Recentemente, foi Jefferson Peres. Agora, Célio de Castro. O mundo vai ficando mais pobre de pessoas dignas, honradas, que passaram pela Terra pra fazerem a diferença - e fizeram.
Célio foi médico admirado por seus pares e clientes, político sempre ao lado das causas mais importantes do Brasil. Lutou contra a ditadura, pelo sindicalismo atuante, comandou Belo Horizonte com o mesmo jeitinho tranqüilo, paciente, mas atento, com que também se portava no consultório.
Pode-se, sem medo de errar, dizer que BH foi uma antes e outra depois da gestão dele. Célio olhou para as regiões pobres da cidade, urbanizou vilas e favelas, tentou reduzir as diferenças entre as áreas mais e menos nobres. No rastro de Célio, outros prefeitos seguiram o caminho da melhoria das condições de vida da Capital.
Que a morte de Célio, exatamente num ano de eleição, tenha efeito mais do que simbólico. Que os eleitores de Belo Horizonte se lembrem de quem governou pela cidade e para a cidade, sem outros pensamentos de qualquer sorte que tirassem o foco administrativo ou político do prefeito.
Não à toa, ganhou o apelido gentil de Doutor BH. Mote de campanha, virou sinônimo de quem cuidou da cidade como um paciente precisando de carinho, atenção, tendo sempre uma visão holística sobre a capital, tratando dela como um ser vivo.
E VOCÊ, O QUE ACHAVA DE CÉLIO DE CASTRO? APROVOU A GESTÃO DELE COMO PREFEITO DE BH? VÊ OUTROS CANDIDATOS COM PERFIL PARECIDO COM O DOUTOR BH? O QUE ESPERA DAS URNAS DESTE ANO? COMENTE JÁ.
A desistência do Senado em criar quase cem cargos sem concurso, com salário de 10 mil reais, demonstra que, quando a pressão popular acontece, dá resultados. A repercussão negativa foi enorme e os parlamentares da Mesa Diretora decidiram arquivar a proposta "indecente". Cobertura da imprensa, denúncia de mais um abuso no Congresso, emails de eleitores para Brasília - o conjunto dessas manifestações da sociedade forçou a revisão da iniciativa, que implicaria um gasto calculado em mais de um milhão de reais.
O País já teve bons exemplos assim. O melhor deles quando a população nas ruas levou o presidente Collor ao impeachment. Mas não é prática comum. O brasileiro é sereno, reativo, exageradamente calmo. Os escândalos estourando por aí, a torto e a direito, e nós, mais do que de forma civilizada, aceitamos tudo.
E foi nesse embalo que o Senado, na calada da noite, tentou aprovar essa contratação de apaniguados com o nosso dinheiro. É por essas e outras que, de vez em quando, rolam brincadeiras de mau gosto como essa, abaixo, na web, numa alusão ao World Trade Center...

O QUE VOCÊ ACHA? O BRASILEIRO É PASSIVO DEMAIS? FALTA MOBILIZAÇÃO POPULAR? O QUE VOCÊ SUGERE PRA QUE ESSA SITUAÇÃO MUDE? COMENTE JÁ!
Clodovil sempre foi ousado, abusado, meio maluco, criativo. Assumidamente homossexual, assumiu também outras características que fizeram dele um sujeito "anormal": com um jeitão de quem ou está de ótimo humor ou não está com nenhum, nunca teve papas na língua, sempre falou o que considera verdade.
Agora, no papel de deputado federal, Clodovil repete o que foi marca em sua trajetória de vida. Propõe uma alteração da Constituição que reduz pela metade o número de parlamentares na Câmara Federal.

E, vamos e convenhamos, Clodovil está coberto de razão: o Congresso Nacional tem uma das piores imagens institucionais do país, e seus integrantes fazem força pra reforçar essa imagem. CPIs que não dão em nada, jornada de terça a quinta em Brasília, um blablablá que não leva a nada, muita falação para pouca ação. Alguém se lembra aí qual foi o último grande projeto que mudou a vida dos brasileiros votada pelos deputados federais? Ah, sim, já ia me esquecendo... o fim da CPMF! Pois bastaram poucos meses pra que os mesmos parlamentares que aliviaram o bolso do contribuinte voltassem com um projeto que instituiu nova contribuição para a Saúde... É, temos o Parlamento que merecemos.
