Blog do Krieger


Quinta-feira, 07 de agosto de 2008

Férias!!!

Algumas notícias são muito melhores de dar. Esta é a melhor do ano, ao menos para mim.Este blogueiro entra em férias hoje. Volto em setembro, descansado e com novidades.

 

A todos os que se tornaram leitores, muito obrigado.

 

 

 

 

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Quinta-feira, 07 de agosto de 2008

Coluna Nas Entrelinhas, publicada pelo Correio Braziliense em 7 de agosto

Movimento de risco

Parte dos que gritam contra o Estado policial defendem o Estado de direito. Mas também há os que morrem de medo de que a polícia bata em sua porta

Por Gustavo Krieger
gustavo.krieger@correioweb.com.br

O delegado Protógenes Queiroz bem que tentou evitar. Primeiro, pensou em dizer que estava doente. Depois, que não poderia faltar à aula do curso que está fazendo na Academia da Polícia Federal. Mas acabou tendo de atender à convocação da CPI dos Grampos Telefônicos da Câmara. Em outros momentos, seu depoimento seria aguardado com enorme expectativa pelas revelações que poderia fazer sobre o envolvimento do banqueiro Daniel Dantas com políticos e autoridades. Mas desta vez o interesse estava voltado para a forma como a polícia agiu na Operação Satiagraha, que terminou com a prisão de Dantas. Protógenes foi obrigado a explicar o uso de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nas investigações e sinalizou ser verdadeira a informação de que a PF teria obtido senhas que permitiriam o acesso ao histórico de chamadas telefônicas de qualquer assinante no país.

Ao mesmo tempo, no Senado, a Comissão de Constituição e Justiça aprovava um projeto de lei que restringe o uso de algemas em operações policiais. O texto proíbe o uso de algemas a não ser quando os presos ofereçam risco aos policiais. Embora valha para todas as corporações policiais do país, o projeto foi elaborado com o pensamento na Polícia Federal. A imagem do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta sendo preso em sua casa, de pijamas, durante a Operação Satiagraha, calou fundo no coração dos políticos.

Em política, há pouco espaço para coincidências. As duas cenas estão ligadas. Fazem parte de um movimento para enquadrar a Polícia Federal, que se tornou um personagem inquietante do jogo de poder no país. A esse movimento se somam a Lei do Grampo, enviada há cinco meses ao Congresso pelo governo Lula, e o projeto contra o abuso de autoridade, que está sendo elaborado em conjunto pelo Ministério da Justiça e o Supremo Tribunal Federal.

O preocupante nessa onda é que ela mistura boas e más intenções. Há casos claros de abuso da PF. Em alguns casos, a prisão dos suspeitos é acompanhada de uma espécie de “kit esculacho”: algemas, camburão e uma equipe de TV. O sujeito aparece nos telejornais de cabeça baixa, escondendo o rosto e algemado. Para a opinião pública, é uma condenação antecipada. Há também casos de irregularidades no uso dos grampos telefônicos, usando artifícios para ampliar a lista de alvos das escutas autorizadas pela Justiça.

Mas também é verdade que a PF tornou-se uma fonte inestimável de combate ao crime organizado e à corrupção. Se não fosse por suas investigações, inclusive com o uso do grampo, muitas figuras continuariam a fazer negócios sujos e a ocupar cargos importantes na República.

Parte dos que gritam contra o Estado policial estão interessados em defender o Estado de direito. Mas também há os que simplesmente morrem de medo de que a próxima porta na qual a polícia bata seja a deles.

Não há como separar os dois grupos. E o clima político indica a aprovação de um pacote de medidas contra os supostos excessos policiais nas próximas semanas. A melhor maneira de impedir que se algeme a polícia sob o pretexto de evitar abusos é a participação da sociedade nesse debate.

Confesso não ver motivos de segurança que justifiquem boa parte dos casos de usos de algemas. Certamente não passa pela cabeça de ninguém o temor de que políticos, empresários ou juízes presos rendam um dos guardas, tomem sua arma e o façam de refém numa fuga espetacular. Mas é bom separar os assuntos. Se as algemas são um exagero, isso não significa que a prisão seja um despropósito. Muito menos que eles não devam ser investigados.

