Blog do Vicente


03.07.2009

OI CANCELA CONTRATOS DE CLIENTES DA BRASIL TELECOM E AUMENTA PREÇOS DOS SERVIÇOS


Clientes antigos da Brasil Telecom estão sendo surpreendidos com o rompimento unilateral de contratos pela OI, que arrematou o controle da empresa. Os contratos cancelados estão sendo substituídos por outros com serviços bem mais caros. Para se ter uma idéia, o BrTurbo, de internet por banda larga, passou de R$ 80 para R$ 179 ao mês -- um aumento de 123,75%.


Muitos já reclamaram à Anatel, mas nada de efetivo foi feito até agora em favor dos consumidores.


Brasília, 14h28min

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03.07.2009

DIRETOR DA MARFRIG PAGARÁ R$ 200 MIL PARA SE LIVRAR DE PROCESSO NA CVM


Acusado de sonegar informações ao mercado por não ter publicado fato relevante, mesmo tendo revelado os dados da empresa em reunião da Apimec, associação que reúne analistas financeiros, Ricardo Florence dos Santos, diretor de Relações com os Investidores da Marfrig Frigoríficos, fez um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para se livrar de um processo. Ele pagará R$ 200 mil à autarquia para que o processo administrativo sancionador RJ 2008/9181 seja arquivado.


Esse tipo de acordo se transformou em um importante instrumento para a CVM, tanto para agilizar as decisões quanto para punir com multas pesadas os que cometem irregularidades no mercado.


Brasília, 12h45min

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02.07.2009

RECUPERAÇÃO E CONTRASTES DA INDÚSTRIA


Vale a pena dar uma lida nas observações feitas pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) sobre o comportamento da produção industrial no país.


"Em geral, o desempenho da produção industrial brasileira no mês de maio foi muito parecido com o observado em abril. Esse é um resultado que pode ser considerado positivo, pois significa que o setor mantém uma trajetória de melhora. Trata-se de um processo ainda lento diante do “tombo” que a indústria sofreu na passagem de 2008 para 2009 devido à crise internacional.


Com dados já livres de efeitos sazonais, a produção física aumentou 1,3% em maio em relação ao mês imediatamente anterior – em abril, a variação foi de 1,2. Assim como no quarto mês do ano, todas as categorias de uso também apresentaram taxas de variação positivas em maio. A produção de bens de consumo duráveis cresceu 3,8%, a de bens de consumo semi e não duráveis, 1,3%; a de bens intermediários, 1,2%; e a produção do setor de bens de capital aumentou 0,7% – todas as variações em maio com relação a abril, na série com ajuste sazonal.


Cabe destacar que, com esse quinto mês consecutivo de variação positiva, a indústria cresceu 7,8% no acumulado do ano até maio com relação a dezembro de 2008. Além disso, o comportamento da produção em maio confirma que a indústria reage positivamente de forma mais generalizada. Dos vinte e sete ramos da atividade industrial pesquisados pelo IBGE, em vinte houve aumento da produção em maio frente a abril.


Ou seja, há sinais mais consistentes de que os ajustes na indústria foram realizados, o que poderá abrir caminho para uma recuperação mais forte no segundo semestre deste ano.No entanto, há nuanças que também merecem ser destacadas.


Se, por um lado, a produção do setor de bens de consumo duráveis aumentou 3,8% em maio (devido, em grande parte, ao desempenho de veículos e aparelhos de comunicação), o que é bastante positivo, no setor de bens de capital, por outro lado, houve um arrefecimento da evolução da produção: após fortes quedas, comemorou-se o crescimento de 2,3% em abril, o qual, como observado acima, ficou em somente 0,7% em maio.


No setor de semi e não duráveis também há contrastes importantes. De modo geral, a melhora é expressiva em boa parte de seus segmentos: bebidas (2,2%), vestuário e acessórios (3,4%), calçados (1,2%) e produtos farmacêuticos (9,7%), entre outros. O contraste maior fica por conta do segmento de alimentos, cuja produção, de março até maio, está praticamente parada. Vale lembrar que o desempenho do segmento de alimentos, dada sua difusão por todo o País, é fundamental para os resultados gerais da indústria brasileira."


Brasília, 16h44min

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Tags: Economia 
02.07.2009

INDÚSTRIA MANTÉM FÔLEGO PELO QUINTO MÊS SEGUIDO


O IBGE mostrou, na manhã desta quinta-feira, que a produção industrial está, gradualmente, recuperando o fôlego, depois da forte contração registrada no fim de 2008. Em maio, pelo quinto mês consecutivo, a produção aumentou: 1,3% em relação a abril, resultado superior à média de 0,8% de consenso do mercado. Frente a maio de 2008, a indústria encolheu 11,3%, o sétimo mês seguido de queda nessa comparação (o consenso de mercado era de redução de 12%).


Com esses números, pode-se concluir que a indústria está, aos poucos, saindo do fundo do poço para o qual foi empurrada pela crise mundial e, certamente, ajudará a dar um incremento adicional no Produto Interno Bruto (PIB). Sobretudo, a partir do segundo semestre, quando a economia sentirá com maior força o impacto da redução da taxa básica de juros (Selic) promovida pelo Banco Central (de 13,75% para 9,25%).


Na avaliação do economista Flávio Serrano, do Banco BES Investimento, não há qualquer risco de essa recuperação da indústria pressionar o uso da capacidade instalada. Muito menos de haver pressões inflacionárias que possam empurrar o IPCA para um nível superior ao centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%.


Brasília, 10h05min

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Tags: Indústria 
01.07.2009

NÃO EXPLICAÇÃO DA META DE INFLAÇÃO IRRITA ATÉ INTEGRANTES DA FAZENDA


A decisão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de não explicar os motivos que levaram o governo a fixar a meta de inflação de 2011 em 4,5% provocou irritação até entre seus assessores. Um dos mais indignados é o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa. "Bobagem, pura bobagem o Mantega não ter explicado a meta", tem dito ele.


