Blog do Vicente


14.10.2008

BOLSA DE XANGAI: UM ANO DE QUEDA ININTERRUPTA


A Bolsa de Xangai, que, durante um bom tempo, foi a sensação entre os investidores estrangeiros, está completando um ano de queda contínua, diz o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira.


No dia 16 de outubro de 2007, a principal bolsa chinesa atingiu seu pico histórico de 6.396 pontos. Depois de cair mais de 12% na semana passada, cravou os 2 mil pontos, acumulando, somente neste ano, baixa de 64,1%.


Não fico surpreso com isso. em março do ano passado, fui a Xangai a estudo. Conversei com vários economistas chineses e estrangeiros que moram naquela metrópole. Todos, sem exceção, me disseram que a bolsa local estava envolta em uma bolha.


Um dos exemplos citados por eles foi a valorização de mais de 10% das ações de uma empresa no mesmo dia em que ela divulgara um prejuízo monstruoso e de ser punida pelo governo por irregularidades. Segundo os economistas, os investidores sequer sabiam o que estavam comprando.


Brasília, 00h01min

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13.10.2008

CRISE ELEVA PRESTÍGIO DE MEIRELLES JUNTO A LULA


O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vem cortando um dobrado para tentar resolver os graves problemas de liquidez do sistema bancário brasileiro. Mas quem conversou com ele nos últimos dias só tem uma descrição: "Ele está exultante".


Motivo: seu prestígio junto ao presidente Lula está nas alturas. Lula está satisfeitíssimo com a forma como o BC vem agindo no meio da crise mundial.


Nem a concorrência do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que tem puxado para si a responsabilidade de algumas medidas, como as linhas em dólares para os exportadores com recursos das reservas interancionais do país, tem lhe tirado o sono.


Brasília, 20h50min

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13.10.2008

BANCOS PRESSIONARAM BC A AMPLIAR LIBERAÇÃO DE COMPULSÓRIOS PARA GARANTIR SAQUES EM FUNDOS


As amplas mudanças anunciadas pelo Banco Central nesta segunda-feira (dia 13) nos depósitos compulsórios decorreram de pressões e alertas feitos pelos bancos.


Na sexta-feira passada (dia 10), o diretor de Política Monetária do BC, Mário Torós, ouviu de Tesoureiros dos grandes bancos que as liberações de compulsórios feitas até então eram insuficientes para resolver os problemas do mercado. O que estava faltando eram recursos para atender a saques em fundos de investimentos. Por isso, a liberação para a compra, com recursos de compulsórios, de títulos de renda fixa de empresas não-financeiras e de direitos creditórios.


A mesma coisa foi dita na reunião do presidente do BC, Henrique Meirelles, e de seus diretores com banqueiros no domingo (dia 12) à tarde na sede da instituição. Os banqueiros reforçaram que o sistema está assistindo a saques maciços de recursos nos fundos administrados pelos banquinhos. E essas instituições já estavam no limite.


Agora, os bancões poderão dar a liquidez que os banquinhos precisam para atender aos saques de seus clientes e evitar a sensação entre os investidores de que está faltando dinheiro no mercado para atender a resgates de aplicação. Se esse sentimento se propagar, será o caos.


Brasília, 16h37min

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13.10.2008

PARA TENTAR RESTAURAR CONFIANÇA, BC AMPLIA USO DE COMPULSÓRIOS


O Banco Central decidiu nesta segunda-feira (dia 13) correr contra o tempo para evitar mais dificuldades no sistema financeiro.


Os bancos poderão usar compulsórios para comprar, além das carteiras de crédito:


1)  títulos de companhias abertas, como debêntures e commercial papers, que estão em fundos de renda fixa,


2) direitos creditórios emitidos por empresas de leasing (em cima de financiamento de automóveis, sobretudo),


3) direitos creditórios incluindos em FIDCs, boa parte deles emitidos por construtoras que abriram o capital,


4) cotas de fundos de investimentos de direitos creditórios do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).


Só para essas operações foram liberados mais R$ 6 bilhões de compulsórios sobre depósito a prazo que vão se somar aos R$ 23,5 bilhões flexibilizados na semana passada.


