Blog da Dad


Sexta-feira, 25 de julho de 2008

Elitismo explícito

 

 

Ops! A Unimed desconhece regrinha básica. Na gramática, nem todos são iguais perante a lei. Alguns são mais iguais. É o caso do sujeito. Dono e senhor da oração, ele manda e desmanda. Um dos caprichos do mandachuva: nunca vir preposicionado. Por isso, nem em delírio, combine o artigo ou o pronome que acompanha o todo-poderoso com a preposição. É briga certa.

 

"Você tem um médico na família? Tem muita chance dele fazer parte da nossa também", diz o texto. Valha-nos, Deus. Ele, que aparece em dele, é o sujeito. Juntá-lo com a preposição de é sinônimo de confusão. Melhor separá-los: Tem muita chance de ele fazer parte da nossa também. 

 

Mais exemplos: É hora de o trem chegar. Sobre a possibilidade de o presidente participar da campanha, muito se falará. É tempo de a TV diminuir a violência na programação. Chegou o momento de ela agir. Está na hora de eu entrar.

 

Dica: no caso de elitismo explícito, o verbo vem sempre seguido de verbo no infinitivo. Olho vivo!

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Tags: dad    português    sujeito  preposicionado    de  +  ele 
Sexta-feira, 25 de julho de 2008

Francesinha

 

Vou ao restaurante e peço um prata à la carte. Com acento? Pra lá de certo. A expressão à la carte é francesa. Pede grampinho.

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Tags: dad    português    crase    à  la  carte 
Sexta-feira, 25 de julho de 2008

Nada de humilhação

 

 

A crase não foi feita pra humilhar ninguém. Mas atrapalha. Uma regrinha evita confusão. Em expressões com palavras repetidas, o acentinho não tem vez: cara a cara, gota a gora, uma a uma, ponta a ponta, frente a frente.

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Tags: dad    português    crase    palavras  repetidas 
Sexta-feira, 25 de julho de 2008

Kalil Gibran Kalil escreveu

 

"Bom juiz é aquele que julga pelo que houve, não pelo que ouve."

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Tags: dad    português    houve    ouve 
Sexta-feira, 25 de julho de 2008

Sem dor nem gemidos

 

 

"Parirás com dor", disse o Todo-Poderoso. O Ministério da Saúde contrariou o Senhor. Garante a vinda ao mundo de bebês sem choros e gemidos da mãe. Para tanto, impõe uma condição -- que ela não recorra à cesariana. Aí terá direito a quarto com banheiro e anestesia durante o trabalho de parto. A promessa se concretizará? É esperar pra ver. Enquanto aguardamos, vale a pena dar uma revisada nas manhas do verbo parir.

 

Parir, embora não pareça, tem todas as pessoas. Mas algumas são bem esquisitas. O xis da questão é o presente do indicativo. A 1ª pessoa é "eu pairo". Já imaginou? Confunde-se com o verbo pairar. Uma grávida voando pode dar confusão. A saída: embora tenha todas as pessoas, o dissílabo só se usa nas formas em que o r é seguido de i: parimos, paris, pari, parimos, pariram, pariu, paria, paríamos, parirei, pariria, parisse, parirmos. E por aí vai.

 

   

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Tags: dad    português    parir 
Quinta-feira, 24 de julho de 2008

Erramos

 

"Bebê é salvo por cadela" foi a manchete da pág. 18. Viu? Apareceu uma penetra. Porca, resultado da junção indesejada de por com ca, formou baita cacófato. Xô!

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Tags: dad    português    cacófato 
Quinta-feira, 24 de julho de 2008

Deu otite

 

 

O ministro Carlos Minc dava entrevista à GloboNews. De colete e tudo, soltou esta: "O Greenpeace tem participado com nós na proteção do meio ambiente". Com nós? Deu otite.

 

Com nós só se emprega na companhia de palavras reforçadoras. É o caso de próprios, mesmos, todos: Os livros ficarão com nós todos. As crianças saíram com nós dois ontem à noite. Queremos estar de bem com nós próprios.

 

Sem o reforço, como na frase de Sua Excelência, usa-se o conosco: O Greenpeace tem participado conosco na proteção do meio ambiente. Os livros ficarão conosco. As crianças saíram conosco. Querem estar de bem conosco.

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Tags: dad    português    com  nós    conosco    pronome 
Quinta-feira, 24 de julho de 2008

Viva a Xuxa

 

 

Viva! Xuxa teve momentos de herói. Ao ver uma caixa de papelão no terreno, estranhou. Fez, então, o que sabe fazer. Latiu até chamar a atenção da dona. Acompanhada, mostrou o achado. Lá estava um recém-nascido. A cadelinha virou celebridade. Rádios, tevês e jornais lhe deram generoso espaço.

 

Pintou, como sempre acontece, uma dúvida na cabeça de repórteres e apresentadores. Qual o plural de vira-lata? A palavra é formada de verbo + substantivo. Joga no time de guarda-roupa. Só o nome se flexiona: vira-latas, guarda-roupas.  

