima semana, argumenta que, independentemente de alguns bons sinais, o BC não pode pestanejar. Precisa agir rápido para debelar de vez os riscos de a inflação se distanciar demais do centro da meta neste ano e, principalmente, em 2011. Alguns, inclusive, acreditam que o melhor que o Copom tem a fazer é dar um minichoque de juros imediatamente. Ou seja, iniciar o aumento da Selic com 0,75 ponto percentual, em vez do 0,5 ponto esperado pelo grosso dos especialistas.
O argumento dessa ala radical é o de que o BC poderia promover mais duas altas dos juros em abril e junho, encerrando o ciclo no meio da Copa do Mundo e antes do início efetivo da campanha eleitoral. Seguindo esse caminho, o BC traria mais rapidamente as expectativas de inflação para o centro da meta e evitaria que a política monetária fosse incorporada ao debate entre a candidata governista, Dilma Rousseff, e o representante da oposição, José Serra.
Diretoria sem consenso
Com tantos argumentos prós e contra o aperto imediato da política monetária, não será surpresa se a decisão do Copom vier dividida. Nesse caso, com a maioria — incluindo o presidente do BC, Henrique Meirelles, que não o esconde o descontentamento com a disputa travada no mercado futuro de juros, no qual se projeta aumento de até quatro pontos da Selic — votando pela manutenção dos juros em 8,75% ao ano por mais 45 dias, e dois ou três votos pela alta. Se esse cenário se confirmar, serão mínimas as dúvidas de que a taxa Selic começará a subir em abril. Isso, é claro, se, de repente, o BC não se deparar com um possível processo de desinflação.
Brasília, 17h34min
O mercado acionário de Brasília está em polvorosa. Um grupo de investidores encaminhou denúncias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à BM&F Bovespa alegando ter arcado com prejuízos de pelo menos R$ 30 milhões em um golpe. Nos relatos, alguns desses investidores afirmam que perderam tudo o que tinham aplicado em ações e ainda estão devendo até R$ 1 milhão em operações de altíssimo risco fechadas nos mercados a termo e de opções, contratos derivativos recomendados apenas a profissionais altamente qualificados.
Pelo que consta nos processos abertos pela CVM para investigar possíveis irregularidades, os investidores — dois deles, funcionários do Banco Central — acusam o agente autônomo Gustavo Lima Júnior, sócio da Lima Júnior Investimentos, de ter fechado, sem autorização deles, operações a termo e de opções, nas quais se combinam preços de determinadas ações em uma data específica — valores que, se não forem alcançados, podem levar a enormes prejuízos. Os negócios foram realizados por meio da Corretora Fator, da qual Lima Júnior é representante no Distrito Federal.
De um total de 10 investidores que se dizem lesados pelo agente autônomo e pela Corretora Fator, três descreveram com detalhes ao Correio como perderam quase tudo o que tinham aplicado no mercado acionário. Ao longo de 2007, eles teriam sido convencidos por Lima Júnior a aproveitarem o bom momento da bolsa de valores e a operar por meio da Fator. Por lei, no entanto, Lima Júnior não poderia gerir a carteira de investimentos dessas pessoas. Ou seja, decidir por elas o que comprar e o que vender na bolsa. Como agente autônomo, caberia a ele apenas receber as ordens de seus clientes e repassá-las à corretora que representava. Indicar negócios caracterizaria conflito de interesse, pois sobre cada operação ele receberia um taxa de corretagem variando, normalmente, entre 0,5% e 1%.
Extratos fraudados
Nos processos que correm na CVM, os investidores asseguram que Lima Júnior não só decidia o que comprar e o que vender, como os estimulava as operações com derivativos. Com o estouro da crise mundial, em setembro de 2008, as perdas começaram a aparecer. Mas, quando indagado pelos investidores, o agente autônomo dizia que tudo ficaria bem. “Ao mesmo tempo, ele nos obrigava a fazer aportes adicionais de recursos, muitas vezes em valores superiores a R$ 100 mil”, conta um dos três investidores ouvidos pelo Correio sob a condição de se manter no anonimato.
Os investidores ressaltam ainda que, em várias ocasiões, Lima Júnior teria lhes apresentado extratos fraudados de suas aplicações, mostrando ganhos que nunca existiram. Sobre esses rendimentos ele cobrava uma taxa de comissão (performance) de 10%. “Tenho, inclusive, cópias de cheques que comprovam esses pagamentos”, afirma um segundo denunciante. “Ou seja, ele ganhava duas vezes: com as corretagens pagas pela Fator e com as taxas de comissão”, complementa o terceiro investidor.
