
As auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) no Ministério do Esporte continuam.
Na quinta-feira, dois auditores chegaram por lá para novas investigações em contas suspeitas. E isso, sabe-se bem, é o que não falta.
Como diz "o Cara":
"Nunca, antes, na história deste país..." se constatou tantas irregularidades, tanto jogo de influências, tanto dinheiro desperdiçado, tantas aplicações suspeitas na área do esporte como o do atual governo.
Nos últimos dois anos, dedicamos bom espaço desta coluna para comentar sobre os legados dos jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro: o formal, que estava na proposta de candidatura, e o real, isto é, o que de fato ficou.
Ficaram, por exemplo, o discurso de nossas autoridades, civis e públicas, a insegurança dos cariocas, modernos ginásios fechados por falta de competições, contas públicas que não fecham, superfaturamento comprovados - R$ 2,9 bilhões, até agora -, dúvidas sobre o destino de equipamentos esportivos, e serviços pagos mas que não foram executados.
Na prática, o Brasil é capaz, por suas entidades afins, de realizar qualquer grande evento. Há dúvidas sobre isso? Falta-nos, porém, a tal cultura esportiva, aquela que se forma na infância, na educação escolar e que inclui a atividade física na rotina dos jovens.
Essa ausência, gravíssima, evolui nos estágios seguintes até constatarmos que os ginásios estão fechados por falta de calendários atrativos. E se não atraem é porque não há competidores do mesmo nível, para eventos emocionantes e periódicos: atletismo, natação, judô, ciclismo, tênis de mesa, saltos ornamentais, tênis, esgrima etc. E onde estão os tais competidores? Estão aí, mas em número limitadíssimo, apesar do potencial de 33 milhões de crianças e jovens em idade escolar.
Observem: recentemente, a imprensa nacional noticiou que "a grande campeã" dos 100 metros rasos do Troféu Brasil de Atletismo, foi Lucimar Moura, com 11s28. Aos 35 anos, Lucimar é nossa eterna melhor fundista. Resultado dessa matemática: o tempo da corredora no Troféu Brasil (11s28) a colocaria, sim, numa final de campeonato mundial, mas de atletas juvenis, porque, como adulta, Lucimar não aparece entre as 40 do ranking internacional. Onde está a renovação? Será que com a entrada em campo do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), esse problema será solucionado?
Vamos para a promoção de eventos. Em 2007, a Confederação Brasileira de Desportos para Cegos (CBDC), promoveu em São Paulo o Campeonato Mundial de 2007. É a principal competição da categoria, depois das Paraolimpíadas. E o que se viu: autoridades que não honraram os compromissos - por escrito.
Assim, apesar do sucesso nas disputas, as contas do Mundial foram um fracasso. Hoje, a direção da CBDC faz apelo dramático para tentar pagar a dívida de R$ 2,5 milhões. É vergonhoso para um país que tem o Rio de Janeiro como candidato à sede olímpica e paraolímpica de 2016.
Afinal, que estrutura esportiva é essa que dispomos? Porque tanta fragilidade e omissão? Porque os ministros do Esporte, de ontem e de hoje, fazem discursos motivadores e depois destinam miseráveis reais de "ajuda"?
E o que dizer dos governos estaduais e municipal de São Paulo, que também apoiaram previamente o Mundial de Desportos para Cegos e não compareceram no caixa, como o combinado? E o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), que, além de ter em sua cúpula de gestão a própria CBDC, é um dos interessados em eventos internacionais desse tipo no país? Em resumo, é a tal falta de "cultura esportiva", que sucumbe à cultura política, aquela do discurso de ocasião e promessas sem compromissos. Nesse caso, a cultura é formal e real.
A bola da Copa de 2014 começa a rolar nesta terça-feira, dia 30 de junho, na Câmara dos Deputados.
Às 14h30, no plenário 13, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara realiza a primeira audiência pública sobre os gastos do governo federal na organização do Mundial do Brasil. A audiência é conjunta com as comissões de Desenvolvimento Urbano e Turismo e Desporto.
O debate sobre as necessidades e carências das cidades-sedes será com o presidente do Sindicato Nacional da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernasconi, e o diretor-executivo da Confederação Nacional de Transportes(CNT), Bruno Batista. (Informação transmitid pelo jornalista Wilson Teixeira, que assessora o deputado Silvio Torres (PSDB-SP)
Continuando o debate sobre o projeto de lei, no Senado, que propõe passar ao futebol amador 20% do que o governo federal vier a investir na organização da Copa do Mundo de 2014, o senador Cristovam Buarque, autor da proposta, também escreveu.