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Tags: dad    português    plural  nomes  compostos 
Quinta-feira, 24 de julho de 2008

Comigo também acontece

 

 

DAD SQUARISI // dad.squarisi@@correioweb.com.br

 

Reparou? Há algo no céu verde-amarelo além dos aviões de carreira. Notícias divulgadas aqui e ali comprovam a necessidade de rever velhos provérbios. Um deles: cada macaco no seu galho. Outro: queixe-se ao bispo. Mais um: todos são iguais perante a lei, mas há os mais iguais. No topo da lista: tudo como dantes no quartel de Abrantes. Desatualizados, os ditos pedem revisão.

 

A causa: novo personagem entrou no jogo do poder. Mantido sempre pra lá, o povo serve-se de instituições que lhe ampliam a voz. É o caso de ONGs, Procon, Ministério Público. A internet libertou a notícia do crivo dos editores. Foto ou fato rejeitados pela imprensa ganham o mundo. Milhões de internautas tomam conhecimento do assunto e decidem sobre sua importância. Sobram exemplos da guinada.

 

O Senado criou 97 cargos comissionados que seriam preenchidos por afilhados de Suas Excelências. A iniciativa causou indignação não só dos concurseiros, que ralam meia vida pra entrar no serviço público pela porta da frente. Eleitores do país inteiro entupiram os e-mails dos parlamentares em protesto contra a medida. Resultado: ficou o criado pelo não criado.

 

Consumidores descobriram a própria força. Com atraso, o antes todo-poderoso empresário se deu conta de que quem manda é o freguês. Resistiu? Perde o cliente e entra na lista suja do Procon. Os bancos ocupavam o topo do ranking das reclamações. Ninguém entendia o extrato da conta. Resultado: a pressão foi tal que as instituições financeiras mudaram o código.

 

Nada menos que 262 bebês morreram nos últimos seis meses na Santa Casa de Belém. A taxa de mortalidade na UTI neonatal bateu nos 56% em junho. A tragédia chegou à imprensa. Ouvida, a governadora disse que o índice nada tinha de excepcional. O Ministério Público entrou na jogada. Resultado: a direção do hospital caiu fora e, como diz o conselheiro Acácio, as conseqüências vêm depois.

 

Há muito mais. Motoristas bebuns matavam e aleijavam à solta. Com a lei seca, pensam duas vezes antes de casar bebida com direção. Políticos que usam o mandato como biombo pra fugir da Justiça estão com o nome sujo na boca do mundo. Mais: gente endinheirada, juízes & cia. até há pouco inatingível caem nas malhas da PF ou do MP. Aparecem algemados ou no camburão iguaizinhos aos pés-de-chinelo. Ops! Será que comigo também acontece?

 

(Artigo publicado na pág. 28 do Correio Braziliense)

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Quinta-feira, 24 de julho de 2008

Monteiro Lobato escreveu

 

"Os livros não mudam o mundo. Mudam os homens. Os homens é que mudam o mundo."

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Quinta-feira, 24 de julho de 2008

Assim se fazem ricos e pobres


 

Um homem pra lá de rico estava pra lá de mal. Pressentindo a breve partida, pediu papel e caneta. Escreveu:



Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta
do padeiro nada dou aos pobres.

 

Morreu. A quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes.

 

1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:

 

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim:

 

Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.


 

3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:

 

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:

 

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.


 

Moral da estória:

Assim é a vida. Pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que colocamos os pontos. E isso faz toda a diferença.

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Tags: dad    português    pontuação 
Quinta-feira, 24 de julho de 2008

O gosto de Dunga

 

 

Flávio Cavalcanti viu a foto de Dunga. Mandou-a para o blog com a pergunta: "Não seria o caso de dar vez à duplinha tem de em vez de tem que? Tanto faz. Modernamente, as duas têm o mesmo sentido. A escolha de uma ou de outra depende do gosto do freguês. Bom proveito.

 

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Tags: dad    português    tem  de    tem  que 
Quinta-feira, 24 de julho de 2008

Matou a charada?

 

 

A charada apresentada ontem: que erro aparece na capa do livro? Quem respondeu colocação do pronome átono acertou. O como atrai o se. Daí a forma nota 10: Como os Jogos Olímpicos se tornaram a marca mais valorizada do mundo.

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Tags: dad    português    colocação  dos  pronomes  átonos 
Quarta-feira, 23 de julho de 2008

Erramos

 

 

"Agentes cumpriram 17 mandados de prisão durante a operação que provocou grave crise no governo realizada há duas semanas", escrevemos na pág. 3. Viu? Tropeçamos no velho problema da colocação. O "realizada há duas semanas" refere-se a operação, não a crise. Melhor: Agentes cumpriram 17 mandados de prisão durante a operação realizada há duas semanas que provocou grave crise no governo.

