Quinta-feira, 02 de outubro de 2008

Em plena Amazônia, em um Barco Hotel

 

Pescar na Amazônia em um Barco Hotel é o mesmo que uma viagem à “ilha da fantasia” para a maioria dos pescadores.  Esses barcos são estruturados para atender, com conforto e bons serviços, aos mais variados estilos de pesca.   De “flaizeiros”,  “pinchadores”,  até a turma da pesca “barra pesada”, todos encontrarão seu espaço, e foi assim em recente viagem no Barco Hotel “Karen Julyana”, com uma turma simpática e bem heterogênea.

 

Partimos de Nova Olinda, às margens do rio Madeira, para alcançarmos o rio Sucunduri, famoso pela quantidade de tucunarés e  outros peixes. Para alcançarmos os bons pontos de pesca existentes na Amazônia, é recomendável passarmos primeiro por Manaus. Quem nunca visitou a capital do Amazonas não deve perder a oportunidade de conhecer seus encantos turísticos, tais como o Teatro Amazonas, o encontro das águas dos rios Negro e Solimões,  o Hotel Tropical e muitos outros.

 

De Manaus,  vamos pegar os vôos para as regiões de pesca,  que variam de acordo com as cheias. Normalmente, pesca-se no sul do Amazonas, (rio Madeira e afluentes) ou no rio Uatumã até setembro.   De outubro a março a região escolhida é quase sempre a do rio Negro e afluentes.

 

Durante nossa permanência a bordo do “Karen Julyana” tivemos a oportunidade de conhecer e pescar nos rios Sucunduri, Acari e nos lagos da região, de grande beleza e com pouca pressão de pesca.  Entretanto, uma frente fria provocou algumas chuvas e a conseqüente queda de temperatura, reduzindo também as ações dos peixes. Nessas condições,  os arremessos precisos,  as iscas certas e bem trabalhadas,  fazem a diferença.  Engana-se quem pensa que o tucunaré ataca qualquer isca. Como todo predador, ele será atraído pela isca quando ela atingir a sua “janela de captura”, isto é,  ele atacará a isca se ela passar próxima à estrutura onde ele está abrigado.  A isca deve se parecer ao máximo com suas presas naturais, e se movimentar como se estivesse ferida, com dificuldades para nadar,  ou representar uma ameaça ao seu território ou seus filhotes.  Portanto, recomenda-se ao pescador procurar informar-se sobre as condições de pesca na região escolhida, os tipos de iscas mais produtivas, e fazer treinamento de arremessos, porque na maioria das vezes é necessário arremessar bem no meio das pauleiras para capturar bons exemplares.

 

 

Mas a pescaria na Amazônia não é feita só de tucunas:  os bagrões também andaram na ponta da linha dos companheiros da expedição ao rio Sucunduri. Muitas ações e alguns bons exemplares (jaús, pirararas, jundiás, barbados) deixaram lembranças e muitas fotos para comprovar o tamanho dos brutos devolvidos ao rio.  Entretanto, sempre fica alguma dúvida sobre o tamanho dos peixes, e eu explico:  é que depois de algumas cervejas no bar do Barco Hotel,  o tamanho dos troféus costuma aumentar, e aí só as fotos para acabar com as “polêmicas”.

 

Eu diria que o que marcou a viagem foi a ótima atenção e o profissionalismo da tripulação, a convivência super agradável com os excelentes companheiros em plena floresta amazônica, os exemplos de amizade e solidariedade demonstrados por todos durante a viagem,  e a certeza de que voltaremos em breve.

 

 Em pé: Coiote,  Serjão,  Lucílio,  Emerson,  Marcelo,  Everardo,  Alfredo,  Parreiras,  Elion,  Jader.  Agachados:  Triginelli,  Rodrigo,  Caio,  Caverna  e  José Lúcio.