Na avaliação dos investidores, a “irresponsabilidade e a má-fé” com que Lima Neto agia tinham por objetivo gerar o maior volume possível de corretagem e de comissões para que ele pudesse pagar um empréstimo de quase R$ 3 milhões que havia tomado do Banco Fator, controlador da corretora do mesmo nome. Também, segundo eles, seria esse o motivo de os dirigentes da corretora terem feito “vista grossa” para as irregularidades cometidas pelo agente autônomo.
Acusados negam fraudes
Os investidores que se dizem lesados pelo agente autônomo Gustavo Lima Júnior e pela Corretora Fator pedem punições severas por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Eles também querem que BM&F Bovespa use os recursos do Fundo de Ressarcimento de Prejuízos, uma poupança formada pela bolsa, para cobrir as perdas que lhes teriam sido impostas. Procurada pelo Correio, a bolsa não quis se manifestar sobre o assunto. A CVM alegou que as investigações correm em sigilo.
Por meio de sua assessoria, a Fator assegurou que segue à risca todas as determinações dos agentes reguladores e que, em momento algum, permitiu que Lima Júnior gerisse a carteira de ações de seus clientes. O agente autônomo só repassava à corretora as ordens dadas pelos investidores. A Fator admitiu que, até agora, foi notificada sobre duas queixas à BM&F Bovespa e três junto à CVM.
Lima Júnior também negou as irregularidades. “Segui exatamente o que determina a CVM. Todas as acusações são mentirosas. Os investidores que se dizem vítimas são pessoas com longa atuação no mercado, que sabiam os riscos que estavam assumindo”, assinalou. Ele disse que dispõe de gravações de todas as ordens repassadas pelos investidores, que serão entregues à CVM. Assegurou que “jamais” recebeu qualquer comissão dos investidores e negou ter feito empréstimo com o Banco Fator.
Legislação ficará mais rígida
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai tornar mais rígida a legislação que rege a relação entres os agentes autônomos do mercado de capitais e as corretoras de valores mobiliários. A meta, diz o diretor da autarquia, Otávio Yasbek, é dar maior responsabilidade às corretoras no caso de irregularidades cometidas pelos agentes com os quais elas operam. Hoje, se um agente autônomo — como é o caso de Gustavo Lima Júnior, acusado de dar prejuízos de R$ 30 milhões a investidores do Distrito Federal — comete alguma fraude, a corretora que fechou os negócios intermediados por ele está isenta de responsabilidades. “O nosso objetivo é dividir responsabilidades. Com isso, daremos maior segurança aos investidores”, diz Yasbek. “Não queremos mais ouvir das corretoras que elas não sabiam de nada quando questionarmos as reclamações que recebemos”, emenda.
Ele ressalta que a decisão de endurecer a legislação foi tomada devido ao crescente número de reclamações de investidores vítimas de golpes de agentes. “Dentro de um mês e meio ou dois, colocaremos as nossas propostas em audiência pública. Todos os participantes do mercado terão pelo menos 30 dias para dar sugestões”, destaca. A CVM pretende, entre outras coisas, exigir que os agentes autônomos especifiquem bem o perfil de investidores que atendem. Assim, se um aplicador mais conservador de repente começar a assumir riscos demais, a corretora com a qual o agente opera poderá intervir para evitar futuras perdas.
Na visão do diretor da CVM, ao criar um conjunto de obrigações e de normas para acompanhar as operações, a autarquia fortalecerá o papel dos agentes autônomos, importantíssimos para o crescimento do mercado de capitais além do eixo Rio-São Paulo, onde está a maior parte das corretoras. “Uma das pré-condições para o mercado de varejo (pessoas físicas) se expandir é dar maior segurança e transparência às operações”, assinala.
Brasília, 23h37min
CRÔNICA
LUCIANA ASSUNÇÃO (*)
"MUSEU DE GRANDES NOVIDADES"
Ultimamente, os versos de Cazuza em “O tempo não para” não me saem da cabeça. Acho que nunca uma música foi tão atual como essa, o que prova o poder do artista como sensível observador da sociedade. Sei que há muita gente que odeia Cazuza. Já recebi emails ofensivos sobre o compositor, citando que o cara era filhinho de papai, drogado, gay, promíscuo. “Se assim não fosse, não teria morrido de Aids, a doença dos perdidos”.
Mas, na verdade, o que temos a ver com isso? E daí se a vida dele foi o que foi? O que importa é o valor do cara como artista. E como artista ele é mágico, versátil, inteligente. Assim como outros tantos gênios criativos que também morreram drogados, prostituídos e muitas vezes incompreendidos.