Brasília, 14h53min

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13.10.2008

PREÇOS DA CARNE DISPARAM. INFLAÇÃO VAI SUBIR


Os consumidores brasileiros já estão pagando caro pela forte arrancada dos preços do dólar que, nos últimos dois meses, subiu mais de 40%. Os principais figroríficos do país (Marfrig, JBS, Bertin, Minerva e Independência) estão restringindo a oferta de carne bovina no país e destinando a maior parte da produção — que é menor, por causa do período da entressafra — para o exterior com o objetivo de ampliar os lucros. Com isso, os preços da carne nos supermercados aumentaram, na média, 21% em outubro, com picos de reajuste de até 54%, e quase todas as promoções com esses produtos foram suspensas.


Segundo levantamento feito pelo especialista em inflação e economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, o quilo do contra-filé saltou de R$ 12,90 para até R$ 19,90, um aumento de 54,26%. Vários outros tipos de cortes sofreram reajustes. Entre as carnes pesquisadas por Thadeu, o menor reajuste se deu no filé mignon, de 4,18%, com o preço avançando de R$ 23,90 para R$ 24,90 (veja gráfico com inflação dos alimentos em casa e o IPCA).





“Em todas as conversas que tive com administradores de supermercados no fim de semana, a explicação foi a mesma: os frigoríficos reduziram drasticamente a oferta de carnes”, afirmou o economista da SLW. “Eles disseram que só estão recebendo produtos de menor qualidade, aqueles que os consumidores do exterior não aceitam comprar”, acrescentou. Thadeu disse que essa escassez está afetando, inclusive, o abastecimento dos restaurantes. Por isso, comer fora de casa ficará ainda mais caro (veja gráfico abaixo). “Falei com um grupo de cinco redes de restaurantes que compram carnes em conjunto para negociar valores. Mas não só a oferta diminuiu para eles, como os preços dispararam”, frisou.


O resultado dessa postura dos frigoríficos, na avaliação de Thadeu, será um salto na inflação de outubro. Até a semana passada, a maior parte dos analistas acreditava que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste mês ficaria entre 0,30% e 0,35%. Mas, com o forte aumento dos preços das carnes, que têm peso importante no indicador, a tendência é de a inflação ficar entre 0,45% e 0,50% (veja gráfico abaixo). “Não há dúvidas de que a inflação de curto prazo vai aumentar muito por causa do impacto da alta do dólar”, endossou a economista Giovana Rocca Siniscalchi, do Unibanco, em relatório enviado a clientes.




O problema, ressaltou Thadeu, é que os preços de outros produtos também estão sendo reajustado, como o feijão, o arroz, pães e massas (devido à alta do trigo). Assim acredita o economista, o grupo alimentos, que teve deflação de quase 1% em setembro dentro do IPCA, deve fechar este mês com aumento expressivo. “Com a inflação em alta neste momento, refletindo a elevação do dólar, o Banco Central ficará em uma situação difícil para definir os rumos das taxas de juros. De um lado, terá inflação maior. De outro, sinais evidentes de desaceleração nos níveis da atividade produtiva por causa, principalmente, da escassez de crédito provocada pela crise financeira mundial”, destacou.


Procurada pelo blog, a Associação Brasileira dos Exportadores de Carnes (Abiec) se limitou a dizer por meio de sua assessoria de imprensa que há uma produção menor de bois no país e os preços no exterior subiram muito neste ano. O valor médio da tonelada de carne passou de US$ 2,6 mil, entre janeiro de setembro de 2007, para US$ 3,8 mil no mesmo período deste ano, um salto de 44,05%. O resultado disso foi que as receitas aumentaram, na mesma comparação, de US$ 3,295 bilhões para US$ 4,124 bilhões (+25,16%), apesar de a quantidade exportada ter recuado 13,12% (de 1,25 milhão para 1,086 milhão de toneladas).


Quem acompanha o setor de perto assegura que os frigoríficos intensificaram as exportações nos últimos dias, porque a maior cotação do dólar ajudará várias dessas empresas a recuperarem parte dos prejuízos que tiveram em operações financeiras nos mercados de câmbio. Os frigoríficos, assim como a Sadia, a Aracruz Celulose e a Votorantim, que já anunciaram prejuízos conjuntos de R$ 5 bilhões, estavam captando recursos no exterior, aplicando o dinheiro em juros no Brasil e, na outra ponta, apostando na alta do real frente ao dólar. Mas vieram a crise mundial e a disparada dos preços da moeda americana. Como as apostas no câmbio (opções de compra, na linguagem no mercado) eram elevadíssimas e muito superiores às aplicações em taxa de juros, as perdas ficaram além do recomendado pelas boas práticas gerenciais.