Brasília, 19h45min

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01.07.2009

"O BRASIL É UM DOS ÚNICOS PAÍSES DO MUNDO QUE TRIBUTAM A INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA", DIZ MEIRELLES


O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, admitiu hoje, em almoço com um grupo de deputados federais, que o governo terá de mexer na estrutura de impostos incidentes sobre as operações de crédito para baratear o custo do dinheiro no Brasil. Segundo ele, a pesada carga de tributos é um dos principais motivos de o spread bancário — diferença entre o que é pago aos investidores e o que é cobrado dos devedores — ser tão elevado. Nas contas do BC, juntos, os impostos representam um terço da composição do spread. “O Brasil é um dos únicos países do mundo que tributam a intermediação financeira. Isso realmente provoca distorções no custo do crédito”, disse Meirelles, conforme relato de parlamentares presentes no encontro. A redução de impostos sobre o crédito está sendo avaliada há meses pelo Ministério da Fazenda. Mas, até agora, nada avançou.


Meirelles também informou, segundo o deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR), que o BC concluiu uma audiência pública sobre a indústria de cartões de crédito. Foram apresentadas 57 sugestões, as quais o banco avaliará. A promessa é de que o fim de setembro o BC divulgue um relatório sobre o tema, pois há uma pressão enorme para que, finalmente, os cartões de crédito, que cobram taxas de juros abusivas, sejam regulamentados. Outra promessa do presidente do BC foi a de ampliar a regulamentação dos mercados futuros, mais precisamente as operações de derivativos, obrigando todas as empresas a informarem em seus balanços o totalidade dessas transações. Durante a crise, o BC foi surpreendido por operações próximas de R$ 60 bilhões, que quase levaram grandes companhias à falência.



Brasília, 19h32min

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01.07.2009

COM META MAIOR EM 2011, GOVERNO ESTIMULA AUMENTO DA INFLAÇÃO


O economista Flávio Serrano, do Banco BES Investimento, acredita que o governo cometeu um grande erro ao fixar a meta de inflação para 2011 em 4,5%. "Com essa indicação, os agentes econômicos, que vêm projetando inflação de 4% para os próximos anos, vão convergir para um número maior", frisa.


A seu ver, com a credibilidade que o Banco Central conquistou nos últimos anos, nenhum agente econômico se arriscaria muito a apostar em uma inflação muito acima do centro da meta. Ou seja, perdeu-se mais uma grande oportunidade para se mudar o patamar de inflação do país.


Brasília, 16h50min

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01.07.2009

FOI MANTEGA QUEM PROIBIU AS EXPLICAÇÕES SOBRE A META DE INFLAÇÃO DE 2011


A inaceitável postura do Ministério da Fazenda, de se limitar à justificar a definição da meta de inflação de 2011 por meio de nota, foi determinação do ministro Guido Mantega. Como presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN), ele tem a prerrogativa de definir quem dará as explicações sobre as medidas tomadas pelo órgão.


Ele simplemente disse que era desnecessário uma pessoa de peso do governo explicar as razões que levaram à meta de 4,5%. Incumbiu um servidor de terceiro escalão, Cléber Oliveira, secretário-ajunto do Tesouro Nacional, para fazer o anúncio da meta e mais nada.


Mantega realmente está se achando acima do bem e do mal.


Brasília, 13h30min

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01.07.2009

PSDB VAI INCLUIR GANHOS DO REAL NA CAMPANHA DE SERRA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


Os caciques do PSDB fecharam acordo para que todas as conquistas do Plano Real, que está completando 15 anos hoje, sejam disseminadas durante à campanha do José Serra à Presidência da República em 2010. Os dirigentes do partido concluíram, com base em pesquisas, que a maior parte dos brasileiros não associa mais o controle da inflação e os ganhos da estabilidade ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Muitos eleitores, sobretudo os de baixa renda, dizem que a situação só melhorou de verdade depois que Lula assumiu o poder em 2003.


Esses mesmos caciques, por sua vez, acertaram que o candidato do PSDB à sucessão de Lula será mesmo o governador de São Paulo. Oficialmente, a candidatura só será anunciada em março do ano que vem. Mas já foi acertada que o partido usará as prévias que serão feitas em vários estados do país nos próximos meses para definir o candidato do partido como campanha disfarçada. Uma resposta à forte exposição da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na mídia, por conta das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


É importante deixar claro que toda essa estratégia conta com total apoio de Aécio Neves, governador de Minas Gerais, que deu todo o apoio à candidatura de Serra.


Brasília, 12h03min

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01.07.2009

15 ANOS DEPOIS, O REAL PEDE UMA NOVA AGENDA


O Plano Real está completando 15 anos hoje e não há dúvidas que muitos são os motivos de comemoração. Sobretudo no que se refere ao controle da inflação, uma conquista enraizada no país, da qual a sociedade não abre mais mão. Nesses anos de estabilidade, assisti a uma profunda transformação do país. Mesmo nos lugares mais distantes dos grandes centros urbanos, é possível perceber o quanto o Brasil mudou para melhor. A estabilidade também permitiu a consolidação das instituições democráticas, um feito se levarmos em conta que, na América Latina, bem perto de nós, ainda há suspiros de ditaduras, comandadas pela esquerda e pela direita.


Mas está claro que, a partir de agora, o Real precisa de uma nova agenda. Não há mais como o Brasil fechar os olhos para as reformas que foram abandonadas ao longo dos anos. São elas que farão o país mudar de vez de patamar. Não podemos mais ficar alternando períodos de crescimento econômico moderado com taxas medíocres porque os juros tiveram que subir para conter pressões inflacionários, devido aos gargalos nos portos, nas ferrovias, nos aeroportos, na mão de obra, na educação. É preciso que tenhamos governantes dispostos a promover a reforma fiscal, a atualização da lei trabalhista, reduzir a burocracia, dar maior garantia regulatória ao capital privado que gera emprego e renda.


Da mesmo forma que hoje não abre mão do controle da inflação, a sociedade deve cobrar dos governos que façam a sua parte. Não dá mais para convivermos com promessas não cumpridas dos governantes de plantão, que preferem ostentar altos índices de popularidade a promover mudanças que quebram paradigmas, enfrentam o corporativismo e interesses menores de grupos que sempre se beneficiaram do atraso. Tomara que os próximos 15 anos sejam de uma nova revolução no Brasil.