Em entrevista ao Correio, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que as ações espetaculares fizeram parte de um “momento de afirmação da Polícia Federal” mas que essa fase precisa ser superada. Ele impôs um manual de conduta que, entre outras coisas, proibiu que equipes de TV fossem chamadas para acompanhar as prisões. A Operação Satiagraha rompeu com esse manual. Para o ministro, foi um episódio isolado, um soluço da antiga política. A oposição diz que se trata de ações deliberadas do governo, em direção a um estado policialesco.

É preciso tomar cuidado para que o combate aos abusos não sirva de acobertamento para os que defendem a impunidade. Definir claramente o que pode e não pode ser feito, mas sem passar a mensagem de que os tempos de investigar acabaram.

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Terça-feira, 05 de agosto de 2008

Resultado previsível

Teve o desfecho esperado o café-da-manhã oferecido hoje pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, à bancada a à executiva do PV. O ministro, que por enquanto ainda é interino, recebeu o apoio protocolar e pouco entusiasmado da bancada para ficar no cargo. É que os parlamentares sabem que não têm força para indicar um nome. Melhor, então, fechar com quem já está no governo,

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Segunda-feira, 04 de agosto de 2008

Uma pequena mudança no clima

É leve, mas dá para notar uma mudança nos ventos de expectativa sobre a economia. A pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado mostrou, pela primeira vez em mais de 20 semanas, uma queda nas projeções para o IPCA acumulado de 2008. Coisa pequena, de 6,58% oara 6,54%. Ainda acima do teto da meta inflacionária, que é de 6,5%. Mas pode ser uma indicação de que o pior já passou, como diz o ministro Guido Mantega.

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Segunda-feira, 04 de agosto de 2008

Coluna Nas Entrelinhas, publicada pelo Correio Braziliense em 4 de agosto

“Eu preciso do seu dinheiro”

Quantas pessoas você conhece que dariam o número do cartão de crédito a algum político?

Por Gustavo Krieger
gustavo.krieger@correioweb.com.br

Já imaginou abrir sua caixa-postal e encontrar o e-mail de um político com uma frase dessas apelando diretamente para o seu bolso? Provavelmente, a maioria de nós deletaria mais rapidamente do que extermina aquelas mensagens indesejáveis que oferecem a solução mágica para a impotência e a queda de cabelos ou então dizem que ganhamos uma bolada e que a única coisa que precisamos fazer para receber é fornecer a senha de nossa conta bancária. Afinal de contas, estamos acostumados a que eles usem formas, digamos, mais indiretas para atingir o conteúdo de nossas carteiras.

Na eleição americana está acontecendo o contrário. As doações individuais são o principal fato político dessa campanha. Quem me chamou atenção para o fato foi o jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo. Um dos mais competentes repórteres políticos do Brasil, Fernando passou o último ano na Universidade de Harvard, mas de olho na disputa pela Casa Branca. Deixou seu endereço registrado nos sites dos principais candidatos. Passou a receber com regularidade mensagens com vídeos, discursos e o indefectível pedido de doações.

Acesse a página do candidato do partido Democrata. O endereço é barackobama.com. Antes mesmo de entrar no conteúdo, você receberá um apelo para doar dinheiro. A coordenação de campanha informa que mais de 1,7 milhão de americanos já atenderam o apelo. Na página, um anúncio em vermelho chama: donate now. Quem clica é remetido para um formulário. Basta escolher quanto você quer dar. As opções vão de US$ 15 a US$ 2,3 mil. Se estiver interessado em contribuir com mais, é só especificar a quantia. Depois, é só indicar o número do cartão de crédito. Pronto. A doação está feita e vai aparecer no fim do mês na fatura do seu cartão.

Agora, arrisque uma visita à página do republicano John McCain. Lá está, no canto superior direito, o mesmo apelo: “contribute”. Você preenche uma ficha com seus dados, escolhe a quantia, dá o número do cartão e integra-se ao grupo de doadores de campanha. Fácil e rápido.

Brasil
No Brasil, ninguém pensa nisso. E não porque seja contra a lei. A legislação eleitoral brasileira diz apenas que as doações devem ser identificadas. Nada mais identificável que a fatura do cartão de crédito. O problema é que nossos políticos se habituaram a um tipo diferente de financiamento de campanha. Batem à porta de um punhado de grandes empresas, em sua imensa maioria companhias interessadas em contrato com o governo e saem de lá com as malas abarrotadas de dinheiro.