Num gesto elogiável, o representante de Brasília no Senado Federal quer conhecer mais sobre os dados publicados na coluna Jogo Aberto, de quinta-feira. E nos convidou, inclusive, para ir ao seu gabinete e trocar idéias, a fim de ajudar a aprimorar a sua proposta.
Essa manifestação do senador, num momento em que o Legislativo convive com uma série de denúncias de irregularidades, nos anima na certeza de que nem tudo está perdido. Principalmente porque, no gesto desse parlamentar, fica valorizada a importância da imprensa no indispensável diálogo com os representantes públicos.
Da leitora Mery Lucy Souza recebemos o email que publicamos abaixo:
"Referenciando sua coluna Jogo Aberto do dia 25/06/09, te cumprimento pela sensatez da análise, pois é realmente surpreendente que o senador Cristovasm esteja sendo ludibriado...
Se ele quer de fato ajudar escolas e comunidades mais carentes, posso indicar várias, começando pela Escola Rural Carlos Motta Ramos, no Lago Oeste, onde o diretor morreu, assassinado, sonhando transformá-la em exemplo de educação com inclusão social da maioria dos moradores daquela região pobre do Distrito Federal.
Por aquelas paragens, as crianças que gostam de uma bolinha de futebol enfrentam é o poeirão de um campo da Associação de Produtores Rurarais, ASPROESTE, onde passam parte do dia em nome da escola tempo integral.
Como parceira daquela Escola em trabalhos de Educação Ambiental implantamos um projeto de "ecoatletismo". Mas, para desenvolvê-lo andamos como pedintes, inclusive para improvissar uma pista com marcação de cal,que desaparece a cada ventania. Isso , sem falar na falta de monitoria, uniformes e mínimos equipamentos para a preparação fisica.
Por isso tudo é triste e revoltante ver logo o senador Cristovam querendo passar bilhões para grupos que já dão braçadas em dinheiro.
Está aí a oportunidade para ser apresentado um projeto de lei que repassasse recursos para programas sociais de "comprovada competência e objetivos educacionais". Com certeza, isso abriria horizontes para muitas crianças e jovens e, sem dúvida, o senador continuaria a merecer respeito de muitos educadores e, quem sabe, de futuros atletas".
Além de eleitores e promessas, obras e futebol atraem os políticos. Dependendo da época, um assunto tem prioridade sobre o outro. Mas se puder juntar os dois, a festa fica mais alegre. De olho nesse público - torcedor e eleitor - crescem os projetos de leis, como o que tramita no Senado Federal, criando o “Fundo Copa Amador para o apoio ao futebol não profissional no país”.
Trata-se de uma preciosidade, para os que, em tese, serão beneficiados. Ou algo inacreditável, para quem acompanha o esporte diariamente. O tal projeto determina que 20% do que a União aplicar na realização da Copa do Mundo de 2014 sejam destinados ao futebol amador. Não há números confiáveis nesse sentido, pois nem o próprio Palácio do Planalto tem a noção do que investirá nesse projeto. Mas fala-se em algo de R$ 100 bilhões - a maior parte aplicados em obras de infraestrutura.
Ou seja, se o projeto for aprovado, o governo se tornará financiador de clubes amadores com algo em torno de espetaculares R$ 20 bilhões. Para que se tenha uma ideia, esse valor é 10 vezes mais do que o futebol profissional movimenta no país, anualmente, aí, incluídas as transações milionárias de jogadores para o exterior. Estamos, enfim, perto de uma revolução fenomenal, com os clubes regredindo ao amadorismo para serem, então, subvencionados pelo governo federal.
…
A proposta é mal elaborada e tem argumentação frágil, inconsistente. Poucas vezes se viu, na área do esporte, algo com objetivo tão eleitoreiro como esse. Nem o polêmico e truculento ex-presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, também ex-deputado, conseguiu produzir peça com tal agressão aos cofres públicos. No entanto, o tal projeto de lei para o futebol amador foi apresentado por um senador que tem um perfil e discurso justamente contrários a essa prática, o representante do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PDT).
Para piorar, o relator desse projeto, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), argumenta com informações que não refletem a realidade. Por exemplo, “o esporte amador jamais recebeu apoio e incentivo …” É de uma desinformação espetacular.