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Tags: dad    português    colocação  dos  termos  na  frase 
Quarta-feira, 23 de julho de 2008

De frades e freis

 

 

Roldão Simas Filho é atento leitor de jornais. Ao ler o Correio de hoje, anotou falhas em textos. Entre elas, o emprego de frei e frade. "Quando se menciona o padre sem lhe dar o  nome", explica ele, "não se emprega o termo frei, mas frade: Frei Francisco assistiu os fiéis. O frade assistiu os fiéis."

                                                    

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Tags: dad    português    propriedade  vocabular    frade    frei 
Quarta-feira, 23 de julho de 2008

Fale Certo

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Quarta-feira, 23 de julho de 2008

Charada

 

Imagine que você esteja fazendo um concurso disputadíssimo. No caso, não é suficiente se sair bem. Você precisa se sair melhor que os outros. Então aceite o desafio. Qual a pisada de bola escancarada na capa do livro?   

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Tags: dad    português    colocação  de  pronomes 
Quarta-feira, 23 de julho de 2008

É mito

 

 

O estímulo ao parto normal trouxe ao cartaz a palavra cesariana. Com ela, um mito pra lá de repetido. "Cesariana", ensinaram as bisas, que aprenderam com as vós, que aprenderam com as mães, "vem de César." Júlio César, imperador de Roma, teria nascido de parto cirúrgico. Daí cesárea ou cesariana.

 

 "A mentira tantas vezes repetida vira verdade", dizia Joseph Goegbls. Convenhamos: o ministro da Informação de Hitler sabia das coisas. Cesariana nasceu do latim caedare, que quer dizer cortar. Os romanos chamavam de caesares as crianças que vinham ao mundo por meio cirúrgico. 

 

É isso.

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Tags: dad    português    etimologia    cesariana 
Quarta-feira, 23 de julho de 2008

Olha o visual

 

Você viu? O Ronaldinho gaúcho é uma festa. Mais magro e o sorriso eterno, exibe cabelo novo. Mil trancinhas brincam na cabeça do jogador. Pra chegar ao novo visual, ele passou horas no salão de beleza. Lá, aprendeu que cabeleireiro se escreve assim -- com dois is.

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Quarta-feira, 23 de julho de 2008

Montado o quebra-cabeça

 

José Cândido de Carvalho descansava no céu. Chegou Dercy. Língua solta, disse a ele que havia lido a nova edição do livro que fizera tanto sucesso. "Nova edição?", perguntou. Curioso, deu uma espiadinha nas prateleiras das livrarias. Arrepiou-se. Depois, se indignou. O horror estava no título. Você consegue identificá-lo?

 

E daí?

 

Desconfiou do porquê? Viva! Por que, por quê, porque, porquê — são quatro caras e confusão geral. Estudantes, jornalistas, advogados, todos hesitam na hora de escrever uma ou outra forma. Muitos chutam. Mas, como a língua não é loteria, a Lei de Murphy entra em vigor. Se pode dar errado, dá.

 

Um tropeço e lá se vai a vaga na universidade, a promoção no trabalho, a chance do bom emprego e o descanso do falecido. Melhor não correr riscos. Afinal, desvendar o segredo da duplinha é fácil como andar pra frente.

 

Por que

 

Por que, separado e sem acento, tem dois empregos:

 

1. nas perguntas: Por que a leitura facilita a redação? Por que se lê tão pouco no Brasil? Por que há poucas livrarias em nosso pais?

 

2. nos enunciados em que é substituível por "a razão pela qual": É bom saber por que (a razão pela qual) a leitura facilita a redação. Explique por que (a razão pela qual) se lê tão pouco no Brasil. Eis por que (a razão pela qual) há poucas livrarias no país — há poucos leitores.

 

Matou a charada? É nesse emprego que se encaixa o título do livro de José Cândido de Carvalho: Por que (a razão pela qual) Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon.

 

Por quê

 

O separado com circunflexo só tem vez quando o quezinho for a última – a última mesmo – palavra da frase. Sabe por quê? Ele é átono. No fim do enunciado, torna-se tônico. O acento lhe dá a força: A leitura facilita a redação por quê? Lê-se tão pouco no Brasil por quê? Há poucas livrarias em nosso país e todos sabem por quê (a razão pela qual há poucas livrarias).

 

Porque

 

Juntinho como unha e carne, a dissílaba é conjunção causal ou explicativa: Os professores estimulam a leitura porque bons textos enriquecem o vocabulário. Há poucas livrarias no Brasil porque há poucos leitores. Leio muito porque quero escrever melhor.

 

Porquê

 

O porquê assim, com chapéu, deixa de ser conjunção. Torna-se substantivo. Para mudar de classe, precisa da companhia do artigo ou de pronome: Explicou o porquê da importância da leitura. Certos porquês quebram a cabeça da gente. Não sei responder a este porquê.

 

Resumo da opereta: não há por que temer os porquês. Quem domina o assunto sabe por quê.

 

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Terça-feira, 22 de julho de 2008

Leitores à beira de ataque de nervos

 

Título da coluna Entrelinhas: "Deixem os homens trabalhar". Leitores duvidaram dos próprios olhos. "Ho