Brasília, 11h17min

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13.10.2008

UM INVERNO NUCLEAR: INFLAÇÃO EM ALTA, JUROS SUBINDO E CRESCIMENTO MENOR

 

Apesar do quase consenso do mercado e da forte pressão dentro do governo para que o Banco Central pare de aumentar os juros na reunião dos próximos dias 28 e 29 de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom), o economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman, não só afirma que a taxa básica (Selic) continuará subindo neste ano como permanecerá em alta em 2009, até atingir 15,75% ao ano. Levando-se em consideração que os juros estão hoje em 13,75%, se estiver correta a previsão de Schwarstman, que foi diretor de Assuntos Internacionais do BC e é um dos economistas de mercado mais próximos do presidente do BC, Henrique Meirelles, a Selic dará um salto de mais dois pontos percentuais.

 

 

A justificativa para essa previsão é a disparada das cotações do dólar (mais de 40% desde o início de agosto) por causa da crise financeira mundial, o que, na visão do economista, tende a contaminar todos os índices de preços do país. “Inflação mais elevada requer banco central mais austero”, afirmou em texto enviado no final de semana a clientes do Santander. “Isso (a previsão de novas elevações no juros) vai contra o consenso (do mercado), que mantém o argumento de que a desaceleração econômica será suficiente para anular as demais pressões inflacionárias, o que permitiria a redução do ciclo do aperto monetário inicialmente pretendido”, acrescentou, ressaltando que vê cotação para o dólar de R$ 2 para o final deste ano e de R$ 2,10 em 2009.

 

 

Segundo Schwartsman, além de reafirmar sua projeção de que a Selic terá mais dois aumentos de 0,5 ponto percentual nas reuniões de outubro e de dezembro do Copom, encerrando 2008 em 14,75%, os juros caminharão até 15,75% no ano que vem, projeção não vista no mercado nem nos piores momentos da inflação até agosto, quando a maioria dos especialistas via a possibilidade de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estourar o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%. A estimativa máxima era de Selic de 15,25%.

 

 

O economista do Santander disse esperar um afrouxamento da política monetária somente no último trimestre de 2009, quando serão promovidos três cortes de 0,5 ponto cada na taxa Selic nas últimas três reuniões do Copom. Ou seja, nesse cenário, os juros terminarão o próximo ano em 14,25%, contra uma projeção anterior de Schwartsman de 12,75%. Diante de tamanho aperto, reconheceu o ex-diretor do BC, a economia crescerá muito menos em 2009. “Para este ano, acreditamos que a atual turbulência terá efeito marginal sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Por isso, mantivemos nossa previsão em 5,3%. Para 2009, entretanto, rebaixamos nossa previsão de 3,5% para 2,5%”, frisou.

 

 

Na visão do Schwartsman, o Brasil viverá, em meio aos efeitos da crise mundial, “um inverno nuclear suave”. Para ele, embora os fundamentos econômicos do Brasil sejam incomparavelmente melhores do que nas crises anteriores, a escassez de crédito que sufoca o mundo também alcançará as costas brasileiras. “Os eventos das últimas semanas tornaram o mundo um lugar diferente. A economia mundial crescerá provavelmente menos do que se esperava há alguns meses. Com isso, o cenário para os preços das commodities (principais produtos exportados pelo Brasil) ficou consideravelmente pior. O financiamento externo também ficará mais restrito no pós-crise”, avisou.

 

 

Brasília, 07h10min

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13.10.2008

MERCADO SÓ TERÁ OLHOS PARA A CRISE. SE MEDIDAS CONCRETAS NÃO SAÍREM, O CAOS SERÁ GERAL

 

O fim de semana de reuniões intensas dos governos nos Estados Unidos e na Europa não garantirá uma semana mais tranqüila, se é que isso pode acontecer neste momento de tanta incerteza. Se medidas concretas não forem anunciadas pelos países mais afetados pela crise para evitar o derretimento geral de seus sistemas financeiros, o pânico tenderá a transformar em pó o que ainda resta do mundo globalizado.