 

(Texto de Ailton Salgado)

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Tags: Amazônia    Guias  de  Pesca    Barco  Hotel    Pesca    Pescaria    Peixe    Rio 
Sábado, 13 de setembro de 2008

CARRETILHAS DE ARREMESSO - (BAITCAST REELS): OS PROBLEMAS COM AS “CABELEIRAS”

 

Todos nós pescadores que praticamos a pesca com iscas artificiais já tivemos, sem exceção, problemas com a formação das famosas “cabeleiras” durante o arremesso. É verdade que esse problema tem muito a ver com a correta regulagem da carretilha, seguida da necessidade de treinamento prévio nos arremessos.  Entretanto, um outro fator importante no sucesso do uso de carretilhas, e ao qual nem sempre damos a devida atenção, principalmente quando se trata de pescadores novatos, é a qualidade da carretilha e da vara usadas na pescaria.

 

Com as facilidades proporcionadas pela tecnologia atual, há um maior número de fabricantes colocando grande variedade de produtos no mercado, principalmente carretilhas baratas, em modelos variados com corpo de grafite, e tendo como atrativo um maior número de rolamentos. Com isso, até mesmo os grandes fabricantes, como Daiwa e Shimano, são levados a lançar linhas de produtos de preço mais acessível, abrindo mão da qualidade para competir também nesse segmento.

 

Uma carretilha de qualidade começa pela sua estrutura (esqueleto).  É sabido que carretilhas com corpo de grafite sofrem um certo grau de flexão quando submetidas à força da briga com um peixe. Essa situação repetida leva as engrenagens a desalinhar e com o tempo prejudica o desempenho e o funcionamento da carretilha, surgindo então os problemas de arremesso e os defeitos.  Se você vai investir numa carretilha para iscas artificiais, prefira carretilhas de boas marcas, com corpo de metal (alumínio, liga, etc).  É preferível pagar um pouco mais e fazer uma compra definitiva.

 

Outro mito que acompanha as carretilhas de arremesso é o do número de rolamentos que a carretilha deve ter.  Outro dia tive minha atenção voltada para uma carretilha recém lançada no mercado, cuja publicidade afirmava que a mesma tinha 13 (treze) rolamentos. Fui examinar a carretilha e descobri que só na manivela ela tem quatro rolamentos instalados!  Isso em nada ajuda no funcionamento e desempenho do mecanismo da carretilha, principalmente se a qualidade dos rolamentos deixa a desejar.  Eu tenho uma pequena carretilha Abu, redonda, de modelo mais antigo e já descontinuado, que apesar de ter apenas três rolamentos, funciona muito bem.   Outro exemplo: a famosa carretilha Shimano Curado, de desempenho notável, tem apenas cinco rolamentos...    Onde está a diferença?  Na engenharia do produto e na qualidade dos componentes, inclusive rolamentos, utilizados nas carretilhas.  Para ter certeza de que você está comprando qualidade, procure as boas marcas e esteja disposto a pagar um pouco mais caro. Você não vai se arrepender.

 

A correta escolha da vara que vai fazer conjunto com a carretilha de arremesso é também importante para o sucesso nos arremessos e para a não ocorrência das “cabeleiras”.  Pescadores novatos ou de pouca experiência devem pedir a ajuda do vendedor da loja de pesca, ou de um companheiro experiente, para escolher a vara que faça o conjunto equilibrado com a carretilha, permitindo bons arremessos, sem cabeleiras, e tendo assim sucesso na pescaria. Há boas varas de carretilha no mercado, a preços bastante atraentes.

 

Finalmente, compre linhas de pesca de boa qualidade e de bitolas compatíveis com a carretilha e a vara de pesca utilizadas. Aqui também não haverá dificuldades, pois temos ótimas linhas produzidas pelos fabricantes nacionais, a preços atraentes.

 

Boa pescaria!!!

 

Abraços!

 

Vitor de Paula!

 

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Quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A “GUERRA” DOS MOSQUITOS

 

 

Há poucos dias tivemos a sugestão de um colega pescador para escrever alguma coisa sobre essa praga que regularmente atormenta os companheiros nas pescarias, e que atende pelos mais variados nomes: pernilongo, mutuca, pium, pórvinha, muriçoca, borrachudo e outros (às vezes acompanhados de um palavrão). Em alguns lugares, esses bichos chegam a ser educados, e atacam alternadamente: os pernilongos pela manhã e à tardinha, e os piuns ou pólvoras durante o dia ...