Logo depois das eleições de 2006, eu e o repórter Lúcio Vaz, aqui do Correio, fizemos uma análise das doações para a campanha do presidente Lula à reeleição. Dos R$ 104,3 milhões gastos, apenas R$ 3,5 milhões vieram de pessoas físicas. E desse total, nada menos que R$ 3 milhões vieram de apenas três empresários. Os irmãos Pedro e Alexandre Grendene, donos de uma empresa calçadista, entraram com R$ 1 milhão cada um. O R$ 1 milhão restante saiu do bolso de Eike Batista, dono de um grupo minerador e que dois anos depois acabaria sendo alvo de uma operação da Polícia Federal.

De gente comum mesmo, foram pouco menos de R$ 500 mil. Enquanto Obama já reuniu 1,7 milhão de doadores, a campanha de Lula, supostamente um candidato de massa, mobilizou cerca de 3 mil. O quadro se repetiu na campanha do tucano Geraldo Alckmin, adversário de Lula. A maior parte da arrecadação dele veio de bancos, empreiteiras de obras públicas e empresas de mineração. Podem apostar que não haverá grandes novidades no final do ano, quando saírem as prestações de contas dos candidatos a prefeito nas grandes cidades.

Essa concentração é perversa. Quem financia eleições influencia governos. Se o mesmo grupo banca todos os candidatos, é certo que os motivos não serão ideológicos e sim contratuais. Seria importante que a população participasse. Não apenas votando ou colando um adesivo na janela do carro, mas financiando seus candidatos. Isso daria a cada um mais legitimidade para cobrar politicamente do eleito.

Os projetos de reforma política em andamento não incluem a idéia. A proposta vai no sentido inverso, a criação do financiamento público de campanha. Direito de impostos, distribuído entre os grandes partidos segundo critérios estabelecidos pelos grandes partidos. A sociedade pagará a conta, mas não decide a quem financiar.

Pensando bem, talvez o maior problema seja operacional. Quantas pessoas você conhece que dariam o número do cartão de crédito a algum político?


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Sexta-feira, 01 de agosto de 2008

Como se faz campanha nos EUA

A campanha presidencial americana é bem menos cheia de regras que a daqui. Em vez de horário eleitoral na TV, os candidatos pagam seus anúncios. Como tempo é dinheiro, não há tempo a perder. Os anúncios são rápidos, diretos e batem duros nos adversários. Veja por exemplo como o candidato republicano, John McCain, respondeu ao sucesso da tour que o democrata Barack Obama fez à Europa, onde ganhou tratamento de celebridade.

 

 

 

 

No dia seguinte, a campanha de Obama respondeu. Veja como:

 

 

 

 

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Sexta-feira, 01 de agosto de 2008

Sob medida

O projeto de reforma política que o governo enviará ao Congresso depois das eleições municipais terá uma cláusula de barreira. Mas será uma cláusula mitigada, capaz de barrar pequenos partidos mas poupar legendas "históricas", como o PCdoB e o PPS, que tem bancadas no Congresso. É uma forma de tentar fazer o projeto andar.

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Quinta-feira, 31 de julho de 2008

Tensão

O clima não anda nada bom entre governo e a Ordem dos Advogados do Brasil. A OAB pode até conseguir ganhos em relação ao projeto que dá imunidade aos escritórios de advocacia, mas as relações políticas pioraram muito.

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Quinta-feira, 31 de julho de 2008

Punição aos torturadores

As declarações do ministro Tarso Genro a favor de punição para os torturadores do regime militar ainda não são uma posição fechada do governo. Mas a decisão está quase tomada. O presidente Lula quer apenas avaliar o grau de reação nas forças armadas.

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Quarta-feira, 30 de julho de 2008

Melhorou. Pouco, mas melhorou

Editoria de Arte

 

O IGP-M de julho, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, ainda é alto, mas recuou em relação a junho. Os números ainda assustam, mas a maioria dos analistas acredita que o pior do surto inflacionário passou e que haverá desaceleração no aumento dos preços.

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Quarta-feira, 30 de julho de 2008

Aquele abraço

Com a iminente saída de Gilberto Gil do governo, indicada por declarações dele e do presidente Lula, o governo perde um símbolo e deve ganhar um ministro.