Nessas férias rolou uma discussão entre a galera que estava compartilhando a casa de praia: quem foi o grande poeta do rock brasileiro? Cazuza ou Renato Russo? Meu marido votou no Renato, o amigo dele em Cazuza. Eu fiquei, digamos, dividida. Aliás, sem ter conhecimento técnico nenhum para afirmar o que defendi, disse apenas que não dava para comparar os dois. E acabamos nos esquecendo de Raul Seixas, que foi o abridor de caminhos...
Ambos foram gigantes. Cazuza na ironia, no ataque ferino às hipocrisias várias, no escracho e também, porque não, na docilidade de algumas de suas letras. Renato no lirismo, na poesia até beirando a inocência, o lúdico puro e simples. Em outras canções, deixava-se levar pela revolta juvenil, aquela que já foi capaz de transformar corações e mentes, estamos lembrados? Russo era assim: passional, confessional. Criou obras-primas como “Pai e Filhos”, que fez muitos papais e mamães enxergarem a música “barulhenta e louca” de seus rebentos de uma maneira menos preconceituosa.
Mas estou aqui nesta preleção que me fez desviar do ponto principal: por que este tempo não para nem um pouquinho só pra gente ficar de bobeira, hein? Caramba, todo dia é uma novidade tecnológica; é e-book ameaçando o nosso livrinho de papel milenar; é revisão histórica que põe por terra teses consagradas há séculos; Ipods que podem fazer mil coisas que os outros não faziam...Ai, ai, que saudade da minha secretária eletrônica!!
Fiz aniversário domingo destes e uma amiga que mora no Rio quis deixar um recado na minha secretária eletrônica. Coitado de nós, desta geração de transição que pegou máquina de escrever e computador. Revelação de filmes em película e impressão de fotos digitais. Que ouviu bolachão no toca-disco e hoje tem de aprender a lidar com o MP3 (ou já será MP20 e eu tô marcando touca?). Cruzes, essa expressão entregou legal a minha idade.
Não tenho mais secretária eletrônica... Ninguém mais deixava recado nela, pobre abandonada. Mas sabe que sinto falta de gravar minhas mensagens líricas com trechos de poemas escolhidos a dedo? E da reação das pessoas quando ligavam e ouviam "o poema do dia"? Que pena... Esse prazer se foi, assim como o de ver uma foto surgir no papel na escuridão da câmara escura.
Ok, não guardo boas recordações das aulas de datilografia e daquelas fitas para apagar os R, S, T datilografados equivocadamente. Mas tenho, sim, nostalgia de um tempo em que os celulares não nos achavam em qualquer canto. Eu, inconsciente ou não, acabo deixando o meu em qualquer canto, assim ele não me acha. As pessoas não sabem a hora de parar porque o tempo não para. E o que a gente vive e cria, assim como Cazuza já previra há mais de 15 anos, é “um museu de grandes novidades”.
Obsolescência antes mesmo do florescer. Murchar antes do vingar. Situação esquisita que me deixa um pouco órfã. Tá, isso é papo de dinossauro. Mas eu sei que não sou obtusa. Eu não vou nessas festas dos anos 80 só pra curtir o que “era música de verdade”. Eu vou ao show do Franz Ferdinand!! Minha mente é eclética, só não pensa em terabites. Queria preservar um pouco de serenidade e consistência, não sei se já perdi o VLT da história...
Tudo, de certo modo, vai ficando pasteurizado. Ter um blog, por exemplo, todo mundo tem. Email, todo mundo manda... Mas uma secretária eletrônica com a sua voz inimitável, com os poemas que você escolheu, quem tem? Era legal surpreender as pessoas com um lance simpático e original. Muita gente se desarmava e deixava um recadinho: “ganhei o dia com esta poesia, obrigada”. E isso me fazia vibrar.
Agora venho sofrendo pressões bem intencionadas para ter o meu próprio blog. Eu fico um pouco na defensiva, indecisa. Pra quê? Será mesmo que eu tenho tanto a dizer para as pessoas? Quem sou eu para ficar destilando minhas ideias simplórias por aí? Sei lá, é uma obrigação de aparecer avassaladora hoje em dia. O mundo anda mesmo tão complicado, né, Renato?
(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.
Brasília, 06h10min
ARTIGO
JANKIEL SANTOS E FLÁVIO SERRANO (*)
Não fosse a influência que os dados terão na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e os números do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2009 já já seriam monitorados atentamente pelos agentes de mercado. Portanto, qualquer discrepância significativa frente à visão geral de que a economia registrou um desempenho robusto naquele período terá impacto grande sobre os preços dos ativos domésticos.