Reduzir o número de deputados, com o atual sistema político, não vai alterar em nada a política nacional, nem o desempenho da Câmara, nem a nossa história. Pouco têm feito com 513, vão continuar a fazer a mesma coisa com 250. Ficaria tudo como dantes, a proporcionalidade nas bancadas por Estado seria mantida, mas com uma diferença, essa sim, grande: os contribuintes iriam economizar muito dinheiro com menos salários para os deputados, menos assessores, menos carros, menos luz, água, correios, verbas de representação, passagens aéreas etc etc etc.
Clodovil está fazendo um grande serviço para o Brasil (ih, deu rima). Enquanto a reforma política não vem, acho merecido.
E VOCÊ, O QUE ACHA? CLODOVIL TEM RAZÃO? OPINE JÁ!
Estive nessa quarta no Mineirão para assistir a um dos maiores clássicos do esporte mundial, mas futebol que é bom mesmo...

De queixo caído com futebol tão ruim...
Então, prefiro falar sobre a organização do evento, feita com vistas a BH ser uma das sedes da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.
Em quase tudo, perfeita.
O trânsito fluiu com razoável tranqüilidade, na ida e na volta, se bem que foi um jogo de apenas 50 mil espectadores, bem abaixo do que uma Copa do Mundo pode proporcionar. Havia muitos agentes da BHTrans nas ruas, principais cruzamentos, e muitas viaturas da PM.
A segurança em torno do estádio e dentro dele também funcionou legal. Não me lembro de evento com tantos policiais fardados e armados como nesse jogo, à exceção do Encontro do Bid, há dois anos.
As bilheterias funcionaram bem, os cartões passaram sem problemas.
Durante o jogo, notei um problema grave: nem todo mundo teve lugar pra sentar e estavam sobrando cadeiras. Ou seja, eu avistava cadeiras vazias e havia gente de pé, nas entradas de acesso às arquibancadas. Aí, veio a confusão. Gente em pé na frente obriga as pessoas de trás, sentadas, a se levantarem, e a coisa vai como bola de neve. A certa altura, quase todo mundo estava de pé ali no setor da torcida do Cruzeiro e, se não me engano, nos outros setores também.
Venda de alimentos e bebidas durante o jogo, na arquibancada, praticamente não houve. Passaram por mim três ou quatro pessoas com jalecos vendendo água mineral apenas. Mas, de repente, apareceu um gaiato, com evidentes sinais de embriaguez, vendendo copos de água que ele tirava de uma bolsa a tiracolo. Obviamente, um vendedor clandestino, faturando alto, já que não havia tantos vendedores quanto se vê normalmente no Mineirão.
E você, o que achou do jogo e da organização do evento? Viu problemas ou considera que tudo funcionou perfeitamente? Comente já!
A notícia da prisão do adolescente que tentou entrar numa escola de BH escalando o muro pra entregar flores e fazer uma serenata pra namorada nos leva a muitas reflexões:
- Será que o colégio não poderia ter transigido e deixado o jovem enamorado fazer a homenagem? A regra existe pra que possamos determinar a exceção. Então, se a regra do colégio é não permitir interrupções de qualquer natureza nas atividades escolares, a escola poderia ter permitido essa exceção, em nome da ocasião – afinal, é dia dos namorados.
- O colégio deu demonstração de que preza pela segurança e pela educação do alunos. Isso é importante para tranqüilizar pais e alunos. Sem sucesso pela portaria, onde foi barrado, o Romeu moderno tentou o muro...

Flores tiveram de esperar o fim da aula...
- Depois do episódio, o que ficou foi um sentimento ruim, né? Um ato tão romântico e bonito nesse mundo tão violento acabou frustrado porque a segurança falou mais alto. Desconfio que, pedagogicamente, a escola teria ganhado muito se tivesse deixado o rapaz dar as flores à namorada e cantar. Um exemplo positivo que vale mais do que muitas aulas...
E você, o que acha? Comente já!