 

Há muito tempo, Gil perdeu o encanto pelo dia-a-dia da repartição. Só não saiu antes porque recebeu do chefe a autorização para deixar o trabalho sempre que quisesse sair em turnê. Foi basicamente o que fez nos últimos meses.

 

Mesmo assim, Lula não queria sua saída. O ministro é excelente para a imagem do governo.

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Quarta-feira, 30 de julho de 2008

Pelo veto

O ministro da Justiça, Tarso Genro, trabalha pelo veto total à lei que protege escritórios de advocacia das ações da Polícia Federal. Em compensação, quer pesar a mão no novo texto da lei contra o abuso de autoridade, em elaboração dentro do governo.

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Terça-feira, 29 de julho de 2008

O que pensam os jornalistas sobre o governo

A FSB Comunicações, uma das maiores empresas de assessoria de imprensa do Brasil, divulgou agora o seu "Barômetro da Imprensa", uma pesquisa bimestral feita com jornalistas das principais redações do país. A pesquisa é feita com garantia de sigilo, o que permite aos repórteres até mesmo fazer elogios, algo que entre nós não é considerado de bom tom.

 

A pesquisa pediu aos jornalistas que indicassem que ministros mais constribuiram para melhorar a qualidade de vida no país. Cada profissional poderia apontar até três nomes. Em primeiro lugar, com 37,1% das indicações, apareceu Fernando Haddad, da Educação. Em segundo lugar, com 32,4%, veio Guido Mantega, da Fazenda. Dilma Rousseff, da Casa Civil e gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), aparece em terceiro, com 24,6%. José Gomes Temporão, da Saúde, foi apontado por 23,2% dos entrevistados. Celso Amorim, de Relações Exteriores, apareceu com 20,6% e Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, com 19,4%.

 

Primeira constatação: a avaliação não foi contaminada por relações pessoais. Os ministros mais bem colocados são, sem exceção, péssimas fontes. Só podem ter sido julgados pelo trabalho...

 

Os jornalistas foram chamados a avaliar as políticas do governo em três áreas: Saúde, Inclusão Social e Educação.

 

No caso da Saúde, 1,4% consideraram a política ótima e outros 7,5% disseram que ela é boa. Para 25,2% é regular, enquanto 34,1% a consideram ruim e 31,9% péssima. A saúde foi reprovada no teste da mídia.

 

Educação saiu-se um pouco melhor. Ela foi considerada ótima por 1,4% e boa por 12,8%. Para 32,1% ela é regular. Outros 31,8% a avaliam como ruim e 21,9% como péssima.

 

Os melhores resultados foram para as políticas de inclusão. Elas foram consideradas ótimas por 6,5% dos jornalistas e boas por 28,4%. Para 38,9% são regulares. Do outro lado, 18,7% dizem que elas são ruins e 7,5% que são péssimas.

 

Curiosamente, os números são diferentes quando se trata de analisar a atuação dos ministros responsáveis por cada área. A aprovação da política de Saúde fica em magros 8,9%, mas 35,3% dos jornalistas classificaram o ministro Temporão como bom ou ótimo. E enquanto 66% dos repórteres definiram a saúde brasileira como ruim ou péssima, apenas 29,5% deram a mesma classificação ao ministro.

 

Segunda conclusão: como categoria, somos rabugentos, o que no fundo é o nosso papel. Mas ainda temos dificuldades para ser tão críticos com as pessoas com quanto somos com as políticas. A explicação é que pessoas são a matéria prima do nosso trabalho. É com elas que conversamos. E tendemos a ter uma visão mais branda.

 

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Terça-feira, 29 de julho de 2008

A charge do dia

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Terça-feira, 29 de julho de 2008

Coluna Nas Entrelinhas, publicada pelo Correio em 29 de julho

Os limites da transferência

Governadores são cabos eleitorais poderosos. Mas estão longe de ser imbatíveis

Por Gustavo Krieger
gustavo.krieger@correioweb.com.br

Os governadores mais influentes do Brasil enfrentam dificuldades na largada da campanha eleitoral para as prefeituras de capitais. Os candidatos que apóiam ainda não conseguiram decolar, numa demonstração que a disputa municipal segue regras próprias e desafia a condição de cabo eleitoral privilegiado dos ocupantes do poder estadual.