Repetindo o presidente Lula, “nunca antes na história deste país” o esporte teve tanto dinheiro público. O esporte no Brasil, senhores parlamentares, é fruto da iniciativa privada, mas estatizado na sua gestão financeira, a partir dos milhões repassados pelas loterias. A mais recente aberração nesse sentido é a Lei de Incentivo ao Esporte, que atende, inclusive, o futebol amador, que o senador Cristovam Buarque agora quer destinar bilhões de reais.
...
Diz ainda o senador Eduardo Azeredo: “Nossas escolas são carentes de espaço, de material e de profissionais preparados para oferecer aos alunos práticas esportivas que lhes permitam desenvolver não apenas seu potencial física, como aprimorar sua formação humana e social.”
Oposicionista, o senador acerta nessa informação e não perde a oportunidade de criticar o governo federal por sua incapacidade de resolver esse que é um dos maiores problemas da educação no país, a falta de atividade física regular nas escolas públicas. Porém, em vez de levar a plenário propostas para debater essa grave questão, que se arrasta desde o governo passado, apoia uma proposta ilusória, pois o dinheiro não chegará aos campos de várzea.
Ao contrário, será o profissionalismo, mais uma vez, que se beneficiará desse dinheiro. Disfarçados de amadores, lá estarão os cartolas, eternos pedintes do dinheiro público, criando times de arrabaldes, para terem acesso ao dinheiro fácil. E será com esse recurso que formarão atletas para vendê-los ao exterior, como já ocorre vergonhosamente, aqui mesmo em Brasília, com garotos de até 14 anos deixando a família para tentar realizar um sonho duvidoso em outros países.
…
Suspenda esse projeto, senador Cristovam Buarque. Faça uma consulta ao Siafi e veja quanto o esporte - futebol, inclusive - recebe dos cofres públicos. O senhor se surpreenderá com os valores ali registrados nos últimos anos. E, se avançar nessa consulta, observará o desperdício que ocorre em nosso país com as fartas verbas para o setor. Reverta a sua proposta, e terá, com certeza, um maior número de eleitores ao seu lado, bem superior aos que espera ganhar com essa gentileza que projeta fazer com o dinheiro público.
O Brasil esportivo continua vivendo de euforias. Quem fala em construção de estádios para a Copa de 2014? Licitação, parceria público privada, algo parecido? Que iniciativa foi tomada, efetivamente, para tirar do papel os maravilhosos projetos?
Pior: só em agosto o governo federal saberá quanto será necessário investir nas obras de infraestrutura para a realização da Copa no Brasil. Notícia de fonte segura. Faz sentido, porque até o ministro das Cidades silenciou sobre o assunto.
Ou seja, em matéria de necessidades de $$$$ (do distinto público, claro, para o evento), o presidente Lula da Silva embarcou em um vôo cego, quando, eufórico, matou a bola no peito e comprometeu o governo com a realização do Mundial.
Memória: o anúncio da Fifa de que o Brasil sediará a Copa de 2014 foi feita em outubro de 2007. Quase dois anos. Continuamos nos discursos...
João Sena, do Clube de Atletismo de Sobradinho, está angustiado. Um mês depois de concluída a obra de recapeamente da pista de atletismo, a nova área ainda não foi liberada para a garotada. Em decorrência, os treinos dos atletas — muitos na elite nacional — se realiza na rua, disputando espaço no movimentado trânsito.
Pista de atletismo em Brasília é uma história espetacular, que começou em 1991, quando o então governador, Joaquim Roriz, prometeu ao campeão olímpico, Joaquim Cruz, construir um espaço para a formação de talentos.
Depois, foram mais três encontros entre os dois, com apelos de Cruz e promessas de Roriz. Como estava lidando com políticos, Joaquim, o Cruz, ficou decepcionado e não procurou mais o xará, Roriz. E a pista ainda não saiu…
Professor de educação física da rede pública do Distrito Federal, o carioca Fernando Franco pesquisa como ninguém sobre o atletismo nacional e estrangeiro. Sua mais recente produção é com base no Troféu Brasil de Atletismo, encerrado há dois fins de semana, no Rio de Janeiro.
O resultado desse evento mostrou como a elite da modalidade está concentradíssima em apenas duas equipes, ambas de São Paulo, a BM & F e a novata Rede Atletismo. Em resumo: a campeã masculina foi a BM&F, com 388 pontos, seguida da Rede, com 318. Os pontos dos 27 clubes seguintes chegam a apenas 311 pontos.
Mais: no total, a Confederação Brasileira de atletismo distribuiu 168 medalhas. Dessas, a BM&F e a Rede ficaram com 123, ou seja, 73,21% dos troféus. Algo como se no restante do país não tivéssemos competidores.