 

Então eu me lembrei da primeira receita que conheci e que data de quando era garoto lá no interior, nas pescarias de ribeirão: quando a gente se acomodava no barranco de um pesqueiro predileto, os mais velhos amontoavam bosta de boi seca e botavam fogo, bem ao lado. E ainda acendiam os pitos de palha, feitos com fumo de corda de qualidade variável, tudo isso com o objetivo de espantar os mosquitos, que estavam sempre presentes. Como se vê, a participação desses oportunistas indesejáveis está definitivamente ligada às pescarias em rios, represas e lagoas.

 

O que fazer para se livrar dos mosquitos?   Alguns afortunados que vão pescar na Amazônia em rios de água escura, como o Negro e outros, não são incomodados pois a água daqueles rios, por suas características, não permite a reprodução desses insetos. Lá se pode até dormir no relento, mas no restante do Brasil é preciso se proteger, usando os recursos disponíveis.

 

Pescadores mais sensíveis se cobrem com luvas, véus e mosquiteiros, e utilizam os repelentes disponíveis no mercado.  Aqui não há nenhuma intenção publicitária, mas pessoalmente acho que o produto que tem atuado melhor e por mais tempo como proteção é o da marca Autan, clássico, com aplicação por aerossol.  Saia para o rio com o repelente já aplicado e evite que o produto atinja suas mãos, lavando sempre com sabão neutro após a aplicação, para o repelente não atingir as iscas. Se o ataque dos mosquitos estiver cerrado, renove a aplicação em intervalos de duas a três horas. É bom levar na bagagem um produto anti-alérgico, hoje existente também na forma de cremes, para aliviar a coceira resultante das picadas.

 

Já apareceram à venda diversas versões de aparelhos movidos a bateria, que emitem sinais ultrassônicos, e que serviriam para manter os mosquitos à distância. O simples fato de que eles não são campeões de vendas mostra que é duvidosa a sua eficácia no combate aos mosquitos.

 

O ataque da mosquitada ocorre com mais intensidade no início da manhã ao nascer do sol, e no fim da tarde até escurecer.  Em certos lugares, como no Pantanal, iniciar a pescaria um pouco mais tarde e terminá-la por volta das cinco horas vai dar um certo alívio aos pescadores. Quando você estiver pescando embarcado, sempre que possível escolha pesqueiros longe da vegetação das margens, pois os mosquitos buscam abrigo ali, e evitam sair no espaço aberto por causa do vento.

 

Na verdade, não existe um remédio definitivo para nos livrarmos dos mosquitos.  Outro dia, numa roda de médicos pescadores, surgiu o assunto e um deles indicou aos demais um santo remédio para o problema, que é aplicar no corpo óleo de amêndoas.  Fiquei curioso e perguntei se esse óleo teria algum componente que repele os insetos, e ele disse que na verdade o óleo servia para grudar as asas dos mosquitos na pele tão logo eles pousavam, impedindo assim sua ação. Mas acrescentou que só funciona com os piuns...

 

Abraços!

 

Vitor de Paula!

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Segunda-feira, 18 de agosto de 2008

"PESCANDO CONFORME A MÚSICA"

 

Depois de um bom tempo distantes, voltamos finalmente ao rio Araguaia, ou Berocan, como ele é chamado pelos índios Carajás. Desta vez, nosso destino é a Pousada Asa Branca, que está localizada no encontro do rio Cristalino com o Araguaia. Para chegar à Pousada, partindo de Belo Horizonte, seguimos pela BR-040 até Brasília. Depois, fomos em direção a Padre Bernardes, Uruaçu, Porangatu, e finalmente chegamos a São Miguel do Araguaia, onde um guia da Pousada nos aguardava. Mais 90 km de estrada de terra em razoável estado de conservação, e chegamos ao porto de Fio Velasco, onde nos esperavam as “voadeiras” da Pousada Asa Branca.