Contudo, julgamos serem baixas as chances de que o resultado efetivo não atinja as expectativas, por conta do desempenho apresentado pelos indicadores coincidentes do PIB no ano passado. De acordo com nossos cálculos, o PIB brasileiro deve ter crescido 2,5% no último trimestre de 2009 comparado ao trimestre anterior e já descontado os fatores sazonais, o que significa um incremento de 5,1% em termos interanuais.
Caso nossas estimativas sejam confirmadas, a economia brasileira terá ficado
estável no ano passado frente a 2008, um resultado expressivo em meio às condições hostis que prevaleceram em 2009. Ademais, o número reforçará a visão de que o processo de recuperação se intensificou no último trimestre, explicando, assim, o motivo pelo qual o Banco Central alterou seu discurso na última reunião do Copom e tem sinalizado uma mudança iminente no caráter de sua política monetária.
Em resumo, os dados do PIB serão lidos por aqueles que advogam a favor de uma alta mais precoce e agressiva de juros como uma prova irrefutável de que sua recomendação precisa ser seguida.
Embora reconheçamos que a economia brasileira estava rodando em passo acelerado no final do ano passado, julgamos ser muito cedo para acreditar que o ritmo permanecerá o mesmo à frente. Divulgações recentes relacionadas ao setor industrial têm dado vida a esta suspeita e avaliamos que os dados do comércio varejista de janeiro deste ano poderão tornar esta incerteza ainda maior.
Enquanto o conceito mais restrito de comércio (excluindo concessionárias de veículos, lojas de autopeças e de material deconstrução) deverá ter apresentado expansão, estimamos que o conceito mais amplo tenha recuado fortemente no mesmo período, sinalizando, desta forma, um passo mais moderado deste setor ao longo do ano.
Tal pano de fundo condiz com a acomodação observada recentemente na
concessão de crédito e também da massa salarial em termos reais. Portanto, embora assumindo que o hiato de produto da economia brasileira se estreitará nos próximos meses, tal processo poderá ser – em nossa opinião – mais lento do que a maioria das pessoas imagina. Se esta percepção for
confirmada, não apenas o início do ciclo de aperto poderá ser postergado, mas também ficará mais claro que a sua magnitude será menor do que está apreçado no mercado doméstico de renda fixa.
(*) Economistas do Banco BES Investimento.
Brasília, 19h25min
ARTIGO
MARACI SANT'ANA (*)
A MALDIÇÃO DO "EU TE AMO"
Quem ainda não conhece deveria procurar conhecer o Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, uma ferramenta, de iniciativa da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sepm que assumiu a missão de contribuir para a promoção da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres no Brasil. Foi no Observatório que li que, em nosso país, em 2020, a maioria dos empregos será ocupada por mulheres. Hoje, a participação feminina já corresponde a 42,4% dessa mão de obra, mas, pelo andar da carruagem...
Quem diria, não? Eu nem sou tão velha assim, aliás, não sou nada velha, mas me lembro de um tempo em que, quando uma mulher solteira deixava de ser virgem, diziam que “ela havia se perdido”. Em outras palavras, uma época em que os cuidados com e das mulheres praticamente se limitavam a manter a virgindade e casar antes do “bicho pegar”. Preocupações com o mercado de trabalho? Claro que havia, mas nada que se compare ao que vemos agora. Hoje, perdida é aquela que está desempregada. Quanta diferença! Só que, mesmo com tudo isso, parece que, em determinadas situações, nada mudou.
Porque, em alguns assuntos, muitas ainda estão na Idade da Pedra. Desde que inventaram o “Eu te amo”, e isso já faz uma eternidade, as mulheres perderam boa parte do discernimento. Graças à singela frase, nem sei dizer quantas vezes atendi, em consultório, criaturas dilaceradas, presas a relacionamentos que poderiam ser classificados de tudo, menos de amorosos. Mulheres de diferentes idades, graus de instrução, situações financeiras. Muitas belas, outras nem tanto, mas todas se
dizendo apaixonadas por um homem devastador, que fazia da vida delas um
inferno. Uma verdadeira maldição!
E do tipo que pode atravessar gerações. Tataravós, bisavós, avós, mães e filhas vivendo como almas penadas, arrastando correntes, sofridas, desorientadas, incapazes de enxergar uma luz no fim do túnel, subjugadas em um mesmo drama, por alguém que jurava amor, embora se comportasse como se odiasse. Para vocês terem uma ideia, aconteceu de eu receber, em determinada época, mãe e filha adolescente sofrendo desse mal. E cheguei a ter, em um grupo de terapia, a segunda e a terceira ex-mulher de um mesmo sujeito, o que seria cômico se não fosse trágico.