 

A torcida era para que, das negociações do final de semana, saísse um plano de ação global para estancar a sangria que tem deixado cadáveres por todos os lados. Mas o esperado plano coordenado se transformou em promessa de ajuda mútua, mas com cada país agindo de forma isolada para resolver problemas específicos. Na Europa, o G-15, formado por 15 países da Zona do Euro, se comprometeu em garantir os depósitos dos correntistas, prover linhas de crédito até 2009 e, se preciso, estatizar bancos problemáticos, que são muitos.

 

A segunda-feira é de feriado nos Estados Unidos, mas os mercados do restante do mundo estarão abertos e atentos. Tudo leva a crer que a tempestade será enorme e novos desastres devem ser anunciados. É justamente a falta de perspectivas de ações concretas para estancar a hemorragia que só amplifica o desespero. Depois de tudo o que se viu nos últimos dias, ninguém espera por alívio tão cedo, ainda que, em algum momento, ele virá.

 

No Brasil, a semana será marcada pelos índices de inflação, que já devem refletir a brusca valorização do dólar e vão dar muita dor de cabeça ao Banco Central na definição da taxa básica de juros (Selic). Nos Estados Unidos, depois do feriado, sairão números comprovando que a maior economia do mundo mergulhou na recessão, com o Federal (Reserve), o Banco Central americano, se pronunciado quase todos os dias.

 

Veja os principais indicadores da semana:

 

SEGUNDA-FEIRA, dia 13 de outubro

 

Pesquisa Focus do Banco Central (Brasil)

Balança comercial semanal (Brasil)

Índice de Preços ao Produtor em setembro (Inglaterra)

 

TERÇA-FEIRA, dia 14 de outubro

 

Resultado do orçamento do Tesouro (EUA)

Fed (Yellen) fala sobre perspectivas para a economia (EUA)

Índice de Preços ao Consumidor em setembro (Inglaterra)

Produção industrial de agosto (Zona do Euro)

 

QUARTA-FEIRA, dia 15 de outubro

 

Venda do comércio varejista em agosto (Brasil)

Fluxo cambial até 10 de outubro (Brasil)

Fed (Rosegren) fala sobre perspectivas para a economia (EUA)

Índice de Preços ao Produtor de setembro (EUA)

Vendas do varejo (EUA)

Pedidos de empréstimos hipotecários (EUA)

Ben Bernanke (Fed) fala em Nova York (EUA)

Livre Bege (EUA)

Índice de Preços ao Consumidor em setembro (Zona do Euro)

 

QUINTA-FEIRA, dia 16 de outubro

 

IGP-10 de outubro (Brasil)

IPC-S da 2ª semana de outubro (Brasil)

Fed (Stern) fala sobre a economia americana (EUA)

Fed (Rosegren) fala sobre retomadas de imóveis (EUA)

Fed (Bullard) fala sobre potencial de crescimento

Índice de atividade do Fed da Filadélfia

Índice de Preços ao Consumidor em setembro (EUA)

Produção industrial (EUA)

Estoques de petróleo e derivados (EUA)

 

SEXTA-FEIRA, dia 17 de outubro

 

IPC da Fipe 2ª semana de outubro (Brasil)

Início de novas construções (EUA) 

Permissões para novas construções (EUA)

Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan (EUA)

Fed (Evans) fala sobre perspectivas para a economia (EUA)

 

Brasília, 00h01min

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12.10.2008

A AMEAÇA DO DÓLAR

 

Jorge Saenz/AP

Se a valorização do dólar não for contida, inflação em alta pode provocar aumento dos juros

 

Não é à toa que a equipe do governo está enlouquecida com a arrancada dos preços do dólar, que fechou a sexta-feira em R$ 2,320. A avaliação tanto no Ministério da Fazenda quanto no Banco Central é a de que, se permanecer em tal patamar ou mesmo acima dele, a moeda americana fará um estrago monumental nas bases da economia do país. A começar pela necessidade de o BC, mesmo com a atividade produtiva e o consumo combalidos, ter que aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 2009. “Só de se tocar nesse tema, o presidente Lula treme nas bases”, diz um assessor do Palácio do Planalto.