 

Partimos do porto de Fio Velasco ao entardecer, descendo o rio Araguaia por aproximadamente duas horas, e só a visão proporcionada por esse percurso já paga a viagem. São praias de areia branquíssima, biguás, jaburus, marrecos, colhereiros, jacarés e um por do sol de tirar o fôlego. Chegamos à Pousada e encontramos o conforto esperado: apartamentos com ar condicionado, comida caseira simples e de excelente qualidade, bons piloteiros.  Enfim, o que precisamos para aquela famosa semana de sonhos que há tempos vínhamos planejando.

 

Após uma boa noite de sono, um bom café da manhã, tralha arrumada, foi só entrar no barco e partir em busca dos peixes. Alguns companheiros foram para o Araguaia tentar pirararas, palmitos, douradas, cacharas, e porque não um filhote?  Os outros subiram o Cristalino atrás de tucunarés, matrinxãs, traíras, aruanãs.   De volta à Pousada, no encontro para a famosa cerveja antes do almoço, é hora de troca de informações e de saber dos primeiros resultados. No Araguaia, comentários de muita piranha roubando as iscas, algumas ações de pirararas, mas poucos resultados com os outros peixes tão fartos nesse rio.

 

Problemas?  Não.  O Cristalino e os lagos estavam cheios de tucunarés, traíras e aruanãs.  Era só trocar a tralha pesada pelo prazer de pescar com material médio a leve, e divertir-se nas lagoas do Cristalino.  Entretanto, o que é fácil para alguns pescadores, é um problema para outros. Muitos companheiros não se preparam para enfrentar condições adversas em pescarias.  A natureza e os peixes não são guiados pelos desejos dos pescadores, e sim por condições as quais nem sempre compreendemos, tais como: temperatura, pressão atmosférica, mudança no Ph da água, vento e outros fatores naturais.  O que temos a fazer é pesquisar sempre quais são as opções de pesca na região para onde iremos, e nos prepararmos para elas.

 

Amigo, tenha sempre um plano B. Se você é daqueles que gostam da pesca pesada, não despreze a possibilidade de divertir-se com iscas artificiais ou naturais. Monte e leve um conjunto para arremesso, pratique antes das pescarias, informe-se sobre quais são as iscas artificiais mais eficientes para a região, e quais são lá as opções de pesca além da sua modalidade preferida.  Se você é fã da pesca com iscas artificiais, não esqueça sua tralha pesada.   Algumas vezes os tucunas, traíras, matrinxãs e outras espécies procuradas pelos pinchadores podem não estar dispostos a colaborar, e cá entre nós, um peixe de couro alentado puxando a fricção da carretilha não faz mal nenhum ao coração...

 

Companheiros pescadores, divirtam-se sempre.  A vida é curta e as pescarias, infelizmente, também.

 

                                                                       (Texto de autoria do Ailton Salgado)

 

Abraços!

 

Vitor de Paula!

 

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Tags: pescaria  peixe  viagem  turismo  rio 
Domingo, 27 de julho de 2008

A PRIMEIRA TRALHA DE PESCA

 

Todo pescador iniciante, quando decide comprar seu primeiro equipamento, material ou tralha de pesca, quase sempre enfrenta dificuldades, seja pelo desconhecimento ou pela quantidade de opções oferecidas no comércio especializado. Na primeira compra, recorremos a um amigo, parente ou vendedor conhecido, para nos auxiliar.As dúvidas porém começam antes mesmo de escolhermos o material de pesca, pois primeiro temos de definir sobre que tipo de pescaria desejamos praticar, onde vamos pescar, com que iscas, quais são os prováveis peixes desses locais, qual a freqüência de nossas pescarias. Estas perguntas é que vão orientar nossas escolhas.