Na maioria dos casos, essas mulheres buscam a psicoterapia na esperança de ajudar o parceiro, certas de que tudo de que ele precisa é apoio para superar os próprios traumas e acessar, bem lá no fundo dele mesmo, aquele sentimento maravilhoso que permitirá que eles vivam felizes para sempre. Só que, depois de algumas sessões, elas começam a duvidar da lógica do próprio raciocínio. E, não demora, surge a clássica pergunta: “Você acha que ele me ama?”
Então, a todas as mulheres que sonham encontrar resposta para essa questão, quero deixar a seguinte mensagem: os seres humanos somos criaturas ainda muito rudes. Em geral, pouco sabemos a respeito de nós mesmas. Assim, é, no mínimo, arriscado tentarmos adivinhar o que vai no coração do outro, em especial se estamos muito envolvidas com esse outro, desejosas de lá só encontrar coisas boas, de ter, finalmente, acertado a mão, tirado a sorte grande no amor.
Não me atrevo a lhe responder. Mas vamos raciocinar a partir da melhor hipótese, a de que o seu parceiro sinta amor por você. A pergunta é: Esse amor que ele tem a oferecer é o que você gostaria de receber? Será que ele dizer “Eu te amo” neutraliza as agressões físicas, a tortura emocional, a indiferença, as traições, as noites mal dormidas, as lágrimas derramadas, o sofrimento imposto aos filhos? Dê uma olhada no conjunto da obra do seu amado e responda: Se ele saísse hoje da sua vida, o que de bom iria embora junto com ele? Será que manter isso compensa tanta dor?
Todos os dias são das mulheres e precisamos usá-los também para reflexões acerca da vida, dos nossos sentimentos. Isso é que deve nos guiar, não o que os outros dizem sentir por nós, não o que queremos acreditar que os outros sentem por nós. Porque o que sobra neste mundo é gente disposta a dizer o que for necessário para se manter confortável.
É preciso que a mulher velha morra para que surja uma nova, corajosa e arrojada, que combine com os novos tempos. Pense nisso e lembre que é essa nova mulher que vai trazer ao mundo e criar o novo homem. Em outras palavras, o nosso futuro está em nossas mãos. Valeu, irmã! Até sábado, leitores!
Quer conhecer o Observatório? Aí vai o link http://www.observatoriodegenero.gov.br. Não está conseguindo postar
comentário? Faça assim: acesse o blog por etapas; entre em www.correiobraziliense.com.br clique em blogs; aí, sim, clique em Blog do Vicente. Ou, se preferir, mande mensagem para maracisantana@yahoo.com.br e eu
me encarregarei de postar seu comentário.
(*) Psicóloga
Brasília, 12h30min
O anúncio do IPCA de fevereiro, que ficou em 0,78%, abaixo do consenso do mercado de 0,81%, deu um certo alívio entre os analistas, mas não dissipou as divergências em relação ao momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) começará a elevar a taxa básica de juros (Selic).
Para o economista Flávio Serrano, do Banco BES Investimento, as pressões inflacionárias são evidentes, sobretudo por causa da alta dos núcleos do IPCA, que apontam taxa anualizada de 6,34%, mas ainda é provável que a Selic só comece a subir a partir de abril.
Na opinião de Luiz Cherman, do Banco Itaú Unibanco, diante do retrato do IPCA, com núcleos anualizados encostando no teto da meta, de 6,5%, e um índice de difusão de 60%, mostrando que há remarcações generalizadas de preços, só restará ao BC começar a subir a Selic na semana que vem. Para ele, se não agir rápido, o Copom perderá o controle das expectativas inflacionárias.
Brasília, 12h03min
Reproduzo abaixo uma breve, mas muito interessante, análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) sobre a produção da indústria em janeiro.
"Nos últimos dois meses de 2009, a produção industrial apresentou quedas de 0,8% e 0,2%, respectivamente, nos meses de novembro e dezembro – ambas as taxas calculadas com relação ao mês imediatamente anterior e com ajuste sazonal. Esse comportamento da indústria deveu-se, exclusivamente, à retração ocorrida no setor produtor de bens duráveis. No mês de janeiro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE, pode-se observar que o crescimento de 1,1% da produção geral da indústria brasileira também está, fortemente, influenciado pelo desempenho do setor de bens duráveis – cuja produção aumentou 8,6% em janeiro frente a dezembro, na série ajustada sazonalmente. Ou seja, a evolução do nível geral do produto industrial está sensivelmente reproduzindo o ciclo de produção de bens duráveis.