Brasília, 07h01min

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30.06.2009

VEJA A NOTA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA SOBRE A META DE INFLAÇÃO DE 2011


"Nos últimos anos a economia mundial experimentou grande instabilidade nos preços de insumos básicos, especialmente dos alimentos e do petróleo, que registraram altas recordes em 2008. A situação mudou rapidamente ao final do ano passado, quando o agravamento da crise financeira internacional gerou uma grave restrição de crédito, seguida de uma queda rápida e substancial no nível de atividade mundial.  Atualmente a economia mundial enfrenta a maior crise financeira desde o período da Grande Depressão, nos anos 30 do século passado.

 

Não obstante o expressivo aumento dos preços internacionais de insumos básicos e do alto nível de atividade econômica nos três primeiros trimestres do ano passado, a meta de inflação estabelecida pelo CMN foi cumprida em 2008.

 

Um dos principais motivos para o sucesso do regime de metas de inflação em lidar com os choques econômicos no ano passado foi a definição, pelo CMN, em junho de 2006, de uma meta de inflação compatível com a realidade nacional e capaz de absorver flutuações não antecipadas na economia mundial.

 

Uma das principais vantagens do sistema de metas de inflação é a sua flexibilidade para acomodar situações extraordinárias. Metas restritivas e ambiciosas podem se revelar prejudiciais à administração da política monetária, como ocorreu entre 2001 e 2003, quando a inflação ficou acima do teto estabelecido pelo CMN com dois anos de antecedência.

 

A experiência brasileira nos últimos 10 anos recomenda a manutenção de uma postura pragmática na determinação da meta de inflação para 2011. No momento atual, a crise econômica implica forte retração da atividade econômica global em 2009, e as expectativas para a inflação mundial são de acomodação, sem a evidência de pressões altistas no futuro próximo. Ainda assim, a boa prática da administração monetária recomenda prudência em relação à possibilidade de ocorrência de novos choques internacionais.

 

Com base nessas considerações, o CMN decidiu pela manutenção do patamar atual de inflação, de 4,5% ao ano, com intervalo de tolerância de 2,0 pontos percentuais para cima e para baixo, para o ano de 2011. Essa decisão tem por objetivo manter a credibilidade e flexibilidade da política monetária e proporcionar, simultaneamente, o controle da inflação nos próximos anos."



Brasília, 20h57min

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30.06.2009

DESCOMPROMISSO COM A META DE INFLAÇÃO


Foi vergonhoso o anúncio da meta de inflação de 2011 definida nesta terça-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Nem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (que entrou e saiu da reunião na sede do Ministério da Fazenda pela garagem), nem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tiveram a coragem de enfrentar as perguntas dos jornalistas sobre o porquê de se ter mantido a meta em 4,5%, apesar de todos os indicadores apontarem espaço para um número menor.


A despeito de toda a credibilidade que tentam imputar ao sistema de metas, os dois preferiram não confirmar o que todo mundo sabe: que a meta de 4,5% foi definida pelo presidente Lula para, na cabeça dele, evitar que o BC seja obrigado a aumentar os juros em 2010, o que prejudicaria a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão presidencial.


Sem argumentos contrários a essa tese difundida dentro do governo, Meirelles e Mantega preferiram escalar um funcionário do terceiro escalão, Cléber Oliveira, secretário-adjunto do Tesouro Nacional, para anunciar a decisão do CMN. Uma posição muito cômoda.


O único integrante do CMN a encarar alguns jornalistas que cercavam a saída do Ministério da Fazenda foi o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que limitou-se a confirmar a meta para 2011.


Enfim, foi um comportamento lastimável da trinca que comanda a política econômica do país. Comportamento, ressalte-se, digno de uma república das bananas.


Brasília, 19h50min

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30.06.2009

FATOR E SLW REVISAM PROJEÇÃO PARA O PIB


Na esteira da revisão feita pelo Banco Central nas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o Banco Fator e a SLW Asset Management também mudaram suas estimativas.


Para o Fator, em vez de cair 0,5%, o PIB encolherá 0,1%. Já a SLW mudou sua previsão de queda de 0,5% para alta de 0,2%. A asset também aumentou a projeção para a inflação, de 3,9% para 4,3%, em função das recentes altas do indicador.


Brasília, 14h41min

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30.06.2009

"META MENOR DE INFLAÇÃO TEM DE VIR ACOMPANHADA DE DESINDEXAÇÃO DA ECONOMIA"


Craque nas previsões de inflação, o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, diz que de nada adiantará o governo reduzir a meta de inflação a ser perseguida em 2011, de 4,5% para 4%, como quer o mercado, se esse movimento não vier acompanhado de um amplo processo de desindexação da economia.


Para ele, o Banco Central deveria realizar um amplo estudo sobre o tema e explicitar o porquê da necessidade de se reduzir a meta e o que é preciso fazer. A indexação da economia, que ainda persiste mesmo depois de todas as mudanças promovidas pelo Plano Real, está enraizada oficialmente nos contratos de energia elétrica, de aluguel e de telefonia e até da caderneta de poupança. Mas há a indexação informal, que atualiza o salário mínimo, as aposentadorias, as mensalidades escolares.


Essa indexação resulta no que os economistas classificam como inércia, ou inflação passada, que acaba contaminando a inflação futura. Tudo isso impede que os índices de preços caiam mais rápido no Brasil. "O debate precisa ir muito além da redução da meta de inflação", afirma Thadeu Filho, que não vê nenhum problema no fato de o governo chamar as empresas para renegociar contratos. "O importante é que tudo seja negociado, que não haja quebra de contrato", complementa.


Dado esse contexto, o economista da SLW acredita que o melhor a ser feito é estender o prazo de vigência da meta de inflação, hoje de um ano. "Poderíamos fixar um prazo de 10 anos, por exemplo, para que a inflação chegue a 3,5%", sugere.


