O PCdoB definiu ontem o apoio ao PT em Porto Alegre. Como antecipou este blog, foi uma decisão da direção nacional do partido, superando as resistências dos comunistas gaúchos em nome da preservação da base do governo Lula. Mas ainda não está garantido que a candidata do partido, Manuela D´Ávila, se envolva na cmapanha. Manuela ficou magoada com as críticas que sofreu no primeiro turno da candidata petista, Maria do Rosário.
Rosário já pediu desculpas. Se foi suficiente, só se saberá na semana que vem, quando Manuela volta de uma viagem de descanso.
A direção nacional do PCdoB decidiu pelo apoio da legenda, mas não quer forçar a mão sobre Manuela, que saiu fortalecida da campanha. Com 15% dos votos no primeiro turno e uma enorme projeção, a deputada é o melhor trunfo eleitoral do partido no Rio Grande do Sul.
O Datafolha divulgou hoje as primeiras pesquisas para o segundo turno. Os números devem ser vistos com cuidado porque a campanha do segundo turno não começou. Mas eles mostram o patamar de onde sai cada candidato. E a tarefa de cada um para vencer a eleição.
No Rio de Janeiro, um empate técnico. Fernando Gabeira, do PV, ficou com 43% e Eduardo Paes com 41%. A margem de erro é de três pontos percentuais. A pesquisa confirma o crescimento de Gabeira. Nas duas últimas semanas do primeiro turno ele ganhou terreno e pulou da quarta para a segunda posição. Obteve 25,6% dos votos válidos, contra quase 32% de Paes.
Gabeira é uma novidade entre as principais forças políticas do Rio e parece sofrer uma rejeição menor. No segundo turno disporá do mesmo tempo de TV do adversário, ao contrário do que aconteceu na etapa inicial da campanha. Mas Paes conta com a máquina do governo do Estado e o apoio velado do presidente Lula.
O Datafolha mostra que os votos os candidatos que não passaram para o segundo turno se dividem entre Paes e Gabeira.Os dois largam em situação de equilíbrio e a eleição deve ser decidida mesmo pela propaganda eletrônica e os debates na TV.
Mais complicada é a situação da petista Marta Suplicy em São Paulo. Na primeira pesquisa, ela está 18 pontos atrás do prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição. A ex-ministra teria 41% dos votos válidos, apenas oito pontos a mais que os 33% obtidos no primeiro turno. Kassab, que teve pouco mais de 33% no primeiro turno, hoje alcançaria 59% dos votos válidos.
Não é surpreendente. A pesquisa mostra que o prefeito herdou a maior parte dos votos do tucano Geraldo Alckmin e dos candidatos do PP, Paulo Maluf, e do PPS, Sônia Francine.
Para vencer, Marta terá de tirar eleitores de Kassab. Tarefa difícil em uma cidade onde há uma parcela importante do eleitorado que vota contra o PT.
ELEIÇÕES 2008
Lula de olho nos apoios para 2010
Para evitar desgastes com os peemedebistas e manter a base, presidente atua com cautela no segundo turno
Gustavo Krieger
Da equipe do Correio
| José Varella/CB/D.A Press - 13/5/08 |
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| Lula articula ajuda do PCdoB e PSB para Maria do Rosário (e) |
O (in)fiel da balança
Com a montanha de votos obtidos domingo, o PMDB ganhou muito mais poder para fazer o jogo de sempre
Por Gustavo Krieger
gustavo.krieger@correioweb.com.br
Um complicador nos balanços sobre quem é o vencedor das eleições municipais é que nem sempre é fácil saber de que lado estão os políticos e partidos no Brasil. Depende muito do referencial adotado.
Vamos pegar o caso do PP como exemplo. O partido saiu das urnas com 547 prefeituras, o quarto melhor resultado entre todas as legendas. Quem ganha com isso? O PP é um dos partidos da base parlamentar do governo Lula e ocupa uma pasta estratégica, o Ministério das Cidades. Seria lícito supor que seu bom desempenho é uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas na imensa maioria das prefeituras conquistadas, o partido tem como grandes adversários o PT e outras legendas associadas ao campo da esquerda, como o PSB, PCdoB e PDT. Seus eleitores, em geral mais conservadores, se alinham politicamente com as forças de oposição ao governo.