A entrevista coletiva da BHTrans serviu pra confirmar as denúncias da imprensa contra o órgão. O diretor-presidente Ricardo Mendanha confirmou que há um ranking de fiscais, em que o primeiro lugar é ocupado pelo que mais multa, mas negou que haja “uma indústria”. Mendanha diz que a política adotada pela empresa para punir motoristas “não é ilegal, mas pegou mal”.
Já o diretor de uma das regionais da empresa, Marcos Fontoura, admitiu que existe um dia da semana em que não só os fiscais mas os gerentes e supervisores vão pras ruas “mostrar presença da BHTrans”, mas disse que não se chama “quarta-feira maluca”. É “quarta-feira total”. Fez uma diferença...
Pergunta que fica no ar: as multas aplicadas nesse período de premiação com folgas para quem cumpre metas podem ser questionadas na Justiça? Espera-se que o Ministério Público entre logo no caso e corrija o que for abuso.
Comente já o que achou da coletiva da BHTrans!
Fico devendo um post que já deveria ter feito, falando do “outro lado”, como muitos já comentaram neste blog: o comportamento do motorista de Belo Horizonte. Em breve.
Antes da entrevista coletiva marcada pela BHTrans para as 10h da manhã desta quarta-feira, o jornal Estado de Minas sai com novas denúncias contra o órgão fiscalizador do trânsito em Belo Horizonte. Agora, os repórteres Thiago Herdy e Fábio Fabrini comprovam, por estatística, que, nos dois anos em que houve o esquema de pressão por produtividade, o registro de multas subiu mais de 50%. Passou de 190 mil multas em 2005 para 288 mil em 2007, elevando a arrecadação com a punição a motoristas a 42 milhões de reais.
É, a BHTrans vai ter muito o que explicar hoje. Entre as perguntas ainda não respondidas de forma clara e oficial:
- A BHTrans, legalmente, pode multar ou apenas regular o trânsito por meio das regras de circulação e orientação a motoristas?
- Os agentes do órgão têm poder de Polícia?
- Por que há tanta insatisfação de motoristas? Por que tanta sensação de injustiça? Denúncias de abuso de autoridade? Exagero?
- Por que a opção pela punição em vez da educação?
Apenas algumas, entre tantas dúvidas.
O Ministério Público já avisou que vai investigar a BHTrans. Também há, na Justiça, uma ação que tenta cancelar as multas aplicadas desde 2004, exatamente porque questiona a competência do órgão para tal.
Belo Horizonte está ficando em situação cada vez pior, devido ao aumento da cidade e da frota de veículos, numa cidade cuja área central não foi planejada para isso. Precisa, portanto, de um órgão administrador do trânsito com credibilidade e respeito dos cidadãos. Hoje, a BHTrans está longe disso.
E você, o que acha da BHTrans? Comente já!
A BHTrans acaba de convocar uma entrevista coletiva para amanhã cedo para explicar o caso das multas. Vamos ver o que vem por aí. Fique ligado neste blog para acompanhar todos os detalhes.
O repórter Thiago Herdy, do jornal Estado de Minas, informa que a pressão por registro de multas não se dava apenas na fiscalização do estacionamento rotativo, como foi denunciado recentemente por um agente da BHTrans. O jornalista teve acesso a uma planilha de fiscais do órgão, em que o primeiro da lista é o que aplicou mais multas, uma espécie de ranking de desempenho.
Hoje cedo, ouvi entrevista de um diretor da BHTrans à rádio Itatiaia, em que ele afirma não ter havido a aplicação de nenhuma multa que não fosse justa. É o que o Ministério Público agora quer saber, visto que decidiu investigar o caso.
De todo modo, as pressões para aplicação de multas, a premiação com folgas para os que têm "melhor desempenho" e a revelação da tal planilha colocam uma sombra de dúvidas sobre a ética de tais procedimentos.
Mas uma coisa é certa: o sentido educativo das multas não parece ser a determinação principal do órgão fiscalizador.
E fica ainda mais evidente depois da denúncia mais grave, a tal "quarta-feira maluca", dia em que não só os agentes, mas também gerentes e supervisores vão pras ruas fortalecer a "fiscalização".
E você, o que acha? Comente já!
