Casa Branca, em Brumadinho, esta se consolidando a cada dia num dos mais atraentes polos de gastronomia de Minas Gerais. Somente nos últimos 6 meses, 5 novos restaurantes foram inaugurados, Pizzaria e Choperia Tudo de Bom e a nova versão do tradicional Angu e Couve na praça da matriz, o Chez Aline e a Parrilla Montevideo na Vila Galli e agora o Antônia no Recanto da Aldeia. Mais dois estão em fase final de montagem para alegria dos frequentadores deste agradável destino turístico nas proximidades de Belo Horizonte. Na Villa Galli será inaugurado em breve mais um café e champanheria com crepes e souflês, e no caminho do condomínio da Aldeia a nova versão do Nina Rosa especializado em frutos do mar está saindo do forno. Também na rua principal foi inaugurada uma agradável lanchonete e café da Fátima do Refúgio do Vale.
Juntamente com a Trattoria, o Empório Árabe, o Ao Pé do Jatobá, estes novos estabelecimentos certamente dão uma nova dimensão á gastronomia da região.
Em sintonia com as tradicionais e com as novas pousadas de Casa Branca, os comerciantes estão se organizando para oferecer alternativas para seus clientes com relação à lei seca. Pacotes e descontos especiais além de promoções estão sendo preparadas para nossa alegria.
Saudações gastronômicas!
ARIVEDERCI TOSCANA!
Estou chegando ao final desta viagem de uma semana e muita caloria pela Toscana, e para despedida fomos a um castelo maravilhoso no alto de mais uma bela montanha. A paisagem para variar estava deslumbrante, como sempre entrecortada por plantações de uvas e de oliveiras iluminadas pelo sol do verão que se iniciava neste dia, motivo da comemoração. Chegamos ao Castello di Verrazzano, no alto da colina, e começamos a explorar seus jardins com fontes maravilhosas, suas galerias e salões com barris e mais barris de sua produção de vinhos. Experimentamos alguns prossecos bem gelados, muita gente bonita reunida caminhando pelo castelo, descobrimos ao lado bandos de javalis, e depois de desfrutar de tudo fomos convidados ao salão para o jantar. Na entrada uma bela visão de vinhos de todo o tipo no hall do grande salão. De frente para um vale cinematográfico apresentado por imensas janelas de vidro o belíssimo salão estava todo decorado e alguns músicos afinavam seus instrumentos.
Já era noite mas o dia insistia em se prolongar, pois afinal estávamos ali para comemorar a chegada do “estate”(verão).
Começam a chegar os vinhos brancos da casa seguidos de embutidos de javali, pães, e um espécie de risotto ao pesto, um cereal parecido com arroz, especialidade toscana. A seguir o primeiro prato, massa com javali, acompanhado de outro vinho da casa, desta vez um tinto suave. A seguir carne de porco e salada com um maravilhoso Castello di Verrazzano Riserva . Antes da sobremesa, devidamente dispensada e do vinho santo com biscoito, desfrutamos da noite chegando naquele ambiente de conto de fadas e assistindo a uma apresentação de artistas do “Maggio Musicale Fiorentino”, com violinos, piano, violoncelo, uma bela soprano Sara Chirici e um tenor maravilhoso, Maurizio Marchini . Entre lindas apresentações nos embalamos nas canções de Puccini, Verdi, e Mozart, e em um encerramento magnífico ambos cantaram dalla Traviatta “Libiamo nei lieti calici” de Giuseppe Verdi.
A noite terminou, como também chegou ao final esta minha maratona gastronômica. Muito mais do que gordurinhas adquiridas, parto com a certeza de ter participado e desfrutado de uma das mais apaixonadas e ricas culturas gastronômicas do mundo.
Espero que vocês tenham se divertido e desfrutado mesmo que de longe um pouco destes momentos que certamente para mim serão inesquecíveis.
Daqui parto para a França para novas pesquisas nesta minha difícil missão de um chef viajante.
Até a próxima!

6º Dia- Show da Bisteca
Ontem jantamos na Tina, que gentilmente nos preparou um papardelle com chinghialle e um ossobuco maravilhosos que foram acompanhados e harmonizados com um bom Chianti Clássico Querciabelle 2005.
O Cido, nosso novo amigo, durante o jantar nos contou mais sobre a Macellerie Cecchini, sobre sua vida, a acolhida que teve do Dario e também sobre as incursões humanitárias dele, cuidando de uma família numa favela do Rio sem nunca ter vindo ao Brasil, e também um de seus mais importantes títulos, ser o único chef extrangeiro a ter uma receita no menu do Oriente express, privilégio exclusivo dos chefs franceses.
A fama do dario já mereceu destaque no New York Times, dentre outras publicações famosas do mundo.