O PP vive um casamento de conveniência com o governo Lula e, portanto, com o PT e seus aliados. Um casamento que contraria sua história e programa. O que fará a legenda nas próximas eleições presidenciais? Dependerá das circunstâncias.
Se for para fazer um corte mais claro, poderíamos dividir os partidos brasileiros em quatro grupos. O primeiro bloco é o do PT e seus aliados tradicionais da esquerda. O segundo é formado pelos partidos de oposição clara ao governo Lula: PSDB, DEM e PPS. No terceiro estão legendas como PP, PR e PTB, aliados de Lula no Congresso mas adversários do PT na planície. O último bloco é formado pelo PMDB. Sozinho, o partido é grande e confuso o suficiente para merecer a distinção.
O bloco do PT, somado a PDT, PSB, PV e PCdoB, obteve quase 33 milhões de votos. As legendas de oposição tiveram 26,5 milhões. A grande força fica mesmo no grupo que pode mudar de lado sem grandes problemas. O bloco PP, PTB e PR fez mais de 15 milhões de votos. E o PMDB teve 18 milhões.
Com essa zona cinzenta, cada um pode puxar os números para a interpretação que mais agrade a sua torcida. Pode fazer um corte ideológico e dizer que houve mais votos à direita que à esquerda. Pode somar todas as legendas do governo Lula e dizer que o Palácio do Planalto comanda quase 70 milhões de votos. São análises que ajudam a animar a companheirada e servem para cantar vitória no jogo político. Mas a realidade é que nenhum dos grupos que disputa a hegemonia política do Brasil é majoritário. Eles dependem de composições com forças nas quais é difícil confiar.
O PT comemora a redução do número de cidades administradas pelos adversários. Juntos, DEM, PSDB e PPS perderam 550 prefeituras. A oposição exulta com os apuros de Marta Suplicy em São Paulo e de Maria do Rosário em Porto Alegre. Todos estão certos, mas são apenas visões parciais.
No grande quadro, quem tem muito a comemorar é mesmo o PMDB. O partido sai das eleições com a maior votação, o maior número de vereadores e de prefeitos. Comanda quase 1,2 mil cidades, sem falar em centenas de outras nas quais participa da coligação vencedora e terá espaços na administração. Depois de quase 20 anos encolhendo a cada pleito municipal, deu uma demonstração de força.
E, mais importante, isso acontece num momento em que a legenda tem capacidade de negociar com os dois lados da política brasileira. Faz parte do governo Lula, com pastas importantes como Saúde, Comunicações e Integração Nacional. Mas também mantém pontes com os tucanos.
Graças à sua falta de fidelidade, o PMDB desempenhou várias vezes nos últimos anos o papel de fiel da balança entre governo e oposição. Com a montanha de votos obtidos domingo, ganhou muito mais poder para fazer o jogo de sempre.
Quando a crise econômica começou, o presidente Lula adotou um tom blasé, fazendo pouco caso e dizendo que ela não chegaria ao Brasil. Nas últimas semanas, diante dos sinais inegáveis de que a encrenca é grave e mundial, ele mudou de tom. Passou a admitir a existência dela, mas trata o assunto como se fosse uma grande sacanagem dos países ricos, que estragaram a própria economia e vêm bagunçar a nossa justamente quando as coisas andavam bem.
OK, eu entendo o sentimento. Mas não adianta nada ficar furioso, presidente. O combustível da crise é o pânico. Numa hora dessas, o país espera do governo serenidade no discurso e medidas concretas para vencer o pior momento. Todo mundo já entendeu que Lula está irritado. Agora, precisamos de liderança.
O PMDB foi o grande vencedor das eleições. Fez mais prefeitos e vereadores que qualquer outra legenda. Firmou ainda mais sua estrutura nos grotões do Brasil e ainda conquistou importantes cidades médias. Perfeito. Mas o que o partido fará com este capital político?
Ele continuará a ser o PMDB. Um partido cuidadoso com suas apostas e que consegue transformar sua divisão em força. A legenda percebeu nessas eleições que é bom ir às urnas sob o guarda-chuva do prestígio e da máquina eleitoral do governo Lula. Mas isso não significa um alinhamento automático com o candidato lulista em 2010. O PMDB só quer saber do que pode dar certo. Se Lula apresentar um candidato difícil de carregar, o partido dará um jeitinho de se afastar. Pode lançar candidato próprio. Pode até desembarcar no palanque tucano. Ou pode fazer o de sempre. Liberar seu pessoal e distribuir as fichas entre todos os candidatos viáveis.