 

 

Pesca de Categoria Leve

 

A pesca leve pode ser realizada basicamente com três tipos de equipamentos: Molinete, Carretilha ou Spincast.  Ao escolher um desses equipamentos, estaremos voltados para o seu peso reduzido. Construídos com chassi de grafite, são projetados para o uso com linhas finas, e para arremessar iscas leves. Devemos evitar forçá-los exageradamente. Se a opção for por molinetes, estes devem ter pelo menos três rolamentos. Se optarmos por carretilhas, um número maior de rolamentos nos dará mais conforto no uso, além de reduzir o desgaste e melhorar os lançamentos.

 

 

Pesca de Categoria Média

 

Nesta categoria molinetes e carretilhas são os mais utilizados e podem ser considerados como os “coringas” da pesca, sendo usados em quase todas as situações. É muito comum capturarmos peixes maiores do que esperávamos com equipamentos médios, situações que vão exigir muita habilidade e paciência do pescador. Para essa categoria, devemos sempre que possível optar por equipamentos que tenham chassi (esqueleto) metálico e sejam dotados de rolamentos.  Se a opção for por molinetes, eles devem ter pelo menos três rolamentos.  Para carretilhas, um número maior de rolamentos poderá ajudar na distância dos arremessos, lembrando que durante o lançamento apenas três ou quatro rolamentos estarão atuando, e nesse caso mais vale a qualidade dos componentes do que a sua quantidade.

 

 

Pesca de Categoria Pesada

 

Nesta opção devemos priorizar sempre a resistência dos equipamentos. Excetuando os modelos usados na pesca vertical, a quantidade de rolamentos não é fundamental nesta categoria de equipamentos, uma vez que não fazemos um grande número de arremessos e recolhimentos. A precisão na fresagem (fabricação) das engrenagens e a qualidade dos rolamentos são os itens a serem observados. Se optarmos por molinetes eles devem ser de chassi metálico (rígido) e ter no mínimo três rolamentos, e preferencialmente terem o controle da fricção (freio) na parte frontal do carretel.  Nas carretilhas, três rolamentos são suficientes para garantir boa distância nos arremessos e conforto nos recolhimentos. Em ambos os casos, os equipamentos devem ter a trava com o anti-reverso contínuo.

 

 

As Varas

 

Uma vez escolhido o Molinete, Carretilha ou Spincast, devemos formar um conjunto balanceado, escolhendo uma vara compatível com aquele equipamento. É preciso levar em conta a classe da linha e o peso que a vara deverá arremessar. O tipo de ação da vara e o seu tamanho influenciarão diretamente na distância e na precisão dos arremessos. Para fazermos essa escolha novamente devemos nos lembrar das nossas intenções de pesca, escolhendo baseados nos locais onde iremos pescar, nas espécies de peixes visadas e no tipo de pescaria: embarcado ou desembarcado, com iscas artificiais ou naturais.  Esses fatores é que determinarão como vamos escolher nossas varas.

 

É bom lembrar que dificilmente um só conjunto de pesca atenderá todas as nossas necessidades.  Com o tempo formaremos nossa opinião sobre o que mais nos agrada e qual será o nosso estilo de pesca, e com certeza outras aquisições serão feitas. O importante é que façamos a compra conscientes de nossas necessidades, pois mesmo os mais renomados fabricantes de equipamentos para pesca têm em sua linha de produtos equipamentos de categorias e qualidades diferentes. Existem produtos de categoria inferior, os intermediários e os top de linha, com características, qualidade e preços diferenciados.Na verdade, não existe milagre. É impossível produzir usando equipamentos modernos, matéria prima de primeira qualidade e mão de obra altamente especializada, e vender por preços muito baixos.  Desconfie!  Compre bem, pesque bem, e divirta-se sempre.

 

 

(Texto de autoria do meu sócio Ailton Salgado)

 

Abraços!

 

Vitor de Paula!

