Incrível como o Brasil se tornou a "República dos grampos". Essa constatação foi endossada pela declaração de ontem (24) do ministro da Justiça, Tarso Genro:
"Nós estamos chegando num ponto em que temos que nos acostumar ao seguinte: falar no telefone com a presunção de que alguém está escutando".
Isso é um fato, mas é perturbador ouvir do ministro da Justiça!
O problema não são as escutas feitas com autorização judicial, acompanhadas pela Polícia Federal e Ministério Público para uma investigação. Nenhum cidadão honesto deve temer esse tipo de procedimento, embora qualquer frase fora de contexto possa provocar inúmeras interpretações.
O que preocupa são as escutas clandestinas, ilegais.
Quem é jornalista em Brasília, sabe. É difícil conversar sobre assuntos importantes por telefone com autoridades públicas. Promotores, policiais, parlamentares e integrantes do Executivo temem muito o grampo telefônico.
Para saber, de fato, o bastidor de um fato político é necessário conversar pessoalmente. Ás vezes, até mesmo nesses encontros, há um certo temor de falar porque existem as tais escutas ambientes.
Outro dia uma ex-autoridade graduada do GDF contou ao blog que pediu para especialistas rastrearem a sua casa para conferir se havia algum tipo de escuta (legal ou ilegal). Nada foi encontrado. Mas a vistoria é periódica.
Há três anos, a procuradora-geral do Ministério Público de Contas, Cláudia Fernanda, foi vítima desse tipo de prática ilegal. Por conta de sua atuação, ela ganhou alguns inimigos que grampearam o telefone de sua casa. Conversas pessoais foram misturadas a diálogos inexistentes e gravados num CD distribuído a cada um dos conselheiros do TCDF e deputados distritais. A privacidade dela foi exposta.
Na época, houve suspeita de que promotores do Ministério Público do DF, desembargadores e até o conselheiro Renato Rainha, que já foi delegado de polícia, haviam sido grampeados...
No meio dessa confusão, há muitas histórias que circulam em Brasília. Comenta-se, por exemplo, que existem até mesmo gravações em vídeo. Alguns colaboradores de campanhas eleitorais filmaram o momento em que entregaram o dinheiro para alguns candidatos e guardam esse acervo em algum lugar a sete chaves.

Crédito: Divulgação/GDF
O governador José Roberto Arruda viajou a Washington, nos Estados Unidos, acompanhado do presidente de seu partido, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ). Mostra assim que continua bem afinado com a legenda, ao contrário das especulações que circulam na cidade sobre uma eventual mudança de partido.
Arruda tem dito que todos os seus planos para 2010 incluem o Democratas.
Uma auditoria aprovada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal nesta semana apresentou problemas na gestão da saúde.
O relatório mostrou que houve desproporção entre o que foi investido em 2007 na aquisição de equipamentos e materiais permanentes (R$16 milhões) e no que foi gasto com vigilância de patrimônio (R$60,9 milhões). As informações são do Ministério Público do Distrito Federal.
Trata-se de um problema para o chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, que até um mês atrás comandava a secretaria de Saúde e ainda mantém influência no setor. Entre as atribuições atuais de Maciel está melhorar a perfornance do Executivo no TCDF. Ele comemorou há duas semanas a aprovação das contas do governo. Desta vez, no entanto, a notícia é ruim.

Crédito: Monique Renne
O que Paulo Octávio e Tadeu Filippelli têm em comum?
Ambos estão de olho na mesma cadeira, claro. Por enquanto, ela tem dono: José Roberto Arruda.
O número de acidentes de trânsito com morte caiu 20,5% no Distrito Federal, segundo dados divulgados hoje (21) pelo Detran-DF .
A comparação foi feita com os 31 dias anteriores à Lei Seca. Foram registrados 31 acidentes antes do rigor e 27 depois.
Impressionante é o número de pessoas flagradas pelo bafômetro. Em todo o ano passado foram 1008 autuações por embriaguez. Este ano já houve 971.