O PMDB cresceu porque sabe como ninguém tirar proveito dos defeitos do sistema político brasileiro. Continuará a ser o que sempre foi.
Acho precipitado dizer quem ganhou essa eleição em cidades que ainda vão para o segundo turno. O governador mineiro Aécio Neves (PMDB), por exemplo, foi apresentado como um dos grandes derrotados porque seu candidato, Márcio Lacerda (PSDB) não venceu em primeiro turno e terá uma disputa dura pela frente com Leonardo Quintão (PMDB). Mas se ele vencer no segundo turno, por um voto que seja, terminará a disputa como vencedor. Vale quem controla a máquina e o poder.
Da mesma forma, o governador paulista José Serra (PSDB) ainda precisa confirmar no segundo turno o surpreendente desempenho de seu candidato, o prefeito Gilberto Kassab (DEM).
Mas já alguns resultados consolidados, com seus vencedores e perdedores. O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia(DEM), amargou uma dura derrota, com o péssimo desempenho de sua candidata, Solange Cabral. O senador Marcelo Crivella (PRB) descobriu da pior maneira que sua força política, baseada na Igreja Universal do Reino de Deus, tem um teto que não permite vôos majoritários.
Geraldo Alckmin talvez seja o maior derrotado. Perdeu a disputa interna com Serra no PSDB e ainda ficou fora do segundo turno em São Paulo. Consolidou a imagem de alguém que força a barra internamente para ser candidato e depois perde as eleições. Agora, terá de compor com os adversários internos se quiser ter chances de sonhar com algo para 2010.
Na Bahia, o deputado ACM Neto despencou de favorito para terceiro colocado na disputa pela prefeitura de Salvador. Percebeu como é difícil vencer a força do governo Lula na Bahia e terá muitos problemas para preservar a força do grupo político criado à sombra do poder pelo seu avô.
Outro adversário de Lula, o senador José Agripino, deu uma enorme demonstração de força ao eleger em primeiro turno sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Souza. Enfrentou e venceu a força de Lula, que estava decidido a derrotá-lo.
No PT, consolidou-se o prestígio do prefeito de Recife, João Paulo, que inventou um candidato à sua sucessão e elegeu-o em primeiro turno.
Também brilhou um tucano discreto. Beto Richa obteve mais de 70% dos votos para reeleger-se em Curitiba. Outros prefeitos até tiveram índices maiores, mas nenhum em uma cidade com tanta densidade eleitoral. Faz pensar porque o PSDB não faz mais barulho em torno do nome dele.
Como vocês sabem, acompanhei a reta final da campanha no Rio Grande do Sul. Este mergulho me permitiu uma visão mais próxima dos conflitos entre os políticos da enorme e pouco coesa base política do governo Lula.
Vamos a alguns exemplos do Rio Grande do Sul. O deputado Pepe Vargas (PT), derrotado na briga pela prefeitura de Caxias do Sul, não perdoa o discurso duro feito contra sua candidatura pelo deputado Beto Albuquerque (PMDB), que apoiou a reeleição do prefeito José Ivo Sartori (PMDB). Em Porto Alegre, Beto irritou-se com a postura agressiva do ministro da Justiça, Tarso Genro, na defesa da candidata petista Maria do Rosário. A deputada Manuela D'Ávila (PCdoB) não atende os telefonemas de Rosário, colega de bancada federal.
Muitos deputados estão ou estiveram diretamente envolvidos em disputas de primeiro e segundo turno, sempre tendo outros deputados no lado adversário. O clima está pesado.
É bom o ministro José Múcio prevenir-se e não colocar nada importante em votação por enquanto...
O presidente Lula agiu certo. Definiu rapidamente para onde vai e, mais importante, para onde não vai no segundo turno. Com isso, impediu o crescimento das tensões entre os aliados nos estados. No primeiro turno, ele seguiu à risca o modelo definido. Se conseguir repetir no segundo, minimizará as dores de cabeça.
Depois de cinco dias acompanhando a eleição de Porto Alegre, volto a Brasília hoje e às questões da política nacional.