Uma das situações mais delicadas é a do governador de São Paulo, José Serra. Ele fez uma aposta política arriscada ao tentar levar o PSDB para o palanque do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Foi uma escolha pessoal. Kassab chegou à prefeitura como vice de Serra em 2004 e assumiu o cargo quando o tucano renunciou para disputar o governo do Estado. Sua administração é a continuidade da gestão Serra.

Contra a vontade de Serra, o PSDB decidiu lançar o ex-governador Geraldo Alckmin. A última pesquisa do Ibope, divulgada no final de semana, mostrou Alckmin com 31%, tecnicamente empatado com a petista Marta Suplicy, que teve 34%. Kassab ficou em terceiro lugar, com 10%. Embora o candidato do PSDB esteja bem colocado na disputa, a divisão interna do partido faz com que, se ele vencer, o governador saia derrotado.

Kassab aposta na campanha de TV para alavancar a candidatura. Como ele teve um papel acessório na campanha de 2004, ainda precisa tornar-se conhecido. Seu programa tentará vinculá-lo às obras da administração municipal e à figura de Serra.

No Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral (PMDB) também não encontra facilidades para emplacar um aliado na prefeitura da capital. O PMDB perdeu muito tempo em divisões internas e na tentativa de negociação de uma aliança com o PT. Na última hora, decidiu lançar candidato próprio e Cabral colocou na chapa seu ex-secretário Eduardo Paes. Segundo o Ibope, Paes está em terceiro lugar, com 8%. A questão em relação a São Paulo é que a diferença dele diante dos líderes é menor. O senador Marcelo Crivella (PRB) é o primeiro, com 23%, e a deputada Jandira Feghali (PCdoB) ficou em segundo, com 14%.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), também passou a maior parte da pré-campanha envolvido na costura de alianças. Enfrentou muita resistência do comando nacional do PT à aliança que reúne no mesmo palanque tucanos e petistas. Ao final, conseguiu montar uma aliança informal em torno de Márcio Lacerda (PSB), ex-secretário de seu governo. Lacerda também está em terceiro lugar, segundo o Ibope. Obteve 8% das indicações de voto. A eleição de Belo Horizonte é uma das mais indefinidas do país. Lá, 30% dos entrevistados dizem ainda não ter candidato. Os líderes, tecnicamente empatados, são a deputada Jô Moraes (PCdoB), com 17%, e Leonardo Quintão (PMDB), com 14%.

Outro governador com problemas é Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco. Ele apóia a candidatura do petista João da Costa, que teve 20% na pesquisa mais recente do Ibope. Ele está tecnicamente empatado com o deputado federal Cadoca, candidato do PMDB, que teve 22%. Mas a liderança é de Mendonça Filho (DEM), adversário do governador, que teve 30% das indicações.

A vida também não está nada fácil para o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Em 2006, ele foi eleito com apoio de uma grande coligação, que juntou o PT e o PMDB baianos. O palanque rachou na disputa pela Prefeitura de Salvador. O PT lançou o deputado federal Walter Pinheiro, que amarga o quarto lugar, com 8% dos votos, segundo a mais recente pesquisa do instituto Vox Populi. O prefeito João Henrique, do PMDB, que busca a reeleição, ficou em terceiro lugar, com 18%. Na liderança, há um empate técnico. O deputado ACM Neto (DEM), adversário direto do governador, teve 26%. O ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB) ficou com 24%. Wagner corre o risco de ter de torcer pelo tucano no segundo turno, para minimizar os prejuízos.

Quem parece não ter chances de sair vencedora da eleição municipal é a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). Com o governo envolvido em uma grave crise política, ela viu sua base de apoio pulverizar-se entre diversas candidaturas na campanha de Porto Alegre. O PSDB tentou negociar um acordo para apoiar a reeleição do prefeito José Fogaça (PMDB), mas não deu certo. Sem alianças, acabou praticamente obrigado a lançar um candidato próprio, o deputado federal Nelson Marchezan Júnior. Na pesquisa do Ibope, ele teve 2% dos votos e ficou em sexto lugar. Fogaça lidera em Porto Alegre, com 29%. Em segundo lugar, aparecem empatadas as deputadas Maria do Rosário (PT) e Manuela Dávila (PCdoB), com 19%.

Governadores são cabos eleitorais poderosos. Mas estão longe de ser imbatíveis.


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