Além disso, pergunta o professor Fernando Franco: “Quantos técnicos existem na Rede e na BM&F para treinar esse potencial de atletas?”
Em decorrência dessas disparidades, o professor Franco tem outro questionamento oportuno: “Essas duas equipes fornecem o maior número de atletas das representações de nossas equipes em eventos internacionais, mas sem traduzir em sucesso essas participações”.
De fato, afora as provas de saltos em que Jadel Gregório, Maurren Maggi e Fabiana Murrer são os expoentes, o outro destaque é Marilson Gomes, nos 10.000m. É uma miséria para um país do tamanho do nosso.
A crise institucional envolvendo o Senado Federal não é um fato isolado em nossa rotina política. A falta de credibilidade do Legislativo é, por extensão, a mesma que encontramos em cada corredor da Esplanada dos Ministérios, lotada de cargos loteados entre burocratas e partidários de ocasião. Tudo isso é, em resumo, a debatida crise da falta de ética, a ponto de iludir e tentar transformar o discurso da mentira em verdade.
Atualizando essa teoria, citamos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem o Rio de Janeiro é a cidade mais segura do mundo onde se pode realizar uma olimpíada. Candidata a sede dos Jogos de 2016, a Cidade Maravilhosa está sob fogo cruzado da bandidagem, a ponto de deixar crianças até uma semana sem poderem ir à sala de aula.
Com esse perfil da política, não se deve estranhar que o Ministério do Esporte, em particular, esteja mergulhado, também, em dezenas de denúncias de irregularidades e suspeitas de corrupção, como demonstram processos e mais processos do Tribunal de Contas da União. São constatações que abrangem projetos de curto prazo - como o Pan-Americano de 2007 - e os de longa duração, como o Segundo Tempo, de execução frágil e resultados duvidosos, cujos números, mais uma vez, se sobrepõem à verdade. O discurso oficial defende levar verbas aos excluídos, às comunidades pobres, preferencialmente. Não é isso, sabe-se bem.
Assim, essa já longa falta de credibilidade das autoridades do Ministério do Esporte integra um contexto maior, tornando-se apenas mais um fato na constância de escândalos que nos atingem, como o espetacular superfaturamento do Pan-2007.
Sobre tudo isso é oportuno voltar a citar o francês Jacques Généreux, autor de O horror político - editora Bertrand Brasil -, no qual analisa o momento mundial. Professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, diz ele: “Nossa crise não é da economia, mas, sobretudo, da vontade política, da coragem política, do debate político, da informação política, do compromisso político, da luta política - uma crise da democracia”.
E demonstra como as ações governamentais têm objetivo maior - mas escondido nas ações - do que os divulgados pelas assessorias do governo. “Se ainda existe algum interesse pelos `excluídos´, pelos `pobres´, em suma, pelos `inúteis´, é pelo fato de ainda serem eleitores.”
Eis, então, a verdade. É nesse contexto que se integra a candidatura do ministro do Esporte, Orlando Silva, que tentará se eleger deputado federal por São Paulo.
Evasão
Quando festejou a conquista de medalhas por brasilienses no Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007, o secretário de Esportes do Distrito Federal, Aguinaldo de Jesus, prometeu repatriar os atletas da cidade vinculados a clubes nos estados. Já havia feito o mesmo discurso na frente de Marilson Gomes dos Santos, quando ele ganhou, pela primeira vez, a Maratona de Nova York, em 2006. Três anos depois, estamos na mesma, nenhuma iniciativa nesse sentido e, pior, a evasão de talentos cresce assustadoramente, inclusive para o exterior.
Parabéns
Atleta brasileiro mais premiado em olimpíadas - cinco medalhas, sendo duas de ouro -, Torben Grael acrescenta ao seu valiosíssimo currículo a espetacular vitória, por antecipação, da Regata Volta ao Mundo. No comando do barco sueco Ericsson 4, Torben consagra-se, de vez, como um dos maiores nomes do esporte mundial contemporâneo.
Modalidade disputada no isolamento dos mares, a vela brasileira torna-se referência mundial pela ousadia e técnica de seus velejadores, pois no Ericsson 4 estavam, além de Torben, João Signorini, o Joca, Horácio Carabelli, Marcelo Ferreira, André Fonseca, Kiko Pelicano e Alan Adler, além de cinco estrangeiros.
A essa geração de campeões incluímos dois expoentes desse esporte, Lars Grael, com duas medalhas olímpicas, e Robert Scheidt, bicampeão olímpico e oito vezes campeão mundial da classe laser. A vela, enfim, alia esse desempenho ao extenso litoral brasileiro e à fartura de nossas águas interiores, propícias para formar talentos que deem seguimento a esse time vitorioso.