Segundo o Detran-DF, as operações com o bafômetro são realizadas nas madrugadas de quinta a domingo, mas também ao longo da semana, em dias aleatórios, quando as viaturas do Detran circulam em diversos pontos da cidade.
A multa para quem dirige embriagado é de R$ 957,70, o que implica falta gravíssima, equivalente a sete pontos na carteira. Agora é crime dirigir alcoolizado e, segundo a lei, há perda do direito de dirigir por, no mínimo, um ano.
DEPUTADO (A) | TOTAL |
WILSON LIMA (PR) | R$ 203.086,81 |
BATISTA DAS COOPERATIVAS (PRP) | R$ 201.820,61 |
PAULO RORIZ (DEM) | R$ 201.723,05 |
BRUNELLI (DEM) | R$ 201.180,00 |
LEONARDO PRUDENTE (DEM) | R$ 199.254,24 |
DR. CHARLES (PTB) | R$ 198.949,80 |
AGUINALDO JESUS/BISPO RENATO (PR)* | R$ 195.744,43 |
RÔNEY NEMER/ROBERTO LUCENA - (PMDB) ** | R$ 193.634,21 |
PAULO TADEU (PT) | R$ 192.828,87 |
PEDRO PASSOS/EURIDES BRITO (PMDB) *** | R$ 192.317,79 |
CABO PATRÍCIO (PT) | R$ 190.648,89 |
CRISTIANO ARAÚJO (PTB) | R$ 190.210,43 |
LUZIA DE PAULA/RAIMUNDO RIBEIRO (PSL)**** | R$ 187.304,80 |
ROGÉRIO ULYSSES (PSB) | R$ 186.901,30 |
BERINALDO PONTES (PP) | R$ 183.115,41 |
BENÍCIO TAVARES (PMDB) | R$ 182.814,25 |
RAAD MASSOUH/ELIANA PEDROSA (DEM)***** | R$ 182.671,24 |
ALÍRIO NETO (PPS) | R$ 180.225,92 |
JAQUELINE RORIZ (PSDB) | R$ 177.794,27 |
CHICO LEITE (PT) | R$ 173.872,17 |
ERIKA KOKAY (PT) | R$ 167.845,21 |
AYLTON GOMES/PEDRO DO OVO (PMN) ****** | R$ 165.575,41 |
MILTON BARBOSA (PSDB) | R$ 29.912,14 |
REGUFFE (PDT) | R$ 17.742,60 |
Do governador José Roberto Arruda à repórter Lilian Tahan, em entrevista publicada hoje (20) no Correio Braziliense:
- O senhor volta dos Estados Unidos (na próxima semana) com uma oposição ansiosa por debater a sucessão no governo. O assunto o incomoda?
Quem tem a responsabilidade de governar não tem tem tempo de mexer com a política eleitoral fora de hora. O meu objetivo é cumprir com a obrigação com a qual me comprometi quando fui eleito. Estou sempre aberto ao diálogo, mas não posso perder o foco na gestão que planejei. E tenho certeza de que esse foco vai se tornar a variável no momento certo.
Distritais reclamam de que a imprensa tem marcação com a Câmara Legislativa. Nós, jornalistas, somos injustos ao fazer críticas e mais críticas e mais críticas... É o que alguns parlamentares dizem.
Mas a Câmara dá motivo de sobra. Reportagem de hoje (19) do Correio mostra que os distritais gastaram em combustível nos últimos seis meses o suficiente para dar 39 voltas na Terra.
O Correio fez comparação semelhante no ano passado. Três meses depois de assumirem com o discurso da moralidade, os deputados já tinham torrado com gasolina e óleo diesel o suficiente para aterrissar três vezes na Lua.
Parlamentares se justificam. Afirmam que percorrem o DF para divulgar o mandato, ouvir reivindicações de eleitores e conhecer os problemas da população. Mas não há como não suspeitar de que parte desse dinheiro esteja sendo desperdiçado ou até mesmo desviado dos cofres públicos.