Brasília, 12h44min

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30.06.2009

PARA NEWTON ROSA, META MENOR DE INFLAÇÃO DERRUBARIA JUROS E NÃO O CONTRÁRIO


No meio da tarde desta terça-feira (dia 30), o Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá a meta de inflação a ser perseguida pelo Banco Central em 2011. Tudo indica que o CMN optará por manter a meta em 4,5%, a mesma em vigor neste ano e em 2010. O argumento do presidente Lula para que não se reduza o objetivo inflacionário é o de que o BC seria obrigado a elevar os juros no próximo ano, quando a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disputará a sucessão presidencial. E juros mais altos seriam uma arma importante nas mãos da oposição.


Na opinião do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, esse argumento é equivocado. "Na verdade, uma meta menor faz com que as expectativas de inflação futura caiam, graças à credibilidade do BC", diz. "Além disso, todas as estimativas apontam para inflação abaixo de 4% até o início de 2011, o que justificaria uma meta menor do que 4,5%", acrescenta. Para ele, mesmo que o governo não quisesse uma meta de 4%, como prega o mercado, poderia pelo menos fixar o objetivo em 4,25%, o que funcionaria como um indicador importante de redução da inflação no país.


A meta de inflação do Brasil, de 4,5%, é uma das maiores do mundo. Está muito distante da média de 3,6% da registrada entre os países de economia emergente.


Brasília, 11h58min

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30.06.2009

ING DECIDE MANTER DEPARTAMENTO DE ECONOMIA NO BRASIL


Felizmente, o Banco ING caiu na real e recuou na decisão de fechar seu departamento econômico no Brasil, comandado por Zeina Latif. Por enquanto, fica tudo como está. O ING está começando a acreditar que o Brasil será um dos primeiros países a sair da crise. E, com isso, poderá reativar o departamento de tesouraria, desativado nos últimos meses, devido à retração do fluxo de capitais para o país.


Brasília, 10h49min

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29.06.2009

PESSOAS FÍSICAS JÁ APLICARAM R$ 2,1 BILHÕES NA BOVESPA NESTE MÊS


Apesar do forte sobe-e-desce dos preços das ações neste mês de junho, as pessoas físicas têm ampliado de forma substancial as suas aplicações na Bolsa de Valores de São Paulo.


Dados preparados para o blog pela Elite Corretora mostram que, até o dia 24, o saldo líquido (descontadas as vendas) desse grupo de investidores está positivo em R$ 2,150 bilhões. Trata-se de uma virada e tanto, pois, até maio, os resgates das pessoas físicas eram enormes, superando os R$ 4,5 bilhões. É por isso, que, no computo geral, o grupo ainda apresente saldo negativo de R$ 2,327 bilhões.



Ao contrário dos meses anteriores, os investidores estrangeiros estão resgatando posições superiores às novas aplicações em junho. O saldo de suas contas no mês, também até o dia 24, está negativo em R$ 2,650 bilhões. No ano, porém, as aplicações estão positivas em R$ 8,549 bilhões.


Brasília, 16h03min

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29.06.2009

CAIXA, ITAÚ, CR2 E DEUTSCHE BANK: OS MELHORES E MAIORES CONGLOMERADOS FINANCEIROS DO PAÍS


A Caixa Econômica Federal venceu em duas categorias do prêmio "Melhores e Maiores Conglomerados Financeiros do País" da revista Conjuntura Econômica, editada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A Caixa se destacou nos quesitos "o melhor entre os grandes" e como "banco público". O Itaú venceu como "banco de varejo", o CR2 como o "melhor entre pequenos e médios" e o Deutsche, como o "melhor entre os especialistas estrangeiros".


Brasília, 15h45min

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29.06.2009

DUAS PÉSSIMAS NOTÍCIAS


A segunda-feira começou com duas péssimas notícias para a economia. A primeira foi dada pelo Banco Central: o superávit primário, economia que o setor público faz para o pagamento de juros da dívida, desabou 87% em maio quando comparado ao resultado do mesmo mês de 2008. Ou seja, o saldo encolheu para R$ 1,119 bilhão ante os R$ 8,525 bilhões de maio do ano passado. O tombo foi tão grande que o superávit acumulado em 12 meses ficou em 2,28% do Produto Interno Bruto (PIB), já abaixo da meta de 2,5% prometida pelo governo para todo o ano.


A área econômica do governo federal justifica que o recuo do superávit primário é reflexo da crise mundial, já que o setor público foi obrigado a abrir mão de receitas com impostos para estimular a produção e o consumo. Foi o caso, por exemplo, do IPI sobre automóveis, cuja redução foi prorrogada por mais três meses, até o final de setembro. O que assusta, porém, é a possibilidade de, em 2010, o superávit ser reduzido a zero para que o governo mantenha a gastança em prol da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Lula.


A outra notícia ruim está estampada na edição desta segunda-feira da Folha de São Paulo. Os repórteres Kennedy Alencar e Valdo Cruz informam que Lula já bateu o martelo para que a meta de inflação a ser perguida pelo Banco Central em 2011 fique nos mesmo 4,5% deste ano e de 2010 (o dado oficial sairá amanhã, terça-feira). Havia uma grande expectativa de que a meta fosse reduzida para 4%, como forma de sinalizar aos investidores que o Brasil está avançando no sentido de ficar mais parecido com as economias desenvolvidas, onde as metas de inflação giram entre 2% e 3% ao ano. Quanto mais baixa for a meta de inflação, menor pode ser a taxa básica de juros (Selic), pois os formadores de preços pensam duas vezes antes de reajustar suas tabelas temendo uma ação mais dura do Banco Central na política monetária.


Mais uma vez, o motivo alegado para se manter uma meta de inflação tão elevada para os padrões mundiais foi a candidatura de Dilma Rousseff. Na avaliação de Lula, se a meta diminuir, o BC será obrigado a aumentar os juros em 2010, dando munição à oposição. Mas todos as projeções do BC mostram que, nos próximos dois anos, a inflação se manterá muito comportada, provavelmente abaixo de 4%. Então, ao manter a meta de 2011 em 4,5%, o governo mostra que está mais preocupado em se manter no poder do que propiciar benefícios extras à população, especialmente à parcela mais pobre, a que mais sofre com a inflação pois não tem como recorrer ao sistema financeiro para se proteger.