 

Esse cenário, bastante pessimista, leva em conta os números levantados pelo BC em seu último relatório de inflação. Nas contas do banco, com a taxa de juros mantida nos atuais 13,75% ao ano e o dólar estacionado em R$ 1,80, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já ficará acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, até o terceiro trimestre de 2010. O problema é que quase toda a valorização do dólar é repassada aos consumidores entre três e seis meses. E para cada 10% de elevação da moeda americana, a inflação sobe um ponto percentual.

 

Como, desde o início de agosto, quando o dólar atingiu o piso de R$ 1,555, o real já acumulou maxidesvalorização de 43%, há um potencial de inflação de 4 pontos percentuais à espreita. Grosso modo, os 4,8% previstos pelo BC para o próximo ano saltaria para 8,8% apenas com a alta do, exigindo uma ação enérgica por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). Quer dizer: mais taxa de juros.

 

Uma das formas de o governo lidar com esse choque cambial seria acomodá-lo dentro de uma meta de inflação ajustada, como ocorreu em 2002 e 2003, períodos em que o Brasil sofreu com o enfraquecimento do real. Mas é importante lembrar que, mesmo com o governo aceitando inflação entre 8% e 85%, a economia patinou, com desemprego crescente e descontentamento popular.

 

A adoção dessa meta ajustada não faz, porém, parte do quadro desenhado pela economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif. “Acredito que o dólar vai voltar para um patamar mais próximo de R$ 2. E, com a economia crescendo menos, não haverá muito espaço para repasses de aumentos de custos para os preços”, diz. Zeina lembra ainda que os preços das principais commodities (soja, milho, trigo minérios e petróleo) estão em forte queda, tendendo a mais do que compensar os impactos da alta do dólar. “É por isso que mantenho minha projeção de IPCA para 2009 em 4,5%”, ressalta.

 

Risco de desemprego
Mas, feliz do governo se o único problema a ser enfrentado com a alta do dólar fosse a inflação. A maxidesvalorização do real também desestrutura o setor produtivo, ressalta Cristiano Souza, economista do Banco Real. Como têm dívidas corrigidas pela moeda americana, as empresas precisam separar uma parte maior do faturamento para pagar juros. E o comprometimento maior do caixa reduz a capacidade de investimento. Sem novas plantas industriais e expansão de fábricas, as firmas não têm porque contratar empregados — muitas, inclusive, são obrigadas a demitir, ampliando o desemprego. Com a produção menor, a inflação também fica ameaçada, pois a menor oferta de mercadorias pressiona os preços. “Daí, a razão de o BC estar agindo para corrigir as distorções de mercado nos preços do dólar”, frisa Souza.

 

Para o analista Mário Paiva, da Corretora Liquidez, o BC vencerá a batalha e trará o dólar de volta à realidade: cotações entre R$ 2 e R$ 2,05. A seu ver, o que vem pressionando as cotações da moeda para cima não é a escassez de recursos no mercado internacional, mas a especulação. Tanto que, pelos últimos números do BC, o fluxo cambial está positivo no Brasil. Em setembro, houve sobras de US$ 2,8 bilhões. Em outubro, o superávit acumulado está em US$ 514 milhões.

 

Nos cálculos do economista Nelson Carneiro, da agência de classificação de risco Austin Rating, apesar da forte arrancada desde setembro, o dólar ainda está longe do pico verificado em outras crises. Na maxidesvalorização de 1999, quando o governo abandonou o câmbio fixo para adotar o regime de taxas flutuantes, a cotação subiu até 99%. Em 2002, o medo de ter na Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, elevou a a moeda em 188,5%. “A crise atual é muito mais grave do que as outras duas, mas o dólar avançou menos de 50%. É muito, mas é bem menos do que antes. E não há nada que sustente uma explosão nas cotações”, afirma.

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12.10.2008

QUEBRANDO A ROTINA

 

CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)

 

lulupisces@gmail.com

 

COM KAFKA, MAS SEM BARATAS

 

Deixamos a elegante e estranha Berlim para trás e pegamos um trem rumo à Praga, a capital da República Tcheca. Os que têm mais de 30, vez ou outra chamam o país de Tchecoslováquia. Confessem, vocês também cometem este ato falho, não? E lá fomos nós margeados por uma paisagem de babar, seguindo as montanhas, os vales, o rio e as cidades que mais parecem burgos totalmente preservados da Idade Média. 