Como o cidadão pode ter a garantia de que servidores não aproveitam o benefício dos deputados para abastecer o carro de passeio?
Como o cidadão pode ter a garantia de que alguns postos de gasolina não providenciem notas fiscais frias para justificar despesas que não houve?
A Câmara merece um reconhecimento porque as despesas com combustível estão menores nesse primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo assim, gastar o suficiente para percorrer 1,5 milhão de quilômetros é algo de outro mundo.
Crédito/imagem: MCT/Divulgação

Crédito: Ronaldo de Oliveira
Circula uma brincadeira sobre a interinidade do presidente da Câmara Legislativa como governador do Distrito Federal. O primeiro ato de Alírio Neto (PPS) ao tomar posse nesta tarde (18) deveria ser dar férias coletivas para o Bope, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do DF.
Na última vez que Alírio virou governador, em fevereiro, houve uma grande confusão entre o Bope e foliões do Galinho de Brasília, no último carnaval. Ele assume agora em meio à substituição das vans por microônibus.
Alírio valoriza o trabalho do Bope, mas avisou que dessa vez quer ser consultado sobre qualquer operação.
Enquanto aguarda o desfecho da crise no STJ em torno da lista sêxtupla da OAB, o advogado Marcelo Galvão atua como consultor jurídico informal do governo do Distrito Federal.
Nesta semana, ele está de férias. Mas Galvão é sempre visto no Centro Administrativo de Taguatinga, o Buritinga. Procurador do DF, ele tem emitido pareceres jurídicos a pedido do secretário de Governo, José Humberto Pires, principalmente nos assuntos mais controversos.
Galvão é um dos seis nomes indicados pela OAB para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Pádua Ribeiro. O STJ não aprova a lista e a OAB se recusa a elaborar outra. O impasse já dura cinco meses.
Assim que o STJ escolher os três nomes da lista da OAB, a relação será encaminhada ao presidente Lula para nomeação.

O jornalista Paulo Fona está na cidade. Depois de encarar uma baita crise gaúcha, como porta-voz da governadora Yeda Crusius (PSDB), ele voltou para Brasília de vez. Ex-porta-voz também do ex-governador Joaquim Roriz, Fona largou tudo no Sul porque queria ficar perto da família.
A princípio havia sido cogitada a indicação dele como chefe da representação do governo do Rio Grande do Sul no Distrito Federal, mas não deu certo. Por enquanto, Fona analisa alguns convites para atuar em campanhas eleitorais. Não fechou nada ainda.
Representantes do grupo político do governador José Roberto Arruda montaram uma estratégia para desestabilizar qualquer candidatura do deputado Tadeu Filippelli (PMDB).
A articulação envolve a desmobilização da base e dos cabos eleitorais de Filippelli. Uma das investidas que deu certo: José Lopes, que sempre organizou todas as atividades de rua do presidente regional do PMDB, assumiu nesta semana cargo no Executivo. Ele é o novo administrador regional do Riacho Fundo. A indicação é atribuída ao deputado distrital Milton Barbosa (PSDB).
No governo, no entanto, Lopes não poderá trabalhar por Filippelli, sob pena de demissão. Outros cabos eleitorais do peemedebista têm sido procurados.
Crédito: Paulo H. Carvalho O secretário de Justiça e Cidadania, Raimundo Ribeiro, se saiu bem numa das últimas missões no Executivo antes de voltar à Câmara Legislativa em agosto. Ele conseguiu fechar hoje (17) acordo com representantes de funerárias para que passem a funcionar dentro da legalidade. Ficou acertado que nesta sexta-feira (18), os empresários vão apresentar toda a documentação para assinar na próxima segunda-feira (21) o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em que vão se comprometer a andar na linha. Entre as exigências estão a regularidade fiscal. 