Brasília, 12h05min

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29.06.2009

MEIRELLES, A ÉTICA E A CONVENIÊNCIA


Nos últimos dias, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, escalou seus asseclas para disseminar, na imprensa, o que todo mundo já sabe: que ele será candidato a um cargo político na eleição de 2010. O que me espantou, no entanto, foi o fato de Meirelles admitir que poderá permanecer no cargo até março do ano que vem, conforme já acertou com o presidente Lula, mesmo filiado ao PP ou a outro partido.


 

O meu espanto vem da facilidade com que Meirelles transformou ética em conveniência. Quando assumiu o comando do BC no início de 2003, ele disse que havia se desfiliado do PSDB, legenda pela qual se elegeu deputado federal por Goiás, pois não era aceitável um presidente de BC vinculado a um partido político. Disse mais: que o melhor a ser feito era desvincular o banco de qualquer ação política, como forma de garantir sua autonomia para decisões puramente técnicas.

 


Meirelles manteve esse discurso por um bom tempo. E fez questão de repeti-lo como um mantra sempre que questionado a respeito de uma possível candidatura ao governo goiano. Essa posição vinha sempre acompanhada da ressalva de que, se algum dia, se por acaso, ele decidisse ser candidato, deixaria o BC tão logo se filiasse a algum partido, pois não se sentiria confortável em conciliar o técnico com o político.

 


Com a proximidade do fim do governo Lula e a vontade de retornar à vida pública – desejo que sempre o embalou e o motivou a trocar os Estados Unidos pelo Brasil –, pode-se constatar, agora, que o presidente do BC sempre foi, mesmo, partidário da conveniência de seus interesses. De repente, para ele, não é mais antiético permanecer presidente do BC mesmo que se filie a um partido em setembro, prazo final dado pela Justiça eleitoral para os que querem ser submetidos às urnas em 2010.

 


Não se pode esquecer que parte da credibilidade do BC se construiu em cima do discurso de Meirelles de não politização do banco. Mas, com a nova “visão”, ele coloca sob suspeição essa credibilidade.

 


Sem comparação

A conveniência de Meirelles é tamanha que ele, inclusive, já orientou os seus asseclas a lançarem exemplos para assegurar que o fato de o BC brasileiro ter um presidente com filiação partidária nada tem nada de errado. Citam Gustavo Franco, que assumiu o comando do BC em 1997, mesmo tendo carteirinha do PSDB havia nove anos. Ora, nunca se soube das pretensões políticas de Franco. Nunca se soube que ele almejava ser governador do Rio de Janeiro ou, quem sabe, candidato ao Senado. Franco deixou o BC no início de 1999 e foi cuidar de sua vida no mercado financeiro.

 


Os asseclas citam ainda o mitológico Alan Greenspan, que, por quase duas décadas, presidiu o Federal Reserve (Fed), o BC americano, apesar de sua filiação ao Partido Republicano. Pelo que registra a história, Greesnpan nunca teve pretensões políticas. Muito menos se fala que ele cuidava dos assuntos do Fed de segunda à sexta-feira e, aos fins de semana, ia para o seu estado de origem fazer política. Ou mesmo que abrisse espaço na sua agenda, nos dias de semana, para receber deputados e senadores de sua base eleitoral.

 


No BC brasileiro, mesmo com o discurso ético de Meirelles, mesmo com toda a preocupação que ele demonstrava em não politizar a instituição, todo mundo sabe que ele interrompia a agenda técnica para receber políticos de Goiás. E muitas foram as vezes que Meirelles mudou compromissos para ir a sua base eleitoral participar de eventos inexpressivos, seja em dias de semana, seja nos fins de semana, para manter acesas as chances de vir a se candidatar a um cargo no estado de nascimento.

 


Por sinal, além de ostentar o recorde de ser o presidente mais longevo do BC – que será alcançado em setembro próximo –, Meirelles já pode dizer que foi o primeiro comandante do banco que negociou seu futuro político sem ter aberto mão do cargo.

 

 

Contra adversários

A conveniência de Meirelles vai além. Para ele, sair do BC em setembro próximo não será um bom negócio quando se olha para os indicadores econômicos. Como a própria instituição prevê, o desemprego ainda subirá pelo menos até julho, quando baterá em 9,8%. A retomada da atividade só vai se evidenciar no fim do ano, com a população sentido os efeitos lá para março ou abril.

 


Ou seja, será muito mais fácil encampar como bandeira diante dos adversários que o “seu BC” conseguiu tirar o Brasil da crise com rapidez, com os juros mais baixos da história e com crescimento acima de 4% ao ano, do que ter de rebater as acusações de que pulou fora do barco porque não conseguiu tirar o país da recessão na qual está mergulhada agora. Em março do ano que vem, acredita Meirelles, todos os ventos estarão soprando a seu favor.

 

 

Lição do mestre

Avaliando Meirelles, pode-se dizer que ele aprendeu muito bem a lição com o presidente Lula, de agir conforme lhe convém. Quando candidato, Lula sempre pregou a ética, agora, como presidente da República, diz que a quadrilha montada no Senado, com o consentimento do presidente da Casa, José Sarney, é “um fato menor”. O mesmo Lula assegura que aqueles que desmataram a Amazônia não são “bandidos”.

 


Se o chefe-maior não tem nenhum compromisso com o que pregou no passado, porque o presidente do BC, cujas ambições políticas são desmesuradas, há de manter o seu discurso vazio com as eleições tão à vista?




Brasília, 00h01min

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28.06.2009

METAS DE INFLAÇÃO E PRODUÇÃO INDUSTRIAL, OS TEMAS DA SEMANA


Os economistas Jankiel Santos e Flávio Serrano, do Banco BES Investimento, ressaltam que a semana começará animada. Logo na terça-feira (dia 30), o Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá a meta de inflação para o ano de 2011. Para eles, o ideal seria que o governo reduzisse o indicador a ser perseguido pelo Banco Central, mas a tendência é de o CMN repetir os 4,5% fixados para este ano e para 2010.