Lançamento
Será na terça-feira, na Livraria Cultura, em São Paulo, o lançamento de mais um livro do jornalista Juca Kfouri: Por que não desisto - futebol, dinheiro e política. Com prefácio de Tostão - que considera o livro “indispensável” -, o autor analisa os mais atuais temas do esporte nacional, incluindo a realização da Copa do Mundo de 2014, e faz uma indagação oportuníssima: o que motiva o país a se interessar, com tanta dedicação, a sediar os Jogos Olímpicos?
Ainda não se sabe a origem do processo, mas estão tentanto intimidar o advogado paulista Alberto Murray Neto, um dos mais combativos críticos sobre o sistema olímpico brasileiro.
A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, no Rio de Janeiro, abriu processo para investigar sobre o blog "www.albertomurray.wordpress.com", também sem se saber o motivo de tal iniciativa.
O blog em questão, caracteriza-se por conter informações e opiniões contrárias à candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2016, o que é plenamente normal. Mais: divulga com precisão dados oficiais do Tribunal de Contas de União e Minsitério Público Federal sobre os desmandos praticados com o dinheiro público durante o Pan-2007, que consumiu espetaculares R$ 3,7 bilhões, para um orçamento original de R$ 400 milhões. É o maior escândalo esportivo-financeiro que se tem notícia e que o TCU está demonstrando em detalhes como isso ocorreu.
Independentemente dos motivos que levaram a delegacia carioca a investigar esse blog, observa-se, de início, uma ameaça à liberdade de expressão, que deve ser combatida com repulsa total.
O blog em questão é público, como todos, não se escondendo atrás de nomes fictícios; tem simpatizantes e colaboradores, é aberto, enfim. Além disso, tornou-se uma espécie de tribuna nacional, que repercute opiniões e pensamentos dos que buscam moralizar o uso do dinheiro público destinado ao esporte, já que o Ministério do Esporte omite-se oficialmente nessa missão que deveria liderar.
O legado da segurança na cidade do Rio de Janeiro, que o governo federal e o Comitê Olímpico Brasileiro tanto se orgulhavam de divulgar, antes dos Jogos Pan-Americanos de 2007, continua fazendo vítimas.Sete mortos no balanço de um só dia, entre eles dois policiais.
Na última madrugada, traficantes rivais disputavam o domínio de pontos de vendas de drogas. Tiroteio para mais de quatro horas. Chega a polícia e a artilharia cresce. A insegurança dos moradores das redondezas dos morros dominados por traficantes é total. Pior: as crianças não podem nem sequer ir à escola. É o tráfico bem instalado impondo terror e sufocando a liberdade e a cultura, à bala.
Pode parecer estranho um blog de esportes tratar de crônica policial. Mas é nessa cidade, que tanto nos orgulhamos de ser o mais importante cartão postal paisagístico do país - patrimônio da humanidade, inclusive - que se pretende realizar as Olimpíadas de 2016. A crítica é porque não se acredita mais nos discursos políticos e, assim, não se terá, tão cedo, segurança no Rio, mesmo crescendo investimentos para a compra de equipamentos e veículos de combate.
O que temos pela frente é um absurdo de extremos espetaculares: o governo apoiando uma proposta para 2016, que exige investimentos planejados na educação, cultura e formação esportiva (e não temos isso), enquanto a geração que deveria ser agente desses benefícios fica em casa, fugindo do tiroteio, ajoelhada, escondida, com medo diante do poder maior do crime organizado.
O site do Minsitério do Esporte continua sem uma só referência à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que, na quarta-feira, determinou a devolução de R$ 2,7 milhões aos cofres públicos.
Junto com empresários que administraram o consórsio da Vila Pan-Americana, no Rio de Janeiro, Ricardo Leyser Gonçaves é quem terá que restituir o dinheiro, depois de ter sido identificado superfaturamento em vários contratos.
Ricardo Layser Gonçalves não é pouca coisa no ministério. Além de ter sido o representante do governo no Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos de 2007, ele é o Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, ou seja, homem da extrema confiança do ministro Orlando Silva.
Nestes tempos de internet, as informações invadem as redações com velocidade espantosa. Nem todas são confiáveis. Mas uma que me chegou às mãos, de fonte segura, trata da análise diária que a assessoria do ministro do Esporte, Orlando Silva, faz das notícias publicadas nos jornais. Esporte na mídia é o nome do boletim que resume as principais matérias sobre o setor, veiculadas na imprensa e em sites específicos.