 

 

 

Uma delícia viajar de trem. Por que o Brasil abandonou suas ferrovias para transporte de passageiros? É um meio mais seguro, mais confortável e menos poluente que o ônibus. E como eu não gosto de viajar de avião, também é mais legal. Da janela lateral apreciávamos a vista, esticávamos bem as pernas, andávamos nos corredores e curtíamos os sons das palavras em tcheco e alemão que ouvíamos ali e acolá. Havia um grupo de adolescentes numa cabine perto da nossa que estava no maior alvoroço, uma viagem entre amigos, tocando violão e trocando risadas divertidas. Ô tempo gostoso este da leveza proporcionada pela inconsciência.

 

 

 

Mas como diria o escritor tcheco Milan Kundera, a leveza do ser é insustentável. Tem um hora em que a gente é fisgado e, aí, já era. Então, desembarcamos numa estação de trem nos arredores de Praga, um lugar meio suburbano que deu certo medo. Algo como sair da Avenida Paulista e aterrizar de repente em Belfor Roxo. Sofremos, digamos, um ligeiro choque sócio-econômico depois de 10 dias passeando pela perfeitinha Alemanha.

 

 

 

A República Tcheca, apesar de fazer parte da Comunidade Européia, ainda não adotou o Euro como moeda oficial. Há muito de terceiro mundo pelo país, como aquelas pessoas gritando “você tem hotel?” Você quer um táxi?” “Ei, troque os seus euros aqui comigo que o meu câmbio é mais vantajoso”. Qualquer semelhança com o assédio revoltante que os turistas sofrem no Pelourinho, em Salvador, não é mera coincidência. 

 

 

 

Todavia, tiramos de letra o susto, afinal somos brasileiros, e conseguimos descobrir onde pegar o metrô, que direção e em que estação descer para ficar mais perto do hotel. Nada que um bom mapa e um marido que sabe olhar mapas não pudesse resolver. Se fosse eu, talvez caísse numa armadilha para turistas e acabasse como personagem do “O Albergue”.

 

 

 

Praga, que feio nome para uma cidade incrivelmente bela. Melhor teria sido deixar na  grafia original Praha (o H soando como os nossos dois erres). Mesmo com mendigos e bêbados pelas ruas, é a cidade colonial/gótica/medieval mais linda que já pus meus pequenos olhos em cima. Fiquei deslumbrada, fascinada. Eu queria guardar aquelas fachadas, igrejas e ruas para mim como um souvenir. Eu me senti num conto-de-fadas dos irmãos Grimm. Eu comprei uma princesa marionete vestida de idade média, enfim.

 

 

 

E a catedral de São Víto? Meu Deus!! Sem nenhuma blasfêmia, meu Deus é tudo que se pode exclamar quando a gente entra naquela majestosa e gigantesca nave. Tanto frio a gente passou em Praga...Quase tive uma crise de hipotermia, mas não conseguia me livrar da rua e de tentar captar todas as nuances da cidade velha, intocada em sua retratação do que foi a Europa nos tempos dos reis, princesas e intrigas da corte.

 

 

 

Em Praga ouvi uma valsa de Strauss com a riqueza melódica real da composição e não aquela execução que a gente zoava nas festas de formatura do colégio Objetivo. Quem não dançou uma valsa tocada pelo Squema Seis que atire a primeira pedra. Até valsa sai do óbvio na capital da República Tcheca. Só não consegui entender como é que  Kafka pôde pensar em virar uma barata abjeta vivendo e criando numa cidade tão esplendorosa. Vai entender a mente tortuosa de um gênio literário...

 

 

 

Pela cidade pegamos as escadas rolantes mais longas que já tive notícia para alcançar o metrô nas profundezas da terra. Vi cachorros passeando em carrinhos de bebê. Também vi bundas à venda, muitas bundas. Ei, peraí, eu não estou transformando isso aqui em pornoblog. Bunda é jaqueta em tcheco. Uma bunda por 1.700 coroas. Bagatela.

 

 

 

E para não dizer que não falei da crise econômica que assola o mundo, estranho foi reviver esses preços em coroas...Um café 300 coroas, um sanduíche 450 coroas...Por dois dias voltamos ao tempo da inflação no Brasil e seus números hiperbólicos. Sensação desagradável que não queremos que se repita jamais. Por outro lado, Praga é uma experiência que merece bis. Tchau!

 

(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.