Os dois economistas ressaltam que o próprio BC traçou um quadro bastante favorável para os índices de preços pelos próximos 24 meses por meio do relatório trimestral de inflação divulgado na última sexta-feira (dia 26). "Ou seja, ainda que já esteja em curso um processo de retomada econômica, a manutenção da taxa básica de juros (Selic) e da taxa de câmbio nos níveis atuais resultaria em convergência da inflação para algo próximo a 4,0% em meados de 2011. Isto é, provavelmente não seria necessário nenhum esforço monetário adicional para se obter uma inflação abaixo dos 4,5%", afirmam os dois. "Esperamos que, da mesma forma que o BC aproveitou a chance apresentada para reduzir drasticamente a taxa básica de juros, o CMN aproveite a oportunidade que lhe é apresentada para definir um patamar mais baixo de inflação para a economia brasileira", frisam.


Quanto à divulgação do desempenho do setor industrial em maio deste ano, na quinta-feira (dia 2 de julho), eles não escondem a apreensão do mercado. "Estimamos que a indústria brasileira tenha se mantido em trajetória de recuperação e registrado um crescimento de 1,5% frente a abril, já descontados os fatores sazonais", destacam os economistas do BES Investimento. "Na comparação com maio de 2008, a expectativa é de que tenha havido nova retração (-11,0%), embora em menor intensidade do que a queda interanual registrada na leitura anterior (-14,8%)", complementam.


Caso essas projeções sejam confirmadas, Santos e Serrano afirmam que o desempenho médio da produção industrial do segundo trimestre de 2009 já terá acumulado expansão superior a 3,0% frente ao primeiro trimestre, confirmando a trajetória de retomada da economia – inclusive no setor mais atingido pelos efeitos das turbulências internacionais. "Reconhecemos, contudo, que o ritmo ainda é bastante gradual, o que afasta a possibilidade de o Banco Central tomar esta trajetória de recuperação como um fator de risco iminente para o quadro inflacionário", emendam.


Brasília, 23h15min

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Tags: Economia 
28.06.2009

IMPERDÍVEL


A excelente jornalista Fernanda Paraguassu aproveitou a mudança para Buenos Aires e a experiência de mãe para criar um blog no qual relata histórias dos baixinhos da terra de Gardel. São histórias sensacionais, mescladas com informações muito pertinentes para pais de todas as horas e idades. Não deixe de ler.


O blog de Fernanda tem o sugestivo nome de Buenos Aires para Niños. O endereço é http://www.buenosairesparaninos.blogspot.com/.


Brasília, 22h51min

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Tags: Comportamento 
28.06.2009

QUEBRANDO A ROTINA


CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)


DOMINGOS NA PRAÇA


“O farol é o melhor caminho para acabar com o futuro de uma criança.

 Quem nunca contribuiu com isso, dando uma esmolinha

e depois acelerando o carro com a consciência aliviada?”

(Luiz Alfaya – diretor da ONG Rukha)

 


Sinto-me uma antropóloga em trabalho de campo. Uma observadora isenta, porém atenta, captando as nuances daquele pequeno microcosmo sem intervir em suas peculiaridades, mas aprendendo com elas. O que, sinceramente, não sei. Entretanto sinto que eles me dão algo sem nem se darem conta, sem nem acreditar que possam ofertar algo a alguém, uma vez que são eles que pedem, rastejam e se expõem ao frio, ao sol e a rua para ganhar a vida.



Eles são o grupo de mendigos que adotaram as imediações da Igrejinha de Fátima para passar seus dias em família. Um eterno piquenique de migalhas. Acompanho esse grupo familiar, me parece que são dois núcleos, durante as minhas caminhadas de fim-de-semana, mas aposto que eles estejam aportados ali nos dias úteis também.



Em uma das mulheres, vi a barriga crescer... crescer... crescer até estourar na forma de um bebê. “É mais uma boca dentro do barraco, mais um quilo de farinha do mesmo saco, para alimentar o novo João Ninguém. A cidade cresce junto com neném”. É impossível não recordar a pungente canção de Paulinho Moska e Lenine, mas na verdade eu passo é ouvindo rock pesado no Ipod que não me deixa escutar as conversas deles. Sou toda imagens.



Agora aquela mãe fuma. Deve ter fumado quando grávida. Fuma e amamenta, alimentando sua mais nova encrenca com fumaça e anemia. Outras crianças, meninos, todos machinhos, correm em volta. Eles são da outra fêmea, uma gorda que pariu quatro ou cinco. Não deve ter 40 anos, mas a aparência é de avó. O mais novinho, buxo protuberante, nariz escorrendo, cutuca um buraco na calçada com um graveto. A National Geographic adora mostrar estas cenas de chimpanzés fazendo uso de ferramentas. Como são inteligentes os nossos primos de primeiro grau!



E o irmão dele prova que assim como são as pessoas são as criaturas, nem que sejam breves estes momentos. Com tampinhas de garrafa PET ele fez um jogo de damas. Pacientemente, risca o tabuleiro no banco do espaço público. Com um pedaço de pedra desenha os quadradinhos. Depois espalha as peças.



Já o captei sozinho, em pose de “O Pensador”, escolhendo o próximo movimento. Já o flagrei jogando com outro garoto, provavelmente o irmão logo abaixo dele na escadinha de Zé Ninguéns. E numa outra incursão antropológica, vi os dois concentrados nas tampinhas coloridas, vigiados por um terceiro, que, sentado em caixote de carregar frutas, assistia à e-mo-cio-nan-te partida.


Essas cenas são instigantes, pois atestam o óbvio: que eles são apenas meninos. Meninos que poderiam ser e não vão ser. Meninos que têm inteligência, curiosidade e potencial como os filhos dos apartamentos da Asa Sul. Eles não são estatísticas, não são entulhos, não são problemas sociais. São meninos que deveriam estar na escola. Quem será que ensinou aquele guri a jogar damas? Como pode ele ter interesse por um jogo intelectual vivendo exposto na vitrine da miséria?