A exemplo do que ocorre em outras áreas do governo, esse material é para economizar o tempo das autoridades, poupando-as da leitura de volumosos jornais. Esporte na mídia, no caso, apresenta, ao fim de cada notícia, uma avaliação se a mesma é “positiva, negativa ou neutra”.
O boletim que me foi enviado é o de quinta-feira passada, que transcreve quase todo o teor desta coluna, de minha autoria. Orgulhoso por estar no boletim ministerial, logo fiquei frustrado ao ler que os dois analistas responsáveis pelo boletim classificaram minhas informações como “negativa”. Naquela ocasião, escrevi sobre o excesso de órgãos na gestão do esporte, sobre a falta de diálogo e a omissão do Ministério do Esporte na liderança dos principais assuntos de sua área.
Enfim, é apenas um boletim, teórico e burocrático. E a ação ministerial sobre assuntos que silencia continua na mesma, negativa.
Confao
O presidente do Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), Sérgio Bruno Coelho, apresenta farto material demonstrando a importância dos clubes no contexto esportivo. Com base nos números, essas entidades buscam participar do rateio dos recursos das loterias federais, atualmente administrados pelos comitês Olímpico e Paraolímpico.
Os principais clubes - Sogipa e União (RS), Corinthians e Pinheiros (SP), Minas Tênis (MG), Flamengo, Fluminense e Vasco (RJ) - têm um potencial pouco divulgado: 9.129 atletas federados e 25.343 alunos em formação.
Em nível olímpico, a situação é a seguinte: dos 277 atletas da delegação brasileira nos Jogos de Pequim, 213 (77%) foram formados ou eram mantidos, à época, por clubes nacionais. E dos 75 brasileiros medalhistas naquele evento oriental, 28 (37%) estavam vinculados a clubes brasileiros, e 35 competidores (47%) - a maioria, portanto - pertenciam a agremiações estrangeiras, nas modalidades de handebol, vôlei, basquete, futebol e hipismo.
“Denota-se a necessidade de uma política de esporte definida e consolidada, que evite essa evasão de atletas brasileiros para clubes do exterior”, diz o presidente do Confao.
O detalhado balanço justifica-se, mesmo porque Sérgio Bruno Coelho é, também, presidente do Minas Tênis Clube, instituição que, dos Jogos de Helsinque-1952 aos de Pequim-2008, participou com 45 competidores e cinco técnicos. No contexto das informações, fica evidente, como já escrevemos, a necessidade de contar com os times no programa de formação de atletas olímpicos.
Porém, a ausência dos clubes do rateio dos recursos das loterias demonstra como ainda estamos perdidos no diálogo - ou na falta dele - entre as instituições que formam o Sistema Nacional de Esportes.
Desde que as loterias federais começaram a repassar os recursos ao esporte (Lei nº 10.264/2001), o COB dialoga exclusivamente com as confederações, que formam sua estrutura. E não desceu nessa hierarquia, por exemplo, até às federações, também alijadas do sistema de recebimento de verbas, e muito menos até os clubes. O tempo passou. Lá se vão oito anos de vigência dessa lei, e os clubes decidiram gritar. Com números efetivos nas mãos, faz sentido.
Ocorre que alterar os percentuais de repasse unicamente das loterias federais significa ignorar as outras fontes - e são várias. Como o financiamento do esporte olímpico é quase que exclusivamente responsabilidade da União, está na hora de o governo federal reavaliar o que existe de fontes, promovendo a redistribuição dos recursos para que cheguem, efetivamente, à base, isto é, às instituições que trabalham com a formação de atletas.
Aposta
Autoridade do futebol profissional com livre trânsito na cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aposta que o Brasil de 2014 não terá as 12 sedes hoje contempladas para receberem os jogos. Duas, no mínimo, ficarão pelo caminho.
Respeito
Marizete Moreira, do Clube de Atletismo de Sobradinho (Caso), ganhou a Maratona de São Paulo. Não foi uma vitória aleatória, mas de superação física e técnica. Na prova internacional, superou quenianas e etíopes, inclusive. Com mais esse resultado, Marizete ganha espaço na mídia e se torna referência entre as corredoras de rua do país. Por isso, merece respeito, principalmente, dos patrocinadores de ocasião que, disfarçados de investidores, revelam-se predadores do esporte ao explorar atletas com cachês miseráveis.