 

 

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Sexta-feira, 11 de julho de 2008

GUAPORÉ = RIO AO LADO DA MATA ALAGADA

 

 

Esta é a tradução para o português da palavra indígena “guaporé”, e foi exatamente assim que encontramos esse maravilhoso rio, em recente viagem à região de Cabixi – Rondônia, onde passamos alguns dias desfrutando da famosa piscosidade desse rio. O Guaporé funciona como um divisor natural entre as bacias do Prata e do Amazonas.  Nascendo na Chapada dos Parecis – MT, o Guaporé corta os estados de Mato Grosso e Rondônia, fazendo a fronteira natural do Brasil com a Bolívia. Do lado de lá está o Parque Nacional Noel Kempf, reserva ecológica boliviana que muito contribui para que o Guaporé seja um grande berçário para várias espécies de peixes.

 

Nós nos hospedamos na Pousada Entre Rios, que está localizada no município de Cabixi, distante 2.550 Km de Belo Horizonte, passando por Cuiabá, Cáceres e Vilhena. De Cabixi até a Pousada são 40 Km de estrada de terra em boas condições. A Pousada tem chalés de madeira, com ar condicionado, restaurante amplo com ventilador de teto, e comida caseira simples e de excelente qualidade. Para a pescaria, possui barcos, motores, piloteiros, iscas, combustível, enfim tudo o que precisamos para explorar os rios Guaporé, Cabixi e Piolho, que são facilmente alcançados a partir da Pousada.

 

Durante a nossa pescaria tivemos oportunidades de brigar com diversas espécies esportivas, desde simpáticos piaus flamengo, passando por tucunarés, traíras, corvinas, apapás, cachorras, matrinxãs, barbados, até pequenas e briguentas pirararas. Contudo, os cacharas foram a grande surpresa das pescarias: eles surpreenderam pela quantidade, pela valentia e pela maneira como são pescados. Como as praias nas quais normalmente são encontrados ainda não estavam visíveis (era início do mês de Junho), procurávamos colocar nossas iscas bem próximo aos camalotes ou “taropes”, como são chamados na região, deixando que a correnteza levasse para baixo da vegetação anzóis 10/0 iscados com pedaços de piaus ou tuviras. Era só esperar um pouco e aguardar as pancadas, torcendo para que os cacharas não encontrassem algum enrosco.

 

Para a pesca dos cacharas utilizamos varas de 20 a 40 libras, de ação média, e molinetes ou carretilhas com capacidade de 100 metros de linha 0,60 mm, anzóis 10/0 encastoados em aço flexível. Para os tucunarés usamos varas de 17 a 20 libras, de ação média rápida, linha 0,35 mm, iscas de superfície e de meia água de 7 a 11 cm. Pequenas colheres e spinners também se mostraram eficientes. Para quem gosta de pescar piaus, deve-se levar um conjunto leve. Os piaus são ótimas iscas para os cacharas, mas sua pesca é tão divertida que às vezes é difícil parar de pescá-los para sair à captura de outras espécies.

 

Quanto aos capararis e tambaquis, duas das espécies mais desejadas pelos pescadores e ainda presentes nas águas do Guaporé, ainda não foi desta vez. As águas estavam turvas, altas e não se motravam propícias para esses peixes.  Pretendo voltar com as águas mais baixas, e com um pouco de sorte, quem sabe?   Pescaria é assim, é preciso acreditar muito e pescar sempre.

 

(Texto de autoria do meu parceiro Ailton Salgado)

 

Abraços!!

 

Vitor de Paula!!

 

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Sábado, 05 de julho de 2008

PÉROLAS DA PESCA ESPORTIVA

 

Você já teve a oportunidade de se assentar numa roda de pescadores, e escutar o lero-lero das conversas regadas a cerveja e outras bebidinhas?  Quando se está planejando uma próxima pescaria, então, a prosa vai longe, e os causos vão se sucedendo... São reuniões bem humoradas, onde a troca de informações sobre o próximo destino de pesca e sobre os equipamentos se mistura com lembranças de viagens anteriores e situações vividas pelos presentes, com muita brincadeira e gozação...