Ao chegarmos a Panzano, logo no estacionamento percebemos como a cidade e em especial a casa do Dario estava
Chegamos timidamente, mas o Dario e seus auxiliares não nos deixaram de lado, e logo com um efusivo bienvenutto nos arranjou uma mesa e duas taças de vinho rose enquanto preparava uma gigantesco Buffet com seus deliciosos pratos.
Não parou de chegar gente e todos sem exceção eram recebidos com festa.
De repente uma estridente corneta tocada pelo chef precedida por um discurso em francês, anuncia o início do banquete aos belgas.
Tradicional pão toscano rústico, polpetone renascentista, manteiga de porco, atum toscano, porqueta, molho de peperontino, finocchioni fatiado, sushi toscano,e vinho e vinho e vinho. Uma festa.
Passou-se um tempo e fomos convidados ao salão interno, onde aconteceria a solenidade da Bisteca Fiorentina, que tradicionalmente deve ser cortada com um prato que depois é atirado ao chão. A grelha gigantesca, com engrenagens para levantar e afastar as carne é um espetáculo à parte. Nos acomodamos à mesa que logo estava toda ocupada por assistentes famintos e curiosos. Espetos de sushi toscano já eram grelhados, numa nova maneira de servir, a seguir o chef entra e faz mais um grande discurso sobre sua paixão e seu esforço em preservar esta tradição toscana que é a famosa bisteca de 4 dedos de espessura, assada 5 minutos de cada lado em grelha quentíssima e mais 15 minutos em pé sobre o osso.
Tudo se passava num clima de extrema descontração, simplicidade e informalidade, com os amigos do chef ajudando na grelha e atender aos inúmeros convidados. Tudo parecia um grande churrasco entre amigos onde todos entendem e mexem na churrasqueira.
E assim foi-se passando o tempo, comemos a bisteca, e mais algumas carnes, até nos fartar.
E o show não parou durante todo o momento chegava mais gente que prontamente era acomodada e servida. Realmente um espetáculo que vale a pena.
Ao sairmos novamente ao terraço, o grupo de belgas estava de partida e assentamos com os funcionários e alguns senhores amigos e ajudantes do Dário. Mais uma sessão de alegria, causos e risadas. A Cristina foi convidada a trabalhar com eles aos finais de semana. Certamente vai dar certo por sua maneira alegre e bem italiana.
Já cansados e com cafés, um bom charuto toscano e grapas degustadas nos despedimos do Dario e de sua equipe, prometendo retorno em breve e ainda ganhamos alguns presentes, entre eles o sal toscano, que em sua embalagem tem os seguintes dizeres: “ Abra somente em casos de extrema necessidade, aspire suavemente e chore de saudades da Toscana.”
E então partimos para um breve descanso pois à noite tem um jantar com musica clássica em um castelo nas redondezas.
Até depois!

Ainda 5º dia
Antica Macellerie Fallorni
Chegamos à praça de greve in Chianti, e enquanto aguardávamos o Steffano, proprietário da macellerie, apreciamos o vai e vem das pessoas. Bem em frente ao açougue, logo a Cristina começou uma divertida conversa com dois senhores que estavam ao lado de duas raridades ostentadas com o maior orgulho, uma Moto Guzzi vermelha dos anos 50 e uma BMW 600 cc1938, que segundo o dono somente existem 1000 exemplares no mundo.
Chegou o Steffano e logo começou nos contar a história da Macellerie Falorni, que teve início a nove gerações atrás, bem ali onde estávamos sobre aquela enorme bancada de madeira em que estávamos escorando.
Tudo começou com o corte e a venda simples de carne na praça, em 1712.
Na sétima geração, a macellerie passou a se chamar Bencistá, e somente depois, para manter a tradição, voltou a se chamar Falorne. O presidente italiano na época, deu autorização especial para que uma das duas mulheres sucessoras únicas do negócio utilizassem os dois sobrenomes de família, quebrando assim o costume , e utilizando novamente o nome original.
Nesta época, ainda vendiam somente carne e durante três meses do ano fabricavam artesanalmente e vendiam salame.
Depois da oitava geração mudaram o negócio, expandiram, compravam vacas e porcos dos camponeses e faziam diversos cortes e produtos diferentes.
A partir dos anos 70 e 80, com a chegada dos turistas que vinham de todo canto para conhecer a macellerie, compraram um abatedouro e começaram a fabricar em larga escala os embutidos.
Em 90, segundo o Steffano, começou o sucesso do vinho Chianti, aí definitivamente cresceram e expandiram mais ainda seu negócio, vendendo também queijos e vinho, abrindo inclusive uma loja somente de vinhos do outro lado da praça.
Sobre seus produtos, ele orgulhosamente conta cerca de 400 tipos com mais de 1000 qualidades diferentes.