PT tenta seduzir Manuela
Gustavo Krieger
Enviado especial
Porto Alegre — O PT gaúcho mal teve tempo de comemorar a passagem para o segundo turno de sua candidata à Prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário. O dia seguinte às eleições foi consumido em complicadas negociações para fechar alianças e reforçar a campanha na etapa decisiva. Os petistas já receberam uma má notícia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve se envolver abertamente na campanha da capital do Rio Grande do Sul. Em compensação, terão ajuda do Palácio do Planalto para atrair o apoio formal do PCdoB e PSB, partidos que sustentaram a candidatura da deputada Manuela D\'Ávila, terceira colocada no primeiro turno, com 15% dos votos.
No domingo à noite, assim que a apuração passou a indicar que Rosário estava no segundo turno, militantes petistas fizeram uma grande festa em frente ao comitê central da candidata. Era uma mistura de euforia com alívio. Ficar fora da etapa decisiva seria a pior derrota do partido na cidade em 20 anos. Ontem pela manhã, o clima já era novamente de preocupação. O comando petista avalia que será muito difícil vencer. O prefeito José Fogaça (PMDB), candidato à reeleição, obteve mais de 43% dos votos válidos no domingo, quase o dobro que os 22,5% da candidata petista. Para virar o jogo, as alianças são fundamentais.
O clima entre o PT e as seções gaúchas do PCdoB e PSB é ruim. Ontem, Maria do Rosário deu uma indicação do constrangimento. Durante uma caminhada no centro de Porto Alegre, disse querer o apoio da candidata comunista, mas reconheceu que não conseguiu nem falar com ele. “Estou tentando telefonar. Já liguei diversas vezes”, disse aos jornalistas. E depois, fez o apelo: “Ô Manuela, atende o telefone aí”.
A verdade é que Manuela não assimilou as críticas que sofreu durante a campanha, quando Rosário explorou sua pouca idade (27 anos) como um sinal de despreparo para o cargo. Internamente, ela condicionou seu apoio a uma autocrítica pública e um pedido de desculpas da candidata do PT. Ontem, Rosário foi mais diplomática. “Temos uma boa convivência. Não fiz ataques a ela e sim o debate político. Não tenho tempo para futricas.”
Veto
Ciente das dificuldades de negociação local, o PT pediu ajuda a Lula. O presidente defendeu ontem, na reunião do Conselho Político, o apoio dos presidentes nacionais do PCdoB e PSB. Diante da pressão nacional, os dirigentes locais dos partidos esticam ao máximo o prazo para anunciar sua decisão. O calendário do PCdoB vai até o fim da semana. O mesmo no PSB. “Não temos pressa nem queremos pressão para decidir”, diz o deputado federal Beto Albuquerque (PSB), coordenador da campanha de Manuela. “E as atitudes do PT influenciarão nossa decisão. Não gostamos nada de ver o veto prévio que Maria do Rosário impôs ao PPS”, completa. Adversário histórico do PT, o PPS integrou-se à campanha de Manuela e até indicou o candidato a vice, Berfran Rosado.
Enquanto os acordos não são fechados, os candidatos fazem acenos aos eleitores adversários. Fogaça prometeu incorporar em seu programa propostas de Manuela e deixou claro que gostaria de ter o apoio dela. “Temos grande respeito pela forma como ela fez campanha e o resultado que obteve”, disse o candidato a vice, José Fortunati.
Do outro lado, o PT mira até em quem votou no DEM em primeiro turno. “Onyx Lorenzoni (o candidato do DEM) fez uma campanha crítica em relação ao governo Fogaça”, diz o deputado estadual Adão Villaverde, coordenador da campanha de Rosário. “Não creio num acordo formal, mas vamos adotar algumas de suas propostas e dialogar com seus eleitores”.
Ressaca eleitoral
Há pouco tempo para comemorar as vitórias. Novos problemas batem à porta de Lula e dos tucanos
Por Gustavo Krieger
gustavo.krieger@correioweb.com.br
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Há muito tempo escrevo que para entender o resultado de eleições municipais é preciso ir além das capitais e olhar o país. A eleição nas cidades forma a base das estruturas partidárias e costuma ter reflexos graves dois anos depois, nas eleições nacionais e municipais. É tentador olhar para o mau desempenho de Marta Suplicy em São Paulo e a surpreendente ascenção do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e concluir que o PT saiu mal e os democratas bem. Mas não é verdade. Assim como não dá para dizer que o DEM acabou porque ACM Neto perdeu a vaga no segundo turno em Salvador para o petista Walter Pinheiro. As coisas são bem mais complicadas.