 

Eu tenho aquele caso da pescaria do Baroni, meu antigo patrão em tempos de banco, que eu levei para uma pescaria light no ribeirão dos Patos, na minha terrinha (Pains). O Baroni era então diretor de banco, e sempre foi uma pessoa muito simpática e comunicativa, que agradou em cheio aos meus parentes lá do interior, por isso era tratado por todos a pão-de-ló. A pescaria de um dia virou um acontecimento, com churrasco na beira do córrego que joga água no ribeirão, muito gole e muito papo furado. O Baroni curtiu tudo: o papo, a bebida, o churrasco, mas na hora de ir pra beira do rio pescar, juntou-se ao meu tio ChicoVergílio e se esticou numa lona aberta na sombra das árvores, dormindo um sono dos justos.

 

Aí eu tive folga bastante para dar umas anzoladas, mas para não perder o patrão de vista, atravessei a ponte sobre o ribeirão e fui lançar o anzol do outro lado, de onde tinha visão do “acampamento” e podia ficar de olho no chefe. A tarde passou e quando já estava escurecendo (hora de ir embora), o Baroni acorda, vai até o corguinho, lava o rosto, sai caminhando pelo pasto como quem não quer nada, até chegar na ponte sobre o ribeirão, e se debruça.  Daí a um minuto, me localiza no barranco a uns trinta metros à frente, e abrindo um sorriso me grita: “Companheiro, se eu soubesse que pescaria era tão bom assim, já tinha vindo mais vezes...” Isso sem pegar um minuto sequer na vara de pescar...

 

E tem aquela piada do caipira que vem chegando junto ao pescador no barranco, puxa conversa, daí a pouco já aceita um gole, e vai ficando. Depois de mais de três horas ali na contemplação, o pescador não agüenta e pergunta: “Olha, tem uma outra vara ali. Você não quer experimentar e pescar um pouco?” E responde o caipira: “Quero não, sô. Num tenho paciência...”.

 

Por isso é que o meu parceiro e amigo Salgadinho sempre diz: “Gente, até pescaria ruim é boa, uai...”

 

Um grande pescador esportivo americano, Ben Secrest, descreve essa sensação: É difícil de explicar. É como se você tivesse nove anos novamente e fosse véspera de seu aniversário! Você não consegue dormir, não consegue se concentrar, tudo o que você pensa é que espécie de surpresas lhe esperam. É excitamento, ansiedade e curiosidade, tudo junto. É assim que eu me sinto na véspera de uma pescaria.

 

Tem também aquela frase, que de vez em quando sai na roda de pescadores: Vamos pescar, gente, vamos aproveitar e pescar, porque depois que morrermos vamos passar muito tempo mortos!

 

Aí vem outro e acrescenta: Você nasce sem pedir e morre sem querer. Então, aproveite o intervalo e vai pescar!

 

Tudo isso é brincadeira, é amizade, é companheirismo. Por isso, eu gosto de repetir sempre que posso: PESCAR É VIVER.

 

Abraços!

 

Vitor de Paula!

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Quinta-feira, 26 de junho de 2008

A PESCA ESPORTIVA NA ARGENTINA - RIO PARANÁ - (ITA IBATÉ - PROVÍNCIA DE CORRIENTES)

 

 

Ita Ibaté fica na margem esquerda do rio Paraná, na província de Corrientes - Argentina.  Para chegar lá, vamos de avião até Foz do Iguaçu – PR, e de lá seguimos por terra em direção ao sul, em ônibus fretado, percorrendo 420 Km. São boas as estradas, todo o trecho tem asfalto. A cidade é mais uma vila, lembrando o nosso interior, com gente simples. A atividade local é agricultura, principalmente de arroz, e o turismo de pesca. Além da pousada que utilizamos, há várias outras no local.

 

Toda aquela região (Ita Ibaté, Ituzaingó, Paso de la Pátria) é famosa pelos grandes peixes que proporciona, principalmente Dourados e Surubins. Lá se pesca também o Jaú, a Piapara, o Pacu, a Piracanjuba e outros peixes esportivos, mas a atenção de todos lá está mais voltada para os grandes troféus, na forma de Dourados e Surubins realmente enormes. O rio Paraná, enorme e com algumas ilhas, faz fronteira entre a Argentina e o Paraguai.  Na nossa pescaria, que durou cinco dias, os maiores peixes pescados pelo grupo foram um Dourado de mais de 16 Kg e um Surubim cujo peso foi calculado para mais de 30 Kg. (Estivemos lá de 24 a 29 de fevereiro de 2008).