O mais tradicional é o Salame clássico di Greve, de porco e vaca, com mais de 300 anos de tradição. Além dele, as estrelas atualmente são os embutidos e os presuntos de javali, ou o chinghialli que tem apenas 40 anos de história.
“A nossa loja é um museu de trabalho”, repete o orgulhoso dono. São ferramentas antigas, fotos , tudo misturado aos produtos, numa sequência de salões interligados, com o tetos cobertos de patas de javali, tem até uma caverna subterrânea onde cuidadosamente são guardados os queijos mais importantes. Souvenirs também fazem parte da coleção, para todo gosto, e 70 % de sua clientela hoje é de turistas, e segundo o Steffano, ele não vende produtos para turistas como se costuma ver por aí, e sim a cultura e a qualidade toscana.
Hoje Steffano e seu irmão mais novo Lorenzzo, com mais 50 funcionários tocam seu negócio sem se esquecer da alegria. Justamente hoje, estarão fazendo um jantar comunitário para arrecadar fundos para confecção das fantasias para o desfile de sua confraria da praça, na grande festa da cidade,
Fim da conversa, atravessamos a praça para uma cerveja saideira com os amigos , no
Mais tarde temos o jantar da Tina. Amanhã tem mais aventuras gastronômicas.
Tchau!

5º dia
MACELLERIE, MACELLERIE
Um dia de açougue.
Nosso dia demorou a começar, mas quando saímos às 14 H. o sol, o calor e o encontro com faisões na estrada eram prenuncio de mais uma buona e iluminada giornatta.
Partimos para Panzano, onde tínhamos um convite para degustação na Macellerie Cecchini.
Entramos então na loja, um ambiente pequeno, dois salões cheios de carnes e embutidos, e logo fomos recebidos pelo Dario, um enorme açougueiro de olhos azuis sempre sorridentes e bochechas vermelhas, marcas do verão em sua pele super branca.
Ao ser apresentado como Chef, o Dario logo nos levou por uma passagem secreta e subimos uma escada até chegar em outro paraíso. Uma bela cozinha com uma enorme grelha e em frente uma mesa grande com mais de vinte lugares. Era o palco da teatral apresentação da famosa bisteca Fiorentina.
Logo a frente uma cozinha com várias pessoas trabalhando, e em frente o terraço. Um imenso jardim com gelsominos perfumados (dama da noite),ervas de todo o tipo e alguns ombrelones fazendo sombra numa comprida mesa, onde já se encontravam algumas pessoas que o Dario alegremente nos apresentou. Assentamos ao lado de um simpático casal da Catalunha, ele, o fornecedor das carnes para o açougue do Dario.
Era uma mesa comunitária, e logo nos foi servido vinho, água e seguiu-se um banquete de iguarias produzidas pela casa.
-Talos de salsão, cenoura e bulbo de funcho crus para serem degustados com azeite, vinagre de vinho e sal toscano, um sal temperado com ervas.
-Fatias de finocchioni, um enorme salame temperado com funcho,
-pães com “burro toscano”, uma “manteiga” preparada pelo Dario processando banha de porco com tempero e ervas.
-Polpettoni ao forno, uma receita renascentista, acompanhado de um molho gelatinoso e doce de peperontino picante e casca de laranja.
- Atum di Chianti, outra invenção do Dario, pernil de porco cozido no vinho branco, desfiado, desengordurado e guardado no óleo a vácuo ( Como atum em lata)
- Porqueta, um enorme rocambole de porco com a pele pururucada, recheado com alecrim e alho.
Logo chegou o auxiliar do Dario, um alegre e gorducho amigo pessoal de 25 anos de amizade que estava morando na Russia e resolveu voltar à sua terra natal para trabalhar na Macellerie.
Em seguida veio a surpresa, o Cido, um brasileiro que estava trabalhando há 5 anos com o Dário, que o acolheu e lhe ensinou o ofício.
Cido nos contou que o Dario é muito famoso em todo o mundo por sua bisteca Fiorentina, tendo preparado a iguaria em diversos países, para presidentes e príncipes.
Há poucos dias recebeu a visita do Claude Troigros e do Renato Machado, quando gravaram um programa para ir ao ar em setembro no Brasil. A macellerie já foi visitada também por outros jornais e revistas brasileiros.
Com o sucesso do açougue e do seu teatro, pois inclusive recita Dante em suas performances, o Dario abriu um restaurante em frente ao açougue, e este em que estamos tem somente 3 meses de vida, portanto uma grande novidade para o mundo.
Como tínhamos uma entrevista marcada com outro açougueiro, nos despedimos e convidamos o Cido para jantar e nos contar mais. Combinamos também voltar no dia seguinte para experimentar a bisteca Fiorentina.
Até a próxima!