Ricardo Leyser Gonçalves, do Ministério do Esporte, terá que devolver R$ 2,7 milhões aos cofres da União. Esse é o resultado do superfaturamento em instalações de ar condicionado, montagem de cadeiras, camas, instalações de persianas e fornecimento de colchões, entre outros serviços, na Vila Pan-Americana, que recebeu cinco mil atletas no megaevento, durante duas semanas.
A cobrança dessa gastança foi feita ontem quando o Tribunal de Contas da União aprovou o primeiro processo que confirma o superfaturamento nas despesas dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.
Além de Ricardo Leyser Gonçalves, também responderão pela devolução do dinheiro, o presidente da comissão de licitação, Luiz Custódio Orro de Freitas, José Pedro Varlotta e José Mardovan Carvalho Pontes, da comissão de licitação, e o Consórcio Interamericano, representado por sua empresa líder, JZ Engenharia e comércio Ltda, com sede em São Paulo.
O Tribunal de Contas da União aprovou, com ressalvas, as contas do governo Lula referentes a 2008. Como de costume, fez recomendações. Por exemplo, que o Executivo tenha um plano de ação para tortalecer os sistemas de planejamento, avaliação, monitoramento e controle da administração pública, para evitar gastos excessivos.
E que gastos excessivos os ministros do TCU usaram para exemplificar? os realizados nos Jogos Pan-Americanos. Vejam o que as autoridades escreveram:
"Nos Jogos Pan-americanos, por exemplo, o gasto da União foi 18 vezes maior que o previsto"...
Essa realidade do Pan é tão grave - gravíssima, até - que o TCU conseguiu analisar as contas de 34 ministérios do governo Lula, de 2008, em cinco meses, mas não conseguiu fechar, até hoje, as contas dos Jogos Pan-americanos 2007. Dois anos de trabalho sem um parecer final. São centenas de processos que tiram o fôlego dos auditores do TCU e o sono das autoridades do Ministério do Esporte, principalmente, envolvidos com denúncias de irregularidades sem fim.
A euforia entre os torcedores para recebermos a Copa de 2014 no Brasil continua, mas onde o governo federal já atuou para tirar do papel os projetos que nos garantiram o evento? Qual o diagnóstico das obras, nas 12 cidades-sedes? Quanto será investido pelo governo federal? Quem fala sobre isso, a Casa Civil, o Ministério do Esporte, do Planajemento, das Cidades?
Para tentar evitar os desmandos ocorridos com o dinheiro público durante o Pan-2007, a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados aprovou 14 requerimentos convocando audiências públicas com ministros, governadores e prefeitos das cidades que receberão os jogos, além de representantes de segmentos organizados da sociedade civil e do Comitê Organizador Local do Mundial de futebol.
Também foi aprovado requerimento solicitando à Casa Civil da presidência da República e aos ministérios do Planejamento e do Esporte informações sobre o programa orçamentário da Copa 2014, detalhando os investimentos a serem feitos pelo governo federal na organização do evento.
O presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, deputado Sílvio Torres, disse que é imprescindível realizar um amplo diagnóstico para garantir o controle das despesas com recursos públicos. “É fundamental evitar a repetição do que ocorreu com os Jogos Pan Americanos do Rio de Janeiro, cujos custos, incialmente orçados em R$ 400 milhões, foram superiores a R$ 4 bilhões, sem que as contas relativas às despesas efetuadas pelo governo federal tenham sido, até hoje, aprovadas pelo TCU”, disse o deputado.
Já sugeri neste espaço sobre a necessidade de o Ministério do Esporte promover uma reavaliação geral sobre a distribuição e gestão do dinheiro público no esporte. Algo que, sabe-se bem, ficará na sugestão, pois falta a esse órgão do governo federal a competência técnica para tanto. Isso porque, nos principais cargos do ministério estão militantes políticos de ocasião, sem conhecimento do assunto que dirigem.
Porém, deve-se considerar que o momento não é oportuno para tanto, pois o ministro Orlando Silva (PC do B) lançou-se pré-candidato a deputado federal, por São Paulo - mesmo sendo ele natural da Bahia. Assim, tratar de uma reforma no sistema de financiamento do esporte nacional, agora, levaria o debate para o enfoque político, o que é arriscado.