 

Lá se pesca principalmente de corrico, usando-se iscas de barbela grandes, que trabalham em maior profundidade (6 a 8 metros), em trechos do rio onde há canais profundos, sendo as iscas arrastadas pelas lanchas em baixa velocidade. O equipamento é: carretilhas de porte médio a grande (ou molinetes) que comportem pelo menos 150 metros de linha multifilamento de espessura 0,26 a 0,28 mm, ou monofilamento 0,35 a 0,40 mm, com um líder de l,5 metro de aço trançado de 40 libras de resistência, ou líder de fluorocarbono de 0,60 mm de espessura, do mesmo tamanho, com girador e snap. Dessa forma se pesca o Dourado e o Surubim, mas pode se pegar também o Jaú e outros peixes. O melhor equipamento para essa técnica de pescaria parece ser uma carretilha do tamanho de uma Abu 6500 ou Abu 7000, com grande capacidade de linha e com manivela (manopla) grande, mais confortável para trabalhar o peixe e recuperar a grande quantidade de linha liberada (as iscas ficam a uma distância de cerca de 70 a 80 metros do barco). Outra recomendação que foi confirmada na pescaria é o uso de linhas multifilamento, que são muito mais finas para a mesma resistência, e que não têm nenhuma elasticidade, permitindo às iscas descer mais fundo e com respostas rápidas nas fisgadas.

 

Outra forma de pescar é de rodada, utilizando-se o mesmo equipamento, porém substituindo a isca artificial por anzóis tamanhos 6/0 a 9/0, iscados com tuviras, e com uma chumbada de cerca de 40 g, para manter a isca próxima ao fundo. Lá se pesca também poitado, tanto para os grandes peixes como também para a pesca da Piapara, mudando apenas os equipamentos conforme o peixe. Durante a pesca da Piapara, costuma se pegar também o Pacu e a Piracanjuba. Finalmente, pode ser feita a pesca de arremesso com iscas artificiais menores (iscas de meia água de 7 a 12 cm, colheres, spinners) e com equipamento médio: varas de 10 a 20 libras e carretilhas ou molinetes com linhas monofilamento de 0,30 a 0,35 milímetros. Dessa forma se pode pegar Dourados, Piracanjubas e Pacus.

 

A pescaria foi feita em lanchas de fibra de vidro de seis metros, muito espaçosas, com bancos estofados, quatro suportes na popa para as varas, e movidas por motores de popa de quatro tempos, de 115 hp, bastante silenciosos, percorrendo rapidamente as distâncias até os pesqueiros.  A lancha tem caixa térmica para as bebidas, depósito para as varas, e até mesmo capas de chuva para o caso de necessidade. O piloteiro leva também na lancha uma coleção das iscas utilizadas na pesca de corrico, que são de fabricação argentina, principalmente da marca Alfers. Essas iscas são emprestadas aos pescadores sem custo adicional, e só serão pagas se forem perdidas durante a pesca.  Aqui registramos o bom serviço prestado pelos piloteiros, que são atenciosos e entendem bem o português.

 

Os piloteiros se mostraram sempre interessados em que todos pegassem seus peixes, preparando e regulando os equipamentos, fazendo os líderes de fluorocarbono, e se esforçando para recuperar as iscas que se enroscaram. A lancha permite a pesca de três pescadores, embora o ideal é que estejam pescando dois. É obrigatória a devolução do dourado com vida ao rio, mas fizemos isso com todos os peixes capturados.

 

Em Ita Ibaté há uma pequena loja que vende equipamentos de pesca, inclusive as iscas do tipo utilizado na pesca de corrico. (Descobrimos lá que essa loja vende iscas usadas, em bom estado, pela metade do preço das novas).

 

Essa foi uma experiência emocionante no país vizinho, com novas paisagens e belos troféus conquistados. 

 

Abraços!

 

Vitor de Paula!