
Estamos a um mês e dez dias do encerramento do ano, e nada como um balanço do que ocorreu na publicidade em 2008, em termos de faturamento.
Foi um ano muito bom, isso não há dúvida. Só as nuvens de crise que sobrevoam o país, vindas dos Estados Unidos, é que podem deixar os pessimistas incomodados. Mas as agências com competência, garra e instinto de antecipação aos fatos não têm porque se preocupar.
Mas vamos ao balanço do ano, tendo como base levantamento do projeto Inter-Meios, relatório de investimentos em mídia, da editora Meio & Mensagem.
O levantamento revela que o mercado, como um todo, teve um aumento de receita de 15,8%, e o grande destaque foi a mídia impressa, com os jornais registrando um crescimento de 15,55% até setembro. Ou seja, o volume de anúncios aumentou no mesmo nível, já que jornal sobrevive primordialmente e substancialmente da publicidade, e não apenas da venda em bancas ou assinaturas.
Em segundo lugar veio a TV aberta, que teve seu bolo publicitário apontando um crescimento de 14,2% até setembro, em relação aos primeiros nove meses de 2007.
A mídia internet brilhou este ano: um aumento de faturamento de 47,2% até setembro. Perde para jornais e TV pelo volume financeiro, já que os dois primeiros veículos têm tabelas de preço infinitamente superiores ao de anúncios na web.
A TV a cabo cresceu 3,6%, aquém do esperado, já que a televisão “fechada” teve - e está tendo um aumento - um aumento contínuo de assinantes, atingindo inclusive as chamadas “classes baixas”, C e D. Os “gatos” existentes nas favelas de BH, Rio e de todo o Brasil que o digam...
O outdoor, mesmo enfrentando a “Lei Cidade Limpa”
E quem levou a pior? O levantamento da M&M não esconde: mídias guias/listas (a receita caiu 10,3%), mídia móvel (recuou 17,6%) e painéis (desceram 9,9%).
Mas quem ganhou mesmo foram os responsáveis diretos pelo mercado da publicidade e propaganda – as agências e seus profissionais. Trabalharam corretamente, com criatividade e agilidade, aproveitando com oportunismo a conjuntura econômica favorável e otimizando resultados para seus clientes.
Clientes estes que, certamente, vão continuar investindo em 2009, sem medo de crise.
Aliás, a crise é uma bíblia lida por dois públicos opostos: os pessimistas, que encontram nela motivo para não perseverar, e os otimistas, que jogam todas suas fichas no trabalho, para se distanciar cada vez mais da concorrência indecisa.
E concluo a postagem de hoje com uma imagem que me enviaram: um morador de rua conversando, na maior intimidade, com a estátua de Carlos Drummond de Andrade, em pleno calçadão de Copacabana. E o título parece ser coisa de publicitário – uma ironia fantástica às já cansativas campanhas das operadoras de fixo e móvel.
E até segunda...

No Brasil, a remuneração por fee já é maioria nos contratos entre os grandes anunciantes e as agências de publicidade.
A remuneração por fee já é maioria nos contratos entre os grandes anunciantes e as agências de publicidade. É o que revela pesquisa realizada no Brasil pelo grupo espanhol Consultores.
O levantamento ouviu 350 executivos de empresas anunciantes, responsáveis por administrar uma verba em média de R$ 33,5 milhões. As entrevistas foram concedidas entre abril e agosto, a maior parte delas
O avanço da modalidade de fees foi verificado em relação ao levantamento de 2006, que contou com as informações de 278 profissionais de marketing. Desde então, o número de clientes que recorreu ao sistema subiu de 45% para 64,6%. Quase metade deles (47%) admitiu que pratica o fee mensal.
Apesar disso, o pagamento por comissão de veiculação continua sendo uma prática dos contratos de publicidade, só que em uma variação menor (de 47,6% para 47,2%). O modelo híbrido é utilizado por 16% dos anunciantes que têm acordos mistos com as agências. Segundo Cesar Vacchiano, presidente do Grupo Consultores, em todo mundo há o avanço dos pagamentos de fee e a retração dos pagamentos de comissão.