Hoje pela manhã assistia a um documentário sobre Brigitte Bardot e ela dizia em sua estonteante – ainda – beleza senil: “O mais infeliz e sozinho homem do mundo não é tão miserável quanto um animal, porque o homem não vai parar num abatedouro”. Simplista Brigitte... Do Brasil, ela deve guardar na memória apenas o branco da areia de Búzios.


(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.


Brasília, 06h30min

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27.06.2009

A PSICOLOGIA E O DINHEIRO


ARTIGO

MARACI SANT'ANNA (*)


maracisantana.blogspot.com


SEE YOU LATER, MICHAEL


A notícia da morte de Michael Jackson, na tarde da última quinta-feira, surpreendeu o mundo. Todos queriam saber se ela era verdadeira, o que havia acontecido. A movimentação na internet foi tanta que travou o Google e o Twitter. E, com a triste confirmação, as manifestações não pararam mais. Pessoas comuns e famosas comentam e choram a perda do ídolo. O Rei do Pop parte nos deixando boquiabertos, como sempre. Fica para trás uma vivência marcada pelo sucesso e pelos escândalos, que o levaram da riqueza à ruína financeira.


 

Fala-se em parada cardíaca provocada pelo excesso de trabalho e pelo abuso de medicamentos. Não sabemos ao certo a causa da morte. Mas sabemos a importância que Michael teve para a indústria do show business. Sabemos que foi um dos maiores fenômenos musicais de todos os tempos, um prodígio, um artista completo, que compunha, cantava e dançava como poucos, um talento inquestionável que deixa saudade, especialmente em quem, como eu, cresceu acompanhando sua carreira, desde os tempos do Jackson Five.


 

Ousado, polêmico, irreverente, esquisito, genial, ele ganhou e perdeu verdadeiras fortunas ao longo de meio século de vida. Movimentou e continua movimentando somas incríveis. Off the wall bateu quatro vezes o topo da Billboard; Thriller, que custou US$ 750 mil, ultrapassou a marca de 109 milhões de cópias vendidas; We are the world, que ele compôs em parceria com Lionel Richie, arrecadou milhões para crianças carentes da África. Os números na vida de Michael Jackson são surpreendentes. Seus shows batiam recordes de público. Ele teve cinco álbuns entre os mais vendidos e ganhou 25 Grammys. Os shows da turnê que encerraria sua carreira deveriam ser assistidos por cerca de 1 milhão de pessoas e lhe renderiam mais de US$ 200 milhões.


 

Michael era descrito como bom, educado, gentil. Não fumava, não bebia, não usava drogas ilícitas e não comia carne. Mesmo assim, a vida dele foi definida, por um de seus ex-assessores, como uma jornada autodestrutiva. Seu estilo extravagante; as sucessivas cirurgias plásticas que, em lugar de lhe trazerem o rosto dos sonhos, transformaram sua aparência em um pesadelo; os casamentos inexplicáveis, primeiro com a filha de Elvis Presley, depois com uma enfermeira desconhecida que lhe deu dois filhos; a contratação de uma mãe de aluguel para o nascimento do terceiro filho; e os acordos em processos judiciais por acusação de pedofilia abalaram ainda mais sua estrutura emocional e a financeira, levando-o ao isolamento social e o obrigando a vender o rancho Neverland, assim como parte dos direitos autorais sobre as músicas dos Beatles. Segundo publicado por jornais de todo o mundo, ele deixa dívidas que totalizam cerca de US$ 400 milhões.


 

Mas quem foi de fato Michael Jackson? Um homem negro que desejava parecer uma mulher branca? Um garoto que, tal qual Peter Pan, vivia na Terra do Nunca e se recusava a crescer? Algoz ou vítima? Criminoso ou doente? Alguém capaz de, deliberada e conscientemente, trair a inocência de uma criança? Ou uma das muitas pessoas que não conseguiram superar nem as próprias dificuldades nem as decorrentes de uma infância de violência e abuso, que tentava desesperadamente preencher um vazio que mais e mais aumentava?



Talvez jamais saibamos a verdade. Mas a biografia de Michael aponta para uma família grande e pobre em que o pai trabalhava como operário e tentava uma carreira musical que nunca foi pra frente. Obcecado, Joe Jackson passou a investir nos filhos, que se mostravam talentosos. Abusivo e violento, buscando fortuna e sucesso, roubou-lhes a infância, submetendo-os a ensaios exaustivos, controlando, exigindo e castigando-os severamente quando as coisas não saíam da forma como ele queria – um verdadeiro calvário. Só Deus sabe o que acontecia entre aquelas quatro paredes.


 

É importantíssimo que os pais incentivem os filhos, que os ensinem a serem persistentes e disciplinados. Além do mais, dinheiro costuma cair muito bem, especialmente para um casal que vive na maior dureza, com nove crianças, como era o caso dos Jacksons. Mas fico pensando em como teria sido a vida de Michael se o pai tivesse visto nele, acima de tudo, um filho, que deveria ser acolhido com amor. Ou se a mãe tivesse tido a coragem de defendê-lo, de protegê-lo, mesmo do pai. Será que aquele garoto não teria se tornado um adulto emocionalmente maduro e equilibrado, capaz de se aceitar como era, em condições de encarar e resolver os problemas do mundo real, que não precisasse se esconder atrás de máscaras cirúrgicas? Será que ele não estaria vivo e com saúde suficiente para criar os próprios filhos?


 

Noutro dia, li que ninguém deveria ter filhos por necessidade, para aliviar a solidão, dar sentido à vida tentando reproduzir a si mesmo em uma cópia, ou buscar a imortalidade lançando um germe seu no futuro. Sábias ponderações. Porque os filhos não vêm ao mundo para atender as nossas expectativas. Aliás, devemos sempre esperar deles sonhos próprios e mais elevados que os nossos. Acho que o ideal é que nós comecemos ensinando a eles e que, o quanto antes, eles já estejam nos ensinando. Esse pode ser um bom indicativo de que cumprimos nossa missão. Como dito por Gribran, em O Profeta, nossos filhos não são nossos filhos, são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Valeu, Michael!