 

Brasília, 07h01min

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Tags: Comportamento 
11.10.2008

COMO A CRISE AFETARÁ O BOLSO DO BRASILEIRO


O texto abaixo é leitura obrigatória para aqueles que entendem e, sobretudo, para os que não tem muita intimidade com temas econômicos.


ARTIGO

MARCEL PEREIRA (*)



Ainda que o Brasil não vá sofrer como outrora diante da gravidade da crise desencadeada após o estouro da “Bolha Hipotecária nos EUA”, é óbvio que sofrerá conseqüências, cujos efeitos serão transferidos à renda. O primeiro canal de contaminação, que já se manifestou, é a mudança nas condições de crédito, com o encarecimento na tomada de financiamentos através de pressões sobre as taxas de juros praticadas. Além do mais, a falta de liquidez nos bancos a nível internacional gera uma maior debilidade da taxa de câmbio (desvalorização) e uma forte diminuição no fluxo de transações comerciais.



Os maiores bancos do mundo - tanto os norte-americanos, mas também os europeus - têm, com a crise, uma grande necessidade de injeção de liquidez para recompor suas perdas, e este é o principal canal a afetar a economia brasileira. Os grandes projetos de investimento, de ciclos longos, necessitam fortemente deste tipo de financiamento para serem empreendidos. Com crédito mais escasso – nos casos de empresas de menor capacidade de alavancagem passando inclusive à total dependência de aportes do BNDES – passa-se a priorizar a conclusão das grandes obras em vigor e cancelam-se ou adiam-se projetos que estavam por sair da planta. O custo se transmite para a economia através do encadeamento de serviços indiretamente relacionados a tais grandes empreendimentos com ciclo de longo prazo.



Todos os setores da economia que necessitam de muito crédito serão afetados, ainda mais pela incerteza com relação a quanto dura o ciclo de “abstinência creditícia externa”. É o caso da construção (civil, naval e aeronáutica especialmente). Mesmo que, na melhor das hipóteses, a economia do Brasil não precise desfazer postos de trabalho, deixará de criar ao ritmo em que vinha gerando, o que também incide em aumento do nível de desemprego e, conseqüentemente, em redução de massa salarial e de renda.



Mas esse não será o único canal de freio no crescimento. A desaceleração na renda mundial propiciará um menor volume de consumo, diminuindo a demanda nos setores exportadores do Brasil. Este deverá ser o principal impacto a ser sentido em setores ligados à agropecuária, que venderão menos produtos no mercado externo e terão de reduzir seus gastos para equilibrar a redução que terão com receitas. Como conseqüência há perda de dinamismo no agronegócio. Ainda mais porque os preços internacionais das commodities agrícolas ingressaram em uma trajetória declinante em meados deste ano. O recuo é catalisado pela combinação dos fatores: pior desempenho da economia global, e dos EUA especialmente, e pela contenção do crédito.



A desvalorização do real em relação ao dólar recompõe parte das perdas da cadeia produtiva da agropecuária, mas só uma parte dela. O processo de redução no preço dos alimentos fará com que a diminuição das receitas para a cadeia de soja, milho, algodão, suco de laranja e carnes, fique acima do ganho de competitividade permitido pela desvalorização no câmbio. Diante da desaceleração na renda mundial, as economias emergentes, ainda que mantendo a expansão (China e Índia em especial) não tem escala suficiente para representar um contrapeso capaz de evitar que haja perdas. Ainda mais porque essas economias também sofrerão efeitos de desaceleração, já que parte relevante de sua produção de bens e serviços se destina aos mercados norte-americano, europeu e japonês.



O caminho de contágio via transações comerciais com o exterior não se restringe, entretanto, à cadeia produtiva do agronegócio. As contas externas brasileiras deixam de ser tão favoráveis quanto o foram nos anos antecedentes à crise, nos quais havia abundância de liquidez na economia mundial. Sobre as transações correntes há quatro vetores incidindo diretamente:


(1) A redução da renda mundial diminuirá as transações comerciais em escala global, o que implica em redução de demanda por produtos brasileiros;


(2) A redução do preço das commodities no mercado internacional diminui o montante das exportações brasileiras. Se a quantidade já havia se reduzido por conta de uma taxa de câmbio desalinhada e apreciada, o volume exportado havia se sustentado à base da elevação dos preços. Agora, os preços estão caindo e, como conseqüência, haverá redução do volume das exportações brasileiras;


(3) Em contraponto, a desvalorização cambial induzida pela crise tenderá a estimular alguns setores que haviam perdido competitividade a exportar;


(4) Por fim, a retração na renda diminuirá a demanda por produtos importados.