Detalhe: a pesquisa investigou a forma de avaliação da performance do relacionamento entre agências e anunciantes para se chegar aos valores componentes da remuneração variável. Entre os 16,4% dos anunciantes que trabalham com essa modalidade, mais da metade (58,95%) define as quantias a serem pagas às agências a partir de uma avaliação do cumprimento dos objetivos traçados anteriormente pelas duas partes.
Já 38,4% relacionam a remuneração variável diretamente aos resultados alcançados pela empresa naquele período, método considerado por Vacchiano prejudicial para as agências.
Nos Estados Unidos, a remuneração variável está evoluindo bastante: era de 17% em 1988, saltou para 30% em 1997 e atingiu 50% este ano. Esse índice só é superado pelo do Reino Unido, onde o sistema é usado em 56% dos relacionamentos dos anunciantes com suas agências de publicidade. Com índices acima do brasileiro ainda estão Alemanha (22%), China (20%), França (19%) e Espanha (18%). Abaixo, somente o Japão (8%).
Mas fica a pergunta: é melhor e mais seguro receber fee, ou pelo valor real da criação de campanhas e outras ações de comunicação?
Meus caros, observem bem o texto abaixo, matéria publicada esta semana nos principais jornais do Brasil e do mundo. O filho de um escocês encontrou uma estratégia sensacional para o pai vender sua casa: usou um papagaio, bicho exótico e raro na Europa, como isca.
É uma estratégia singela, simplista, feita por uma pessoa aparentemente ingênua, mas que ganhou as páginas dos jornais e os telejornais do mundo todo.
Um grande case de marketing.
Vejam a matéria:
“O dono de um papagaio na Escócia está vendendo o que pode ser o bichinho de estimação mais caro do mundo. Chev, um papagaio de penas multicoloridas e que vive com o seu dono, Jim Gallagher, de 54 anos, em Airdrie, no centro-sul do país, vai passar para as mãos de quem oferecer mais de 179 mil libras esterlinas (o equivalente a cerca de US$ 284 mil).
Mas o comprador também vai levar de brinde a casa de três dormitórios de Jim. Ele teve a idéia de vender a ave com a casa para conseguir dinheiro para emigrar para a França ou a Espanha.
Jim Gallagher disse à BBC: Eu acho que estou oferecendo uma barganha muito boa.
O encanador autônomo disse que decidiu vender tudo e ir embora com a filha, Karen, de 27 anos, depois da morte de seu filho, Mark, de 31 anos, em conseqüência de um ataque de asma.
O meu filho era o meu melhor amigo, nós faziamos tudo juntos. A casa me lembra dele. Tem tantas lembranças boas, mas é hora de ir para a frente, disse Jim.
A idéia de vender o papagaio e dar o imóvel para quem o comprar foi de Mark, contou: Nós estávamos em Sevilha para a final da Copa da Uefa há uns anos e quando nós tentamos comprar os ingressos na internet as pessoas estavam vendendo um cachecol (com o símbolo do time) com a entrada para o jogo de brinde. Mark achou que a novidade poderia funcionar com Chev.
E Jim disse que já apareceram interessados. Uma mulher telefonou dizendo que gostaria de comprar o papagaio mas que não estava interessada na casa, afirmou.
E acrescenta: Mas ela vivia em um apartamento e Chev precisa de espaço para voar.
O encanador escocês reconhece que pode ter saudades do papagaio e faz questão de que cuidem bem dele, mas ele está convicto de suas prioridades: Se alguém fizer uma oferta pela casa mas não quiser a ave, eu não vou dizer não. Eu já tenho uma ou duas pessoas de reserva para cuidar dele assim que a casa for vendida, afirmou.
Deve ter vendido, lógico.
E até segunda...
No Meio & Mensagem do início deste mês, uma notícia boa para o mercado. Apesar da crise que se abateu sobre o mundo – começando pelos Estados Unidos, de onde se originou -, o mercado publicitário brasileiro está reagindo bem, muito bem.
Tanto assim que levantamento pelo M&M, ouvindo mais de 25 agências de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná, revela que 200 profissionais foram contratados por essas empresas nos meses de julho, agosto e setembro. Só a Fischer América reforçou seus quadros com 15 novos funcionários. E a Fala!, do grupo Total, garantiu que deve contratar entre 20 e 25 pessoas até o início de 2009.
