América do Sul, Brasil, Rio Grande do Norte, Pirangi, litoral Sul. Esse é o endereço do boteco onde só cabra-macho encara o cardápio. Duvido que aquela frozinha do Bruce Willis, que só come Mcdonald's, puxaria uma cadeira em território gastronômico tão arretado. Sentou lá, virou cabra marcado pra morrer! Nada de duro de matar! Aquela laranjinha da Flórida viraria suco na primeira garfada que desse numa buchada de bode temperada com malagueta e cumari do Pará.
Frases que vão levar sua vida adiante. Pensei até em escrever um livro para concorrer com o Paulo Coelho. Mas, resolvi publicar em primeira mão algumas das frases poderosas guardadas pelos druidas que bebiam muito e não eram pegos pelo bafômetro na Idade Média. Vejam::
“Não diga que fui eu” “Conheço o cara do habeas corpus” “Já estava assim quando cheguei” “Oh! que boa idéia chefe” “Não sei de nada, eu nem saio do gabinete” “Se você não contar, eu não conto” “Essa assinatura não é minha” “Não existe mais bobo no futebol” “Só bebi um cálice”
Lá estava o nosso herói, cheio de cachaça numa cidade perto do Araguaia, quando a polícia pede para ele parar.Ao constatar que ele estava cheio, o guarda educadamente falou:
- Meu amigo, você bêbado dirigindo, sabe que se eu te notificar você vai ficar um ano sem poder dirigir, e você depende do carro para tudo.
O cara, tonto e com cara de 171, soltou essa:
- Oh, seu guarda! De carro eu não dependo não, eu sou dependente é de álcool. Ficar um ano sem dirigir até que eu consigo, mas sem beber, nem uma semana.
O guarda não o multou, mas ele teve de esperar a tonteira passar na beira da estrada.
O padre viu o pé inchado e dispara aquele sermão. Ao final, dispara: - Irmãos, quem não for a favor da bebida que se sente agora! Todos se sentaram e o bêbado gritou: - Oh, seu padre, só nós dois heim!?
Meu amigo Mosquito comprou umas 30 caixas de bom-bom com licor de cereja e jogou no parta-malas do carro. Se a polícia parar, ele vai alegar overdose de bom-bom. Também colocou um adesivo da Igreja Retangular do Evangelho para a Salvação da Cruz Alvinegra, para os policiais pensarem: "Esse não bebe nada, pode deixar passar"
O frio de julho traz lembranças boas dos tempos em que eu era só um zé mané, um aprendiz de jornalista (continuo um grumete). Na cidade, havia um bar, o Botequim Blues – ele poderia existir em qualquer parte do mundo, de Bangcoc, na Tailândia, a Crateús, no Ceará. Só a música era diferente. Do blues ao roquenrol, passando pela poesia do jazz.
Estava muito frio naquela noite do século passado (tô ficando velho…), saí de casa com o dinheiro contado para uma garrafa de vinho. Márcio, o dono do bar, me presenteou com um charuto (naquela época era permitido fumar em bares, bons tempos). Estava cheio de pose com um Monte Cristo cubano entre os anéis de prata da mão direita, uma taça de vinho na outra, ouvindo meus amigos arrebentarem tocando os blues de Clapton e Janis. Eram noites frias-quentes da cidade.
Tinha três anos de jornal, um Fusca 86, e uma mesada da mamãe para pagar o aluguel. Dilo D’Araujo, Marssal e Marcelo, os músicos do Power Trio, viviam das aulas de violão, ou de alguma apresentação nos finais de semana. O sonho deles era montar um estúdio, e também gravar um disco.
No canto do bar enfumaçado, um grupo de rainhas punks se divertia, entre doses de tequila e frango a passarinho. Uma delas me esmurrou com seus olhos avermelhados, parecia uma “replicante” do filme Blade Runner.
Márcio me apresentou àquela inglesa do subúrbio. Me apaixonei de cara. Conversamos a noite toda, de Bakunin a Michael Jackson. Bebemos, rimos e terminamos a madrugada fria na minha quitinete.
Para aliviar o “estresse”, acendi um incenso, e coloquei um vinil de Dexter Gordon na vitrola. Ela foi ver meus livros, e eu corri para a geladeira, em busca de outra garrafa de vinho. Foi um romance de cinema, quase um pornô francês, ao som do bom jazz e dos carros, que aceleravam diante de um sinal vermelho embaixo de casa, às seis da manhã.
Dormi até a uma da tarde, pegava no trabalho às três. Virei para o lado, em busca dos braços da punk-rainha, e não havia mais ninguém. Ela roubara três livros, cinco discos, duas camisetas, e escrevera, com batom, no espelho do banheiro: Punk is not dead!!!!!
Um alto executivo, estressado, foi ao psiquiatra que, experiente, logo diagnosticou:
- O Sr. precisa se afastar por duas semanas da sua atividade profissional. Vá para o interior, se isole do dia-a-dia e busque algumas atividades que o relaxem. Munido de vários livros, CDs e sem o celular, o executivo partiu para a fazenda de um amigo e passados os dois primeiros dias, já havia lido dois livros e ouvido quase todos os CDs.
Como continuava inquieto, pensou que alguma atividade física seria um bom antídoto para a ansiedade que ainda o dominava. Chamou o administrador da fazenda e pediu para fazer algo.
O administrador vendo uma montanha de esterco que havia em um canto, lhe disse: - O Sr. pode ir espalhando aquele esterco em toda aquela área que será preparada para o cultivo, pensando consigo: 'Ele deverá gastar uma semana com essa tarefa'.
Ledo engano. No dia seguinte o nosso executivo já tinha distribuído o esterco por toda a área.
O administrador então lhe deu a tarefa abater 50 galinhas com uma faca, cortando-lhes o pescoço, mas em menos de 3 horas elas já estavam mortas e prontas para serem depenadas.
O administrador então lhe disse: - Estamos iniciando a colheita de laranjas. O senhor vá ao laranjal e leve três cestos para distribuir as laranjas conforme seu tamanho: divida-as em pequenas, médias e grandes.
Como no fim do dia o nosso executivo ainda não retornara, preocupado, o administrador se dirigiu ao laranjal.
Surpreso encontro o executivo com uma laranja na mão, os cestos totalmente vazios e falando sozinho: - Esta é grande. Não, é média. Ou será pequena? - Esta é pequena. Não, é grande. Ou será média? - Esta é média. Não, é pequena. Ou será grande?
Moral da história: Espalhar merda e cortar cabeças é fácil. O difícil é tomar decisões.