Há, portanto, dois fatores indutores de uma menor entrada de recursos e um de uma maior entrada e um de uma menor saída. No balanço dos quatro, entretanto, os dois primeiros, indutores de menor entrada de recursos, se sobressaem em intensidade frente aos dois últimos. Portanto, o saldo de transações correntes do Brasil se reduz. Ainda dentro do balanço de pagamentos, porém já do lado da conta financeira, a retração na renda diminui a entrada de capitais estrangeiros tanto em investimentos diretos quanto em investimentos em carteira.



É inevitável que os investimentos diretos, em capital físico, também se reduzam, pela mesma dinâmica já citada de contágio do crédito sobre grandes empreendimentos, uma  vez que estes necessitam fortemente de crédito. As empresas estrangeiras, assim como as brasileiras, terão de rever novos projetos, cancelando-os ou adiando-os. O impacto só não será ainda mais drástico para o Brasil pela redução de vulnerabilidade externa e equacionamento de desequilíbrios macroeconômicos, os fatores que permitirão ao país figurar no nível de grau de investimento quanto à percepção de risco por parte dos grandes investidores.



(*) Economista-chefe da RC Consultores



Brasília, 19h10min

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Tags: Economia 
11.10.2008

POLÍTICA FISCAL E A CRISE


Reproduzo abaixo um belo texto para reflexão, que foi publicado no Informativo Semanal do Banco Itaú.


ARTIGO


TOMÁS MÁLAGA E ALFREDO BINNIE (*)



Uma das maneiras pela qual a crise afetará a economia brasileira é a queda das exportações líquidas. Isto significa que cairá a demanda internacionaldo produto brasileiro, ou seja, as exportações líquidas serão limitadas pela desvalorização, a queda do preço das commodities, a restrição de financiamento externo e a estagnação econômica dos países industrializados.


O que fazer com a política fiscal? Uma das idéias é usar a recomendação Keynesiana: contrapor a queda da demanda externa comum aumento de gasto público. Faz sentido? Não. Essa recomendação é apropriada para as economias norte-americana e européia. Nessas regiões, a queda do investimento e do consumo decorre da quebra de confiança no sistema financeiro. Neste contexto, as taxas de juros, por mais baixas que sejam, não induzem o investimento nem o consumo.


No Brasil, a situação é oposta. Existe confiança no sistema financeiro e o crescimento, apesar da desaceleração, as empresas ainda têm expectativas positivas sobre o crescimento. Dessa maneira, a política monetária pode ser usada para incentivar o gasto privado quando os sinais de moderação da inflação pela queda da demanda apareçam. Não é necessário expandir o gasto público para compensar a queda da demanda externa, pois isso pode dificultar a queda dos juros e pode reverter a acentuação da tendência de queda da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) que se deve perfilar (vejá gráfico abaixo).





Acentuar está tendência será um diferencial de confiança para o Brasil, quando a economia internacional se recupere. Como se vê na tabela acima, a queda da receita decorrente da desaceleração do crescimento do PIB já terá o efeito de reduzir o superávit primário, pois a despesa do governo é, em sua maior parte, rígida. Se por decisão dos formuladores de política econômica, essa queda for ainda maior, o governo privará a economia deste diferencial de confiança, que será muito importante para garantir a retomada da economia em 2010 e 2011.



(*) Economistas do Itaú


Brasília, 16h39min

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Tags: Economia 
11.10.2008

A PSICOLOGIA E O DINHEIRO

 

ARTIGO

MARACI SANT'ANA (*)

 

maracisantana.blogspot.com

 

 

A MANOBRA DO SEU BIU E OS INVESTIMENTOS NÃO-FINANCEIROS

 

“Isso é uma forma didática de explicar a crise americana: O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decidiu vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha. O sobrepreço é o que os pinguços pagam pelo crédito. O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador com emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia. Mais adiante, uns seis zécutivos de banco lastreiam os tais recebíveis e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS, PQP ou qualquer outro acrônimo desses usados pelo economistas e afins, que ninguém sabe exatamente o que significam. Esses adicionais instrumentos