No fim da tarde, a BHTrans divulgou nota informando que revogou a medida que instituiu a premiação para agentes que cumprem a meta de multas. A medida foi adotada em abril, em caráter experimental, restrita a 19 agentes que atuam nas áreas de rotativo, e agora é suspensa depois de uma reunião do conselho de fiscalização do órgão.
A revogação se dá depois da denúncia vir a público e de grande repercussão negativa na sociedade. Basta ver os comentários neste blog, no post abaixo. Mas não salva a BHTrans de uma investigação. O Ministério Público informou nesta quinta que vai apurar o caso.
A denúncia sobre premiação para agentes da BHTrans que mais multarem é de arrepiar.
Como é que pode uma empresa de capital misto*, incumbida de prestar um serviço público, fazer isso? As empresas de capital misto têm participação de dinheiro privado. Portanto, visam lucro. Se ela incentiva multar, dá brecha pra acreditarmos que está de olho no faturamento.
Não defendo o infrator de trânsito. Quem erra deve pagar. Mas não é possível que se atrele o número de multas registradas a uma premiação qualquer, sob pena se se levantarem suspeitas as mais óbvias: alguém, a ponto de atingir a meta, mas ainda abaixo dela, pode "forçar a barra", certo? E quem paga o pato é o contribuinte.
Também não estou duvido do caráter dos agentes da BHTrans. Estou falando de características que são humanas. O erro. A ambição. Para preservar o emprego, garantir salário maior e melhores condições de trabalho, muita gente é capaz de muita coisa...
Ouvi a notícia dada pelo meu querido colega de profissão Eduardo Costa, da Rádio Itatiaia. Eduardo informou que a BHTrans alega ser apenas um teste, que estaria sendo feito com 19 agentes para avaliação de desempenho individual. Entre os 12 itens avaliados, um seria uma meta de multas para motoristas que não usam o Faixa Azul.
Acho a avaliação individual um instrumento muito importante para gerenciar os recursos humanos de uma empresa. Mas sugiro que o órgão de trânsito substitua esse item por outro menos comprometedor.
Aliás, por que não incrementar a fiscalização sobre outros problemas que causam muito mais tumulto no trânsito do que a falta do rotativo? Quem fecha cruzamento no horário de pico, por exemplo. Desconfio que a média de multas para essa infração, que tem conseqüências gravíssimas para o bom fluir do tráfego em Belo Horizonte, é muito menor do que para o Faixa Azul.
Se eu estiver errado, e tomara, espero que a BHTrans me corrija.
E você? O que acha do trânsito de BH? Como avalia o trabalho da BHTrans? Acha correto que um agente seja premiado pelo número de multas que aplica? Comente já!

Agentes da BHTrans: quem multa mais, folga mais...
* Conforme a Lei 5.939 de 30 de agosto de 1991 que diz: “Art. 1° - A Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte S/A - BHTRANS - é uma sociedade de economia mista, constituída sob a forma de sociedade anônima [...]e que se regerá pelas disposições da Lei de Sociedades Anônimas, de outras leis aplicáveis e pelo presente Estatuto”.
Entre os 31 adolescentes liberados do Centro de Internação Provisória do Horto, em Belo Horizonte, na segunda-feira, há infratores com ocorrências consideradas graves, diferentemente do que afirma a Justiça no jornal Estado de Minas desta quarta-feira. "Os adolescentes são autores de infrações de menor potencial ofensivo”, disse a juíza Valéria Rodrigues.
Os registros do Poder Judiciário mostram que 17 estão respondendo por tráfico de drogas, 4 por homicídio, 17 por assalto e furto e 10 por porte ilegal de arma. Além disso, há outros crimes considerados "menores": direção sem carteira de habilitação, uso de falsa identidade, ameaça, agressão, lesão corporal.
Sete dos 31 têm mais de 18 anos.
O caso está misterioso.
A secretaria de Defesa Social do Estado admite que há um deficit de 30 vagas nos centros de recuperação de jovens infratores. Praticamente o número de adolescentes infratores liberados anteontem. E o déficit não é novidade. Em julho do ano passado, a repórter Isabela Alves, do jornal Estado de Minas, havia noticiado o problema.

Ceip: além do prazo da lei