Já existem indicadores que registram bons resultados para a produção de autoveículos (segmento com peso elevado no setor de bens duráveis) no mês de fevereiro. Portanto, a indústria como um todo também poderá apresentar resultados positivos em fevereiro. No entanto, o ciclo de bens duráveis não está claro. Por um lado, deve-se lembrar que está em curso o fim da desoneração do IPI para automóveis e produtos da linha branca, o que deve causar impacto negativo sobre a produção desses bens, embora seja difícil precisar sua magnitude. Por outro lado, o crédito voltou com bastante força na economia brasileira e, certamente, afetará positivamente o setor de duráveis. Ou seja, a produção do setor de bens duráveis pode, sobretudo neste primeiro semestre, apresentar oscilações, com reflexos diretos sobre a produção geral da indústria.
Outro destaque dos dados da indústria é a produção de bens intermediários em janeiro, a qual cresceu 2,0% com relação a dezembro, já considerados os ajustes sazonais. Desde janeiro de 2009, esse setor vem apresentando taxas de variação positivas, o que por si só é importante, dado que o setor de bens intermediários é o que tem maior peso na indústria brasileira. Mas, não é só isso. Nos últimos meses, a produção de bens intermediários vem crescendo a um ritmo ligeiramente mais forte (uma taxa média mensal de 1,7%), o que mostra que a indústria está aquecida, sem apresentar um superaquecimento. E, vale lembrar, dentro do setor de bens intermediários estão os segmentos de metalurgia (com peso importante da siderurgia) e de papel e celulose, os quais podem estar crescendo não somente em razão da expansão do mercado interno mas também devido a uma melhora no setor externo desses mercados. É esperar para ver.
Finalmente, no mês de janeiro, a produção de bens de capital voltou a ficar estável. Não há ainda motivos para preocupação, mas é importante que o setor de bens de capital cresça mais para recuperar o terreno perdido em 2009 e volte a liderar a produção da indústria brasileira, assim como ocorria antes do agravamento da crise mundial ocorrida em setembro de 2008. Não se deve esquecer que por trás desse setor estão boa parte dos investimentos da economia. No caso de bens semiduráveis e não duráveis, aí estão segmentos da indústria intensivos em mão-de-obra e produtores de bens-salários, portanto, importantes para a geração de emprego e para a manutenção dos níveis reais de rendimentos do trabalho. Seu desempenho em janeiro foi modesto."
Brasília, 16h13min
De volta ao Brasil, depois de um longo período assessorando o governo de Angola, o economista Eduardo Velho enriquece o debate sobre os rumos da política monetária. Como chefe do Departamento Econômico da Prosper Corretora, ele diz que dificilmente o Banco Central não elevará a taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom).
A seu ver, o mais provável é que o BC opte por um aumento gradual, começando com uma alta de 0,5 ponto percentual, dos atuais 8,75% para 9,25% ao ano. Mas ele não descarta, porém, a possibilidade de o Copom adotar uma linha mais dura. Ou seja, dar aumentos mais fortes na Selic logo, de forma que o processo de aperto monetário se encerre em julho, ou seja, quando começará, de verdade, a campanha eleitoral, já que a Copa do Mundo estará chegando ao fim. Nesse cenário, os juros já subiriam 0,75 ponto em março.
No entender de Velho, para o governo, que quer eleger Dilma Rousseff como sucessora do presidente Lula, o mais importante é que, quando esquentar a disputa eleitoral, os brasileiros não tenham mais a sensação da inflação em alta. A manutenção do poder de compra será vital na hora de os eleitores decidirem pelo futuro comandante do país. Sendo assim, destaca o economista, o melhor que o BC tem a fazer é controlar rapidamente as expectativas inflacionárias.
Ele lembra que, no início desta semana, o BC informou, por meio do boletim Focus, que a mediana das expectativas de inflação atingiu 4,91%, devendo superar os 5% no curtíssimo prazo. "Deve-se ressaltar que, no modelo econométrico do BC (função reação), o peso das expectativas é elevado e como o indicador efetivo não mostra, até o momento, qualquer sinal de reversão, o ciclo de alta dos juros deverá ser acionado em março", afirma. "Quanto mais cedo o aumento do juro básico, mais rápido será a reversão das expectativas de inflação no curtíssimo prazo e, mais rapidamente, o ciclo de alta será finalizado antes da eleição", acrescenta.