Mas é oportuno que se mostre como o Brasil é um país riquíssimo em representatividade esportiva. Tais instituições - listadas abaixo - atuam sem diálogo ou intercâmbios, o que revela a falta de liderança Ministério do Esporte nesse sentido. Observem a fartura que existe, legalmente:
No Executivo
1. Ministério do Esporte
3. Conselho Nacional de Esporte
4. Fórum de Gestores e Secretários do Esporte
5. Conferência Nacional do Esporte (duas edições realizadas em seis anos)
6. Comissão Nacional de Atletas (temporariamente desativada)
No Legislativo
1. Comissão de Turismo e Esporte (Câmara Deputados)
2. Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Senado)
3. Frente Parlamentar do Esporte
c) Sistema Nacional do Esporte
1. Comitê Olímpico Brasileiro
2. Comitê Paraolímpico Brasileiro
3. Confederações esportivas
4. Confederação de Desporto Universitário
5. Confederação de Desporto Escolar
6. Federações esportivas
7. Ligas esportivas
8. Clubes e associações
d) Entidades individuais
1. Confederação Brasileira de Clubes
2. Conselho Superior Interclubes
3. Conselho de Clubes Formadores de Atletas
Diante disso, seria oportuno, então, um estudo para reduzir à metade as instituições do esporte. Quem sabe aí esteja o problema: é muita entidade, pouco diálogo e falta de decisões.
Aposentadoria
Em 30 de junho, Marcos Vinícios Vilaça se aposentará do cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Já é grande a expectativa para se saber quem será o ministro sorteado que substituirá Vilaça, para concluir o relatório de fiscalização dos gastos públicos - R$ 4 bilhões - no Pan 2007, no Rio de Janeiro.
Combate ao doping
Projeto de lei que torna em crime hediondo a venda e consumo ilegais ou o tráfico de esteróides anabolizantes será votado hoje na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. O relator do projeto (nº 124/2005), senador Romeu Tuma, é favorável à tramitação do proposta, que punirá os infratores com penas de até dois anos de prisão e pagamento de multa.
Alexandre Pagnani, presidente da Confederação de Culturismo e Musculação e da Associação Brasileira de Combate ao Doping, adverte que ainda existem profissionais que ensinam sobre o uso de esteróides anabolizantes para seus alunos. Algo como traficantes orientando crianças a usar drogas.
Os esteróides anabolizantes aumentam os músculos e ajudam a melhorar o desempenho físico de modalidades que exigem muita força. Em compensação, provocam efeitos devastadores no organismo humano, como infertilidade, calvície e aumento da próstata, nos homens. Já nas mulheres, crescimento de pelos faciais, voz grossa e ausência de ciclo menstrual, principalmente.
A Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) foi derrotada em suas pretensões de tirar de quadra os jogadores que reclamavam direitos na justiça trabalhista.
Decisão da juíza do Trabalho, Naiana Carapeba Nery de Oliveira, do Ministério Público do Trabalho, em Brasília, anulou ato da CBFS que cancelava a inscrição dos atletase, que fossem parte em ações judiciais contra seus empregadores.
Na resolução (nº 6/2009) que assinou, o presidente da CBFS, Aécio Vasconcelos, argumentou que a confederação não registra contrato de trabalho profissional, pois promove apenas competições oficiais e não profissionais de futsal.
Na prática, os clubes que participam dos principais eventos da CBFS substituem o registro de trabalho na carteira profissional dos atletas por pagamentos de uso do “direito de imagem”.
“É exatamente para não deixar impune uma situação como essa, em que a CBFS pensa tudo poder, ignorando princípios e direitos constituicionais fundamentais, impõe-se sua condenação em indenização por danos morais coletivos”, sentenciou a procuradora do trabalho, Ana Cristina Ribeiro, ao instruir a ação civil pública (nº 893/2009).
A juiza do trabalho, Naiana de Oliveira, por sua vez, considerou que a resolução da CBFS “viola o direito de ação e o exercício da prática profissional de futsal”. E assegurou a todos os atletas condições de jogo em qualquer competição. No mesmo ato, a juíza tornou sem efeito todos os cancelamentos de inscrições ocorridos, fixando a pena de R$ 10 mil por violação que vier a ocorrer.
É interessante a forma ditatorial com que os cartolas agem contra jogadores profissionais. Pagam salários disfarçados de "direito de imagem", burlam a lei não assinando a carteira profissional, transgridem leis maiores, como a Constituição Federal e se escondem por trás de um amadorismo disfarçado.
O pior que a CBFS é financiada com verbas públicas, pois tem um rico patrocínio do Banco do Brasil e dos Correios.
O Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) dispõe um excelente site para acompanhar os preparativos à Copa do Mundo de 2014. Confira: www.copa2014.org.br
O espaço, que será apresentado oficialmente amanhã, em São Paulo, contém informações sobre todos os setores que envolvem a preparação do país, como infraestrutura esportiva, urbana e regional das 12 cidades.