Muita gente tem encontrado dificuldade para comentar os textos deste blog. Sugiro que, em lugar de acessá-lo diretamente, tente por etapas – entre em www.correiobraziliense.com.br; clique em blogs; aí, sim, clique em Blog do Vicente.



(*) Psicóloga


Brasília, 12h39min

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26.06.2009

NEM PAC NEM MINHA CASA, MINHA VIDA SALVARÃO CONSTRUÇÃO CIVIL NESTE ANO, ALERTA BC


O Banco Central reviu suas projeções de crescimento para a construção civil neste ano. Em vez de expansão de 2,7%, prevê, agora, retração de 0,5% para o setor. Segundo o BC, nem mesmo as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nem o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida serão suficientes para reverter a queda.


Para o banco, a retração de 9,8% registrada pela construção civil nos primeiros três meses do ano foi mortal.


Brasília, 17h40min

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Tags: Economia 
26.06.2009

PARA MARISTELLA ANSANELLI, BC TRAÇA QUADRO BENIGNO PARA A INFLAÇÃO


Uma das especialistas que mais têm acertado projeções de indicadores econômicos, a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, diz que o relatório trimestral de inflação divulgado na manhã desta sexta-feira pelo Banco Central não trouxe grandes novidades. Mas reforçou o cenário favorável no campo inflacionário.


"As novas projeções de inflação do BC seguem bem abaixo da meta nos dois cenários analisados (referência e de mercado) tanto para 2009 quanto para 2010, mesmo em um contexto de recuperação da atividade econômica acima do estimado pelo mercado", afirma. Maristella ressalta que, em linhas gerais, o BC trabalha com um cenário de continuidade da contração global em 2009 (com recuperação em 2010) e recuperação gradual da atividade econômica doméstica, dentro de um cenário ainda benigno para a inflação.


O BC chama a atenção, no entanto, para os riscos dos efeitos cumulativos e defasados da distensão monetária sobre a evolução da demanda doméstica em um contexto de gradual retomada da utilização dos fatores de produção, repetindo o tom cauteloso da última ata do Copom", acrescenta.


Em relação às projeções de inflação, ressalta a economista do Fibra, o relatório de inflação mostrou ligeira piora nas projeções para 2009 (4,1% no cenário de referência e 4,2% no cenário de mercado) e ligeira melhora nas projeções para 2010 (3,9% no cenário de referência e 4,2% no cenário de mercado). Para o PIB de 2009, o BC reduziu sua expectativa de crescimento de 1,2% para 0,8%, mas manteve sua projeção ainda no campo positivo e muito acima do esperado pelo mercado (consenso em queda de 0,5%).


"Em nossa avaliação, a manutenção do cenário benigno para a inflação, mesmo com uma expectativa de crescimento muito acima do consenso de mercado, abre espaço para novas reduções de juros e reduz as chances de altas em um horizonte de médio prazo", destaca Maristella. Por isso, ela aposta em um corte de mais 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) em julho, com grandes chances de nova redução em setembro. "Ao contrário do precificado pelo mercado, não esperamos altas da Selic em 2010", frisa.


Brasília, 17h18min

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26.06.2009

SUPERÁVIT PRIMÁRIO ZERO EM 2010


A informação é do colunista Luiz Carlos Azedo, do Correio Braziliense. Trata-se de uma das notícias mais relevantes do dia. Veja o que ele diz:


Acabou o tripé do “mais do mesmo” da política econômica: meta de inflação, câmbio flutuante e superávit fiscal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que garanta os recursos necessários aos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principalmente em infraestrutura. E não abre mão dos recursos destinados aos programas Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família. A ordem é trabalhar com a meta de superávit fiscal zero na nova Lei de Diretrizes Orçamentárias, que o Congresso precisa aprovar antes de entrar em recesso, em julho.

***

O governo já havia reduzido a meta de superávit fiscal de 3,8% do Orçamento da União de 2009 para 2,51%, por causa da crise econômica. Agora, com a queda da arrecadação, essa previsão não será alcançada. E a meta de 3,3% projetada para 2010 e 2011 virou puro delírio. Lula não está nem um pouco preocupado com isso. Mira os índices de atividade industrial e o nível de emprego para a retomada do crescimento.

***

Parece a vitória da Fazenda na queda de braços com o Banco Central. Seria, se o presidente do banco, Henrique Meirelles, estivesse brigando contra isso. Não é o caso. Ele continua de olho na inflação, mas encampou a verdadeira meta do governo: a eleição de Dilma Rousseff (PT) em 2010.


Brasília, 16h31min

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26.06.2009

O HUMOR DE MÁRIO MESQUITA, DIRETOR DO BC, JÁ FOI MELHOR


O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, deve estar sob intensa pressão. Só isso explica a falta de humor que ele demonstra nas coletivas à imprensa para explicar o relatório de inflação.Mesquita parece esquecer que ocupa um cargo público, função na qual esse tipo de entrevista é uma prestação de contas à sociedade dos atos dele e de seus colegas. Ele age como se se sentisse agredido diante dos questionamentos dos repórteres por mais detalhes dos dados impressos no relatório. Agora, deu para reclamar até quando dizem que não entenderam suas explicações.


Brasília, 13h23min

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26.06.2009

RELATÓRIO DE INFLAÇÃO: CONSUMO DO GOVERNO CRESCERÁ 2,8%, QUASE O DOBRO DO DAS FAMÍLIAS


Nas contas do Banco Central, o governo será fundamental para garantir o crescimento de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. O aumento do consumo do governo será de 2,8% ante 1,5% do consumo das famílias.


Brasília, 11h00min

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26.06.2009

RELATÓRIO DE INFLAÇÃO: RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA MUNDIAL SÓ SE CONSOLIDARÁ EM 2010


Reforçando os alertas feitos pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o relatório trimestral de inflação da instituição, divulgado na manhã desta sexta-feira, alerta para o risco de haver uma nova desaceleração da economia mundial, ainda abalada pelo estouro da bolha imobiliária americana. Na visão do BC, o cenário mais provável é o de que a recuperação da economia global só se consolide ao longo de 2010.


Brasília, 10h48min

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Tags: Economia