Vamos olhar a floresta.O PMDB continua a ser o maior partido do Brasil, com 1.200 prefeitos eleitos. O PSDB é o segundo, com 784. O PP, com 548 prefeituras, é o terceiro por enquanto, mas deve perder essta posição no segundo turno. É que o PT já conquistou 547 cidades e está no segundo turno em outras 15.
Esse é um dado importante, mas ainda mais relevante é olhar a evolução. Em relação ao primeiro turno de 2004, três grandes partidos perderam prefeituras. O PSDB perdeu 77 cidades, o PPS 175 e o DEM nada menos que 298. Isso mesmo. Os três partidos que fazem oposição declarada ao governo Lula conquistaram 550 cidades a menos que em 2004. Perderam uma entre cada quatro prefeituras.
E quem ganhou? Três partidos da base de Lula. O PT engordou sua cota em 148 municípios. O PMDB em 146 e o PSB em 140. Só essas três legendas conquistaram 430 novas prefeituras.
Há um fenômeno claro de mudança de controle político no Brasil. Um novo bloco, formado pelo PT e aliados tradicionais somados ao PMDB ganha o espaço que era ocupado pelo DEM, PSDB e seus aliados. Não é por acaso. Saem os partidos que cresceram nos oito anos de governo FHC e entram os alinhados com a administração de Lula.
Esses processos são longos e demorados. Mas dão a dimensão da importância das eleições presidenciais de 2010. O que acontecerá ao DEM e ao PSDB se Lula e seus aliados tiverem mais quatro anos de poder?
A deputada Luciana Genro, candidata do PSol, foi a mais rápida no gatilho. Já anunciou que não apoiará ninguém no segundo turno. Os demais coadjuvantes da disputa pela capital gaúcha mantém o mistério.
Onix Lorenzoni (DEM) e Nelson Marchezan Jr. (PSDB) dizem que vão "ouvir as bases". Bobagem. Seu apoio ao prefeito José Fogaça (PMDB) é questão de tempo.
Manuela D'Ávila (PCdoB) é o caso mais complicado. Seu partido é historicamente próximo do PT, assim como o PSB, que também integrou a coligação. Já o PPS, que indicou o vice em sua chapa, mantém uma longa briga com os petistas. Na dúvida, decidiram ganhar tempo. Vão discutir dentro de cada legenda e depois tentar uma posição conjunta.
O segundo turno já começou.
Com 98,2% dos votos apurados, o quadro eleitoral em Porto Alegre está definido. O prefeito José Fogaça (PMDB), candidato à reeleição, ficou em primeiro lugar, com cerca de 44%. A petista Maria do Rosário ficou em segundo, com 22,5%. Manuela D'Ávila, do PCdoB, foi a terceira, com 15,4%.
O resultado mostra que Maria do Rosário obteve os votos cativos do PT. Para vencer no segundo turno, terá de ampliar sua base. Conquistar eleitores que optaram por Manuela ou por Luciana Genro (PSol). Parte desses votos virão naturalmente. São eleitores de esquerda, que não vão aderir a Fogaça, considerado mais conservador. Outros, no entanto, terão de ser negociados. E não será uma conversa fácil.
No plano nacional, PSB e PCdoB são próximos ao PT e estão entranhados no governo Lula. No Rio Grande do Sul é diferente. Os partidos disputam o mesmo espaço e acumularam ressentimentos durante a campanha. Uma cena de hoje demonstra a distância. Fogaça e Manuela se encontraram no prédio de uma emissora de televisão. O deputado Beto Albuquerque (PSB), coordenador de campanha da deputada comunista, abraçou o prefeito e disse: "vamos conversar muito no segundo turno". Um sinal de abertura.
Será uma queda-de-braço entre as direções nacionais e regionais do PCdoB e PSB. O papel do presidente Lula será importante nesta definição. Se ele entrar com tudo na campanha de Rosário, como querem os petistas, dará um sinal aos aliados. Se continuar distante, como fez no primeiro turno, sob alegação de que o PMDB de Fogaça é um partido de sua base no Congresso, liberará socialistas e comunistas para fazerem o mesmo.
A negociação vai se estender por alguns dias. E aumentar ainda mais o nervosismo na campanha gaúcha.