Segundo Velho, pela ótica do governo, o panorama mais apropriado seria a manutenção do juro básico em 2010, para não ocorrer qualquer desgaste da candidatura de Dilma em função da política monetária. "Entretanto, a inflação está em alta e avaliamos que o cenário mais desgastante é iniciar a eleição com uma inflação subindo, principalmente se o ciclo de alta dos juros se prolongar até um período posterior à eleição", frisa.
Ele detalha que trabalha com dois cenários para a Selic. No primeiro, a maior probabilidade é de que os juros aumentem 0,5 ponto em cada uma das cinco próximas reuniões (início em março e término em setembro). "Esse ciclo controlaria as expectativas de curto prazo, mas teria algum custo político com a continuidade do ciclo de alta dos juros durante a campanha eleitoral, ou seja, em agosto e setembro", diz. "Nesse cenário, os juros atingiriam taxa mínima de 11,25% até o final de 2010 , com limite superior de 11,50% (o ciclo de alta se prolongaria durante o período de campanha) na dependência do comportamento dos índices de preços, sobretudo atrelados ao câmbio, que podem sofrer com a volatilidade durante o calendário eleitoral", complementa.
No segundo cenário, que atenderia aos “torcedores” do governo que gostariam que as taxas de juros não aumentassem nos noventa dias anteriores à eleição presidencial, a Selic subiria mais forte agora, ou seja, 0,75 ponto em março, permitindo que, nas duas reuniões seguintes do Copom, em junho e julho, o ajuste fosse menor, encerrando o aperto monetário.
A discussão é muito boa.
Brasília, 12h40min
O dia está rico em indicadores de atividade. Ao mesmo tempo em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrail cresceu 1,1% em janeiro, confirmando o forte ritmo de expansão da economia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressaltou que, a despeito da produção maior, o uso da capacidade instalada do setor registrou ligeira queda, de 81,5%, em dezembro, para 81,4%, em janeiro.
Certamente, os defensores de um aumento, já em março, da taxa básica de juros (Selic) vão reforçar a necessidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) agir rápido para dar uma trava na demanda, sobretudo porque a alta da produção em janeiro foi puxada pelo setor de bens de consumo duráveis, que avançou 8,6% sazonalmente em relação a dezembro.
O mais importante, porém, é que o crescimento da produção não está levando ao esgotamento da capacidade do parque industrial de atender à demanda. Pelo contrário, a folga ainda continua e o que se percebe é que os investimentos no aumento das fábricas estão surtindo efeito. Além disso, vale destacar que a demanda por máquinas e equipamentos está forte, apontando para mais investimentos na ampliação do parque fabril.
Ou seja, não será surpresa se o Copom decidir esperar até abril para ver como andará o nível de atividade da economia e a inflação e, então, dar início ao ciclo de alta da Selic. Neste momento, é o que me parece mais sensato.
Brasília, 12h02min
O contínuo crescimento da renda dos trabalhadores está provocando recordes de depósitos na caderneta de poupança. Dados divulgados nesta quinta-feira (dia 4) pelo Banco Central mostram que, em fevereiro, as aplicações superaram os saques em R$ 2,619 bilhões, o melhor resultado para esse mês desde 1995, início da série histórica. No ano, a tradicional caderneta já soma captação líquida positiva de R$ 4,947 bilhões.
Para se ter uma idéia do potencial maior de poupança dos brasileiros, basta conferir o desempenho dos fundos de investimentos. Apesar de ainda faltar um dia últil para a contabilização dos dados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), a captação líquida dos fundos atingiu, em fevereiro (até o dia 25), R$ 8,8 bilhões. Ou seja, não está havendo uma migração de recursos de um segmento para outro. Na verdade, o que se vê são depósitos novos em todos os tipos de investimentos.
Entre os fundos, o campeão de captação foi o de renda fixa, justamente o maior competidor da caderneta. O saldo líquido no mês passado (também até o dia 25) bateu em R$ 3,108 bilhões. Nos fundos DI, os depósitos superaram os saques em R$ 888 milhões.
Muito provavelmente, até o fim do dia, a Anbima deve liberar os dados consolidados de fevereiro.
Brasília, 11h43min
O governo acendeu o sinal de alerta e passou a monitorar de perto os preços do aço. Diante do assanhamento da inflação, que deve levar o Banco Central a elevar a taxa básica de juros (Selic) a partir deste mês ou de abril, há o temor de que reajustes além da conta desse produto, contaminando cadeias importantes como a de automóveis e de eletrodomésticos, possam ser um combustível a mais para levar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) muito além do centro da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
“Não vamos permitir abusos”, assinalou um dos principais integrantes da equipe econômica. Segundo ele, em junho do ano passado, diante da choradeira das siderúrgicas, que haviam reduzido drasticamente a produção de aço e demitido por causa da contração do consumo provocada pela crise mundial, o governo passou de zero para 12% a alíquota de importação do produto. “Ou seja, demos uma proteção importante a um setor em um momento difícil. Agora, vamos querer a contrapartida, ou seja, preços comportados. Do contrário, voltaremos a zerar a alíquota de importação do aço”, avisou.