Regina Augusto, diretora-editorial da publicação, definiu bem a questão: “A contratação de cerca de 200 profissionais pelas agências de publicidade, em um momento em que a crise global empurra para baixo as bolsas de valores em todo o mundo, mostra que, por mais que existam os alarmistas de plantão, a vida continua”.
Concordo plenamente com Regina Augusto. Crise econômica não se reflete, diretamente, com a precisão de um lança-míssil, sobre a publicidade. E as agências inteligentes estão atentas a isso. Para quê, por causa de informações genéricas e fragmentadas, demitir funcionários, perder talentos que podem ir para o concorrente?
A hora é de calma e tranqüilidade. Não se constrói um corpo funcional criativo, ágil e identificado com as demandas e necessidades dos clientes, de uma hora para outra. Como também não se pode desfazer de talentos, só porque um pessimista diz que a propaganda já está sendo afetada pela crise.
Aliás, as agências, e vamos falar de Minas, têm também muitos motivos para reforçar seus quadros, sem pensar
E vamos aos fatos positivos: Minas elegeu 853 prefeitos recentemente. Grande parte deles já estão pensando em fazer licitação para contratar uma agência que entenda seu pensamento, que assimile sua filosofia administrativa, para trabalhar a comunicação de seu governo. O segmento imobiliário, que foi o gerador da crise americana, em Minas vai muito bem. Condomínios luxuosos, prédios de luxo, estão sendo lançados ou inaugurados toda semana. O segmento de automóveis, que como outras áreas receberam subsídios do governo federal, retomaram a performance de vendas do primeiro semestre. E empresas mineiras que estavam fora do Estado, com suas contas entregues a agências de lá, retornam a Minas, como é o caso da Móveis Itatiaia, que desde agosto passou a ser atendida pela Jbis.
O momento, então, é de otimismo. Trabalho e otimismo. E deixem os “alarmistas de plantão” falar o que quiserem. Porque recebem para isso. Imprensa não sobrevive só de reportagens positivas. Estar tudo bem, “tudo certo”, como já dizia Roberto Carlos, é obrigação. Notícia é o que vai contra a corrente, contra o bom andamento das coisas.
E encerro o blog de hoje com alguns provérbios populares sobre pessimismo e otimismo, vencedores e perdedores:
O vencedor: “Pode ser difícil, mas é possível.
O perdedor: “É possível, mas é tão difícil...”
Vencedor: “Enxerga resposta para cada problema”.
Perdedor: “Enxerga problema em cada pergunta”.
E para os que ainda estão em dúvida, receosos ou temerosos sobre crises, a “Prece da Serenidade”, que abre e encerra as reuniões dos alcoólicos anônimos no Brasil e em todo o mundo. Uma lição de vida:
“Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; coragem para modificar aquelas que podemos; e sabedoria para distinguir uma das outras”.
E até quinta...
Quem divulgou foi o site Adnews:
“Uma propaganda às avessas. A agência Grey, de Nova York, produziu um outdoor que mostra os candidatos à presidência dos EUA com cor de pele e características diferenciadas: Barack Obama aparece branco, enquanto John McCain, negro.
A idéia é transmitir uma mensagem para que o racismo não influencie na votação dos milhões de americanos que vão às urnas nesta terça-feira.
Com o slogan Deixe as questões serem a questão, a peça foi veiculada em vários pontos da cidade de NY.”
Vejam o outdoor:
Adaptando, chupando a idéia da Gray de NY, não seria o caso de as agências mineiras ir até seus clientes e sugerir campanhas, tendo como inspiração não apenas a vitória de Obama, mas também a conquista, domingo passado, do tão cobiçado troféu da Fórmula-1?
Motes não faltam: pela primeira vez um negro assume a presidência do país tido como o mais importante do mundo; e também pela primeira vez um negro conquista a F-1, outro território “branco”, feudo ariano.
Barack Obama e Lewis Hamilton, garotos-propaganda em potencial.
Deixo a idéia para as agências, e abro espaço para os comentários dos leitores do blog.
Até segunda...