O alerta é mais dos que justificado. Entre os produtores de eletrodomésticos, várias empresas já estão sendo obrigadas a arcar com novas tabelas de preços do aço – os reajustes têm variado entre 5% e 10%. “Estamos preocupados, pois os sinais emitidos pelas siderúrgicas é de mais aumentos, uma vez que a Vale informou que reajustará o minério de ferro, a matéria-prima do aço”, disse um empresário. Pelas projeções da corretora japonesa Nomura, o minério poderá ficar até 70% mais caro. “Portanto, os consumidores finais, as empresas, que compram máquinas e equipamentos, e as pessoas físicas, que adquirem carros e eletrodomésticos, devem se preparem. É sobre eles que recairá a conta”, sentenciou o economista-chefe da Personale Investimentos, Carlos Thadeu Filho.
Para Alexandre Gallotti, analista da Tendência Consultoria, o repasse da alta dos custos das siderúrgicas para os consumidores será facilitado pelo forte incremento da demanda. Pelas suas contas, as vendas de aço no mercado interno deverão ter incremento de 30% neste ano. Em 2009, com a economia mundial em crise, as vendas caíram 25%. “O momento é de recuperação da economia e, certamente, a tendência é de que aproveitem e repassem parte dos novos preços cobrados por seus fornecedores”.
Gallotti ainda não consegue fazer uma projeção para o aumento de preço do aço. Mas acredita que, com a recuperação do setor industrial, principal consumidor de aço, haverá pressão das siderúrgicas por recomposição de margem. Na construção civil, porém, a ordem é evitar altas abusivas. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão, o setor já montou sua estratégia para estimular o reajuste do aço. “Estamos importando boa parte do que consumimos”, destacou.
Ele alegou que, mesmo com o aumento do imposto de importação, ainda está bem mais barato trazer aço de fora do que comprar no mercado doméstico. “Estamos conseguindo desembarcar nos portos a tonelada a R$ 1.850, valor que é acrescido por cerca de R$ 100 de frete até às obras. Aqui, a mesma tonelada sai por R$ 3 mil”, afirmou. “Sendo assim, não há nada que justifique novos aumentos do aço no Brasil. Os preços aqui são muito maiores do que no exterior”, frisou. A maior parcela do aço importado pelos construtores está vindo da Turquia.
Texto escrito em parceria com LIANA VERDINI, do Correio Braziliense.
Brasília, 21h30min
A decisão do Conar de proibir a propaganda da cerveja Devassa, campanha estrelada pela socialite americana Paris Hilton, está atraindo muito mais a atenção do mundo do que o terremoto no Chile, que já contabiliza mais de 700 mortos.
Tamanho interesse pode ser medido pelo acesso à materia sobre a retirada da campanha da Devassa do ar na agência de notícias da Bloomberg. Normalmente, uma matéria com muito sucesso tem entre 1 mil e 2 mil acessos. A que que leva o nome de Paris Hilton e seu striptease no título registrou o recorde de 11 mil acessos.
Ou seja, a Devassa acertou em cheio ao contratar Paris para a sua cerveja. O mundo todo está ligado na polêmica criada pela marca da cerveja.
Brasília, 14h27min
O Ministério da Fazenda, que sempre foi defensor ferrenho de um dólar mais alto, está comemorando a "acomodação" dos preços do dólar, que, segundo os analistas, podem voltar para próximo de R$ 1,70.
Assessores do ministro Guido Mantega veem nessa "tranquilidade" uma boa notícia para a inflação, o que pode levar o Banco Central a "esperar um pouco mais para ver se realmente há necessidade de se elevar" a taxa básica de juros (Selic).
Por sinal, vale ressaltar a recente boa convivência entre Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles. Com a possibilidade do comandante da política monetária deixar o cargo até o início de abril para concorrer a um cargo público, Mantega passou a elogiar o BC. E chegou ao ponto de, na última segunda-feira (dia 1), "traduzir" um discurso de Meirelles. Segundo o ministro, ao dizer que as eleições não impediriam a alta dos juros, o presidente do BC não "datou" o aperto monetário, como foi entendido pelo mercado.
Brasília, 13h10min